terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ser MÃE na adolescência. Um relato pra lá de maduro...

Hoje, aqui no CONTOS de MÃE, o relato emocionante da mãe Heloísa, a Helô, que não carrega somente este nome lindo não, ela traz pra gente toda a beleza, a fortaleza, a responsabilidade e a verdadeira essência que a maternidade nos apresenta. Ela foi mãe adolescente e tem muito a compartilhar conosco.  Obrigada por este relato lindo Helô! Fiquei ainda mais sua fã!  



"Olá pessoal, hoje estou aqui, para contar a vocês como foi a experiência de ser mãe na adolescência. A Juliana me conhece desde que eu era criança e fiquei honrada quando recebi o convite para publicar meu relato.


Quando eu tinha 17 anos, descobri que estava grávida. Eu tinha acabado de te terminar o ensino médio e aguardava os resultados dos vestibulares. Eu não era uma garota que curtia a vida adoidado e aprontava todas, muito pelo contrário, tinha namorado e era bem certinha. Por ser a primeira neta, responsável, boa aluna e careta, aparecer grávida em uma família grande e bem tradicional, foi um choque. Foram oito meses difíceis e intensos para todos ao meu redor. 


Meu namorado também tinha dezessete anos e, assim como eu, não estava preparado para encarar uma gestação. Esse fato acarretou problemas para nosso relacionamento e acabamos terminando quando eu estava com três meses, o que dificultou a situação ainda mais. 


Eu tinha sonhos, grandes e pequenos, e vi cada um deles se esvaecendo sob a premissa de ser mãe adolescente e solteira. Desisti de estudar fora do país (o que mais almejava), desconsiderei o resultado das universidades federais/estaduais, parei de sair com minhas amigas, me fechei e grudei na minha mãe. Abri mão de tudo que adolescentes gostam de fazer, menos da música, que me acompanhou e me confortou por todo tempo. 



Aceitar minha imagem foi quase impossível. A barriga redonda, os peitos doloridos, os pés inchados. Não fiz álbum de gestante, como era comum no início dos anos 2000. Na verdade, tenho pouquíssimas fotos dessa fase. Hoje, me arrependo por não ter encarado a gestação de forma diferente, de não ter aproveitado o momento único que vivia. 



Era difícil saber que, enquanto meu corpo se alterava e eu ficava pensando na possibilidade de ter parto normal ou cesárea, meus amigos se preocupavam com a roupa que usariam na próxima balada. Perdi muitos amigos nessa época e depois que meu filho nasceu, por não entenderem minhas prioridades. Por não compreenderem que eu precisava ficar em casa com meu filho em vez de ir para a balada. 
Ficar grávida na adolescência é saber que, primeiro, a pessoa irá te julgar e olhar para a sua barriga, em vez de tentar entender que é algo normal e que faz parte da vida do ser humano. 



Apesar de sofrer e de ter noção da mudança radical que eu vivia, nunca pensei em interromper a gravidez. Aborto, para mim, era inconcebível. Eu nunca tiraria a vida do meu filho. O momento não era o ideal para mim, mas aconteceu, então ergui a cabeça e segui adiante, enfrentando tudo.



Amei meu filho assim que senti seu chute pela primeira vez. Sabia que, apesar de estar abrindo mão da vida que tinha planejado, eu sempre faria o possível para vê-lo feliz.
Ele nasceu com 37 semanas, duas semanas após eu ter completado 18 anos. Foi necessária uma cesárea de urgência, pois estava em sofrimento e com poucos órgãos vitais funcionando. Eu era muito nova e não interpretei os sinais da perda de líquido amniótico. Foi uma correria e os piores momentos da minha vida. 
Era irônico, eu não estava preparada para ser mãe, mas também não estava preparada para perder meu filho. 



Ele nasceu bem e não precisou de incubadora. Eu o peguei no colo e amei segurá-lo. Na rotina do hospital, não me senti mãe. Não me senti mãe quando o vi, nem quando o peguei ou amamentei pela primeira vez. 


Eu me senti mãe quando estava em casa, na primeira noite que passei sozinha com ele. Lembro nos mínimos detalhes como aconteceu:
Minha avó e minha mãe pediram que eu as chamasse caso ele chorasse de madrugada. Até então, eu ajudava a trocar fralda e a cuidar dele, porém não tinha feito nada sozinha. 



Quando ele chorou, me levantei e fui conferir o que precisava. Devia ser fome. Amamentei, ele se acalmou e resolvi trocar a fralda, sem chamar ninguém. Foi exatamente nesse momento que a ficha caiu. Ao vê-lo ali, sem roupa, com as perninhas finas, pezinhos minúsculos, tão pequeno, tão frágil e dependendo só de mim, fui assolada por uma sensação de responsabilidade e desespero. 


Ele era MEU filho. 


MINHA responsabilidade. 


Foi ali que me dei conta da grandiosidade que era ser mãe. 


Posso dizer que, aos 18 anos e mãe solteira de um recém-nascido, passei a ter uma nova visão de mundo. A opinião das pessoas deixou de fazer sentido, nada era maior e mais importante que o bem-estar do meu filho. Eu tentei ser a melhor mãe e a melhor pessoa que podia para aquele ser pequenininho que precisava exclusivamente de mim.


Ser mãe não me impediu de ter e de seguir meus sonhos. Novos sonhos. Estudei psicologia e trabalhei com clínica por cinco anos. Fiz pós-graduação em psicanálise e tradução. Sempre fui apaixonada por livros e hoje dedico minha vida à família e à escrita. Escrevia colunas em blogs e possuo alguns contos de romance e terror publicados. Estou na batalha para publicar meu primeiro livro solo e escrevendo meu segundo romance.


Hoje, o “menininho” tem 14 anos. Acabei me casando com o pai dele alguns anos mais tarde, aquele namoro que não tinha dado certo durante a gravidez, lembra? E temos mais um filho de 4 anos. 



Após todo esse tempo, não digo que ser mãe tão nova foi fácil, mas afirmo que faria tudo de novo, tudo da mesma forma. Porque em nenhum momento eu me arrependo da escolha que fiz."











segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Podemos e devemos evitar generalizações

Você tem irmãos? Um ou mais filho(s)?

Se os têm sabe do que estou falando, se não, observe a sua relação com seus irmãos e /ou a relação dos seus tios e compare com seus pais ou mesmo seus amigos que possuem irmãos...enfim...  ninguém é igual a ninguém... 

Com os filhos adotivos não é diferente.

Durante os vinte anos que trabalhei em escolas (😲veja bem... comecei aos dezesseis anos), muito se ouvia sobre as falas generalizadas em relação às crianças adotivas. Muitas destas falas vinham dos próprios pais e/ou professores. As crianças (coleguinhas de classe) dificilmente fazem qualquer tipo de diferença ou pré-julgamento, da parte delas, até hoje só vi curiosidades em relação ao tema.

Na minha graaaande família (aquela de primos de primeiro e segundo graus) temos outros casos de adoção, de uma criança (que hoje já é vovó 😁) outra que adotou três filhos, sendo uma menina e um casal de irmãos gêmeos, sendo que um deles cresceu e também adotou um bebê ) e aqui em casa, dois irmãos. Também tenho dois irmãos biólogicos, nascidos e criados pela mesma família e vários outros exemplos de irmãos por aí afora que sim, são diferentes entre si.

Aqui em casa não é diferente. Tom (11a) e Jobim (10a) são dois irmãos nascidos dos mesmos pais biológicos, nascidos também, juntos, do nosso coração (os dois foram adotados ao mesmo tempo) e são completamente diferentes. Por isso, generalizar uma condição pode levar a uma vertente preconceituosa e nociva nas relações humanas.

Cada pessoa age ou é daquela forma, devido a vários fatores, incluindo os biológicos, mas também devemos levar em consideração aqueles que são vivenciados e construídos ao longo da trajetória de cada um...

Ou seja, nada é estático. A vida é um eterno movimento e somos construídos (evoluimos) através de ciclos muito bem delineados pela própria natureza. Portanto, ao decidirmos adotar, precisamos ter em mente que haverá SIM muito trabalho, mas não somente pelo fato destes filhos serem adotivos, mas pelo fato de que FILHOS dão trabalho. E PONTO. É ou não é? (achei o ponto de interrogação no meu teclado, ehehe) 

Daí vem, claro, a história, as marcas, as cicatrizes emocionais que cada um carrega... isso não tem como negar ou fingir que não existe ou fazer a Poliana  ou então, se jogar na Síndrome "Feicebuquiana" dos últimos anos... Oi? Vida!!! Vida gente!!! Vida REAL.

Por aqui, por exemplo, aprendemos a cada dia, na criação, convivência e educação dos dois. Um desafio saber lidar e agir com gostos e personalidades tão diferentes e isso torna a "Arte" mais interessante... A Arte de saber respeitar cada individualidade, sem apelar para aquela "vibe" de libertinagem, onde eles podem fazer o que bem entendem... não. Eu me refiro a Arte de saber libertar, liberar com responsabilidade e saber que estas atitudes dos pais, são as que mais promovem habilidades importantes aos nossos filhos, para que se sintam mais seguros e mais responsáveis para enfrentarem as dificuldades que surgem o TEMPO TODO no universo infanto-juvenil. Quem já ouviu falar nesta listinha básica a seguir, levante a mão:


  • Insegurança ao ser deixado pelos pais na escola;
  • Medo das provas;
  • Ciúmes entre irmãos e coleguinhas;
  • Mentiras;
  • Bullying;
  • Dificuldades de Aprendizagem;
  • Entre muito outros...

Agora, ser pai e/ou mãe (ou os dois ao memo tempo), requer ou não requer sabedoria? Por isso, aqui a gente pratica o desabafo desenfreado cazamiga ,  a leitura de livros relacionados a estes temas sobre desenvolvimento e o universo dos filhos... e conversamos muito, pais e filhos, sempre em uma constante conversa sobre vários assuntos. Olho no olho mesmo (sem autoritarismo hã, se liga, isto é sério) e seguimos aprendendo o tempo todo com nossos erros e acertos, afinal, nem sempre acertamos.  No caso de filhos adotivos, percorremos o memo trajeto das diferentes fases do desenvolvimento infanto-juvenil, porém soma-se a tudo isso outros fatores que voltarei aqui para me aprofundar em temas mais específicos. Aguardem!!

Voltarei também com um próximo Post, onde vou colocar dicas de livros muito interessantes que valem a pena a leitura e investimento de tempo e dinheiro. Digo tempo, pois sempre ouvi muitas mamães e/ou papais dizerem que não conseguem tempo pra ler... pense, a gente encontra tempo nas salas de espera das atividades extras deles enquanto os esperamos, quando estamos no banheiro 😉,  antes de dormir... enfim, a leitura nos abre um leque de possibilidades, mas a melhor delas é saber que não estamos neste barco sozinhos.

Obrigada par visitar meu cantinho! Na próxima visita, pegue o "cafezin" e sente comigo na minha varanda, porque prosa aqui é o que não falta...


Imagem retirada da Web

 Bisous,


sábado, 2 de setembro de 2017

uma nova etapa do blog acaba de nascer!!



Tantas coisas acontecendo no mundo né... e eu não encontro o ponto de interrogação no meu teclado recém instalado... mas os problemas do mundo estão tão graves que requerem uma discussão mais profunda, muita reflexão e enquanto vamos fazendo nossa parte dentro das nossas casas, com nossos filhos e família, vou continuar teclando aqui meus devaneios até que o tal do ponto de interrogação apareça em alguma tecla perdida por aqui... e outras postagens deste tema possam vir em outro momento.

O fato é que uma amiga me ajudou a mudar a cara do meu blog, dando um ar mais personalizado e isso se deve a algumas mudanças que virão pela frente. Os codinomes de meus filhos nos textos vão permanecer por uma questão de neurose de escolha da mãe. Acredito que já que os contos são escancarados  verdadeiros, um mínimo de preservação, acredito ser necessário. BUT... porém, contudo, os filhos cresceram um "cadinho" e agora, depois de tantos anos preocupada se eles aceitariam ou não a exposição  no blog, eles chegaram um belo dia e me disseram que, PASMEM,  querem ser... Youtubers... Chocada!!! 

Agora é um tal de grava isso e aquilo, fazem vídeos, falam pelos cotovelos entre eles, editam, refazem, acham o máximo e óimmmm, eu acho que levam o móoo jeito. 

Daí então veio a idéia de usarmos esta plataforma (meu bloguinho simprinho), desta vez juntos, para continuarmos compartilhando nossas experiências, da mesma forma que me é peculiar, na prosa com a mãe aqui, no cafezinho com bolo na varanda do desabafo, na pracinha cazamiga, porém agora com o som das crianças (pré adolescentes) ao fundo... legal neh...

Outra novidade, agora, com o aval de Tom (11 anos) e Jobim (10 anos), as imagens e fotografias foram liberadas. E não foi somente este aval que fez a cabeça desta ex-atual-recém chegada blogueira mudar de idéia. Muitos daqueles que me acompanham nestes anos sabem o quanto sempre cuidei da preservação da imagem da nossa família e dos nossos filhos, mas como estamos em constante processo de transformação (ainda bem) eu me aprimorei *beijinho no ombro*, rs nestes últimos tempos...

    

Como eu contei pra vocês aqui , desde fevereiro de 2016 muita coisa mudou na minha visão de mundo. Muitos receios e neuroses minhas em relação à nossa exposição foram debatidas durante este período de pausa do blog, foram muitas sessões e conversas com minha psicóloga e na maioria das vezes, ela me dava razão. A exposição tem suas vertentes e nem sempre é boa. Porém, em muitas outras conversas com ela, com amigos, leitores de vários cantos do mundo e a última sessão que tivemos com um psicólogo suíço aqui, ficou claro pra gente que expor nossa experiência esta longe de ser exibicionismo. Após passar bem perto do Cabo da Boa Esperança  pela dificuldade da Ménière, percebi que a vida é uma dádiva e que o caminho que escolhemos percorrer com nossos filhos foi acertivo, bonito, corajoso, nos completa e nos transforma a cada dia. Segundo a visão do psicólogo suíço, vários fatores estão agregados à nossa história e muitos deles podem SIM inspirar muitas outras famílias que estão na mesma situação que a nossa... Palavras dele:

"Eu tiro o chapéu, pois além do fato da adoção de dois irmãos biológicos, já crescidos (4 e quase 3 anos), somam-se os fatores expatriação, trilinguismo, adaptação a outras culturas, climas, entre outros..." 

Alors... Respira fundo mãe Pandora, mostra o que é teu, que a vida te presenteou e que o universo inteiro conspirou para que este encontro de almas fosse possível!! 


Com vocês, uma nova etapa do blog acaba de nascer!! 






Tom e Jobim, na Alemanha em 2013

Lugar incrível na fronteira entre Suíça e Austria

Eles, na escalada do Matterhorn (rs) Suíça, 2012

Eu e Jobim com quase três aninhos, em Oslo, na Noruega.  Amo esta foto!!

Momentos inesquecíveis no Dyreparken, em Kristiansand, Noruega.   
Nossa família, Jobim banguela, Suíça 2015
Muro de Berlim, 2017




terça-feira, 6 de junho de 2017

Comunicação Não Violenta, conhece?

Eu ando meio sumida desta vida on-line, né? E olha que não é por falta de vontade de escrever não. Deste mal não sofro, escrever me re-organisa muito.

Mas do lado de cá tem acontecido um movimento muito interessante com pessoas que como eu, acompanham seus maridos por este mundão afora e que, por diversos motivos, não conseguem exercer sua formação universitária ou continuar suas carreiras profissionais. Na região de Vevey (Vaud) na Suíça, um grupo de brasileiras foi criado com atividades semanais, palestras e cursos, onde cada um(a) pode compartilhar seus conhecimentos e suas especialidades umas com as outras. Ou seja, aquilo que eu faço de melhor, agora eu tenho a oportunidade de compartilhar para um grupo de pessoas que desejam acima de tudo, renovar suas ideias e quebrar alguns paradigmas. Tudo remunerado, onde um pequeno investimento de cada uma, promove um entusiasmo incrível.

Desde que o grupo foi criado, tenho experimentado diversos mundos diferentes... artesanato, decoração, finanças... uma iniciativa muito bacana criada pela fisioterapeuta Luciana Regina Cerri e que vem agregando e unindo diversos interesses.

Um curso que tem me orientado muito e que conheci em uma destas reuniões foi o CNV, Comunicação Não Violenta. O nome não é muito convidativo, né? E sempre que falo para as pessoas sobre ele vejo as caras e bocas de reprovação. Compreendo, eu mesma relutei muito para conhecer melhor o que era esta sigla e confesso que superou minhas expectativas. Fui para conhecer e acabei me encantando com o que encontrei.  O famoso telhado de vidro... Plaft!!

Um exemplo simples de atuação na CNV, foi como este exemplo que aconteceu aqui em casa. Eu havia assistido a primeira palestra e dentro da situação que relatarei abaixo, consegui aplicar o conceito de Comunicação Não Violenta, olhem só:

Jobim, 9a,  chega em casa e reclama do bullying que vem sofrendo na escola, por conta dos gols que não conseguiu segurar como goleiro no time de futebol da escola.  Falou que as outras crianças ficavam falando o tempo todo a mesma coisa, reclamando que ele era um péssimo goleiro.

Antes da minha reflexão sobre CNV eu poderia reagir e dizer a ele que os colegas "são todos uns bobos", diria "não liga", "você é um ótimo goleiro" ... enfim, tentaria amenizar a todo custo o sofrimento dele culpabilizando os outros. Sem perceber fazemos muito isso no nosso dia-a-dia. Mas como estava em uma outra "vibe", olhei de uma outra forma:

Perguntei: "Como você se sentiu quando eles falavam isso sobre voce?"
Ele respondeu: "Triste"
Eu disse: Agora se coloque no lugar deles, como você se sentiria?"
"Triste"
"Então filho, eles estão apenas colocando os sentimentos de frustração pelos gols que receberam pra fora, na verdade não é nada com você, ou contra você. Eles estão frustrados pela perda do jogo...
E também pense o seguinte, se todos os goleiros do mundo pegassem todas as bolas, o futebol acabaria."
Ele ficou feliz em ver por este lado, concordou, mudou de assunto e seguiu em frente.

Pronto, simples assim.

Ôoooo delicia de sensação é aquela onde você se sente a mãe da propaganda de margarina, onde tudo é lindo e perfeito. Mas brincadeira à parte, a sensação de conseguir se manter neutra nos dilemas dos filhos ou nas inúmeras mediações de conflitos que temos que fazer TODOS os DIAS é muito bom! Quem nunca, né?

Mas vale a pena buscar saber mais sobre este curso aí na sua cidade, seu país. E ele serve para todos os tipos de relacionamentos interpessoais, como casamentos, empresas, filhos, amigos, família... afinal desenvolver o hábito de falar sobre sentimentos não é tão simples quanto parece, né? E os conflitos podem ser evitados dependendo do seu ponto de vista sobre eles. Continuarei o curso por aqui e o próximo módulo será sobre a "escuta". E você? Compartilhe aqui nos comentários se já conhece a CNV ou sobre o que achou sobre este assunto. Sua opinião é super importante por aqui.

Fica a dica!!

Abaixo, um resuminho simples e bacana que encontrei na rede:



Bisous!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Recepções em Casa

Enquanto não consigo atualizar os posts (mas volto AGUARDEM), compartilho aqui um vídeo-chamada que coloquei na minha recém criada página no Facebook, que se chama Contos de Mãe. Curta lá também, sempre que posso corro por lá pra dividir algumas coisinhas do dia-a-dia com vcs. 



Espero que gostem!! 

Bisou, Bisou

quinta-feira, 23 de março de 2017

Artes: Aprendendo com Tom

Tom é meu filho mais velho, ele vai fazer onze anos em maio deste ano. Desde que nos conhecemos (quando ele tinha quatro anos) a gente percebe que ele ama desenhar e o faz muito bem, e não é papo de mãe coruja não heim?

E eu, mãe papelaria, adoro estas coisas e incentivo todo o tipo de arte em casa, principalmente se fizermos juntos. Um bom exemplo são as adoráveis canetas para vidros. A gente aproveita a arquitetura daqui com janelas e portas de vidros grandes para que eles possam explorar o desenho sem medo e o melhor, depois é só passar um pano umedecido com limpa vidros. Legal, né?

Outra atividade que fazemos juntos é a pintura coletiva, com direito a biquinho minha gente, tamanha é a concentração. O melhor destas atividades é que enquanto a gente pinta, o diálogo flui e a gente pode conversar de assuntos diversos, inclusive aqueles que ficam embaixo do tapete e surgem do nada a cada pincelada.
Pintura coletiva em um painel gigante. 


O interesse de Tom pelas Artes foi aprimorado na escola pública aqui na Suíça e de lá pra cá a gente tem aprendido muito com ele. E o danadinho guarda tudo, datas, acontecimentos, uma enciclopédia este garoto. Na escola onde eles estudam a gente percebe que o estudo da História das Artes e os artistas são bem valorizados pelos professores e a motivação deles é nítida quando os convidamos para uma exposição,  por exemplo.

Em fevereiro de 2015, quando fomos para Nova Yorque, infelizmente chegamos uma semana após o fim 😔de uma grande exposição do Henri Matisse no MOMA. Mas o interessante foi que estávamos em uma estação de trem de lá e duas senhoras americanas sentadas ao nosso lado começaram a conversar conosco graças às crianças. E elas além de nos alertar sobre o fim da exposição, também nos sugeriram ir a uma livraria no Rockefeller Center, a Posman Books, para adquirirmos este livros elaborados especialmente para o público infantil:




Conseguimos ver de pertinho esta obra de Monet, em Martigny. 

Reprodução feita por Jobim, aos 7 anos, com canetas feltro. 


Reprodução feita por Tom, aos 8 anos. Ele recortou e montou , como Matisse. 

Os livros possuem uma linguagem bem lúdica e acessível aos pequenos leitores e como vcs podem ver, Tom (10a) e Jobim (9a),  já fizeram re-leituras de algumas obras.

Vale a pena!!

E há uns vinte dias, estivemos na exposição Hodler, Monet, Munch na Fondation  Pierre Gianadda, em Martigny, aqui na Suíça. Foi nossa segunda visita nesta fundação, que também possui um museu de carros antigos. Lá as crianças recebem uma espécie de Quiz sobre a exposição atual, a fim de que possam realizar a visita de uma maneira lúdica:

Acharam uma muretinha para responderem ao quiz. 





Tom e Jobim com o roteiro para crianças. 



 É isso aí, Suíça oferece muito mais que escândalos envolvendo dinheiro público do Brasil  fondues e chocolates. Aqui tem muita coisa interessante para se explorar e curtir com as crianças e os adultos.

Bisous, da Mãe

sexta-feira, 10 de março de 2017

Aniversário Solidário

"Você é a mudança que deseja ver no mundo" Mahatma Gandhi 

EMPATIA

Segundo a definição que encontramos aqui,
 
Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo - amor e interesse pelo próximo - e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais.

Assim surgiu a ideia de este ano, pela segunda vez nestes meus ... vinte e poucos quarenta e dois anos, reunir várias amigas (mais de quarenta) que também moram aqui na Suíça para uma confraternização do meu aniversário (3 /3 anota ai), no Dia Internacional da Mulher. A ideia era celebrar o aniversário, porém, sem presentes comerciais. O objetivo era doar talentos, serviços, valores ($) a quem precisa. 


Tudo começou assim:  

Todos os anos é mesma ladainha, digo que não vou fazer nada no aniversário e Pá!! Mudo de ideia rapidinho e começo a programar cada detalhe para celebrar a vida.  

*** Pausa

Bom... pensando que ao ouvirmos as notícias sobre a economia do nosso país, ficamos muito tristes em ver nos noticiários, que o Brasil está vivendo segunda pior recessão de sua história. Claro que euzinha não consigo mudar nada, mas posso fazer uma pequena parte.

*** Fim da Pausa 

Foi pensando nisso e em como poder ajudar de alguma forma, resolvi pedir às amigas a gentileza de trocar a tradição dos presentes, por uma doação em dinheiro para uma instituição de caridade e sem fins lucrativos no Brasil; 

Eu, marido, Tom (10a) e Jobim(9a) optamos por repassarmos as futuras doações para um abrigo, onde atendem crianças em situação de abandono ou vítimas de maus tratos e para evitarmos constrangimentos  com os valores doados, preparamos esta caixa para que as doações fossem anônimas.


E como forma de agradecimento às doações, pensei em sortear alguns brindes, mas precisaria correr atrás dos mesmos. Foi necessário então, encontrar outras pessoas com a mesma "vibe", as mesmas ideias altruístas para de alguma forma doarem seus talentos, uma parte de suas formações profissionais, seus produtos e claro, as encontrei!! Desta forma, poderíamos retribuir as doações e ao mesmo tempo, promover os serviços e produtos durante a festa;


Mas também encontrei quem não topou. Faz parte, o importante foi ver o resultado desta celebração que acreditem, foi pra lá de especial. O número de pessoas que querem ajudar foi e sempre será muito maior que aquelas que não se envolvem.


Conseguimos angariar ótimos brindes para os sorteios durante a festa:
  • 1 mês de aula de Zumba gratuitas com a animadíssima professora Renata Hernandes. A aula dela parece uma festa! Ela colaborou doando as aulas para três convidadas;  
  • 1 entrada para o workshop Manual de Sobrevivência Criação de uma Expatriada* com a coach Geisa Mourão que acontecerá em breve aqui no cantão de Vaud, na Suíça. Aliás, vale a pena conhecer o trabalho dela, que vem com um grande projeto para mulheres em Vaud!Em breve teremos mais detalhes, aguardem! Aproveite para dar uma passadinha lá no site dela clicando aqui;  

A querida Rosângela recebendo o voucher para o  worshop com a coach Geisa Mourão. 
  • Duas caixas dos saborosos e saudáveis Smart Cakes  que chegaram há pouco tempo na Suíça e já caíram no gosto dos suíços. E esta empreitada veio de onde?? Onde?? Do BRASIL!! Sim, passou pela aprovação de todos aqui em casa e são feitos somente com ingredientes saudáveis e nutritivos. Dê uma espiadinha aqui e veja se não vai te dar água na boca! 
  • Duas massagens (facial e corporal) com a fisioterapeuta Luciane Cerri. Eu quero!! Eu necessito!! Se por acaso quiser o contato, escreva nos comentários; 

  • Dois artesanatos lindos feitos especialmente pela artista plástica Isabel Arruda. A Isabel tem um canal  no You Tube com quase 20.000 seguidores!! Olhem o capricho que ela coloca em cada detalhe, clicando aqui. A Isabel também eternizou a imagem do meu filho em biscuit no aniversário de 10 anos dele o ano passado. Ficou demais!! Em breve falaremos mais sobre esta festa;

  • Um Naked Cake brigadeiro com Cenoura para a celebração da Páscoa, deliciosamente oferecido pela boleira de primeira Priscilla Tedeschi e sua linda Bollerie -Joie en Morceaux. Você também pode conhecer o trabalho dela pelo Instagran, clicando aqui

  • Dois kits de viagens para facilitar a vida das mamães, delicadamente preparados com muito carinho pela Fernanda, a mamãe da Giovanna, que também moram na Suíça, mas estão de mudança em breve. A Fê escreve no "Viagens de Mãe" e lá vocês encontrarão muitas dicas legais para quem viaja com os filhos 😉. 

  • Uma entrada para o workshop sobre Estilo Pessoal* com a consultora em moda Ludmila Oliveira; Chique né? 

  • Uma entrada para o workshop de culinária com o tema Massa Caseira*  com Letícia Campos e Adriana Medeiros. A Adriana faz queijo catupiry caseiro para vendas, caso queira o contato, escreva nos comentários; 

  • Uma sessão de fotos, com a fotografa Liliane Valadares. Nós fizemos um ensaio com ela e recomendamos muito! Quem quiser o contato dela, por favor, escreva nos comentários. 

  • Um Acessório de Decoração da Suki Home, para dar um toque elegante na mesa da ganhadora 😉
E muitos outros brindes que algumas amigas fizeram questão de levar para colaborar. 

E foi assim mesmo, no carão que muito me é típico, fui buscando outras pessoas altruístas e acreditem, elas estão por toda parte. O importante é saber que o NÃO, nós já tínhamos e o que importa é a quantidade de SIMs que foram chegando.

Conseguimos arrecadar bem mais do que eu esperava quando tive a ideia inicial e mesmo àquelas pessoas que não puderam ir ("cadiquê "a maioria tem filho e a gente sabe que maternidade também significa imprevistos ) quiseram fazer sua parte. 

E dá pra não acreditar em um bem maior pessoas? O ambiente na festa foi tomado por uma energia boa, de sentimentos do bem, por uma alegria que se sentia de longe. Sem romantismos, pura realidade, assim recebi nos retornos das amigas que lá estiveram e que a maioria ali, são a nossa família na Suíça há seis anos.  

E este "post " foi para dizer o quanto sou boazinha e samaritana #sqn

Não.

Acho que na vida o que se leva é uma mistura de ética, valores e empatia, assim, "tudojuntoemisturado". 

Percebo que ao longo da estrada tropeçamos em alguns pedregulhos, porém, só tropeçamos pois nossos olhos estão ocupados demais buscando as flores.  E tenho dito!

À todas as minhas amigas que estiveram presentes e as que não puderam, às que estavam longe, às nossas famílias no Brasil e todos aqueles que fizeram falta neste dia... 


MUITO OBRIGADA!!  

* Todas as palestras e workshops acima fazem parte de um projeto para brasileiras que moram na Suíça e foi idealizado pela fisioterapeuta Luciane Cerri.

P.S. Hoje na minha varanda, enquanto a gente conversa, tem som. Estou escrevendo este post ao som de Kaiser Chiefs, amo!! Aperte aqui pra ouvir: Coming Home 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Menie... o que?

O nome é Menière, ou Síndrome de Ménière.

Deste que recebi este diagnóstico a vida não é mais a mesma e a falta de informações e/ou trocas de experiências sobre o assunto em sites em português, ainda é algo a ser explorado. Então, vou por aqui fazendo a minha parte, neh?

Semana passada ao contar pra uma amiga sobre todas as mudanças que tive que fazer a partir de então, vi que ela ficou assustada. Também estou (confesso) mas nada de alardes, a vida é assim, a gente se assusta no início das mudanças, mas logo depois nosso chip interno  (aquele que acredita em dias melhores, que toca em frente) se encarrega de reprograma-la, para seguimos em frente. Tudo no  tempo certo, onde o "jogo do contente" é necessário, a fé e o otimismo também.

Mas... realmente me pegou de supetão e o que mais me assustou no início foram as crises.



Foram muitos episódios, mas alguns me marcaram muito e estes também assustaram muito as crianças. Um foi em casa e as crianças estavam com alguns amiguinhos e assim que servi o almoço, eu senti que as tonturas começaram, ou seja, aquelas horas em que a última coisa que você quer é estar sozinha vomitando com a casa cheia de crianças, né? O outro foi em um restaurante, a gente tinha acabado de chegar quando percebi que a crise ia começar. Mo meu caso foi assim mesmo, muito rápido, inesperado. Saí cambaleando, o marido me segurando e o restaurante todo me olhando como se eu tivesse tomado todas antes fosse benhê...E não acaba aqui não. Havíamos estacionado o carro em uma rua paralela ao restaurante e eu não conseguia andar até lá, então, tonta, sentei na sarjeta. Os meus pensamentos naquele momento eram de querer enfiar a cabeça embaixo da terra e chorar   com muita vergonha. E o pior das crises foram as náuseas e vômitos que vinham em seguida. Mas o terceiro episódio (dentre muitos outros) foi terrível. Estávamos de carro com as crianças voltando da Legolândia, na Alemanha quando percebi que algo estava errado. Foi uma das mais fortes que tive, a ponto de ter que ficar internada em um hospital por lá mesmo durante seis horas.

A partir de então, decidi que eu precisava me inteirar com urgência sobre o que estava acontecendo. O sistema de saúde aqui na Suíça é diferente, não temos acesso a muitos medicamentos e me faltou  uma orientação precisa sobre o que estava acontecendo comigo. Comecei a ler artigos confiáveis na Internet e quando fomos para passar o Natal e Ano Novo no Brasil, aproveitei para tirar uma segunda opinião.

Tanto lá no Brasil, quanto aqui, uma dieta foi prescrita para amenizar os sintomas:

  • Ingerir menos sal;
  • Tomar muita água;
  • Evitar alimentos congelados e enlatados;
  • Menos açúcar e chocolate;
  • Praticar atividade física diariamente;
  • Evitar álcool e cafeína. 
E eu fico como 😶? Vou comer vento? Não, já sei!!! Vou virar musa fitness 💪🏻 !!! eh eh eh. Brincadeiras a parte, vou começar a postar também alguns pratos que jamais pensei em fazer, e estou amando me enveredar deste mundo "gourmet saudável". Por exemplo, hoje no almoço comemos quinoa, salmão, lentilha e espinafre e no jantar foi frango ao molho de limão, vagens e virado de lentilhas (com farinha de milho do Brasil).  E as crianças estão "de boa" nestas novas experiências gastronômicas por aqui.

Ah! Também mudamos a dosagem do medicamento, o que melhorou muito minha qualidade de vida. A parte boa  foi que com a dieta acima, eliminei quatro quilos sem passar fome, apenas comendo melhor, fazendo boas escolhas, mais saudáveis ... e principalmente evitando os exageros. O medo de ter a crise já nos disciplina. Aquela tacinha de vinho todas as noites pra aquecer as noites frias dos alpes suíços deu lugar a uma xícara de chá bem quentinha e o corpo agradece. 

A única coisa que não mudou ou até piorou nestes dois meses (desde o fim de ano) sem crises 🙏foi o zumbido no ouvido... este continua firme e forte. Mas já procurei um novo especialista por aqui para tentar diminuir se possível e também controlar a perda auditiva que é no momento, o menor dos meus problemas, acreditem. Passar pelos momentos incontroláveis de crises o tempo todo me tiraram por um período curto de tempo, um dos maiores prazeres que muitas vezes reclamamos, o de fazer TUDOEMAISUMPOUCO no dia-a-dia de uma mãe. Ser a "mãetorista", a cozinheira, a auxiliar nos deveres de casa alheios, a mãe chata da rua, a controladora de eletrônicos, a massagista de pezinhos chulezentos, a enfermeira de todos os tipos de males universais... enfim, curtir cada etapa da vida nesta correria que é vida de mãe, pode cansar, pode nos estressar, mas é dádiva.

Durante as crises, muitas vezes eu permaneci deitada no quarto, sem poder me mexer, sem conseguir nem mesmo responder uma mensagem no celular. Para uma pessoa ativa, isso é uma tortura e como não temos família por perto, os desafios são bem maiores com filhos pequenos e daí vira uma bola de neve... o estresse aumenta, as crianças ( esses seres extraterrestres que possuem antenas e percebem todos os sentimentos a sua volta) regridem... enfim, um caos. 

Mas não tô sozinha nesse carrossel sem freios não, tá?

Nas pesquisas neste mundo "internético" onde a maioria das pessoas são lindas, perfeitas e sem problemas descobri também depoimentos hilários e motivadores de pessoas que também tem a mesma síndrome e nem por isso se entregaram à doença.




O cantor Ryan Adams até tentou continuar os shows quando descobriu a doença, mas pelo fato do zumbido no ouvido atrapalhar as passagens de sons durante os mesmos, ele decidiu interromper a carreira. Porém, voltou a lançar um álbum para a alegria dos fãs.

As atrizes Kristin Chenoweth   e Katie Leclerc lidam super bem com a doença, e suas entrevistas foram as que mais me ajudaram a acreditar em dias melhores!! E é atrás destes exemplos que eu vou!! #inspiração













Dentre muitos anônimos e anônimas como eu, descobri uma figura nobre que supostamente também percorreu este caminho, o que explicaria talvez seu desequilíbrio mental no fim da vida:
Vincent Van Gogh 

Eu já admirava a obra, agora a compreendo rs  😜

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

De verdade!

Voltar a escrever no blog é um exercício fantástico de reflexão sobre as expectativas que uma mãe doida carrega. Essa doida sou eu.

Hj mesmo fui ao aniversário de uma amiga pela manhã e como estou super acostumada com a correria mãetorista frenética do dia-a-dia, estava me despedindo das pessoas bem antes (1h) do horário de pegar Jobim (9a) na escola (lembrando que aqui na Suíça, as escolas locais funcionam em dois períodos, manhã e tarde e o almoço é em casa). E é assim mesmo neh, a correria tá no mundo todo, por todos os lados... e a gente que acha que os filhos vão se tornando mais independentes e a vida sossega um pouco... nananinanão. Só piora, pois agora eles fazem seus próprios compromissos e cabe à mãe coordenar as agendas "tudo", que no meu caso são quatro: A minha, de Tom (10a),  Jobim (9a) e da nossa cachorrinha Chloé (2a)🐾. Mas isso não é reclamação não, tá? Tô curtindo muito cada ritmo, cada pedacinho deste enredo de vida que ganhei de presente.

Mas senta aí, pega o chá e devaneia comigo.

Voltar a ler meus textos que foram escritos há quatro anos só me faz pensar na forma como eu pensava nos fatos futuros e como eles realmente são, na realidade atual. Pra se ter uma ideia, parei de escrever para preservar a identidade de cada um, para não expor muito, principalmente a história deles, porém senti muita falta desta troca... a exposição tem seus problemas, mas ajuda muito outras pessoas a se encontrem também, dentro de suas próprias buscas interiores. E eu sempre procuro  ajuda em leituras e trocas de experiências (como agora na Síndrome de Menière), percebi o quanto saber que uma pessoa que não conheço pessoalmente, realmente me ajudou relatando sua experiência com a Menière,  em uma entrevista em uma rádio local... então pensei... "Tá vendo como a exposição pode ajudar?"


Então, sentei com meus parceiros ❤️ de vida: marido e filhos e perguntei a opinião de cada um sobre voltar a contar nossas histórias reais e ajudar outras pessoas...

E a resposta não poderia ser melhor: Sim, claro!!  Tom (10a) que já teve uma orientação sobre o uso da Internet na escola, apenas me lembrou sobre não colocar muitas fotos, endereço, cidade, etc e tals. Demais, né?

Mas voltando ao tema central do meu devaneio hoje... "bora" prosear:

Quando se é médico, o olhar sobre a saúde é mais apurado, o mesmo acontece com o engenheiro civil que calcula e prevê que um erro, pode ser fatal. Cada profissão com seu olhar e suas cautelas... no meu caso,  minha profissão de formação e anos na área: Pedagogia e Psicopedagogia.

É claro que existe aquele ditado "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau", e acredito que pecamos muito mesmo neste sentido. Mas me vi muitas vezes antes de ser mãe, orientando pais e alunos em muitas coisas que eu realmente acreditava (e acredito!) serem possíveis e ideais, de acordo com tudo aquilo que havia passado anos estudando e vivenciando no quotidiano escolar onde convivemos com vários tipos de famílias. E quem me conhece e convive comigo sabe, sou super farrista, brincalhona, mas quando o assunto são os filhos, não deixo de me ver como há anos, centrada, procurando seguir as orientações que fazia a outros pais, mantendo o foco, que dentro dos meus devaneios, levo super a sério. Claro que o ideal para cada família é diferente, pois depende de cada dinâmica e histórico familiar de cada um. O que funciona pra mim, é diferente daquilo que funciona pra você, e assim vai, nehh? A gente vai aprendendo a ser mãe, a ser família na garra mesmo, no dia-a-dia, na convivência. Sem regras, apenas adaptações.

E nestes quatro anos de pausa no blog e quase sete anos de maternidade, a gente tem um balanço muito lindo "so far"*. Muitas vezes, eu e o maridon ficamos horas conversando sobre os fatos que ele muitas vezes perde por conta das viagens e do trabalho e nos pegamos emocionados, dentro de uma atmosfera que não conseguimos explicar... vai muito além das coisas que conseguimos explicar. Lindo de verdade ❤️amor piegas, amor clichê,  pois não tem como ser diferente.  É a Vida, é bonita, é bonita e é bonita.  

Por exemplo, o fato de sempre trabalharmos com a sinceridade e a verdade aqui em casa em relação a história deles, sem máscaras, sem histórias proibidas, nos rende muitos contos interessantes, como aquele que contei aqui e muitos outros que ainda contarei. Tom e Jobim falam realmente com muita naturalidade sobre o fato de terem sido adotados, pois pra gente é inconcebível esconder ou ter receio de uma história que é de amor!!

Um dia desses, vivenciamos uma fato no mínimo, inusitado:

Eles estavam no vestiário do futebol ( dá outro post esse tema, viu 😒) e por algum motivo, Tom (10a) disse abertamente que ele e Jobim haviam sido adotados ( tipo na naturalidade mesmo, aquela coisa de tirar a meia fedida, a camisa cheia de suor e ir conversando "cozamigo" no vestiário, sabe?). Daí, o amigo que ficou surpreso com aquela conversa toda, começou a aborda-los constantemente sobre este assunto:

_"Eu estava pensando... aquele dia no vestiário, vocês inventaram aquela história, né?"

No outro dia:

_"Sabe, eu andei pensando... vocês não foram adotados coisa nenhuma. É mentira dos seus pais". 

E em algum outro dia:

_"Sabia que é mentira da sua mãe? Vocês não foram adotados...Ela está mentindo pra vocês". 

Oi??? 😳

Claro, esses bullyings  acontecem somente quando nós, pais, não estamos por perto e euzinha estava "boiando", sem saber de nada, até que Tom e Jobim chegaram uma noite, após o futebol e marcaram uma "DR" (discussão de relação, a gente vê por aqui...). Sentamos e pá!!!

_"Mãe, é verdade que você inventou que a gente foi adotado? ("Tudo" com cara de choro e com fome minha gente)... que dó.

Pausa ...

Fiquei com cara de "UÓ"... juro, sempre pensei que o conflito seria o oposto, o inverso disso. Não acreditei que estava acontecendo aquilo, não estava preparada pra esta pergunta... aliás, nunca pensei que isso seria possível ah ah, sério! Foi inusitado. Conversamos tranqüilamente com os dois, explicamos e re-contamos toda nossa trajetória e claro, tive que ligar para a mãe do coleguinha que, como eu, também não sabia de nada. Ri com ela também, pois realmente achei engraçado ter que explicar pra ela que sim, nossos filhos eram do coração e que era pra ela converser o filho de que nossa verdade, nossa história pode ser diferente da dele e de muitos outros coleguinhas, mas é bem legal também!!

Depois disso, tudo resolvido e sem bullyings (neste sentido),  espero!! 😅

Goleada no coração!! Foi gol de letra, de canetinha... 


Bisous, mãe Pandora que tira da caixa um monte de lembranças pra reviver...



 * Tradução Inglês - Português: So far: até agora



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Das surpresas que a vida nos traz...

Oi!! Voltei, voltei!!!

Espero eu que desta vez seja pra valer, mas como por aqui não faltam acontecimentos, senta que lá vem história... 

Vou contar em algumas postagens o que aconteceu na minha vida desde o último post, em setembro de 2016. 

Bom...

Tudo começou em fevereiro de 2016, há um ano. Um belo dia acordei com o ouvido entupido. Mas como aqui na Europa as estações do ano são bem marcadas e muitas pessoas sofrem com a quantidade de pólem que circula nos ventos e nas patinhas dos insetos por conta da primavera que vem chegando, eu achei que era uma simples alergia. Mesmo assim, procurei um médico. 

Na consulta, ele fez audiometria (estava tudo normal), fez o exame clínico, a entrevista... e claro, não fechou nenhum diagnóstico precipitado, mas citou algumas possíveis causas, dentre elas, possibilidade de ser algum tipo de vírus ou Maladie de Menière ou Síndrome de Meniėre como é conhecida no Brasil. 

Voltei pra casa ainda com o ouvido tampado e segui vida normal na certeza de que isso passaria. Acreditem, não me atrevi nem a buscar o significado desta doença em site de buscas. Segui a vida que é corrida e fui adiante. 

Em julho, me permiti passar um fim de semana "cazamiga" em Amsterdam (vou postar sobre isto em breve, foi muito bacana) e quando fomos ao Brasil de férias, aproveitei como faço sempre pra ir no dentista e claro, me consultar com um outro otorrinolaringologista. Quem mora pelas bandas de cá sabe o quanto a medicina aqui evita receitar medicamentos fortes, então eu fui ao Brasil crente que faria um tratamento com uma batelada de antibióticos e voltaria novinha em folha "prazeuropa". Ledo engano... 

Fiz os exames e o diagnóstico foi o mesmo... possíveis causas...

Aproveitamos muito as férias em julho no Brasil (apesar de pegar mais frio) e voltamos pra vida normal em agosto, aqui na Europa. Em setembro, ainda com o ouvido entupido, decidi voltar ao meu cantinho preferido: Meu blog, onde eu registro um pouco da nossa história, da minha leitura sobre a vida, sobre o mundo... e em outubro...

Fonte da Imagem: http://audiocontrol.com.br/BlogItem.aspx?id=34&cat=5
Um CAOS!!

De uma hora pra outra minha vida, meu ir e vir, TUDO, mudou. 

Passei a ter tonturas assim que acordava. Com elas, vômitos imediatos, sem aviso prévio. Não conseguia andar em linha reta. Tom e Jobim (codinomes 😉 dos meus filhos de 10a e 9a) ficaram super assustados, inseguros. Foi então que o diagnostico foi fechado: Maladie de Ménière, ou Síndrome de Ménière. A qual eu estou aprendendo a lidar todos os dias a partir de então. 

Vou contar cada passo, cada conquista, cada erro, tim-tim por tim-tim, pois isso me faltou muito no começo. Assim como conversar, ler e assistir outras pessoas com esta doença me ajudou muito a seguir em frente, eu não posso ficar calada se tenho um meio de comunicação de fácil acesso ( o blog) pra poder partilhar e de alguma forma, ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo problema neste momento.

Agora volto com mais um tópico para o Blog. Além de muitos já discutidos aqui como Maternidade, Endometriose, Expatriação, Adoção, agora trago na pauta, uma doença pouco falada, desconhecida, que tem um nome estranho e que assusta muito: a tal da Síndrome de Ménière

Obrigada pela paciência pessoas lindas que vieram aqui e deixaram recadinhos super carinhosos. Estou pensando em voltar a divulgar os posts no Facebook também, mas por lá eu não vou há tempos... e isso também faz parte da aprendizagem deste meu novo ser, lidar com prioridades, uma coisa de cada vez e sempre. 

Até daqui a pouco com mais explicações, desabafos e descobertas sobre a tal...

Bisous, Pandora Resiliente 🙃😃 

P.S. Assim que comecei a procurar sobre a doença nos sites de buscas, eu digitava sempre em português e francês e o que vinham eram enxurradas de más notícias, tipo "amore, a vida acabou"... sério. Então, uma amiga, super leitora do blog, a Giovana, me perguntou se eu tinha digitado em inglês. E dai... a vida voltou a sorrir. A quantidade de pessoas com esta doença nos EUA e no Canadá é tão alta quanto no Brasil e na Europa. O que muda são a quantidade de pessoas que tem a coragem de partilhar suas experiências e ajudar outros a entender o que está acontecendo através de relatos e entrevistas. É fato, aqui na Europa e no Brasil, pouca gente se expõe neste sentido, o que é uma pena. 

Então, aqui vai um vídeo que achei a minha cara, uma explosão de energia, que me ajudou muito na pior fase. Através desta entrevista, percebi o quanto minha alegria é muito maior que as dificuldades e o quanto sou resiliente.  

Me comprometo a colocar legenda futuramente, ok? Me cobrem, mas antes sintam a "vibe" desta atriz que conta que ela e a irmã, sofrem da mesma doença. Vamos com fé minha gente!! Fácil não é, mas tudo se encaixa.