sábado, 16 de julho de 2011

Filhos do Coração - Adoção com muito orgulho!

Aos vinte e quatro anos, descobri que estava com Endometriose (inflamação no revestimento interno do útero) e a partir de então, foram muitas videolaparoscopias a fim de reduzir a própria. Como não tinha planos para ter filhos naquela idade, resolvi suspender a mentruação fazendo uso de pílula anticoncepcional contínuamente sob a orientação de meu médico. Assim o fiz por dez anos.

Bom, já deu pra imaginar, né? A vida aos poucos foi me sinalizando em relação ao que aconteceria no futuro. Tentei engravidar naturalmente, através de Inseminação Artificial, Fertilização in Vitro e ... Enfim, há um pouco desta história nos meus antigos posts de 2009, onde não está relatado a cirurgia que faria na Noruega no final deste mesmo ano e que por causa desta cirurgia, pude conhecer como é fazer um tratamento para fertilidade totalmente gratuito em um país de "Primeiro Mundo". :-) Chique né?

E foi exatamente um dia antes de me internar para a cirurgia no Rikshospitalen em Oslo, um hospital universitário da Noruega, que recebo um telefonema de minha irmã no Brasil. Ela me falava da história de dois irmãos biológicos que estariam prestes a se separarem, pois haviam duas famílias interessadas em apenas uma das crianças, devido à idade. Nunca havíamos pensado em crianças maiores de dois anos e muito menos em "duas crianças". No cadastro de interesse da fila de adoção a opção era UM bebê de até dois anos no máximo.

É, mas sem querer ser piegas, mas já o sendo, nada acontece por acaso. Ficamos envolvidos de uma tal forma que não poderíamos deixar isso acontecer. Separar irmãos tão unidos seria uma crueldade...

Desta forma, entrei para a sala cirurgica como quem entra para a maternidade e simbolicamente, pari meus filhos ali mesmo, ou seja, naquela data tomamos a decisão de lutar por estas crianças.

Nossa luta burocrática para conseguir a guarda provisória durou sete meses e até a guarda definitiva somam-se mais sete. Claro que a Justiça tem suas razões para tentar garantir a segurança e o bem estar das crianças, mas infelizmente, sete meses na infância fazem muita diferença. Eles crescem, perdem grandes oportunidades de um verdadeiro convívio familiar, enfim, o sistema ainda tem muito a melhorar.

Hoje somos pais mais que realizados!! Ainda penso em uma menina para completar o time, mas não temos pressa. Quem sabe um dia?


2 comentários:

  1. Ju, muito legal a sua iniciativa de compartilhar com outras pessoas a sua experiência e exemplo de vida! Adorei! Te admiro muito! Bjos! Gor!!!!!

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  2. Ju, já conhecia sua história da casa da Dri, mas tá sendo muito legal ler seu blog. Eu tenho a Ana Lidia,15 anos.Mas em 2005 tb entrei numa sala de cirurgia, mas desta vez foi pra viver a experiência mais dura da minha vida: perder a Maria Clara e meu útero.Sabe,é muito loko isto. no início me apeguei à idéia da adoção como se fosse algo certo a ser feito.Depois, a idéia foi se perdendo e percebi como eu tinha sido uma mãe ausente e distante. amorosa, mas não realmente presente. E neste ano a Ana Lidia precisou muito de mim.No ano seguinte, meu enteado perdeu a sua avó- e eu estava lá.Depois, ele nos deu a notícia de u netinho à caminho: e eu estava lá.E passei a estar presente, como nunca havia estado.Ser mãe é algo especial e único e tem a ver com isto: estar lá na hora que eles precisam. Só isto.Não são os laços de sangue, são as atitudes, os olhares,o colo que alimentam os sentimentos entre pais e filhos e enteados.Em cada história, uma descoberta.Hoje sei que tenho a família que tinha de ter.Esteja presente, só isto. Bjs!

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