segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Da Terra dos Vikings para a Vacolândia

Vista do Lac Léman na caída da noite
Realmente a Suíça é um lugar muito lindo!! Agora então, com as cores de outono, hummmm, ela está linda, linda!!

;-)

Este final de semana, aproveitamos para passear um pouco com minha mãe que está aqui conosco, pra ajudar enquanto me recupero.

Ontem fomos à Maison Cailler, uma fábrica de chocolate que tem uma espécie de museu interativo sobre o tema e no final, uma degustação maravilhosa e à vontade!!! Claro, que eu não entrei por conta da recuperação da cirurgia, mas recomendo fortemente o passeio... Desta vez, fiquei esperando na cafeteria, lendo e mantendo a pança  pose. Achei que a recuperação da cirurgia seria mais rápida, mas ommmmmm, ommmmmmm, paciência. Tenho que trabalhar a paciência... ommmmmmm.

***

E foi no caminho para a fábrica de chocolate que minha mãe comentou sobre as vaquinhas suíças. Adoro os comentários da minha mãe, eu diria que ela tem um olhar lindo, agradecido, diferente, um pouco "síndico" das coisas, isso mesmo, sabe quando o síndico quer saber sobre o que acontece, e claro, isso me faz olhar para as mesmas coisas, mas com um ponto de vista diferente. E daí, então, uma dúvida pairou no ar:


 Existem mais pessoas ou mais vacas na Suíça? Brincadeiras a parte, aqui vê-se muitas vacas. O tempo todo. Você está no meio de uma rua movimentada e de repente vê um pasto no meio do nada com ... vacas. Também têm muitos vinhedos, muitas macieiras...








E por falar nelas, mês passado, fomos a um Desalpe em uma cidade chamada Charmey. Se eu entendi bem, no verão os fazendeiros levam as vacas para um local mais fresquinho (Os Alpes Suíços) e elas ficam por lá durante todo o verão. Então, quando o outono chega e a temperatura começa a cair, as vaquinhas retornam às fazendas e esta tradição é comemorada com grandes festas rurais e bem típicas, divididas por regiões.








Adoramos o passeio!! A criançada se deliciou, principalmente com os leites servidos purinhos, e todos seus outros derivados, inclusive fondue à vontade.


Preparação do famoso queijo Gruyėres 

Mas a Suíça não é só isso não, claro! Eu ainda não consigo postar tudo o que temos visto ou vivido por aqui, mas tenho que admitir: "Apesar de ter amado o tempo em que vivemos na Noruega, a Suíça é um país bem mais fácil para se adaptar".


 No sábado, demos um "pulinho" em Lausanne e de repente me vi em São Paulo no paraíso!! A FNAC. Muita gente, muito barulho, cheiros, livros, filmes, informação... Bom demais!! E por lá ficamos quase que uma tarde inteira. Entre repousos e andadas pelos corredores, Gabriel e Lucas além de se esbaldarem com os livros em quadrinhos, ainda provaram o JUST DANCE 3 do Wii. Dançaram muito e foram presenteados com um óculos estilo Ray Ban Wayfarer




Eles ficaram muito gatinhos com aqueles óculos!!!

Aproveitei também pra comprar este livro indicado por uma grande amiga:

A tradução seria: "Pequenos aborrecimentos e grandes preocupações, o que fazer, o que dizer."


E "vamu que vamu"!! Vida que segue...


Bisous, Pandora Guia Turístico e filha...

domingo, 30 de outubro de 2011

Agradecimento



Gente, achei de uma gentileza enorme o programa Papo de Mãe, da TV Brasil, que me enviou por correio o DVD do programa com o tema "Adoção" até aqui...na Suíça.

Sem que soubessem, o DVD chegou em um momento muito oportuno, onde euzinha estava acamada em um leito de hospital, esperando não sei o quê e tive então o prazer de me deliciar com esta carta surpresa linda na minha caixa de correio.

Obrigada a Equipe Papo de Mãe e principalmente  à Déborah Emílio por isto!! Valeu!!

E aqui vai minha dica: O Programa Papo de Mãe é um momento excelente para nós mamães, que com tantas dúvidas, podemos nos identificar e refletir sobre assuntos do nosso dia-a-dia materno.

BISOUS, Pandora Namastê
quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Licença Maternidade para Adoção

Li este artigo na Revista Crescer e resolvi compartilhar com vocês:

Licença Maternidade para Adoção Tardia

Acredito ser pouco tempo, mas uma medida extremamente importante para a geração do vínculo afetivo com o/a ou os/as novos(as) filhos(as).

Vejam o que aconteceu comigo em Oslo, na Noruega:

Quando entramos no processo de adoção de nossos dois futuros (agora atuais) filhos, contratamos um advogado para nos representar enquanto toda a burocracia corria, pois eu e meu marido trabalhávamos na Noruega.

Mas quando percebemos que algo no Brasil estava seguindo um caminho indesejado, e que os irmãos poderiam ser separados, resolvemos ir até lá para lutarmos de perto por eles. Então, fui até a escola onde eu trabalhava e com o coração nas mãos informei que me ausentaria por um tempo e claro, pensei que meu contrato seria rescindido no mesmo momento... Mas o desfecho foi bem diferente!!

Minha surpresa, foi notar a comoção dos meus superiores ao me oferecer uma Licença de Compaixão, Você já ouviu falar nisso?

A Licença de Compaixão é uma licença remunerada concedida ao funcionário no caso da perda de um ente querido e geralmente dura no prazo máximo de cinco dias. Porém, no meu caso, ela me foi concedida por tempo indeterminado, até que eu conseguisse adotar as crianças.

Claro que com toda a burocracia eu e meu marido ficamos apenas um mês e meio no Brasil e logo voltamos a Oslo (sem nossos filhos), pois o processo ainda corria no Fórum. A adoção veio a acontecer quatro meses depois, e eu abri mão da licença, pois queria dedicar todo meu tempo aos meus príncipes...

Mas sei que nem todas as mamães podem fazer o mesmo, então, nada melhor que um Projeto de Lei como este, que pode ajudar muito na relação afetivo-familiar no início, que é um momento muito delicado, principalmente ao se tratar de uma adoção tardia.

Estarei aqui torcendo para que a Lei possa vigorar!!

Bisous, Pandora Antenada
sábado, 22 de outubro de 2011

Era a tal...

E assim a Pandora Adormecida foi acordada aos beijos por três lindos príncipes... uma escadinha deles, um príncipe loiro de olhos verdes de apenas quatro aninhos, um moreninho (cinco aninhos) com os cílios mais lindos do mundo e um bem maior que estes, eheehhe, o super marido!!

Este post não é nada "cor de rosa". Contém muita realidade, melancolia e drama, mas leiam até o final, pode valer a pena, pois, além do conto, o tom será também de alerta para mulheres que como eu sofrem com a Endometriose http://pt.wikipedia.org/wiki/Endometriose   e também para mamães de meninas, para que fiquem atentas aos sinais silenciosos de uma doença que ainda não tem cura e começa pelo fato de somente ser diagnosticada através de uma vídeo-laparoscopia (sim, dificilmente ela aparece no ultrassom) e desta vez,  a descobri devido a uma Ressonância Magnética que detectou algo estranho no intestino.

Ah! O médico pediu este exame devido ao meu histórico de várias cirurgias e uma Endometriose grau 4 e após esta Ressonância, fui encaminhada a uma Colonoscopia e enfim, o resultado: Uma Estenose no Sigmoide (estreitamento na parede do intestino). A causa? Era desconhecida, mas agora sabemos, era a tal Endometriose novamente. 

***
No Hospital....

Ainda na sala de recuperação após a cirurgia, notei algo estranho em cima da incisão (como a de uma cesariana) para retirar a parte do intestino "atacada"pela Endometriose. De todas as outras cirurgias, esta foi a primeira em que colocaram um saco de areia de mais ou menos um quilo sob o corte para evitar qualquer tipo de hérnia e hematoma.

Foi mole não!! Após a anestesia geral, me deram duas opções para o alivio da dor: Tomar uma outra anestesia, uma Peridural ou injetar morfina na veia. Bom, acabei optando pela morfina, mas o efeito colateral foi terrível: Enjoo e tontura. Affff!! Mas passou, passou... Meus filhos fizeram teatrinho pra me animar e acabaram conquistando uma pessoa que trabalha há 20 anos lá, a Maria Conceição, uma portuguesa que mais parecia um anjo. Muito obrigada Conceição!!! Sinta-se muito abraçada!!!

O fato é que a Endometriose gosta de atenção. Eu sempre fiz e faço o controle em várias idas e vindas aos médicos e o ultrassom, apesar de não diagnosticar, sinalizava que tudo vinha bem. Mal sabia eu, que pertinho do ovário esquerdo um foco crescia e crescia silenciosamente.

Fiquei muito triste e tive muito medo. Sim, admito! Sentimentos de todos os tipos saíram de minha caixa de Pandora. Tive muito medo de morrer, de deixar a coisa mais linda que já fiz em minha vida, a maternidade, enfim, não gosto desse tom dramático, mas foi uma barra mesmo...

E como Gabriel e Lucas me ajudaram... Um dia, ao ver o médico apalpando minha barriga, Gabriel sem titubear o peitou em um francês invejável e perguntou: "O que você está fazendo com minha mãe?" Foi fofo demais!!! E Lucas, segurando minha mão, me levou até o banheiro e disse: "Mamãe, se você tiver dor, diga Ai, Ai, Ai, que passa. Tá Bom?" Isso não é a coisa mais linda do mundo gente?


Em casa...

Hoje, após nove dias da cirurgia, me sinto bem melhor, mais disposta (ainda com dores, claro!), mas o medo passou. Estou viva!! O diagnóstico de ser novamente Endometriose apesar de ser chato não é ruim, pois existem doenças progressivas bem piores e eu começo a ter fé na vida novamente!! Esta é a melhor parte! É claro que ninguém se sente feliz em estar doente ou ser operado, mas o fato de aceitar as coisas como são, sem auto-piedade já ajuda muito na recuperação. E by the way, neste exato momento tenho uma bolsa de gelo enorme na barriga, uma beleza, super confortável!! rsrsrsrs

Agora, vamos combinar!! Pensei que com isso perderia alguns quilinhos extras que ganhei nesta vida suíça de Raclettes e Fondues, mas que nada. Ainda ganhei mais um, Arghhhh!!!

O destaque é do susto, do sono, do enjoo... E de alguém que sempre está ao seu lado. Valeu gente!!

Bisous Pandora 79%
terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mamãe no Hospital-Parte II



Aiiii como dói...


Gente! Cansei de "brincar de Lego", ehehehe (a piadinha vem do Post anterior "Mamãe no Hospital"). 


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Mas deixando a brincadeira de lado, hoje, quero muito, mas muito mesmo agradecer todas as mensagens de carinho que recebi durante estes dias. Muito obrigada a todos!! Vocês não tem ideia de como este carinho foi e continua sendo muito importante. E dizer que, felizmente, hoje é meu último dia no hospital. Eba!!!!

Foram longos seis dias de muito perrengue (dores inimagináveis, enjoos, mas que a cada dia tem diminuído gradativamente. Ufffaaaa!!!


Também quero dizer que ainda não consigo escrever por muito tempo, pois a Pressão cai, a posição não ajuda, enfim, este Post é apenas uma maneira de agradecer ao afeto que recebi de todos. Valeu!!


Em breve, estarei pronta para outro Conto... Continuem enviando boas vibrações!! 


Bisous, Pandora Mais pra Lá que pra Cá.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mamãe no Hospital

E olha eu aqui, vestida em um belo peignoir e pantufinhas branquinhas em um quarto de hospital (www.lasource.ch/). Mas não posso reclamar nem um pouco. Primeiro que estou em um hospital suíço digno de um título de primeiro mundo, segundo que estou munida desta super tecnologia, o meu Notebook e terceiro que estou aqui escutando Mika, que eu adoro e me revigora com boas energias!! Dá uma passadinha pelo site oficial dele: http://www.mikasounds.com/  Vale a pena!!! E tem mais!! Além de um mega cantor e compositor, Mika teve uma infância difícil e hoje brilha no palco da vida, literalmente!! Sou Fã!!!

Então, o conto de hoje é o seguinte: Amanhã vou fazer uma cirurgia... e pra amenizar um pouco o texto, vou parafrasear uma amiga muito querida quando disse que seu filho estava quebrando tantas partes do corpo que estava parecendo o "Menino Lego", (risos). Então, digamos que eu seja a "Pandora Lego": Vou retirar uma parte do intestino que "quebrou*" e  encaixar as partes boazinhas... deu pra entender? * ( leia-se: endometriose no intestino)

***

Sim, foi um baque quando fiquei sabendo desta bomba! Fiquei muito nervosa e disse N Ã O várias vezes ao médico, mas como ele mesmo disse, isso não era uma escolha minha...  Tive que engolir aceitar. Isso tudo, pois minha preocupação maior agora é transmitir o máximo de segurança aos meus filhos a uma ausência de seis dias. Mas lá fui eu me consultar com a psicóloga e ela me disse que era importante prepara-los sim e esperar uma mudança no comportamento, o que é normal.

E para isso, tenho ao meu lado nada mais que minha mãe que veio lá do Brasil para cuidar de meus príncipes enquanto me recupero no hospital... Nada melhor que paparico de vovôs e vovós né? Nesse quesito meus filhos estão bem providos, ôô delícia!!! E ter a minha mãe aqui é tudo de bom!!!

Mas também preparei outras coisinhas... hehe


  • Escrevi pequenas cartinhas para eles, umas com brinquedinhos e outras com bombons. Tá, eles não sabem ler ainda, mas guardarei com muito carinho para que vejam um dia.

  • Também fiz um calendário com os dias em que estarei longe, para que eles possam ir contando e marcando com um X os dias que se passaram. Assim fica mais fácil para que entendam que serão alguns dias e não uma eternidade. O tempo para as crianças é bem diferente que para os adultos.

E fiquei mais tranquila ao visitar a Garderie ou o Mini Club do Hospital, onde eles podem brincar um pouquinho quando vierem me visitar. Assim eles guardam lembranças boas desta fase... digamos, não é o ideal, mas será diferente.


Este post é breve e é para deixar tranquilo o coração daqueles que estão longe... daqueles que estão perto... daqueles que estão dentro do meu coração. Obrigada!!! Muito obrigada a todos pela força!!


E esta foto vai pra minha mãe, que está amando a Suíça e repete todos os dias:


"Que lindo!! Gostei mais daqui que da Noruega" (onde moramos anteriormente) ... e eu sempre digo:


"Mãe, os dois países são lindos demais, cada um com suas peculiaridades e pra mim, são como os filhos. Não tem como comparar. Cada um é especial por ser o que é." 

P.S. Torçam para que muito em breve eu escreva outros... sinal que a recuperação segue bem.

Bisous, Pandora Malade, mas cheia de glamour no peignoir branco do hospital.




sábado, 8 de outubro de 2011

Das amizades que nos suportam

Olha, vou dizer a verdade! Deu o que fazer pra eu conseguir sair do armário e escrever o blog...

Primeiro pois eu acreditava que isto deveria ser algo fundamentado em alguma teoria e depois, porque escrever um  blog exige coragem acima de tudo. É simplesmente admitir que eu não sou perfeita, que erro, que sou de carne e osso, sou real... E dentro desse vai não vai, olha eu aqui, é bom demais!!! Apenas sinto muito o fato de não poder compartilhar com o leitor, a imagem dos nossos rostinhos, mas como trata-se de uma adoção tardia é importante nos preservar.

Mas hoje eu não vou escrever sobre os filhos e sim sobre os amigos.

Gentem, os amigos!! Seres iluminados importantíssimos nesta nossa jornada!!

E o que seria das blogueiras iniciantes como euzinha, sem a solidariedade dos amigos? N A D A!!! No início, são os amigos e a família que lêem nossos posts, comentam, disseminam a outros amigos e familiares e tem a M A I O R paciência pra isso. Valeu gente!! Sintam-se abraçados!!

E por falar em amigos, esta semana aconteceu algo raro por aqui!! Eu e algumas amigas nos reunimos (sem filhos e maridos) pela primeira vez, para jantarmos em um restaurante tailandês chiquetérrimo. A mulherada estava toda linda, em becas nada parecidas com aquelas que geralmente usamos quando vamos ao parque com os filhos. Um luxo!!

Nos divertimos horrores e nos policiamos também, para que dentre dez palavras, pudéssemos ao menos falar cinco que não fosse:


MAMADEIRA, PAPINHA, COCÔ, CÓLICA, VIROSE, VACINA, PEDIATRA, ESCOLA...

Mas até que obedecemos bem a regrinha!! Nos divertimos e falamos muuuuuuuuita bobagem!! Daquelas cabeludas que você se pega rindo sozinha enquanto dirige ou enquanto está ralando a cenoura... Ei? Calma, sem piadinhas, eu quis dizer a cenoura do almoço mesmo, rs.

E no outro dia...

Quando acordei, ao preparar o café da manhã e as lancheiras para a escola, percebi o quanto isso faz bem pra alma feminina. Poxa, merecemos muito isso!! Ser mãe é a viagem mais deliciosa que existe mas é também uma rotina "mega"atarefada, uma adrenalina eu diria. Esta semana assisti um vídeo da Roberta (Piscar de Olhos) , onde ela fala da mudança no olhar da mulher depois que se é mãe.  Nosso olhar se transforma em um olhar mais responsável, mais atento aos perigos, uma coisa muito instintiva mesmo.

E poder, mesmo que por duas ou três horinhas, se "desligar" e alimentar a Pandora Mulher é mais que importante. Pelo menos na minha realidade vivendo na Noruega e agora na Suíça, aquelas deliciosas horas sendo paparicada em um salão de beleza virou memória de museu na minha vida. Chego até a falar: " Antigamente, quando eu ia no salão"... É sério, por aqui existe sim tudo isso, mas é muito caro, então eu opto por poder fazer outras gracinhas, tipo ir a um bom restaurante de vez em quando e viajar, claro!! E quando chego no Brasil, desforro!! Até drenagem linfática DUAS vezes por semana rola!!

Mulherada, a confraria não precisa se reunir em um restaurante chique, pode ser até na confeitaria da esquina, mas a intenção é alimentar a alma feminina que dorrrrrrrrrme dentro da gente de vez em quando. Fazendo isso, acredite!! Revigora e é melhor que chá de camomila!!

Então, hoje, quero agradecer aos amigos que tornam estes momentos mais que divertidos e que consequentemente ajudam nossos filhos a serem mais felizes, pois qual o filho que não gosta de ter uma mãe alegre e divertida ao lado?

Bisous, Pandora Amigona
terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eu não sou She-Ra!!

Lembra da She-Ra? A irmã do He-Man que dizia: "Pela honra de Greiscow"! Engraçado, passei a infância acreditando que ela era namorada dele (He-Man) e que eu era a própria She-Ra. Linda, forte, poderosa e com um corpão, ahhhhh que tudo de bom!!

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E foi assim, brincando de She-Ra em uma festa de aniversário, que aos onze anos quando levantei minha espada (que na verdade era um galho de árvore), senti que algo muito estranho estava acontecendo em meu corpo... estaria eu fazendo xixi nas calças?

Corri para o banheiro da festa e qual foi minha surpresa? Eu havia ficado mocinha menstruado pela primeira vez. Aos  O N Z E  aninhos!!

Discretamente, chamei minha mãe. Ela me abraçou, me deu os "Parabéns"e eu claro, pedi para que não contasse a ninguém. Na verdade, me senti esquisita. Como alguém pode receber os "Parabéns" por ter uma sensação horrível de que algo está errado em seu corpo? E andar com um absorvente entre as pernas era algo muito estranho. She-Ra jamais pagaria este Mico!

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Ao sair do banheiro percebi que eu tinha roubado a cena do aniversariante!! T - O - D - O - S me olhavam e me davam os terríveis "Parabéns" e eu? Queria "matar" minha mãe... afinal era um segredo nosso e eu não queria ser mocinha, queria ser She-Ra!!!

O tempo passou, eu virei mocinha mesmo (fato) e percebi que faria o mesmo que minha mãe. Contaria a todos os amigos, sem diferença alguma. Hoje sei o quanto é bom vibrar com cada acontecimento, cada fase dos nossos filhos e euzinha, diria... faço bem pior. Exponho logo as histórias em um BLOG, uma descrição exemplar, rsrsrsrs.

Mas incrível, voltando a personagem She-Ra, ela ficou encarnada em mim durante muito tempo. Claro que não tenho uma espada e nem aquele corpão, mas acreditei que teria que dar conta de tudo, que teria que ser perfeita, que deveria ser capaz, ser forte... e pumba!! Não sou, nunca fui e jamais serei She-Ra!!! Que decepção...

Hoje em dia, no papel de mãe, ainda me pego tentando ter todas as respostas e super poderes, e nesta caminhada por lugares e culturas tão diferentes percebi que outras mães, desfrutam de sentimentos parecidos e muito comuns sobre a maternidade. Na verdade, também percebo que nenhuma de nós sabe se está fazendo a coisa certa, mas TODAS querem o melhor para os filhos, quer ver? Vamos pensar e brincar um pouquinho:
  1. Marque ( V ) para verdadeiro e ( F ) para falso:
(   ) Filhos não podem ver as mães chorando.
(   ) Mamães e papais não erram nunca!
(   ) Sabemos todas as respostas, sempre.
(   ) Dizer não aos filhos traumatiza...

Acredito que o que tentamos fazer é acertar, mas ouvi de uma pessoa muito querida que devemos sempre agir com o bom senso e falar a verdade, sempre. Esta é uma parte difícil, mas que tenho procurado trabalhar em meu interior para que possa estar preparada para perguntas como estas que venho enfrentando ultimamente: "Mamãe, não é verdade que um dia você nos deixou e depois pegou de novo?" Affff!!! Mil Affffs!! Estávamos tomando café da manhã quando fui surpreendida com esta pergunta e não soube o que responder... 

Desconversei, falei sobre o leite, o pão, os levei para a escola, voltei pra casa, sentei e chorei. Eu já havia lido que os filhos adotivos tendem a confundir a mãe adotiva com a mãe biológica, então isso não era algo novo para mim, mas não me senti preparada para responder naquele momento. A questão ali não era o meu sentimento, mas os sentimentos deles. Como dizer que não fui eu quem os deixou e sim uma outra pessoa. Ao meu ver dói demais ter que dizer isso a um filho, por isso fiquei quieta. Mas conversando com algumas psicólogas já me certifiquei que deveria ter dito a verdade, mesmo que cruel, pois esta é a história deles. 

Para pensar...