domingo, 25 de setembro de 2011

They are Boys!! Chá de Meninos!!

Antes de contar sobre o Chá de Bebês dos nossos filhos quero fazer uma pequena introdução. Então, senta que lá vem história:

O tempo de espera por nossos garotos durou...

Bom, se contarmos as várias tentativas, que aliás, Roberta descreveu muito bem no Piscar de Olhos, acho que durou mais ou menos uma eternidade uns três anos. E como Einstein sabiamente disse: 
"O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda parte." 

 Mas, em relação aos tramites legais para conseguirmos a Guarda Provisória, estes duraram aproximadamente sete meses, com a diferença de que quem nasceu prematuro nesta história não foram os filhos e sim os pais.

 Foi uma mistura de expectativa, medo de algo não dar certo, ansiedade, felicidade... enfim, uma mochila enorme nas costas. Muita mudança...

  • Mudança no carrinho de supermercado. De repente eu só via leite, fraldas...
  • Mudança de assuntos gerais, para assuntos maternais com os amigos...
  • Mudança na quantidade de "nãos" que passei a falar por dia...
  • Mudança de foco! Você passa a ver aquela lojinha infantil da esquina da sua rua e que por dez anos, você nunca havia entrado...
  • Mudança no ponto de vista das coisas... Passei a responder perguntas óbvias, que nunca havia pensado antes... 
  • Mudança nos hábitos alimentares... agora como feijão, arroz todos os dias...
  • Mudança de carro...
  • Mudança de salto para anabela ou rasteirinha...
  • enfim... muitas, muitas mudanças e se eu for listar tudo, vamos até amanhã!
Mas o mais gostoso de tudo isso foi perceber que ser mãe é a coisa mais linda do mundo é realmente ceder, mudar, apertar, afrouxar, errar, aprender... E com certeza, faria T-U-D-O novamente!! Tanto que ainda penso em uma menina para a turminha, quem sabe? hummmmmm, seria legal!!


Time Line do momento da grande notícia  até os tempos atuais:

A notícia - Noruega (maio/2010) P. S. Éramos dois!!

Período de Adaptação - Brasil (maio/2010 à julho/2010) P. S. Agora somos quatro!!!!

Continuando a segunda adaptação: De volta à Noruega (julho/2010 à outubro/2010) P. S. Os quatro!!!!

Período de acompanhamento com a Assistente Social no Brasil - (outubro/2010 à fevereiro/2011) P. S.  Os três, pois papai ficou trabalhando na Noruega, afinal, alguém tem que trabalhar neste conto...

Guarda Definitiva- ( à partir de janeiro/2011) P.S. Eba!!!!! A maior felicidade do mundo!!! Parecia que enfim, tudo começava a ficar mais tranquilo em nossos corações de pais prematuros. Sentimento: Saímos da incubadora!!

Atualmente: Suíça -(desde fevereiro/2011) P. S. Os quatro, enfrentando juntos as dores e as delícias da "Paternidade Expatriada".

Pouca mudança ou quer mais? 

Então, de verdade!! Sei que para algumas pessoas posso parecer meio tãtã, quase que uma alienada, mas o fato é que eu sou uma pisciana nata. Daquelas que vivem intensamente uma alegria e uma dor. Isto pode ser um problema às vezes, admito, mas eu sou assim. Brinco muiiiiito, me divirto, chooooro, mas sou pé no chão do meu jeito! No meu mundo de Peixes, tudo é alegre, colorido e adoro uma celebração, uma balada! E como uma boa baladeira, claro que nossos filhos que já eram garotinhos, mereciam um Chá de Bebês, que na verdade, foi um Chá de Meninos.

Bom, nem preciso falar o quanto tive de ajuda, né? Brasileiro tem alma boa e morando longe, vira anjo.



 Um dos quitutes que fizemos foi o "Bem Casado", mas que nesta situação foi o "Bem Unidos", fazendo uma alusão ao fato de que os irmãos continuaram juntos.





Como tudo foi feito às pressas, contei com a ajuda de muitas amigas. Cada uma fez um pouquinho...

As lembrancinhas para as mamães amigas: Uma caneca cheia de docinhos com um pirulito de chocolate.





Tom e Jobim ganharam muitas coisas legais! Claro que não ganharam fraldas (apesar de ambos usarem quando chegaram), mas ganharam brinquedos, roupas, muitas coisas úteis e até um tapete para o quarto!!!



O primeiro quartinho também foi feito às pressas.  O mais novo Papai do pedaço, montou a maioria dos móveis que estavam faltando...






E lá pelo meio da festa...

Decidi brincar que estava grávida de gemeos! E então, como estava usando um vestido de malha, coloquei duas almofadas enormes na barriga.

Entrei na sala andando como uma "pata", (olha a Pandora LOUCA saindo da caixa) com as mãos nas costas e conversando com as amigas, relatando sobre minha gravidez e etc. Conversa vai, conversa vem, a campainha toca.

Como as convidadas chegavam aos poucos, fui abrir a porta g-r-a-v-i-d-í-s-s-i-m-a.

Do outro lado da porta, era nada menos que meu vizinho super sério norueguês, reclamando que alguém havia estacionado em local proibido...

Não sei quem ficou mais sem graça! Ele deu uma olhada na minha barriga, mas deu "aquela" olhada mesmo e logo virou de lado. Continuou falando com um pedaço da porta, sem olhar pra mim. Também fiz o mesmo. Se pudesse viraria uma avestruz na hora...

E claro, quando fechei a porta, rolei de rir e ele deve ter feito o mesmo. No mínimo pensou: "Estes brasileiros"... 


Bisous, Pandora Fora da Caixa
sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Escola Suíça- Parte II

Enquanto meu filho mais novo, Jobim, se esbaldava na Garderie eu fui para mais um daqueles dias em que  trabalho como voluntária em uma escola suíça. A escola de meu filho mais velho, Tom.

Bom, pra começar, eu ADORO escolas!! Este tema muito me interessa e poder conhecer de perto escolas por este mundão afora é melhor ainda.

Mas o que me fez escrever, na verdade, foi sobre a "tal educação suíça". Regras, muitas regras regem este lugar. E funciona?

Bom, não gosto nem um pouco de generalizações, mas pelo o que ouço das amigas que vivem aqui e pela experiência que temos vivido, sim, a coisa funciona!

Vamos aos fatos:

Quando meu filho tinha quase três meses de frequência nesta escola, fomos chamados para uma reunião com a professora. Marido trabalhando, sobrou para a mamãe engolir o sapo ir sozinha. O Problema? Primeira pergunta feita pelas professoras a esta mamãe Pandora:
_"Vocês possuem regras em casa?"

Quase tive um choque!! Sou a Super Nanny  uma mãe cheia de regras, pelo menos achava que era...

Imaginem, a seguinte situação: Duas professoras interrogando uma mãe de uma criança que vivera em um abrigo até os quatro anos de idade, sendo que há um ano estava com uma família, recebendo uma educação  "intensiva" e que há três meses, haviam chegado na Suíça.


Me Poupe! Se temos regras em casa? Bom, nem preciso dizer o quanto a conversa foi tensa...

Você pode perguntar, - E aí? O que fazer?

1) Marque um X nas opções que considerar apropriadas neste caso:

(   ) Mudá-lo de escola.
(   ) Reclamar diretamente com o superior na escola;
(   ) Chorar copiosamente e pedir um copo d'água com açúcar;
(   ) Fingir que não fala a língua local, portanto não entendeu N-A-D-A;
(   ) Ser "peituda" e se colocar em total disposição da escola, mesmo que voluntariamente para criar uma ambiente favorecedor e seguro para seu filho. MARQUE ESTA RESPOSTA, voluntariamente, claro!

Mãe Pandora pensou em todas as opções... Marido quase ficou louco, pensando com ela nas opções acima, que por si só, se transformavam em outras e mais outras opções. Sigam o raciocínio...

  • Ao mudá-lo de escola estaríamos adiando um problema ou trocando por outro e submetê-lo a mais uma mudança seria cruel demais;
  • Reclamar com o superior de nada adiantaria ou somente pioraria a situação, já que o superior não estava presente no momento da conversa;
  • Chorar copiosamente não foi uma opção, mas que eu chorei, ah, eu chorei (na frente delas)!
  • Voltar para o Brasil? Hummmm... Lá os argumentos são em Português!!
  • Tentar criar um ritmo diferente para que ele possa se adequar ao sistema?

Foram muitas noites de insônia em busca de uma resposta e o marido que o diga, coitado.

Mas, eu compreendo muitíssimo as professoras! Fui uma delas e jamais me esquecerei disso! Portanto, eu respeito! E na verdade, penso que para nós pais, é muito difícil receber qualquer tipo de reclamação sobre nossos filhos. Isso soa meio que como uma "falha" na nossa educação e na verdade, o que a escola propõe é sinalizar que algo não está certo ou que precisa melhorar.  Haja mandalas pra colorir... (risos)

Como em algumas escolas no Brasil, aqui elas possuem salas multi seriadas, por exemplo, a classe de Tom possui 21 alunos, sendo que metade destes possuem quatro anos e metade, cinco. Elas não possuem professores de educação física, ou seja, elas mesmas ministram as aulas. Tocam piano e violão com as crianças e mantém uma sala impecável, extremamente 
o-r-g-a-n-i-z-a-d-a. 

Na escola, a fila, a roda da ginástica, as mesinhas, T-U-D-O tem ordem e nome. No começo cheguei a pensar que isso faria mal, traumatizaria as crianças... que nada!! Elas estão super felizes e tem o recreio, onde podem fazer o que bem querem, pelo menos lá é assim.

E os alunos? São apáticos, inseguros, etc e tal?

Ahhh, os alunos... Estes respeitam milimetricamente a figura das professoras. Fiquei "bege" ao ver meu filho em estado total de organização que até então eu associava ao signo de Touro, mas que lá... todos devem ser Taurinos, sem exageros. Uma graça!!

E se sentem bem, são felizes, choram quando contrariadas, riem das bobeiras que faço (longe da professora, claro!), ficam de mal, fazem beicinho umas às outras, enfim, são crianças!!

E pai e mãe querem mesmo é ver os filhos felizes e isto não tem preço!

O que vejo ultimamente é uma criança que no início se defendia das outras "agredindo", mas que esperto como é, percebeu que esta lei não funciona mais e que o que deveria fazer era criar outra estratégia para se ambientar.

Esta "Proud Mãe Pandora" diz:  

E ele o fez! Hoje, chego na escola e vejo um garoto "Super Pop.". Seu nome ecoa no pátio quando ele chega... E advinhem? Agora descobriu que pode conquistar as pessoas com sua alegria e simpatia. É o amigão da turma!!

Tenho certeza absoluta que ainda teremos muitos outros posts sobre este assunto, mas o importante é acreditar na possibilidade de estarmos no caminho certo e que tudo vai bem. Se estivermos enganados, saberemos. 

Afinal, o que é certo?

Bisous, Pandora "Tamujunto"









quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Crianças que mudam de país...

Fim de tarde, fomos buscar papai no trabalho. Ele estava acompanhado com um amigo brasileiro que estava a trabalho por aqui e então, papai o chamou para comer uma deliciosa Raclette (prato típico suíço com queijo derretido e iguarias) em casa... hummmmmm!!! Engordei só de pensar, mas também deu "água na boca".


No carro, Tom e Jobim começam a conversar com ele:


_Oi, você vai na nossa casa? 


_Sim, quero conhecer a casa de vocês aqui...


_Ahhh, D'accord! A gente peut jouer com nosso château et aussi com le bateau du pirate!
_ OK! (SAP: Ok, a gente pode brincar com nosso castelo e também com o barco do pirata!)


... nosso convidado olha pra gente e pergunta: _ Mas o que foi que eles disseram? (risos)


Como apenas falamos português em casa, a tendência é não perdê-lo, mas as confusões acontecem aos montes quando se começa a pensar em outra língua. 



Pais expatriados, mudança de país... Nossa, quantas mães por este mundão afora vivem este dilema. Por um lado, muitas experiências, mas por outro, muito trabalho pela frente. 


E meus filhos, tão pequenos, já moraram em três países diferentes, incluindo o Brasil, claro!
Como os meus, existem milhares de outros enfrentando as mesmas dificuldades que sendo bem prática poderia dizer: "Quanto menores as crianças, menores os problemas e quanto maiores as crianças, maiores  serão os problemas".  Salvo exceções!


Se nós, adultos, sentimos as mudanças, imaginem os pequenos. Tudo é diferente! Língua, clima, paisagem, pessoas, hábitos, fuso horário... A adaptação leva um tempinho até acontecer.


Mas existem diversas formas de prepararmos nossos filhos para estas mudanças e eu quero compartilhar com você o que fizemos com os nossos:


Primeiro Estágio: Noruega


Bom, eu e meu marido já morávamos lá, então preparamos nossos filhos para uma realidade já conhecida por nós. O que fizemos?


  1. Minha primeira preocupação foi com a Autonomia dos nossos filhos. Como eu trabalhava em uma escola internacional em Oslo, percebi o quanto as crianças eram independentes desde pequenas;
  2. Takk!!Outra preocupação foi a expressão verbal e física, ou seja, ensinar palavras comuns em norueguês, para que pudessem pedir, agradecer e até mesmo, gestos básicos para que pudessem se expressar de alguma forma;
  3. Hábitos: Atitudes comuns como tirar os sapatos ao entrar em uma casa, na escola, colocar gorro e luvas para sair para brincar no quintal, coisas que não somos acostumados a fazer no Brasil e que temos que aprender para sobreviver em outros lugares...  


Estes foram os passos iniciais, mas para uma real adaptação leva um tempo bem mais longo, principalmente  quando os pais são, ambos, de uma mesma cultura. Afinal, dentro de casa ainda mantemos hábitos próprios de nossa cultura em comum. No meu caso, tivemos ajuda de muita gente. Pra se ter uma idéia, fomos mais que bem recebidos quando chegamos com nossos filhos por lá. Foi festa desde o aeroporto até pisarmos em casa. 



Segundo e Atual Estágio: Suíça


Bandeirinhas, palavras em Francês, vaquinhas, expressões... A palavra Suíça começava então a substituir a palavra Noruega. Um super confusão no início, tadinhos, mas vamos lá!


Pra iniciarmos a conversa sobre uma mudança de país com nossos filhos, além das fotos do local via Internet utilizamos um livro de uma amiga carioca, que mora láááááááá na Terra dos Vikings, a Maria Ribeiro. Ela escreveu este livro infanto-juvenil que é uma graça e ilustra bem o cenário de uma família que vai mudar de país. 


Dúvidas, preocupações e ansiedades trabalhadas de uma forma lúdica e interessante. Eu tenho o meu exemplar e autografado pela autora!!!


Aqui vai a dica:


Livro: Ana e o Norueguês
Autora: Maria Ribeiro
Editora: Multi Foco






Muito bom!!!


Go, Diego Go!!!
Meus cartoons infantis preferidos são estes. São educativos, animados e interativos. Adoro!!!
E quando o assunto é a aquisição de uma nova língua, é muito importante que a TV, os DVDs sejam na língua local. Desde que chegamos aqui na Suiça fomos nos familiarizando com os sons dos desenhos animados na TV e acreditem, aprendemos muito com eles.



Espero que tenham gostado das dicas!! Bisous, 

 Pandora Fã n.º 1 
sábado, 17 de setembro de 2011

Mãe de Menino.


Semana passada estávamos na casa de uma amiga que também é mãe de menino e nossos filhos correram para o quarto onde haviam brinquedos (mais que legais) espalhados. De repente chegou mais um pra turminha, mas desta vez era uma menina!

Enquanto as mamães estavam sentadas (momento raro) tomando um cafézinho, esta garotinha corria até nós e dizia:

 _"Eles estão brigando!" Então, eu corria até o quarto e ... nada. Estava tudo bem.

Passavam dez minutos, lá vinha ela novamente:

 _"Eles estão brigando!"

Foi quando a mamãe dela disse: _"Não reparem não, ela não está acostumada a brincar com meninos e então pra ela, meninos estão sempre brigando". 

M O M E N T O     E U R E C A!!!!!

Descobri que ainda havia uma Pandora menininha e cor de rosa dentro de mim, pois pensava o mesmo sempre que os via brincando. Bom, quem tem meninos em casa pode imaginar o que estou dizendo.

Até semana passada, sem exageros, eu me sentia como esta garotinha da história, ficava assustadíssima com algumas brincadeiras. Mas cadê a minha mãe pra me socorrer?? Bom, corria atrás do meu marido e ele sempre me dizia... Mas eles estão brincando normalmente... Bahhh, Homens!!

Imaginem a cena:

Diálogo entre Meninos Brincando - Parte I

A Luta entre o Dragão e o Dinossauro Herbívoro


_Ahahhah!!! Eu vou te pegar!!!

_Nãaaaaaaaoooooo! Eu sou do Bem, sou eu que vou te pegar!!! Ahhhahahahha!!!

_Nãaaaaaaaoooooo!! Eu é que vou, toma isso!!! Ahhahahahh!!

_Ah, então eu não vou brincar mais com você! (beicinho) :-(

_Tá, você me pega então, mas eu sou muito forte!!!! Aahhahahahh!!

_Eu sou mais forte!!! Ahhhhhahhhh!!

PUFFF, PAHHHH, WROWWWWW, TAHHHH (diversos sons emitidos com vozes muito grossas)

THE END

As brincadeiras na maioria das vezes acabam bem, felizmente!

No começo, quando ainda não entendia a linguagem do Cromossomo Y, eu sempre intervia, mãe chata. 

Mas percebi que estava fazendo algo errado, afinal, eles tem que aprender a se defender e a argumentar e este é o melhor momento.

By the way, assim que chegamos aqui na Suíça, assisti um documentário na TV sobre Sexualidade Infantil. Só não sei o nome do programa e nem o canal, pois peguei o "bonde andando".

O documentário mostrava um pai que estranha ver o filho brincar com uma boneca. Logo, o pai pega dois bonecos tipo "Falcon" e começa a "ensinar" o filho a brincar. De que maneira? Exatamente como demostrei no diálogo acima. A eterna luta entre o Bem e o Mal.

Ah! Quando perguntei para meu marido sobre o Falcon, ele me disse: _" Falcon era velho, o legal era brincar de Comandos em Ação"!

Aiii que saudade das minhas Barbies...

Até mais!! Pandora Barbie Festa

O dia em que voltei a Oslo, na Noruega...

Moramos em Oslo, por quase dois anos e meio. Foi uma fase de muitos desafios e muitas alegrias na Terra dos Vikings.

Algumas coisas muito especiais desta época ficarão guardadas pra sempre... Por exemplo, foi trabalhando em uma escola internacional que descobri as diferenças entre as culturas e os diferentes estilos de educação dos pais por este mundão afora.

Vejam o que descobri...

  • Que nós brasileiros somos os pais mais super protetores da nossa prole;
  • Que para um norueguês não existe tempo ruim, o que existe é roupa inadequada;
  • Que pimentão cru pode ser um delicioso snack para as crianças e o melhor, sem ser indigesto!
  • Que as crianças saem esquiando da maternidade (brincadeirinha), mas começam bem cedo;
  • Que os bebês quando saem da maternidade já são inscritos em uma lista de amigos que nasceram no mesmo dia e por aí seguem se encontrando;
  • Que Sala dos Professores é igual em qualquer lugar do mundo;
  • Que não podemos ficar com muitos beijinhos com nossos alunos, (o que é normal para nós, brasileiros) isso pode ser um problema no exterior;
  • Que sol da meia noite existe!! E como ele faz falta depois de seis meses...
  • Que o que levamos na nossa lancheira pode ser esquisito para um estrangeiro e vice-versa.;
  • Que os japoneses são super criativos e cuidadosos nos lanches dos filhos. Eu diria, os melhores!!
  • Que comer sardinha, pepino e muitos ovos no café da manhã é super normal para alguns;
  • Que as orelhas doem muito no frio e parecem que podem se quebrar a qualquer momento!
  • Que Indianos e Paquistaneses prezam muito a família e procuram morar todos juntos (sogros, tios, irmãos) em uma mesma casa;
  • Que aos 18 anos, os filhos devem deixar a casa dos pais e trabalhar para o próprio sustento; 
  • Que é normal brincar no recreio com muiiiiita neve, mas quando o termômetro marcava -18º, ahhhh, daí era melhor colocar um filminho na sala de aula mesmo.

Enfim, foi uma experiência maravilhosa e com certeza aprendi muita coisa! Mas o principal, que tenho me policiado até hoje, foi perceber a Educação que as crianças tem para com os professores. 

Palavras como "Bom dia" , "Obrigado" e "Por favor" são básicas, mesmo para crianças bem pequenas. 

Aqui na Suíça percebo a mesma coisa em relação à educação, o que acho ótimo! Atos como olhar nos olhos da professora e dizer "Bom dia" e "Até breve" apertando-lhe as mãos, são diários. Exagero?? Penso que não. Acredito que nunca é demais ser gentil e ter boas maneiras com os outros. 

E voltando ao título, o dia em que voltei a Oslo, voltei para rever amigos super queridos, para rever a escola onde trabalhei e fui recebida como sempre! Um carinho enorme das pessoas de várias nacionalidades  que vivem em um país distante e que por isso formam um círculo de amizades que mais parece uma grande família. 

Gosto tanto daquela terra, que me emocionei escutando o "tio" do Trikk anunciar a próxima parada... ai, ai... voltaria com o maior prazer, sempre!! 

Bisous a todos aqueles que vivem na terra que já está gelada (que eu sei) e sintam meu carinho enorme, transbordando aqui... Fui! 
Pandora Saudosa 




* Todas as imagens acima são do Vigeland's Park em Oslo.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mandalas para acalmar...

Crianças, assim como as mamães também ficam mal humoradas, estressadas e ansiosas. O jeito então é ter em mãos muitas cartas na manga para que possamos alternar as estratégias para utilizarmos com elas e conosco também.

Ouvi dizer que a pintura de Mandalas além de acalmar, também melhora a concentração e como adoro desenhar e pintar, resolvi comprar este livro como um dos muitos recursos. Resolvi tentar!

Achei super gostoso e realmente acalma a criança e a mamãe também. Na verdade gostei mais que eles...

Mas percebi que quando estamos com o lado Pandora estressado fora da caixa é melhor ficar quieta, senão acabamos falando bobagens.  Nestas horas, pego todo o material de bricolagem que disponho e sem que eu precise falar muito, vamos juntos fazendo arte ou qualquer coisa neste sentido.

Este livro possui vários modelos de Mandalas para crianças à partir de 06 anos e eu o comprei em Oslo na Noruega, quando morávamos lá, mas já encontrei um outro no Brasil para crianças à partir de 05 anos. Ainda não procurei aqui na Suíça, mas com certeza será fácil de encontrar.



O "fazer" juntos fica ainda melhor com uma boa música de fundo!!

Aqui vai outra sugestão:


Espero que tenham curtido!! Bisous, Pandora Holística
quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Os dentes de cada um...

Já assistiram um quadro de Luiz Fernando Guimarães no Fantástico que se chamava "O super Sincero"? Então, acho que tenho dois, na versão mini. Imaginem a cena aqui em casa:


_Mamãe, não é verdade que temos que escovar os dentes pra ficar bem branquinhos?

_Isso mesmo!

_Ahh, então mamãe, acho que você tem que escovar mais vezes, não é mesmo?

Afff, eu podia ter dormido sem essa... Mas não foi para falar da cor dos meu dentes que estou aqui. Isso foi só pra descontrair, já que o assunto abaixo é sério.

Hoje quero compartilhar uma conversa que tive com a psicóloga da escola do meu filho, aqui na Suíça e sobre a sensação de o re-descobrir através das lentes dela.

Na verdade ela nunca o encontrou. Esta foi apenas uma primeira conversa entre Mãe e Psicóloga, mas que rende muita reflexão para pais, que como nós, optaram por uma adoção tardia, ou melhor dizendo, uma adoção quando as crianças são maiores e já vivenciaram muitas emoções anteriormente.

Aqui vai o resumo da reflexão da psicóloga para uma Pandora Aflita, chorando do outro lado da mesa:

*Uma criança, já na gestação, experimenta todos os sentimentos da mãe. Esta criança pode ser amada, planejada, rejeitada, enfim, não podemos dizer ao certo quais foram estes sentimentos, mas podemos ter uma noção do quanto foi amada desde os primeiros cuidados para com ela após o nascimento.

Se a criança foi negligenciada ou abandonada, faltou–lhe comida, higiene básica, faltou-lhe também a maior expressão de amor para com o outro: O cuidado.

A criança desta forma, experimenta pela primeira vez o sentimento de não pertencer a uma família, a um lugar e vai aos poucos internalizando mecanismos de defesa e confirmando aquilo que sente no ambiente em que vive, por exemplo: Se acham que sou um garoto ruim, serei aquilo que pensam a meu respeito, se pensam que sou uma menina malcriada, sim, serei malcriada...

Acontece que a criança passa anos confirmando e assumindo as características que vai recebendo, até que, quando vão morar com uma família deparam-se com algo que ainda não tiveram antes: uma referência.

Esta referência vai aos poucos dando o suporte para que a criança vá construindo internamente elementos necessários para a auto-estima, para se sentir segura, enfim, para se sentir realmente amada. E isso leva tempo.

As regras para estas crianças são extremamente importantes, pois são elas que transmitem o ritmo, a segurança de que até então não dispunham. E assim, com os novos pais, vão aos poucos aprendendo que são sim, dignos do amor e do cuidado de uma família. Dignos de pessoas que os ama tanto, que ficam bravos, que põe limites, que beijam, abraçam e cuidam.

No começo, devido a falta de confiança, estas crianças tentarão mostrar o pior de si próprias, justamente para ter a certeza de que mesmo após terríveis episódios, os novos pais ainda continuarão lutando por elas e as aceitando como são.


Incrível, faz todo sentido!

Na nossa experiência, desde o início, eu e meu marido procuramos falar "a mesma língua", respeitando muito a atitude de cada um e tentamos manter a rotina e o ritmo com nossos filhos. Tudo com flexibilidade, é claro! Mas a soma de tudo isso gerou menos ansiedade.

No dia-a-dia somos mais que atentos, somos CHATOS, eu diria. Mas chatos no bom sentido. Como a própria psicóloga me disse hoje... "É melhor correr atrás de ajuda que deixá-los fazer o que querem, pois isto sim os remeteria a uma vida anterior, sem regras, sem limites e consequentemente à insegurança".

Espero que tenham gostado. Agora vou me despedindo, pois acabei de receber um convite para comer um curau de milho verde na casa de uma amiga mineira... ahhh, com café? Hummmm, fui!!

Até mais!! Bisous ;-)

P.S. *O texto acima não trata–se de um texto científico, e sim um resumo de uma análise realizada por uma profissional da área da Psicologia. O objetivo principal deste, é auxiliar pais adotivos no entendimento de situações que possam enfrentar no cotidiano familiar.
terça-feira, 13 de setembro de 2011

Do outro lado do Oceano...

Últimamente tenho me sentido uma colecionadora de vídeo-laparoscopias. E hoje, estou há um mês para mais uma das muitas que já fiz. Nesta bizarra "coleção" estão hospitais e profissionais da saúde de Minas Gerais (minha Terra amada), São Paulo, Oslo e a próxima em Lausanne, na Suiça. Mas acredite, nada que possa me orgulhar...

Com tudo isso tenho me sentido também mais sensível, afinal, tenho um lado Pandora que também sente medo. Eis que então, recorro a um dos recursos mais inteligentes que dispomos: O PENSAMENTO!!
E cuidado com ele, heim? Ele pode te levar para onde o está direcionando, tenha certeza disso!

Em 1999 descobri que tinha Endometriose. Me lembro de como enfrentava as várias cirurgias e também a dor em saber que talvez isso poderia me impedir de ser mãe biológica. Nestas horas eu sempre olhava pela janela, sempre! Mas na verdade o que via não era a paisagem do lado de fora, eu via algo além disso. Me transportava para mundos distantes, do outro lado do oceano (como agora estou) e sempre que a dor surgia no peito, eu tirava o meu lado Pandora mais especial que possuo, a ESPERANÇA!

Contei, na época, com a "Lanterna dos Afogados". Amigos e parentes que me hospedaram em suas casas em Campinas e São Paulo, lugares onde eu pude ver coisas novas, cheiros novos, e isso me revigorou, reanimou!

Estas minhas viagens eram bem próximas de minha cidade natal, mas plantaram em mim uma semente da descoberta, do ir além e ver a vida com os melhores olhos que temos, aproveitando cada momento que é único, cada experiência, cada vitória e cada derrota. o momento de se re-inventar.

Aos amigos leitores que ficarem preocupados com o próximo "selo de minha coleção", fiquem tranquilos.
I'm used to it!!
Brinco com as palavras, mas não brinco com a vida, principalmente agora que sou tão importante na vida de seres tão especiais. Ainda conto com muitas "lanternas" por aqui atualmente.

Obrigada! Merci! Thank you! A todos aqueles que sabem que estão comigo!!

E Pandora que é Pandora cai, mas levanta logo em seguida! Sacode a poeira e segue em frente! E até lá, ainda teremos muitos outros posts!

Bisous, Juliana
segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Francês Leônico

Se você está em uma fase de aprendizado de uma nova língua e quiser fazer um teste simples e imediato do nível de conversação em que se encontra, experimente seguir o passo-a-passo abaixo:

1- Leve seu (sua) filho (a) até a escola pessoalmente;

2- Deixe-o (a) brincar e correr pelo pátio livremente;

3- Observe a interação de seu (sua) filho (a) com os colegas da escola, mas fique bem atenta!!

4- Se chegou até esta fase, muito bem, ainda não sabemos seu nível de conversação, mas podemos sentir que é uma mãe zelosa;

5- Caso esteja correndo tudo bem, você pode chegar e ser gentil com os coleguinhas, dizendo "Oi" (em outra língua, claro!), perguntando como estão...

6- Mas caso perceba que seu (sua) filho(a) pode estar sendo alvo de qualquer tipo de abuso ou discriminação, aí pode ter certeza que rapidamente conhecerá seu nível de conversação, pelo menos foi assim comigo.

Estava observando meu filho brincar com os coleguinhas quando percebi que alguns chegavam até ele e simulavam uma briga. Tudo bem que isso é algo normal entre meninos, mas quando você percebe que são vários contra um, não adianta, seu lado Pandora Leoa surge e fica quase impossível contê-la.

Fui a passos largos até meu filho e de repente estava dizendo fluentemente em Francês para seus coleguinhas que aquilo estava errado e não era legal brincar daquela forma com ele. Disse que estava triste e que eram pra parar com aquilo. Pronto falei!!

Cinco segundos de silêncio... e a minha impressão era de que o mundo tinha parado pra me olhar.

Me senti a Pandora "nua" em um pátio de colégio, mas o desfecho foi bom! Os coleguinhas e meu filho passaram a brincar civilizadamente e percebi até mais respeito por ele após este episódio.

E o Francês Leônico... funcionou, "brigada, de nada"!


sábado, 10 de setembro de 2011

Minha mãe é uma ... princesa ?

O vínculo afetivo no inicio de uma adoção ainda é pequeno e temos que procurar promover momentos para que ele aconteça, mas requer muito esforço e dedicação por parte dos pais.

Como moramos fora do Brasil, todo o processo de adaptação foi feito lá, na casa de nossos pais. E assim permanecemos até que o juiz nos permitisse sair do país.

Na primeira semana de convivência ainda tentávamos nos conhecer melhor, é um processo que vai aos poucos se transformando. Eu me lembro que parecia que eu e meu marido estávamos naquela fase de conquista de um novo amor sabe? (que no caso foram dois), você não sabe onde põe a mão, o que fala, o que faz... como age.

Então, um dia após o Café da Manhã, quando eu me preparava para trocar de roupa, disse aos meus recém-chegados filhos:

-"Mamãe vai deixar vocês aqui na sala brincando um pouquinho, ok? Vou rapidinho lá no quarto tirar o pijama, me trocar... Vou virar uma princesa!

Bom, de princesa eu não tinha nada, vamos combinar! Na cabecinha deles eu era uma sem noção mulher meio fada, meio bruxa tentando conquistá-los.

E o olhar deles...

Ahhh, o olhar!! Certeza, eu não era uma princesa pra eles, definitivamente!

Bom, se tem uma coisa que uma mulher percebe na vida é quando é ou não é uma princesa pra alguém e eu senti isso claramente.

Chorar? Jamais!! Só quando vejo filmes e novelas (quem nunca?).

Enfim, Olhei para aqueles rostinhos inchados de quem acabara de acordar e num súbito de Mãe Pandora disse:

-"Não acreditam? Eu sou uma PRINCESA de verdade!! Esperem só um pouquinho..." 

Minha sorte era estar na casa de meus pais onde ainda mantenho algumas roupas de festas, aquelas quando somos madrinhas de casamento, formatura, etc. Me troquei, coloquei um belo par de saltos, uma boa maquiagem e surgi, assim... leve e princesa na sala, onde estavam com seus novos brinquedos.

E o olhar deles...

Ahhh, o olhar foi de puro encantamento! Quando entrei na sala, ahhh aí sim, eu enfim era uma princesa de verdade! Eles me olhavam surpresos, meu vestido tinha brilhos!!! Sim, muitos deles e eu estava mais bonita, mais alta, mais, mais...

Depois daquele dia percebi o quanto teria que usar e abusar da minha caixa de Pandora e ser criativa para conquistar corações tão frágeis, porém tão vividos até então.

E acreditem! Mães de meninos são lindas, são gatas, princesas, um luxo!! Verdade, eles sempre nos elogiam, mesmo você estando com uma cara horrível, acabada ou qualquer coisa neste sentido. Pra eles, você é tudo de bom!!

Fertilização in Vitro e Inseminação Artificial, em Português

Olá Pandoras Virtuais, 


Recebi um e-mail de uma pessoa querendo saber o porquê optamos pela Adoção e também sugerindo um post em Português sobre Inseminação Artificial e Fertilização in Vitro, já que o que postei em 2009 está em Inglês. Achei justo! 


Então, senta que lá vem história...


Bom, pra começar, escrever este texto foi difícil, pois me senti no porão de casa remexendo caixas antigas de arquivos empoeirados. Sério! Não faz tanto tempo assim, mas ultimamente parece que a vida tem tanta informação que sinto como se esta história pertencesse a outro século... e foi, né? Mas isso não vem ao caso. 


O fato é que esta história começa no ano de 1999, em Minas Gerais. E como a maioria das pessoas, eu também vivi muitas situações de extrema alegria, outras que posso encarar de uma forma positiva, outras sinto que são um pouco mais tristes e outras que me orgulharam ou me aborreceram um pouco mais. O importante é saber que todas elas foram necessárias para que eu pudesse amadurecer e ter a certeza que algumas destas situações, me encaminharam para uma escolha futura. 


Se você está lendo isso, provavelmente já sentiu algo parecido! É por isso que eu estou escrevendo este texto, para compartilhar fatos não muito agradáveis, mas que talvez possam ajudar outras pessoas que estejam passando por algo parecido. Foi muito difícil para mim, mas no final, fez-me mais forte! E hoje... tudo passou!!!

Quando eu tinha 24 anos eu descobri que eu tinha Endometriose. Lembro-me que eu nunca tinha escutado sobre isso. Isso aconteceu exatamente há doze anos atrás. Foi também nesta época que senti pela primeira vez que gostaria de adotar uma criança um dia.

Desde desta data, eu tive que fazer mais cinco cirurgias, a última em Oslo, onde eu morava e daqui um mês farei mais uma aqui na Suíça. 



E você pode estar se perguntando... 


Para que tantas cirurgias? 


Pois é, a Endometriose é uma doença progressiva e dependendo do seu grau de intensidade (que para cada mulher é diferente), você precisa de tratamentos que ajudem a mante-la sob controle, tudo isso acompanhado sempre por um médico. No meu caso os médicos já me receitaram vários tipos de tratamentos, como Implantes, Anticonceptivo contínuo e agora, por um tempo tenho feito uso de um, indicado pelo meu ginecologista aqui na Suíça, chamado Visanne, um medicamento próprio para Endometriose do laboratório Bayer.

A idéia da adoção sempre foi forte, mas esta decisão não envolvia somente a mim. Então, em 2006, eu e meu marido procuramos um médico especializado em Fertilização in Vitro e/ou Inseminação Artificial em São Paulo.

No final deste mesmo ano, eu fiz a minha primeira I.V.F. Foi estranho ter que aplicar injeções na minha barriga, todos os dias, e às vezes, duas vezes por dia. Mas, claro! Você se acostuma. Fui aos poucos me percebendo mais gordinha, mas, nesse período eu não me importei, porque eu queria muito ter um filho de qualquer maneira! E a culpa não pode ser dada somente aos hormônios não... já vi muita gente fazendo os tratamentos e continuando magrinha... Cada caso é um caso.

Eu fiquei grávida na primeira tentativa!! Foi uma alegria enorme quando recebi o resultado do exame de sangue, mas ao falar com meu médico ele jogou um enorme balde de água fria. Ainda era cedo para comemorar. 



Quando estava com sete semanas, o coração do embrião parou. Um choque! Você até pode saber dos riscos que todo início de gravidez possui, mas nunca se sente preparada pra ouvir esta notícia. Eu tive um aborto retido, como chamam. Refere-se a um aborto espontâneo em que apenas parte do embrião é expulso do corpo da mãe e no meu caso, tive que fazer uma curetagem.


Eita sentimento ruim, viu? Chorei, chorei muito! A dor é mais emocional que físical! Chorar sim, por que não? Digo isso, porque quando aconteceu comigo na primeira vez, eu não chorei como se eu gostaria realmente. Eu achei que deveria ser forte! PURA Bobagem! 


Mas as surpresas ainda estariam por vir! Após uma semana da curetagem, meu médico viu no Ultra-Sound que haviam alguns restos do embrião dentro do útero e devido a isso, eu teria que fazer outra curetagem, em apenas onze dias de intervalo.

Nesse período da minha vida, a Pandora "grão de areia" (pra não dizer outra coisa), surgiu. Eu me senti muito mal, me senti ninguém. Logo corri atrás de ajuda profissional. Comecei a fazer terapia com uma excelente psicóloga, a qual recorro até hoje. Iniciei também a prática de exercícios físicos e esta fusão foi fundamental para superar esse fato. Cuidava da mente e do corpo, incansavelmente.

Durante esse ano (2007), devido às curetagens realizadas tão próximas uma da outra, tive uma Sinéquia Uterina, o que me levou  submeter-me a outra cirurgia para sanar o problema. No final deste mesmo ano, decidimos fazer outra I.V.F, mas nesta época estávamos morando em Blumenau e por causa do tratamento, fiquei na minha cidade natal que fica próxima a São Paulo. Fiquei por lá até que minha segunda gestação chegasse a três meses.

Mas...Já no primeiro Ultra Sound os médicos olharam para a tela e ficaram em silêncio. Nesse momento, eu e marido olhamos um ao outro e sem que falássemos uma palavra, já sabíamos o que estava acontecendo. O coração do embrião não tinha parado, mas estava bem fraquinho.

Então, infelizmente eu tive que aguardar por três semanas, um pequeno coraçãozinho parar de bater. Acho que esta foi a pior parte desta história. Foi muito triste ... Mas, eu me senti mais forte naquele momento devido à terapia. Eu sofri muito, mas estava me sentindo muito mais forte que a primeira vez.

Bom, depois disso resolvemos entrar para a Lista Nacional de Adoção no Brasil e logo depois nos mudamos para Oslo, na Noruega. Estávamos decididos a adotar e parar com os tratamentos, mas a vida se encarrega de nos surpreender. 



Lá na Terra dos Vikings...


Por causa de minha Endometriose, fui a uma médica Irlandesa em Drammen, na Noruega, que logo viu que era necessário operar novamente. Assim o fiz e foi por esta cirurgia que fui encaminhada para o Setor de Reprodução Humana do hospital Rikshospitalen, em Oslo. 


Neste setor, encontrei um médico norueguês que me perguntou: _"Você quer ser mãe"? Nem preciso dizer minha resposta, né? 


Tudo G-R-A-T-U-I-T-O. Fiz três tentativas de Inseminação Artificial e estava certa de que seria mãe. E agora sou mesmo!! Pois enquanto fazia estas tentativas, já lutávamos por estes que são nossos filhos agora. 


Os tratamentos não deram certo, nem cheguei a ficar grávida, mas agora sei bem o motivo. Digo verdadeiramente que sou tão realizada hoje que penso que se tivesse tomado a decisão de adotarmos antes, talvez não precisássemos passar por tantos momentos difíceis. Mas jamais diria isso. 


Acredito que temos que nos arrepender pelo o que fizemos, a ficar pensando "se" eu tivesse feito, "se" eu tivesse tentado...


Tudo valeu a pena!!


Me orgulho de cada pedaço de minha história e me me orgulho mais ainda por ter ao meu lado um grande companheiro que passou cada pedacinho comigo, sempre me apoiando e cuidando. E estes momentos difíceis fortalecem muito uma relação que já é sólida. Me orgulho de ser Mãe do Coração de dois meninos lindos e que nos trazem tantas alegrias. 


Dois meses depois da última tentativa de Inseminação Artificial, estávamos em uma avião rumo ao Brasil em busca de realizarmos nosso maior Projeto de vida. A paternidade e a maternidade do Coração. 


E como diria meu mais belo amigo de cabeceira, Antoine de Saint-Exupéry, nas doces páginas do livro "O Pequeno Príncipe":

"Às vezes penso: "Certamente que não! O principezinho guarda sua flor todas as noites na redoma de vidro e vigia atentamente seu carneiro..." Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente. Ou penso: "Às vezes a gente se distrai e isto basta! Uma noite ele esqueceu de colocar a redoma de vidro ou o carneiro saiu de mansinho, no meio da noite, sem que fosse notado..."E todos os guizos então se transformam em lágrimas!...
Eis aí um grande mistério. Para vocês, que também amam o pequeno príncipe, como para mim, todo o Universo fica diferente, se em algum lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa...Olhem o céu. Perguntem a si mesmos: O carneiro terá ou não comido a flor? E verão como tudo fica diferente... E nenhuma pessoa grande jamais entenderá que isso possa ter tanta importância! "


Respeito muito as histórias alheias. Cada pessoa sabe onde suas feridas doem e isso não podemos desrespeitar. Não somos melhores, nem piores que ninguém. apenas possuímos histórias diferentes para contar e para ouvir... 



Bisous, Pandora do Porão

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Aniversário no Parque. Dia Inesquecível

Meu filho mais novo completou quatro anos em agosto.

Nesta mesma época o ano passado tínhamos acabado de nos mudar de Oslo( Capital) para Kristiansand, uma cidade ao sul da Noruega. Dá pra imaginar né? Noruega, povo nórdico e brasileiro chegando na área? Sim, leva um tempinho para consolidarmos amizades.

O jeito então foi comemorar via Skype com os priminhos no Brasil com um delicioso bolo de chocolate com recheio de Daim (chocolate mega bom com caramelos) e brigadeiros, muitos brigadeiros para a família.

Mas, este ano na Suíça foi bem diferente!!

Chegamos aqui em fevereiro e fomos muito bem recebidos! Conhecemos pessoas maravilhosas e mães, muitas mães àvidas pelas mesmas respostas às perguntas do dia-a-dia materno.

Desta forma, resolvi aproveitar a idéia de outras pessoas lindas e o tempo bom e ensolarado do agosto  europeu para comemorar o aniversário em um parque a céu aberto.

O resultado? Muita alegria e beleza no contato direto com a natureza!! E de graça!


Vamos ao passo-a-passo para uma festa no parque:

1- A escolha do local

Alguns fatores se não forem bem planejados podem acabar com a alegria e o encanto da festa, então, prestem atenção se há estacionamento para os convidados e se o banheiro tem fácil acesso.




2- O Tema da Festa

Felizmente Jobim escolheu o tema Pirata, pois é muito comum aqui na Europa e a garotada adora!!

3- Bebidas

Muita água, suco e chá gelado para a criançada e para as mães. Sempre opto por etiquetar copos e/ou garrafinhas. Além de prático para as mães e crianças encontrarem a qualquer instante, ainda é a favor do meio ambiente, produzindo menos lixo.




4- Comidinhas práticas e saborosas

Tudo deve ser simples para que não sejam necessários talheres. Como já postei anteriormente, existem ótimas opções para comer com as mãos. Cup cakes são ótimos também, pois não necessitam nem mesmo de pratinhos. Menos lixo por favor!

Se estiver calor abuse das frutas da época! Além de compor uma mesa elegante fazem muito bem à saúde de todos e a criançada adora!



5- Mimo para as mamães e para as crianças

A garotada se diverte com o saquinhos surpresa, mas e as mamães e amigas? Estas tamém merecem um tratamento especial mesmo o aniversário sendo infantil.
No meu caso, fiz alguns pop cakes de nozes e cada uma recebeu uma tacinha personalizada de pró-seco no início para um brinde.




6- Caça ao Tesouro

Em casa, sem que Tom e Jobim percebessem, fiz um mapa utilizando papel manteiga em rolo. Pesquisei os detalhes do parque no "Google Earth" e fiz o trajeto de acordo com a realidade do local. Comprei um baú de madeira e o pintamos de dourado. Este mesmo baú sumiu "misteriosamente" no dia da festa... Comprei algumas moedas de chocolate e o preenchi.
Depois, foi só alegria brincar com a fantasia destas crianças lindas na busca do tesouro do pirata. Muito legal!!


7- Brinquedos e Brincadeiras

O parquinho é um grande aliado, mas é necessário pensar em muitas coisas para agradar a maioria das crianças. Pensando nisso levei duas bolas grandes, cada um recebeu um potinho personalizado de bolinha de sabão e fizemos juntos a "Caça ao Tesouro".

8- Envolvimento

Dias antes da festa comecei a gerar mensagens via E-mail e Facebook para os convidados, mas não como a mãe e sim como se fosse uma personagem. Veja um exemplo:

O Correio eletrônico

Olá meninas!

Nosso pequeno pirata Jobim, encontrou o mapa do tesouro: o SOL!!

Então, queremos convidar seus amiguinhos e amiguinhas para celebrar seus 4 aninhos em uma ensolarada tarde de sol no parquinho.

Podemos contar com sua ajuda para encontrar este tesouro?

Ficaremos muito felizes com sua presença!!

Local: Ancien Stand de Blonay
Endereço: Chemin de L'Ancien-Stand, 1807 Blonay
Horário: À partir das 16h

Aguardamos sua resposta, Obrigado!! 


Pirata da Perna de Pau

P.S. A previsão meteorológica indica sol, com temperatura média de 24 graus.
O local é um parquinho a céu aberto, e faremos um aniversário estilo pic nic. Caso o previsão mude para tempo chuvoso, teremos que adiar para outro dia.




Na véspera da Festa, mais um correio eletrônico:



Bom dia marujos e marujas do navio pirata,

Quem escreve é o Capitão do Mar Jobim, o temível pirata de Montreux.

Estou escrevendo para confirmar nossa missão de amanhã! Partiremos à caça ao tesouro às 16 horas, no local combinado!!

Peço aos marujos que vistam roupas bem confortáveis e se preparem para uma tarde com muitas brincadeiras, digo, descobertas. Se por acaso tiver roupinha de pirata em casa, junte-se à mim!!

Nossa missão contará com a presença da maioria, com o desfalque apenas do marujo Guilherme que está em missão no Brasil e do marujo David, que se atrasará, devido à outra missão em La Tour.

Ah! Não poderia esquecer da grande missão da Co-Capitã mamãe, que será a de reservar uma mesa para os comes e bebes da tropa. Caso ela falhe, sentaremos todos no gramado, portanto, peço aos companheiros (as) que levem suas esteiras caso isso seja necessário.

Até amanhã turminha!! Com muito carinho, alegria e entusiasmo,
Capitão Jobim



Bom, verifiquei na previsão do tempo o melhor dia para a festa e o resultado foi maravilhoso. Todos se divertiram bastante e claro, ficará na memória de muitos por muito tempo.

Cinco da Matina

Cinco da matina e eu aqui escrevendo... Ah! Se esta é a única hora do dia em que consigo escrever? Que nada, o nome disso é insônia.

Desde que meus filhos chegaram nunca mais tive uma noite inteira de plena sono... :( Sem exageros acho que as mães são muito instinto mesmo, qualquer barulhinho nos deixam em estado de alerta.

Agora mesmo só estou acordada pois o maridão está a trabalho na Malásia, eu estou aqui como uma leoa guardando meus dois príncipes em casa e Jobim, o mais novo de quatro anos sempre acorda no meio da noite para fazer xixi no banheiro e daí, batata!! Não durmo mais...

Ontem à noite, ri muito contando via Skype pra uma grande amiga no Brasil, a última de Tom. Aliás, a idéia do blog é fantástica para perpetuar estas gafes fofas que as crianças nos presenteiam diariamente. Foi assim...
Recentemente meu querido tio Julinho partiu e deixou muitas lembranças em nossos corações. Inclusive, meus filhos adoravam encontrar com ele, que para conquistar os novos sobrinhos-netos sempre se auto-denominava "tio barrigudão" e fazia de tudo para agradá-los. Ele possuia o mesmo nome de meu avô Júlio e eu me chamo Juliana em homenagem a ele também, mas vamos ao que interessa:

Como vão perceber em alguns posts do Blog, quando se faz uma adoção tardia como no meu caso, além de todo o processo de educação de uma criança você precisa muitas vezes fazer uma espécie de doutrinação, re-ajustando e re-organizando os hábitos diários que trazem consigo para uma nova vida em família.

Então, liguei para meu avô no Brasil, mas antes conversei com meus filhos.

Vejam o diálogo:

"Olhem, agora nos vamos falar com o vovô Júlio lá no Brasil. Sejam gentis e perguntem como ele está, como está a fazenda (na verdade sempre chamamos por roça), as vaquinhas, o cavalo que tem por nome Yahoo, enfim"... bizavô merece um super tratamento né?

Tom logo me disse:

- "Ah! Já sei quem é o vovô Júlio, é aquele gordão!?"

Mãe moralista responde:

-Não Tom, aquele era o tio Julinho e a mamãe não acha legal chamá-lo assim, ok? O tio Julinho está com o Papai do Céu agora. Nõs vamos falar com o vovô Júlio.

O telefone toca...

Meu avô mais lindo do mundo atende:
-Alô?

Tom sem titubear pergunta na maior gentileza:

-Oi vovô Júlio! Tudo bem? Vovô, você está no céu?

kkkkkkkkk, ri horrores por dentro, mas logo falei antes que meu avô percebesse: - "Roça, ele quis dizer roça vô"...

Claro, depois que desligamos o telefone rimos muito juntos, só não sei se ele entendeu o motivo...

Engraçado como algumas coisas são tão claras para os adultos e esquecemos deste mundinho de fantasias que nossos filhos ficam mergulhados. Que fase boa, quanto trabalho e insônia nestes últimos quinze meses que estamos juntos, mas vale muito a pena acordá-los todos os dias dizendo "Bonjour" e poder contar estas coisas engraçadas que recompensam cada esforço.

Vamos lá, sexta-feira, dia de ser feliz, claro!!

P.S. Este texto é carinhosamente dedicado ao meu querido tio Julinho, que sempre é lembrado por todos com muito respeito, amor e saudades. Valeu Tio! Por tudo e principalmente pelo carinho comigo e minha família durante todos os momentos em que tivemos juntos! Mãe Pandora
quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Escola Pública Suíça

Decidimos matricular nossos filhos em escolas públicas ou escolas locais (como são chamadas) para realmente nos integrarmos à cultura do país em que vivemos atualmente. Pensamos nisso pois trabalhei em uma escola internacional em Oslo e desta forma convivi com o multi-culturalismo, mas não conheci a verdadeira cultura educacional norueguesa, a qual admiro.

O resultado disso tem nos surpreendido e também tomado o tempo integral da mãe. Aqui em Montreux, meu filho mais velho estuda nos seguintes horários:

Das 08h35 a.m. às 11h15 a.m. Todas as manhãs.

Das 14h10 p.m. até 15h45 p.m. Três tardes por semana.

Uma loucura né? Mas o trajeto até a escola é lindo, então acaba compensando a correria.

A escola é pública e muito bem organizada em todos os aspectos.

Meu filho mais velho, o Tom, apresenta algumas dificuldades de socialização devido ao seu histórico de vida anterior, então  conto com o auxílio direto das professoras e temos trabalhado juntas e incansavelmente para ajudá-lo. Inclusive me ofereci para ajudá-las voluntariamente duas vezes por semana na alfabetização de outras crianças. Desta forma, fico mais próxima dele e o ajudo a ter mais segurança. Me sinto bem nesta posição por ser minha área de trabalho e também por poder entender a cultura e ajudar meu filho indiretamente. Infelizmente o voluntariado não foi possível.

Enquanto isso, meu filho mais novo, o Jobim, se diverte em uma garderie ao lado, uma espécie de creche para crianças que ainda não estão em idade escolar ou aquelas como nosso caso, onde a criança completa quatro anos em agosto.

Postarei mais destas experiências escolares em breve!! Até mais!