domingo, 17 de julho de 2011

Dica de histórias infantis sobre Adoção

Recebi de uma amiga uma ótima dica de literatura infanto-juvenil e quero compartilhar com vocês.

O livro "Histórias para Voar" da Editora SALAMANDRA, traz excelentes e pequenas histórias sobre temas polêmicos para conversarmos com nossos filhos de uma forma leve e prazeirosa.

Uma das histórias aborda a adoção de uma forma divertida e faz muito sentido para os pais, que ao lerem podem se identificar com as situações relatadas.

Pra você ficar com uma pontinha de quero mais, aqui vai um trechinho da história "Uma Grande Família" de Corinne Machon o qual me identifiquei:

"Era uma vez um rei e uma rainha que viviam muito tristes porque não podiam ter filhos. Os médicos já haviam receitado de tudo, e nada dava resultado.

Os dois já tinham experimentado as receitas mais malucas.

_Se o rei comer só comida salgada e a rainha, só doce, depois de um tempo ela engravida - garantiu o especialista.

A única coisa que aconteceu foi que a rainha, que já era gordinha, ficou mais gorda ainda. Já o rei, coitado, sentia muita sede porque só comendo coisa salgada não havia água que chegasse...

Eles experimentaram também a Dieta da Couve, que era ótima para engravidar até de gêmeos! Imagina se adiantou... A rainha parou como regime porque uma manhã se olhou no espelho e achou que estava ficando meio esverdeada...
"

Gostaram? O desfecho da história é muito interessante e vai tratando do tema Adoção de uma forma bem descontraída.
Vale a pena! Assim que for ao Brasil, vou correr atrás do meu exemplar!

Os outros temas abordados nesta edição são:
Discriminação, Perseverança, Amizade e Solidariedade.

sábado, 16 de julho de 2011

Filhos do Coração - Adoção com muito orgulho!

Aos vinte e quatro anos, descobri que estava com Endometriose (inflamação no revestimento interno do útero) e a partir de então, foram muitas videolaparoscopias a fim de reduzir a própria. Como não tinha planos para ter filhos naquela idade, resolvi suspender a mentruação fazendo uso de pílula anticoncepcional contínuamente sob a orientação de meu médico. Assim o fiz por dez anos.

Bom, já deu pra imaginar, né? A vida aos poucos foi me sinalizando em relação ao que aconteceria no futuro. Tentei engravidar naturalmente, através de Inseminação Artificial, Fertilização in Vitro e ... Enfim, há um pouco desta história nos meus antigos posts de 2009, onde não está relatado a cirurgia que faria na Noruega no final deste mesmo ano e que por causa desta cirurgia, pude conhecer como é fazer um tratamento para fertilidade totalmente gratuito em um país de "Primeiro Mundo". :-) Chique né?

E foi exatamente um dia antes de me internar para a cirurgia no Rikshospitalen em Oslo, um hospital universitário da Noruega, que recebo um telefonema de minha irmã no Brasil. Ela me falava da história de dois irmãos biológicos que estariam prestes a se separarem, pois haviam duas famílias interessadas em apenas uma das crianças, devido à idade. Nunca havíamos pensado em crianças maiores de dois anos e muito menos em "duas crianças". No cadastro de interesse da fila de adoção a opção era UM bebê de até dois anos no máximo.

É, mas sem querer ser piegas, mas já o sendo, nada acontece por acaso. Ficamos envolvidos de uma tal forma que não poderíamos deixar isso acontecer. Separar irmãos tão unidos seria uma crueldade...

Desta forma, entrei para a sala cirurgica como quem entra para a maternidade e simbolicamente, pari meus filhos ali mesmo, ou seja, naquela data tomamos a decisão de lutar por estas crianças.

Nossa luta burocrática para conseguir a guarda provisória durou sete meses e até a guarda definitiva somam-se mais sete. Claro que a Justiça tem suas razões para tentar garantir a segurança e o bem estar das crianças, mas infelizmente, sete meses na infância fazem muita diferença. Eles crescem, perdem grandes oportunidades de um verdadeiro convívio familiar, enfim, o sistema ainda tem muito a melhorar.

Hoje somos pais mais que realizados!! Ainda penso em uma menina para completar o time, mas não temos pressa. Quem sabe um dia?


Os primeiros dias da Adoção

O INÍCIO DA LOGÍSTICA

Toda mudança, todo início de algo novo exige uma re-adaptação, gera uma certa insegurança, mas aos poucos quando os vínculos aumentam e o desconforto diminui, tudo começa a fazer mais sentido.

Assim, as mães que geram seus filhos biologicamente vão aos poucos provando estas mudanças que vão desde conseguir equilibrar-se com uma barriga enorme até as insônias que o final de uma gestação provoca. Habituam-se durante nove meses com as mudanças no corpo, com as outras mãos que de repente começam a tocar sua barriga no meio de um supermercado, enfim, tudo isso e mais um pouco são pequenos sinais que mostram que sua vida está prestes a mudar...

E então, você olha a criança pela primeira vez...

Ouvi de várias amigas/mães que a adaptação de um filho gerado e nascido do próprio ventre, com todos os vínculos e responsabilidades alí pré-estabelecidas também pode ser difícil no início. Há para muitas uma espécie de estranhamento, afinal, trata-se de um novo integrante, um ser indefeso que chega na convivência do lar.

Com os Filhos do Coração, passamos por isto também, mas de uma forma diferente. No meu caso, meus filhos chegaram ao mesmo tempo, no mesmo dia, o mais velho, portanto o primogênito, com quatro anos e o caçula com quase três. Além das fraldas, chupetas e mamadeiras (sim, pasmem, ainda usavam fraldas), eles falavam, corriam e trouxeram para nós, pais, mais que noites mal dormidas. Trouxeram uma infinidade de novas atividades que precisamos inserir no nosso dia a dia. Há exatos quinze meses posso dizer que sou PHD em parques de todos os tipos e em várias línguas diferentes (risos). Também descobri músculos doloridos que nem imaginava que existissem, o levanta, pega e abaixa é FRE-NÉ-TI-CO!

O INÍCIO DO VÍNCULO

No início, quando ainda não há vínculos afetivos entre os pais adotivos e os filhos em questão, vocês se questionarão se fizeram a coisa certa. Por vezes se sentirão indefesos, confusos e sensíveis.

Se vocês que são pais do coração estão passando por isto, acreditem, vai passar.

O vínculo e o afeto são construídos aos poucos e quanto maior for a convivência direta com seus filhos, melhor será a aproximação.

Use e abuse de atividades entre vocês. Reservem espaços de tempo somente para vocês. Fazemos isto até hoje, pois ainda estamos em processo de adaptação. Cada dia, nos sentimos mais ligados a eles e o amor cresce, cresce muito.

No meu caso, eu e meu marido ficamos atentos em dividir a atenção entre os irmãos e procuramos equilibrar as atividades extras para que possamos desfrutar de momentos apenas entre nós. Desta forma os laços se estreitem cada vez mais.

E nunca podemos nos esquecer que a reciprocidade de sentimentos existem, portanto, se no início é difícil para nós adultos que somos, imaginem para eles que são apenas crianças.

É fundamental querer abrir espaço para esta relação dar certo e isso quem conquista são os pais. Não podemos esperar que uma criança nos peça isto, o máximo que pode acontecer é ela sinalizar que algo não está bem e para isto existem os psicólogos, que aliás, são fundamentais para ajudar pais e filhos a encontrarem um caminho em comum.

Boa sorte e muita paciência!

Vou fazer um blog!

Como você pode perceber no arquivo, iniciei este blog em 2009 mas este nunca foi publicado.

Resolvi deixar alguns dos posts antigos que escrevi quando nos mudamos para Oslo, na Noruega. Não consegui removê-los devido ao grande carinho que tenho pelos desafios que tive que superar logo que mudei de país pela primeira vez. Talvez seja este o motivo pelo qual tenho um amor enorme por aquela "Terra Gelada".

Resovi reativar meu antigo e jamais publicado blog que se chamava SIMPLY LIFE, para Contos de uma Mãe Pandora pelo explícito motivo que minha vida mudou exatamente de um dia para o outro quando resolvemos passar de "apenas um casal latino americano" para uma família com quatro integrantes. Queria muito um manual, um guia que me ensinasse a ser mãe, mas claro, percebi que isto não existe e que muito esforço, riso, choro, troca de experiência, leitura e informação, são as melhores fórmulas para te ajudar a encontrar o seu próprio caminho, que para cada caso, pode ser diferente.

Assim, morando em países como a Noruega e agora, na Suíça, pecebi o quanto sinto falta de ficar horas na Livraria Cultura do Shopping Vila Lobos em São Paulo ou na Saraiva do Iguatemi em Campinas... Não que seja impossível encontrar boa literatura estrangeira, mas nada como dominar inteiramente a língua Portuguesa (pelo menos), já que seu sentimento materno é de que
você não domina nada. Incrível isso, era como se tivesse picotado meu diploma em pequenos pedacinhos... :/

Foi assim que a idéia do blog " Contos de uma Mãe Pandora" surgiu em 2011.

Muitas dúvidas, muitas trocas de idéias, muitos erros e acertos que acredito serem fundamentais partilhar com outros pais e/ou educadores. Somos humanos, temos angústias, alegrias e não podemos nos cobrar como "Mulheres Maravilhas" e invencíveis o tempo todo.

"Bora" Blogar!

Adoção não é Caridade, é Maternidade!

Desde que soube que teria dificuldades para engravidar (e isso foi aos 24 anos de idade), prometi a mim mesma que adotaria uma criança, na verdade, um bebê.

Em 2005, eu e meu marido começamos a refletir timidamente sobre o assunto "Adoção", digo timidamente pois, ainda não havia tentado efetivamente os recursos desenvolvidos pela ciência. Na época, eu trabalhava como coordenadora pedagógica em uma escola em Rio Claro, interior de São Paulo e fui convidada para palestrar no GRAAC, Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro sobre este mesmo tema. Sabendo da idoniedade e do trabalho realizado por este grupo, fomos eu e meu marido e isto nos ajudou muito em nossa decisão futura. Hashtag Fica a Dica!!

Após a palestra, permanecemos para um debate, onde pais e profissionais discutiam sobre o tema e foi então que ouvi a mais verdadeira frase que ilustra todo este processo:

"Adoção não é caridade." 

Após anos trabalhando como educadora, pude perceber tamanha verdade. Nós professores vivenciamos muitas histórias relacionadas aos nossos alunos e vemos que muitas adoções não se efetivam verdadeiramente por causa deste errôneo sentimento.

Muitas pessoas ainda pensam assim e às vezes, nós, pais, é que temos que nos apropriar de auto-confiaça e não nos deixar sucumbir quando comportamentos altruístas de outras pessoas possam vir (sem intenção) a prejudicar na adaptação da família nesta nova etapa da vida. Assumir com responsabilidade e amor o novo integrante da família exige determinação, perseverança e paciência.

Então, em 2008, morando em Blumenau, SC, decidimos nos increver na Lista Nacional de Adoção, na Vara da Infância e Juventude. Preenchemos o questionário e optamos por um bebê de até dois anos, sem nos importar com sexo ou com características físicas. Na verdade, como na vida de pais biológicos, optamos por uma VIDA, um (a)  FILHO (A), mesmo que este ou esta viesse com síndromes ou outros comprometimentos físicos.

Mas a vida sempre nos surpreende! Sim, para desespero das pessoas controladoras e pragmáticas, a vida sempre nos surpreende!  Nos envolvemos com a história de dois irmãozinhos, um de três anos e um de dois, que estavam em uma abrigo para crianças havia dois anos. Nos envolvemos de uma maneira tão intensa, de longe (eu e maridão estávamos morando na NORUEGA), que resolvemos lutar pela guarda deles. Ao chegarem ao nosso convívio, o mais velho (que por motivo de respeito à sua privacidade vou apelidar de TOM) já havia completado quatro anos e um mês e o mais novo ( O Jobim) estava com quase três anos. Hoje, nossa convivência completa apenas um ano e um mês, mas já temos muitas histórias pra contar.

Passamos por muitas saias-justas no início e não foi fácil. Muitos amigos próximos e familiares que estavam envolvidos em todo o processo nos ajudaram muito, mas também ocorreram fatos um pouco desagradáveis. Compreendemos que a intensão da maioria das pessoas é a melhor possível, mas é importante delimitar o espaço do Pai e da Mãe (adotivos ou não) e deixar claro também que os filhos recém chegados são seus e que o processo de se tornar família é construído aos poucos, ou então, muitos agirão como se estivessem fazendo caridade, direcionando olhares de compaixão que nada ajudam e que podem muitas vezes prejudicar o entendimento das crianças, de que agora pertencem a uma família de verdade!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sobre Lidar com Frustrações

Estou neste momento re-editando os textos do blog e me deparei com este texto, escrito por euzinha há cinco anos... aquela Juliana não existe mais. Muitas rugas   Muitas coisas mudaram e penso se faria o mesmo hoje. Vamos ler e refletir juntos?

***

Lidar com frustações na vida não é nada fácil e promover esta competência nos nossos filhos pode ser mais cruel ainda. Ah! Como é cruel!!

Dias atrás, compartilhei um fato que ocorreu nesta minha jovem trajetória da maternidade de dois garotinhos super inteligentes e cheios de vida. Há um ano, sou Mãe do Coração de Tom e Jobim (Apelidos fictícios para preservar a privacidade da família, preferi este a Chitãozinho e Xororó uai).

Eu estava no Brasil, em uma festa de aniversário de uma prima e o bolo era daqueles bem típicos, retangulares com cobertura de chocolate granulado e aquelas exatas cinco cerejas adornando cada canto e o centro. Meu filho de cinco anos, após cantarmos os "Parabéns", me pediu um pedaço do bolo com cereja, e eu, disse:

_"Meu filho, o pedaço do bolo pode vir com ou sem a cereja, tudo bem?" .

Alguns minutos depois, meu sobrinho da mesma idade praticamente, pediu o mesmo e minha irmã deu o pedaço de bolo com cereja.


Naquele momento, era como se Freud e o Super-Ego estivessem com aquela musiquinha do Hitchcock nas minhas costas. Me senti a pior mãe do mundo... Bom, o jeito foi correr até minha terapeuta e fazer uma consulta. Eu me senti muito mal mesmo, afinal, não aprendemos a ser mãe de um dia para o outro. Nehhh?

Quando contei o ocorrido, ela, minha experiente psicóloga, disse:

_" Calma, você está ensinando seus filhos a lidarem com as frustrações, pois na vida, nem sempre o pedaço de bolo vem com a cereja..."


Aquelas palavras me fizeram esquecer a sugestão acima deram mais confiança! Não é nada fácil dizer não aos filhos, principalmente quando já foram privados de tantos mimos, mas tenho que enxergar mais longe que isso. Mais longe... Os mimos existem sim, muito amor e carinho também, mas promover habilidades necessárias para a vida é um ato de amor!

Achei legal poder compartilhar com meus amigos que também exercem a função de educar seus filhos para a vida e também com aqueles que como eu, desejam muito acertar. Aliás, faço isto pensando em minhas próprias experiências pessoais onde tenho que lidar com algumas frustrações e a que mais me marcou (a qual tive que tirar forças apenas dentro de mim), foi quando descobri que seria difícil gerar biológicamente meus filhos.

Anos de superação e agora, a felicidade em gerar meus filhos, em uma lugar diferente do útero, tão nobre quanto e notoriamente conhecido por abrigar o amor: o coração.

***
Penso que hoje me coçaria para poder dar o pedaço do bolo com a cereja e pensaria (Claro!!), mas o meu ser samaritano ainda pensa nos outros e faz continhas de quantas cerejas tem e quantas cabecinhas e boquinhas nervosas gostariam da mesma cereja e logo penso... deixa a sorte decidir quem ficará com cereja e "bora" saber lidar com a frustração meu filho, que isso só vai te tornar mais forte.