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Os primeiros dias da Adoção

O INÍCIO DA LOGÍSTICA

Toda mudança, todo início de algo novo exige uma re-adaptação, gera uma certa insegurança, mas aos poucos quando os vínculos aumentam e o desconforto diminui, tudo começa a fazer mais sentido.

Assim, as mães que geram seus filhos biologicamente vão aos poucos provando estas mudanças que vão desde conseguir equilibrar-se com uma barriga enorme até as insônias que o final de uma gestação provoca. Habituam-se durante nove meses com as mudanças no corpo, com as outras mãos que de repente começam a tocar sua barriga no meio de um supermercado, enfim, tudo isso e mais um pouco são pequenos sinais que mostram que sua vida está prestes a mudar...

E então, você olha a criança pela primeira vez...

Ouvi de várias amigas/mães que a adaptação de um filho gerado e nascido do próprio ventre, com todos os vínculos e responsabilidades alí pré-estabelecidas também pode ser difícil no início. Há para muitas uma espécie de estranhamento, afinal, trata-se de um novo integrante, um ser indefeso que chega na convivência do lar.

Com os Filhos do Coração, passamos por isto também, mas de uma forma diferente. No meu caso, meus filhos chegaram ao mesmo tempo, no mesmo dia, o mais velho, portanto o primogênito, com quatro anos e o caçula com quase três. Além das fraldas, chupetas e mamadeiras (sim, pasmem, ainda usavam fraldas), eles falavam, corriam e trouxeram para nós, pais, mais que noites mal dormidas. Trouxeram uma infinidade de novas atividades que precisamos inserir no nosso dia a dia. Há exatos quinze meses posso dizer que sou PHD em parques de todos os tipos e em várias línguas diferentes (risos). Também descobri músculos doloridos que nem imaginava que existissem, o levanta, pega e abaixa é FRE-NÉ-TI-CO!

O INÍCIO DO VÍNCULO

No início, quando ainda não há vínculos afetivos entre os pais adotivos e os filhos em questão, vocês se questionarão se fizeram a coisa certa. Por vezes se sentirão indefesos, confusos e sensíveis.

Se vocês que são pais do coração estão passando por isto, acreditem, vai passar.

O vínculo e o afeto são construídos aos poucos e quanto maior for a convivência direta com seus filhos, melhor será a aproximação.

Use e abuse de atividades entre vocês. Reservem espaços de tempo somente para vocês. Fazemos isto até hoje, pois ainda estamos em processo de adaptação. Cada dia, nos sentimos mais ligados a eles e o amor cresce, cresce muito.

No meu caso, eu e meu marido ficamos atentos em dividir a atenção entre os irmãos e procuramos equilibrar as atividades extras para que possamos desfrutar de momentos apenas entre nós. Desta forma os laços se estreitem cada vez mais.

E nunca podemos nos esquecer que a reciprocidade de sentimentos existem, portanto, se no início é difícil para nós adultos que somos, imaginem para eles que são apenas crianças.

É fundamental querer abrir espaço para esta relação dar certo e isso quem conquista são os pais. Não podemos esperar que uma criança nos peça isto, o máximo que pode acontecer é ela sinalizar que algo não está bem e para isto existem os psicólogos, que aliás, são fundamentais para ajudar pais e filhos a encontrarem um caminho em comum.

Boa sorte e muita paciência!

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