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Os dentes de cada um...

Já assistiram um quadro de Luiz Fernando Guimarães no Fantástico que se chamava "O super Sincero"? Então, acho que tenho dois, na versão mini. Imaginem a cena aqui em casa:


_Mamãe, não é verdade que temos que escovar os dentes pra ficar bem branquinhos?

_Isso mesmo!

_Ahh, então mamãe, acho que você tem que escovar mais vezes, não é mesmo?

Afff, eu podia ter dormido sem essa... Mas não foi para falar da cor dos meu dentes que estou aqui. Isso foi só pra descontrair, já que o assunto abaixo é sério.

Hoje quero compartilhar uma conversa que tive com a psicóloga da escola do meu filho, aqui na Suíça e sobre a sensação de o re-descobrir através das lentes dela.

Na verdade ela nunca o encontrou. Esta foi apenas uma primeira conversa entre Mãe e Psicóloga, mas que rende muita reflexão para pais, que como nós, optaram por uma adoção tardia, ou melhor dizendo, uma adoção quando as crianças são maiores e já vivenciaram muitas emoções anteriormente.

Aqui vai o resumo da reflexão da psicóloga para uma Pandora Aflita, chorando do outro lado da mesa:

*Uma criança, já na gestação, experimenta todos os sentimentos da mãe. Esta criança pode ser amada, planejada, rejeitada, enfim, não podemos dizer ao certo quais foram estes sentimentos, mas podemos ter uma noção do quanto foi amada desde os primeiros cuidados para com ela após o nascimento.

Se a criança foi negligenciada ou abandonada, faltou–lhe comida, higiene básica, faltou-lhe também a maior expressão de amor para com o outro: O cuidado.

A criança desta forma, experimenta pela primeira vez o sentimento de não pertencer a uma família, a um lugar e vai aos poucos internalizando mecanismos de defesa e confirmando aquilo que sente no ambiente em que vive, por exemplo: Se acham que sou um garoto ruim, serei aquilo que pensam a meu respeito, se pensam que sou uma menina malcriada, sim, serei malcriada...

Acontece que a criança passa anos confirmando e assumindo as características que vai recebendo, até que, quando vão morar com uma família deparam-se com algo que ainda não tiveram antes: uma referência.

Esta referência vai aos poucos dando o suporte para que a criança vá construindo internamente elementos necessários para a auto-estima, para se sentir segura, enfim, para se sentir realmente amada. E isso leva tempo.

As regras para estas crianças são extremamente importantes, pois são elas que transmitem o ritmo, a segurança de que até então não dispunham. E assim, com os novos pais, vão aos poucos aprendendo que são sim, dignos do amor e do cuidado de uma família. Dignos de pessoas que os ama tanto, que ficam bravos, que põe limites, que beijam, abraçam e cuidam.

No começo, devido a falta de confiança, estas crianças tentarão mostrar o pior de si próprias, justamente para ter a certeza de que mesmo após terríveis episódios, os novos pais ainda continuarão lutando por elas e as aceitando como são.


Incrível, faz todo sentido!

Na nossa experiência, desde o início, eu e meu marido procuramos falar "a mesma língua", respeitando muito a atitude de cada um e tentamos manter a rotina e o ritmo com nossos filhos. Tudo com flexibilidade, é claro! Mas a soma de tudo isso gerou menos ansiedade.

No dia-a-dia somos mais que atentos, somos CHATOS, eu diria. Mas chatos no bom sentido. Como a própria psicóloga me disse hoje... "É melhor correr atrás de ajuda que deixá-los fazer o que querem, pois isto sim os remeteria a uma vida anterior, sem regras, sem limites e consequentemente à insegurança".

Espero que tenham gostado. Agora vou me despedindo, pois acabei de receber um convite para comer um curau de milho verde na casa de uma amiga mineira... ahhh, com café? Hummmm, fui!!

Até mais!! Bisous ;-)

P.S. *O texto acima não trata–se de um texto científico, e sim um resumo de uma análise realizada por uma profissional da área da Psicologia. O objetivo principal deste, é auxiliar pais adotivos no entendimento de situações que possam enfrentar no cotidiano familiar.

Comentários

  1. eu me casei com o Super Sincero, Ju. cada vez que assistia o programa, via o Matthieu no personagem! ;o)

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  2. Muuuito legal Ju!
    Eu assisto todos os dias (gravo e assisto quando da) um programa com um pedopsiquiatra (ótimo!) e outro dia a questão era sobre o comportamento de crianças adotadas, e ele disse que a criança passa muito tempo "testando" os novos pais para ter certeza que, aconteça o que acontecer, eles vão continuar amando ela... ;)
    Nane

    ResponderExcluir
  3. Gisele Prado Escandiussi15 de setembro de 2011 20:12

    Tenho lido sobre o assinto, e é por aí mesmo!!! Aliás temos muito o que conversar D. juliana!!! Beijinhos.

    ResponderExcluir

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