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Adoção não é Caridade, é Maternidade!

Desde que soube que teria dificuldades para engravidar (e isso foi aos 24 anos de idade), prometi a mim mesma que adotaria uma criança, na verdade, um bebê.

Em 2005, eu e meu marido começamos a refletir timidamente sobre o assunto "Adoção", digo timidamente pois, ainda não havia tentado efetivamente os recursos desenvolvidos pela ciência. Na época, eu trabalhava como coordenadora pedagógica em uma escola em Rio Claro, interior de São Paulo e fui convidada para palestrar no GRAAC, Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro sobre este mesmo tema. Sabendo da idoniedade e do trabalho realizado por este grupo, fomos eu e meu marido e isto nos ajudou muito em nossa decisão futura. Hashtag Fica a Dica!!

Após a palestra, permanecemos para um debate, onde pais e profissionais discutiam sobre o tema e foi então que ouvi a mais verdadeira frase que ilustra todo este processo:

"Adoção não é caridade." 

Após anos trabalhando como educadora, pude perceber tamanha verdade. Nós professores vivenciamos muitas histórias relacionadas aos nossos alunos e vemos que muitas adoções não se efetivam verdadeiramente por causa deste errôneo sentimento.

Muitas pessoas ainda pensam assim e às vezes, nós, pais, é que temos que nos apropriar de auto-confiaça e não nos deixar sucumbir quando comportamentos altruístas de outras pessoas possam vir (sem intenção) a prejudicar na adaptação da família nesta nova etapa da vida. Assumir com responsabilidade e amor o novo integrante da família exige determinação, perseverança e paciência.

Então, em 2008, morando em Blumenau, SC, decidimos nos increver na Lista Nacional de Adoção, na Vara da Infância e Juventude. Preenchemos o questionário e optamos por um bebê de até dois anos, sem nos importar com sexo ou com características físicas. Na verdade, como na vida de pais biológicos, optamos por uma VIDA, um (a)  FILHO (A), mesmo que este ou esta viesse com síndromes ou outros comprometimentos físicos.

Mas a vida sempre nos surpreende! Sim, para desespero das pessoas controladoras e pragmáticas, a vida sempre nos surpreende!  Nos envolvemos com a história de dois irmãozinhos, um de três anos e um de dois, que estavam em uma abrigo para crianças havia dois anos. Nos envolvemos de uma maneira tão intensa, de longe (eu e maridão estávamos morando na NORUEGA), que resolvemos lutar pela guarda deles. Ao chegarem ao nosso convívio, o mais velho (que por motivo de respeito à sua privacidade vou apelidar de TOM) já havia completado quatro anos e um mês e o mais novo ( O Jobim) estava com quase três anos. Hoje, nossa convivência completa apenas um ano e um mês, mas já temos muitas histórias pra contar.

Passamos por muitas saias-justas no início e não foi fácil. Muitos amigos próximos e familiares que estavam envolvidos em todo o processo nos ajudaram muito, mas também ocorreram fatos um pouco desagradáveis. Compreendemos que a intensão da maioria das pessoas é a melhor possível, mas é importante delimitar o espaço do Pai e da Mãe (adotivos ou não) e deixar claro também que os filhos recém chegados são seus e que o processo de se tornar família é construído aos poucos, ou então, muitos agirão como se estivessem fazendo caridade, direcionando olhares de compaixão que nada ajudam e que podem muitas vezes prejudicar o entendimento das crianças, de que agora pertencem a uma família de verdade!

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