segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vide Bula - "Ser mãe, provoca efeito colateral."



"Ser mãe, provoca efeito colateral."

VIDE BULA

Nome comercial: Ser Mãe

Nome genérico: Carbonato de Mã, carbonato de mãe, carbonato de mamãe, carbonato de mami e outros.

Uso infantil e adulto

Atenção: Leia sempre a blogosfera materna a bula. Ela traz informações importantes e atualizadas sobre este fenômeno incrível.

  1. Ser mãe promove na mulher altos e baixos, portanto, tenha autocontrole amiga!! Um dia você se sente Deusa e no outro, Bruxa.
  2. Ser Mãe pode te deixar babando o tempo todo...
  3. Cuidado: Ser mãe pode se tornar um vício. As doses variam de pessoa para pessoa;
  4. Ser mãe deixa seu sono mais leve, ou seja, a usuária nunca mais terá noites de sono tranquilas. 
  5. Ser mãe, provoca algumas reações inesperadas, exemplo: Quando os filhos fizerem algo errado, a primeira sensação é de que a culpa será sua. 
  6. Ser mãe também afeta a cútis amiga!!! Rugas surgirão sim no seu rosto. Não se iluda.
  7. A sensação de fome pode aumentar gradativamente. E com ela, a compulsão para comer o que seu filho deixou no prato, também. Isto pode se tornar um hábito, se não controlado. 
  8. Seu foco mudará repentinamente. Ouvirá choros, gritos e sempre que outra criança chamar pela mãe, acredite. Você sempre responderá: "Oi!!! Tô aqui filho!!!" Loucura?? 
Mas quem nunca se assustou ao ler uma bula?

É assim mesmo. A gente sabe de tudo isso e mesmo assim nos sentimos as pessoas mais amadas, mais sortudas, mais felizes e queridas do mundo. Ser mãe é T U D O de B O M!!

E você mamãe? Quer me ajudar a acrescentar mais efeitos colaterais nesta lista? Vamos lá, escreva aqui suas constatações!!


Bisous!! Pandora Farmacêutica

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Portão

E lá vem Tom novamente... Tá, eu sei. Tom (5 anos) é o personagem principal da maioria dos contos, não que Jobim (4 anos) não seja, mas como na maioria das famílias, os filhos são diferentes e aqui em casa, contos não faltam a Tom. É uma fase latente, sabe?

Imaginem um garoto extremamente falante, alegre, questionador, barulhento, muiiito barulhento. Daquele que faz ruído a cada passo, que conversa escovando os dentes e as pernas quase alcançam o teto, basta estar no sofá...  De uma certa forma, percebo que ele acaba sem querer,  "inibindo" ou "abafando" Jobim algumas vezes. Mas estamos atentos a isso, e na verdade, talvez esta seja uma ótima oportunidade para Jobim lutar pelo próprio espaço e com as "armas" e do jeito dele. Vejamos! "Cenas do próximo capítulo..."

E este post é sobre a Subjetividade.  Sabe aquele espaço interno que é só seu? O"primo" da Caixa de Pandora, onde você elabora os sentimentos, as emoções, os pensamentos e traduz tudo isso para o mundo externo do seu próprio jeito? Então, este conto vai te levar ao encontro do subjetivo, na visão do meu pequeno GRANDE Tom. Vem comigo?

Como escrevi aqui, há um mês atrás fiz uma cirurgia "daquelas". A tal Endometriose atacou e por isso tive que tirar 30 cm do intestino. Não tem uma música que fala: " Falta um pedaço de mim, ou um pedaço de mim se foi"? Deve ter algum sertanejo que canta isso, eles adoram estas coisas... Então, um pedaço de 30 cm se foi, mas o bom é que eu emagreci, (Ebaaaaa) e agora estou quase 100%. E uma coisa eu aprendi nisso tudo: "Tudo se ajeita na vida. Até o intestino se ajeita.

Mas com este acontecimento nãoémolenão  e com toda a agitação e preocupação que uma grande cirurgia gera, meus filhos tiveram uma espécie de recaída. A psicóloga da escola suíça já tinha me alertado sobre esta possibilidade, já que estamos juntos há pouco tempo e o medo de "perder" novamente a mãe possivelmente geraria insegurança.

B A T A T A!

E gerou sim insegurança em TODOS ao redor. Ficamos agitados, "esquecidos" (tipo amigo do Alzeimer, sabe?), enfim, a família inteira padeceu.

Nas semanas conseguintes à cirurgia, percebi que Tom falava mais sobre o abrigo onde um dia morou. O que acredito ser um bom sinal, afinal, ele NUNCA falou nada a respeito. Sim, nunca disse um nome, nunca disse nada que o fizesse reviver aquele tempo que ficou pra trás. Pra ser sincera, apenas uma vez, quando ofereci um merengue (ou suspiro), ele me disse que havia uma vizinha que sempre dava isto a ele. Mas em um ano e meio foi a única vez...

Jobim já não verbaliza tanto. Talvez tenha algumas lembranças inconscientes, mas não diz nada a respeito do passado. Ele é mais novo e também não experimentou tantas coisas como Tom. E segundo a psicóloga, crianças oriundas de uma adoção tardia apresentam este tipo de comportamento mesmo, como se preferissem esquecer, apagar aquilo que foi vivido, portanto, simplesmente não falam nada a respeito. Mas... não falar é diferente de não sentir. As manifestações aparecem de alguma forma, sejam nas brincadeiras, nas atitudes, tudo pode ser uma alternativa para se expressar.

Mas e o portão gente?

Então, logo na terceira semana após a cirurgia, Tom falou algo sobre o passado, mas juro que não lembro o que foi... bom, resolvi aproveitar a oportunidade e pedir para que fizesse um desenho sobre o que estava me falando. E ele o fez.

O papel não exibia apenas o desenho em detalhes. Continha cheiro, sentimento. Além disso, ali estava um pedaço do passado dos nossos filhos, que desconhecemos.

No canto do papel, havia um desenho de caminhão de galinhas (comuns ainda em algumas regiões do Brasil), o qual ele tinha muito medo, pois as galinhas eram entregues vivas ao abrigo. Também havia um cheiro de macarrão, que segundo ele, era bom, mas que ele não quer comer mais aquele macarrão não, pois ele comia todos os dias.

Havia também no desenho, uma mulher muito parecida com uma das professoras dele aqui na Suíça (professora esta que vira e mexe tem alguma reclamação a fazer sobre o comportamento de Tom), por quê será????

Mas o mais incrível, foi o desenho do portão. Ele se auto-desenhou em frente ao portão principal do abrigo e disse que aquele era o lugar que ele menos gostava da casa.

Fonte: http://barile.info/ Um site delicioso de ver...


"_Eu não gostava do portão, pois ele abria só de uma lado. Ele abria só pra eu entrar e nunca abria pra eu sair". Tom, cinco anos e muita emoção.



Nunca tive um exemplo tão forte de Subjetividade como este. Para ele, este "portão" era mais que uma fechadura ou um muro. O portão era o que delimitava sua vida, era o que o impedia de ver as coisas do lado de fora.

O que ele via, eram pessoas legais que vinham e iam embora. Crianças que chegavam e permaneciam, pois a maioria (naquele abrigo) eram crianças com muitos irmãos. Ele via as inúmeras caixas e sacos de roupas e alimentos que chegavam em seu pequeno mundo de aproximadamente 100  . Ele via pouco, seu mundo era limitado a um pequeno quintal com poucos brinquedos e nenhuma estimulação. Aos quatro anos, quando os adotamos, para Tom todas as cores eram "veide", ele usava chupeta, fraldas e mamava na mamadeira...

Mas o portão abriu meu filhos! Abriu não, foi escancaradamente aberto e sem possibilidade de retorno, o que é bem melhor!

Hoje, você sabe todas as cores em duas línguas diferentes. A fralda tiramos há uns bons meses atrás e o mesmo aconteceu com a chupeta, com a mamadeira... Você não deu trabalho nenhum, afinal, você queria mesmo era crescer e já estava pronto pra assumir seus quatro anos de idade. E assumiu!!

Com você Jobim, conseguimos tudo isso também, mas em outro ritmo e em outro momento. Você é o fofo mais fofo que existe. Eu acho! E gosta de ser chamado de chuchu e eu adooooooro te chamar assim. Talvez um dia você morra de vergonha disso, mas quando eu te dou aquele agarrão e falo "Oi Chuchu da mamãe", você fica todo "pirulão."

O que posso dizer gente? Acho que a adoção foi a coisa mais importante que já fiz em toda minha vida. Me fez mais forte, mais madura... Também acho que tem que ter preparo, tem que ter peito pra enfrentar algumas barras e não tem que ter uma coisa: Sentimentos de Dó e Pena. 

Se tem uma coisa que respeitamos é a história destes meninos. Sabemos de muitos detalhes importantes como o fato de serem irmãos biológicos, mas confesso, são irmãos de alma também, eles se amam demais, se dão super bem. Tivemos a oportunidade de ver como são os pais biológicos, mas abrimos mão desta parte. Pra mim, na minha subjetividade, eles são nossos filhos e isto é o mais importante. No futuro, talvez queiram conhecer os pais biológicos... direito que não temos como negar. Isso é um fato comum nas histórias de adoção.

Enquanto isso, preparamos nosso coração e vivemos um dia após o outro e com a certeza absoluta de que fizemos a coisa certa!!!

Bisous, Pandora achando que entende alguma coisa de Psicologia... 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uii... Já?

Bem que eu percebi que a implicância estava durando tempo demais... No começo, achei que eram aquelas briguinhas normais que acontecem nesta faixa etária e confesso que quando a conheci, também a achei "chatinha"... É sim meu filho. Um dia, quando eu estava trabalhando na sua escola, ela simplesmente veio até mim, deu com os ombros bem de ladinho e com as mãos na cintura disse:

_ "Sabia que eu convidei todos da sala para o meu aniversário, menos o Gabriel?" Ela pergunta.

_ "Ahhh, mas por quê? Ele é tão legal!" Mamãe puxa saco do filho responde.

_ "Não é não, ele me chama de bebê e eu não sou bebê." Ela disse.

_ "Ahh sim, você não é bebê, mas ele gosta de você!" Mamãe com vontade de rir fala o que vem a cabeça. 

≈ 

Então, percebi que vocês, colegas de sala estavam se estranhando. Como gentileza gera gentileza, resolvi te propor para fazer um desenho bem bonito e entregar a ela na escola. Quem sabe assim este mal entendido se resolveria?


Você meu filho, além de fazer, caprichou! Provido de uma coordenação motora fantástica, nos encantou com aquele desenho. Encantou a mim e também aquela garota, que vamos combinar, é linda demais. 

A escrita é da mamãe, mas o trabalho é dele.


Parece que tem dedo de mãe, ma juro que o desenho é dele. 

Então, comecei a perceber que todos os dias você falava o nome dela aqui em casa. Comentários como estes abaixo, tornavam-se cada dia mais frequentes: 

_"Mamãe, a Sianna não gostou do meu tênis novo..."

_"Mamãe, a Sianna falou que esta camiseta do Mickey é de bebê."

_"Mamãe, a professora mudou a Sianna de mesa, agora ela senta longe de mim."

_"Mamãe, eu passei a mão em um cachorrinho lindo hoje..." 

Heim????? Eu ouvi direito????? 

_ "Mas meu filho, você tem pavor de cachorro. Como assim? Que bom! Foi sua professora quem conseguiu esta façanha?" 

_"Ah não mamãe, os cachorrinhos eram muito bonzinhos. Eram dois."

Dois??? Gente, este menino deu pra fantasiar aos cinco anos???

_ "Os cachorrinhos mamãe, eram da Sianna."

Ahhhhhhhh, agora eu entendi. Da Sianna. 


E hoje, quando eu estava cortando suas unhas, você disse:

_"Mamãe, a Sianna tem uma unha diferente, parece a sua."


A minha ficha caiu!! Eu disse:

_"Filho, vou te falar uma coisa. Eu acho que você está gostando da Sianna..."

Você ruborizou... Me olhou envergonhado e revelou:

_"Acho que sim mamãe..."

Eu gelei da cabeça aos pés te dei um abraço bem forte e disse:

_"Que bom meu filho! É muito bom gostar de alguém. Fico muito feliz em saber disso e lembre-se, sempre a trate como uma amiga muito legal." 

Jobim, o mais novo, ao ouvir nossa conversa, vem atropelando todos os brinquedos espalhados pelo chão, se joga no meu colo e diz:

_Je t'aime mamãe! Eu quero casar com você!!!! 

Ahhhhhhh, assim mamãe não aguenta... Agora quem ruborizou fui eu!!!


Foi lindo!! Pena que o papai que estava viajando perdeu esta conversa. Mas está aqui registrado. Ele vai adorar ler este post.

E digo! Não sou a favor de incentivar as crianças com histórias de namorados precocizando a infância, mas achei de uma inocência tão pura, tão bonita que realmente fiquei tocada. 

E assim, deixo registrado em palavras, o momento, a data e o nome do segundo amor do meu filho mais velho, pois o primeiro amor é sem dúvida, a mamãe. 

Alguém duvida? 

Bisous, Pandora Sogra Precoce

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

China, Parte 2 ( Que tal, vamos? )



Minha primeira impressão de Chi Zui Chan (perto da Mongólia), foi até que boa, mas a poluição ainda me chocava muito. Um outro fator importantíssimo: Lá não há turismo, portanto, não há turistas e isso mudava completamente minha autonomia de ir e vir para fazer alguns passeios, enfim, impossível.

Mas impossível, por quê? 

  1. Muitos naquela região nunca VIRAM uma pessoa de outra raça. Pasmem, mas ouvi isso de muitos chineses por lá. 
  2. As placas, os sentidos, os códigos são muito diferentes dos nossos. E cá pra nós, os ideogramas chineses são lindos, mas muito difíceis de entender, né?
  3. Tudo é tão controlado por lá que até as reportagens na televisão são manipuladas e muitas (ou a maioria) nem chega até lá. 
  4. Ainda vou me lembrar, mas agora me concentrei em outra coisa. Só um minuto...
Mas a empresa onde o marido trabalhava era muito responsável com tudo e isso inclui o cuidado com a família, o que é louvável. Desde que chegamos tanto na Noruega, quanto na China, tivemos total apoio, e  na China, isto foi fundamental. 

Minha "escolta" era composta por duas pessoas maravilhosas. A Vitória e o motorista, mas o nome dele, infelizmente eu me esqueci, então eu vou carinhosamente chamá-lo por Sr. José, ok? Os dois são nativos e o nome dela foi escolhido como um "apelido", já que seu verdadeiro nome é difícil para pronunciar. 

Estas duas pessoas muito especiais me levavam pra fazer compras no supermercado, lojas, conhecer lugares diferentes, como por exemplo um templo budista, casa de chás e etc. 

Que tal fazer um pequeno tour comigo? Vamos?

Que tal...

- Uma caminhada básica pela MARAVILHOSA Muralha da China. Eu fui!!!!


Ahhh, elas são tão fofas...

- Templo Budista no meio do nada... bem perto do Deserto de Gobbi. Muita areia, muito incenso e muito silêncio.




- Rua Vinte e Cinco de Março? São Paulo? Parece, mas não é. Isso é China, em Chi Zui Chan.


Olha eu ali, tentando entender a cena... 
- Mercado ou Feira aberta em Chi Zui Chan





Marmitas em Chi Zui Chan, literalmente "quentinhas"


Ai, ai...Os dias em Chi Zui Chan nos renderam eternas lembranças. Comemos muito fondue chinês com direito a coisinhas estranhas, vivemos momentos de celebridades nas ruas (muito flash, comentários e risadinhas), enfim, foi muito bom! Mas a maior das lembranças e a que mais gosto foi a hospitalidade dos chineses. Eles são pessoas muito sofridas, carentes e curiosas. Claro que nenhuma generalização seria correta, mas me senti ao lado de pessoas do bem.

...Relembrar tudo isso é muito bom, pois acreditem, não tivemos tempo de contar muitas destas histórias às nossas famílias e amigos, pois logo depois, Gabriel e Lucas estavam chegando para somar muito em nossas vidas e somaram também nestas horas de blá blá blá... difícil jogar conversa fora com crianças ao lado, heim? O tempo passou e só agora desenterro estas lembranças. Adorei!! Quero mais!!

E a foto abaixo foi tirada em uma casa em Beijing, usada como homestay nas últimas olimpíadas. Lá, como em alguns lugares no Brasil, eles fazem um passeio guiado pela favela e nós fomos, claro! Lá, além dos chás maravilhosos que tomamos em cada visita, ainda trouxemos conosco duas escritas ideográficas feitas na hora por um nativo. Hoje, enquadramos e fazem parte da decoração da casa.


"selo" de uma Olympic Homestay em Beijing

E só pra relembrar o primeiro post sobre a viagem à China, antes de partimos desta mega aventura decidimos voltar ao hotel e passar os dois últimos dias aproveitando aquela cidade gigantesca e deliciosa que é Beijing. E qual foi a minha maior alegria?
Essa:


Dar de cara com um banheiro digno de uma pessoa que ainda vive no seu mundinho ocidental e precisa sentar pra fazer xixi...
O hall de entrada do hotel em Beijing

Gente, a China é linda! Fomos nos principais pontos turísticos de Beijing, vimos espetinhos de escorpião, barata e cobra, o marido comeu carne de jumento, eu comi um pato (pato quá quá) maravilhoso: O famoso "Pequim Duck" e confesso que foi o melhor da minha vida.

Mas também tivemos a oportunidade de conhecer de perto um pedaço cruel da história da humanidade e isto com certeza gera muitas inquietações, gera reflexão acima de tudo.


E você, já fez uma viagem ou esteve em algum lugar que lhe gerou alguma inquietação ou algum sentimento diferente? Compartilhe sua experiência também... ;-)

Templo dentro da "Cidade Proibida" em Beijing












terça-feira, 15 de novembro de 2011

Na China... Parte 1

Em março de 2010, dois meses antes de nossa estreia no mundo parental, eu e o maridão fomos à China. E eu A M E I conhecer aquele lugar!! Bom, não poderia dizer que moraria por lá, mas conhecer aquela cultura foi bem legal.

Na verdade, naquela época eu estava avulsa  sem filhos, e então aproveitei pra acompanhar meu marido em uma viagem à trabalho em Chi Zui Chan (ou algo parecido com este som). Esta cidade fica próxima a fronteira com a Mongólia, pertinho do Deserto de Gobbi... dá pra imaginar aventura?

A primeira parada foi em Beijing.


Beijing ou Pequim, é uma metropole gigante, cosmopolita e tem muita coisa legal pra conhecer e pra fazer. Mas a poluição choca muito, é bem agressiva mesmo e pra completar ainda pegamos uma tempestade de areia horrível. Pra se ter uma ideia, no dia da tempestade o ar era amarelo.

Poluição em Beijing, na China.


Partimos de Oslo, na Noruega com a neve derretendo e fomos surpreendidos por uma nevasca horrível em Beijing, daquelas de fechar os aeroportos. E foi o que aconteceu, muita espera, bagunça e briga, tudo em Mandarin. Que beleza!!

Depois do desembarque esperamos por mais de seis horas a confirmação de que nosso próximo vôo estava cancelado. Sem opção, pegamos muita fila as malas de volta e fomos pra um hotel, ou melhor, O Hotel, recomendo! Inclusive tem um SPA dos deuses. A gente merece, né?


Esta foto foi tirada do GPS quando já estávamos voltando para a Noruega.

Após nossa estadia curta de uma noite, voltamos ao aeroporto rumo à Yin Chuan. Neste dia dividimos o taxi com um alemão que também estava a trabalho por lá e assim que chegamos o motorista do taxi tentou trapacear ao cobrar a corrida. Isso por lá é bem comum, eles cobram e não entregam o troco e quando você pede novamente, eles te entregam um recibo qualquer fingindo que não entendem inglês.






Rumo a Yin Chuan:


Quando fomos de Beijing para Yin Chuan, embarcamos pela Air China em um avião bem menor, tipo... nem sei o quê, mas a sensação era de estar em um foguete decolando para a lua. O avião decolou tão inclinado e torto que quase fiz xixi nas calças. Procurei encontrar a mesma cara de pânico que eu estava nos outros chineses a bordo, mas nada... eu era a única sem noção do avião.

 Em YinChuan, depois do ataque de medo, corri muito apertada para o banheiro. Quando cheguei lá, comecei a abrir todas as portas a procura daquilo que no meu mundinho ocidental, chamamos por vaso sanitário. E nada...

Bom, eu teria que me adaptar àquela realidade, já que passaria duas semanas pelas redondezas. Imaginem (pois descrever esta cena seria muito deselegante). Achei... esquisito. Molhei...a bota.
Sim, uma foto da latrina de um banheiro em Yin Chuan, na China.
Bom, desiludida e morrendo de vergonha com o episódio do banheiro, eu e o marido seguimos para mais uma etapa da viagem, mas agora, de carro. Mais um hora e meia e chegamos em:




Chi Zui Chan, perto da Mongólia

Chegar em uma cidade internacional como Beijing é tranquilo, os costumes mesmo que orientais se misturam aos ocidentais e eu me senti "livre" pra ir e vir, já que a maioria das placas estão escritas em Mandarim e Inglês. Mas, assim que chegamos em Chi Zui Chan, a realidade começou a mudar bastante. Lá, tudo é bem controlado pelo governo chinês e eu não conseguia acessar quase nada na Internet. Sair pelas ruas sozinha, nem pensar. Eu era uma alienígena, me sentia em um mundo paralelo, sem exageros. 
De duas, uma. Ou eu era a Angelina Jolie pra eles, ou a Fiona do Shrek. Mas tenho certeza, eu era a segunda opção. 
 Era passar pelas lojas que logo sinalizavam para minha "guarda-costas"(a Vitória, uma chinesa que me suportou por lá) que não tinham minha numeração. Afff, e eu nem estava tão gordinha assim. Mas chinês não tem noção de descrição como nós. Os códigos são diferentes e então era um desafio sair para passear. Acreditem, eu era fotografada todo tempo e alguns se juntavam pra falar a meu respeito. Fiquei com medo, mas depois resolvi desfrutar de minhas duas semanas como celebridade em um mundo paralelo. Então achei legal, rs.

Batata assada em Chi Zui Chan

Bom, a China, assim como seu tamanho tem muita história pra contar. Então, senta que a Parte II sai logo do forno...

Bisous, Pandora Padeira Guia Turístico



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A de Alerta, de Amor e de Alivio

Esta semana tive um susto enorme e quero aproveitar e fazer uma alerta.

Quem me conhece sabe o quanto sou "Mãe Caxias", daquelas que ficam em cima dos filhos o tempo todo... então, estávamos em um centro comercial , dentro de uma loja, quando Jobim (4 anos) me pediu para sentar em uma cadeirinha colorida que havia lá. Eu deixei, claro e ... confiei. Mas, quando eu virei as costas (questão de segundos), pra olhar os enfeites de Natal, escutei um grito vindo do lado de fora. Olhei e fiquei "cega" seguindo o grito. Jobim simplesmente estava na escada rolante que subia, quase na metade dela tentando em vão, descer. Eu, recém operada (ainda não posso pegar nada pesado por recomendação médica), corri até ele, olhei bem naqueles olhos lindos e subimos juntos até o final da escada. No andar de cima eu o abracei, conversei, expliquei... Minha vontade mesmo era de ficar brava com ele, mas como, se eu estava brava era comigo?

Enquanto isso, minha mãe ficava com Tom (5 anos), que ao perceber a gravidade da situação ficou pálido e tentou lindamente dizer ao irmão que aquilo era errado.

Imaginem o quanto isso mexeu conosco. Sou mãe há um ano e cinco meses e durante este tempo todo esta foi a primeira vez que percebi uma travessura séria e perigosa. Na mesma hora me lembrei daquele menino na Turquia  que também quase sofreu um grave acidente e da forma como julguei aquele pai...

E então, percebi que a inserção de Jobim nos "4" é bem mais que roupas que não servem mais.  Ele tem se expressado mais, indagado mais, pulado mais, ou seja, está tentando construir sua autonomia e se pra isso, ver uma escada rolante e pensar: "Hummmm, acho que seria legal subir e descer aquele brinquedo aberto alí"e se sentir o "máximo", tenho que admitir que faz parte do processo de desenvolvimento biopsicossocial dele.
Mas foi difícil demais pensar nas consequências desta peraltice. Pensar no que poderia ter acontecido me deixou anestesiada por um tempo. E mãe dorme depois disso?

Assim, gostaria de deixar aqui relatado o meu amor por Tom e Jobim (apelidos fictícios), em forma de desabafo em uma carta apaixonada, voilà:

Queridos filhos,
Quero muito agradecer a vida por me presentear com tamanhas riquezas, que são vocês! Há quatorze meses, eu comemorava a data por estar há 100 dias aprendendo a ser mãe. Isso mesmo, pois ser mãe é tarefa nada simples e a gente vai aprendendo diariamente com nossos erros e acertos.   
Ainda hoje, olho pra vocês crescendo e fico imaginando como foram quando bebês. Seus rostinhos, se eram magrinhos ou gordinhos. Se tiveram cólicas, se nasceram de parto natural ou se foram  cesarianas...Se a risada de vocês era contagiante ou se o chorinho acordava a vizinhança... Eu não os amamentei, não os nanei, e nunca tive o privilégio de senti-los crescer dentro de mim. 
Quando me pego pensando na realidade em que viviam, não me deprimo. Crio ainda mais forças por lutar para que sejam respeitados, para que vivam dignamente a vida em que se encontram agora. 
Desejo de coração o melhor pra vocês!! E nestes desejos estão também momentos de brabeza, de acolhimento, de correr atrás de muitas coisas que não foram estimuladas até o momento e de reeducar aquilo que foi "ensinado"e/ou "aprendido" enquanto não nos conhecíamos.  Uma realidade que aprendemos juntos a conviver e a ter muito orgulho de cada etapa. 
Confesso meus filhos, que no início isso me feriu um pouco, assim como percebo que já se sentiram feridos em alguns momentos destas vidas tão jovens. Padecemos os quatro, cada um de uma forma, neste nosso processo de encontro ou "reencontro". 
Mas o melhor disso tudo é saber que estamos juntos e que apesar de ter perdido uma fase importante da vida de vocês, posso dizer que é um privilégio estar ao lado de vocês agora, desfrutando de tantas alegrias e preocupações, e principalmente por estar ao lado de meninos tão sensíveis e com os maiores corações  que já vi em corpinhos tão pequenos. 
Jobim: Você é o músico da minha alma. Já nasceu com alma de artista e com um ouvido incrível para as partituras dos mais diversos instrumentos musicais. Obrigada por trazer mais ritmo e melodia aos meus dias. Te amo demais meu "pímpele" (Principe que diz que quer casar com esta mamãe todos os dias). 
Tom: Você ainda era pequeno quando disse ao papai que nosso primeiro filho teria seu nome. E você veio ao nosso encontro assim, como o primogênito e dono de um nome de anjo. Você é a alegria em pessoa! Tenho muito orgulho em ser sua mãe e ver sua bravura e determinação em ajudar e fazer o melhor. 
Obrigada meus filhos! 
Com muito amor e com um olhar mais que apaixonado, mamãe.


P.S. Não esquecer de colocar as  pulseirinhas de identificação nos filhos ao sair para lugares públicos. 


Bisous, Pandora com o coração apertado...



domingo, 6 de novembro de 2011

O lado B


Escrever este título é assumir que tem mais de trinta, né? Lado B lembra LP, vinil, disco, vitrola, agulha...
E desta época surgiram umas frases muito boas: "Parece um disco riscado... fica repetindo a mesma coisa." "Fulano fala mais que uma vitrola ". Mas este Post tem um apelo forte!! Portanto leiam até o final, pode valer a pena!!

***

Acredito que tudo na vida tem uma Lado B, uma espécie de Prós e Contras, de bom e nem tanto, de lindo e enfeitado, de chato e irritante, de charmoso e inesquecível. Tudo depende do jeito que a gente olha, da forma como você encara e do momento em que você está. Ontem, voltando da França (simmmmmm, da França, pois fica há apenas uma horinha de carro daqui, eheh), enquanto a criançada dormia no banco de trás, com as cabecinhas que tadinhas, caem todo o momento pra frente e aquelas tais cadeirinhas não seguram nada muito, "entrei em alƒa" e comecei a devanear. 


"Vamos lá Pandora, tira alguma coisa desta caixa amiga!!!"


***

Fiquei lembrando de episódios super legais, tipo quando saía pra dançar 
(Eu A D O R O), lembrando de músicas, e também de falas antigas "super chulas"minhas tentando exprimir uma opinião sobre alguma coisa.

Daí, comecei a fazer as contas de quanto tempo atrás eu tinha falado uma bobagem descabida por aí... dedinhos contados e PÁH!! Foi só há poucos segundos dias atrás minha gente. Sim, a gente evolui, ainda bem!!
E a gente aprende o tempo todo, e muda o tempo todo (no meu caso, literalmente).  Faaaaala Raul:

"Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". 


E nestas lembranças todas, eu também me lembrei que este mês, eu e o maridão completamos sete anos de casados e, muitos dizem que nesta época surge a tal "Crise dos sete anos".  De verdade gente? Não tenho tempo pra isso não. Como bem disse uma pessoa muito querida,  _"Este casamento sem rotina nenhuma"... Acontece tanta coisa, tudojuntoaomesmotempo , que sério, sinto muito crise, vai bater em outra porta.


E eis que ...


Eis que eu topo nestes encontros casuais, com uma pessoa que me mostrou o Lado B de um tema que muito me interessa, a Adoção, mas sob uma outra perspectiva.

Esta pessoa, entregou um filho à adoção quando tinha dezessete anos de idade.

A história foi mais ou menos assim: Ele teve um namorico com uma menina, também menor de idade naquela época (há mais de trinta anos atrás) e nenhum dos dois queria a criança. O aborto foi totalmente descartado, mas a possibilidade de ter este filho como um vínculo entre estes dois jovens também foi descartada. Então, optaram por entregar o filho após o nascimento para a adoção.


Foi engraçado, mas quando escutei essa pessoa me dizendo que havia feito isso, me deu uma dor nesse meu coração de gelatina que nem te conto.

A primeira pergunta que fiz:

_"Mas você sabe onde está este filho"?

 E a resposta:

_ "Não, eu sei onde estão meus outros dois filhos, que tive quando casei, mas este que foi dado à adoção eu não posso considerar meu filho, foi um fato que aconteceu, passou e que tenho certeza que tomei a decisão correta."


Segundos intermináveis de silêncio, juro, fiquei assim... olhando pra ele, tentando assimilar aquelas palavras e lembrando da minha fase de "tentante", da luta pela Guarda Provisória, Guarda Definitiva, pela luta que temos até hoje em fazer com que nossos filhos se sintam seguros, em uma família, acreditando que jamais os abandonaremos... E sente o conflito: Eu e meu marido hoje, somente podemos desfrutar de um amor incondicional por nossos dois garotos, por causa de outras pessoas, que como esta, optaram por tê-los e não querê-los.

Daí gente querida desse mundão afora, as pessoas precisam desmistificar a Adoção. Ainda existe muito preconceito, muito equívoco, muito senso comum, sem nenhum bom senso .

Existem milhares de crianças que esperam sim, por um lar e milhares de pais e mães, que como eu, tentaram ou tentam ser mãe a qualquer custo. A opção pela adoção no nosso caso também não foi fácil, mas a correta!! O amor é o mesmo, as dificuldades são as mesmas, as alegrias são as mesmas. Claro, que o foco muda quando se adota um bebê do foco que se tem quando você opta por uma adoção tardia, mas isso é assunto pra um outro Post. O fato é que eu incentivo, indico, visto a camisa mesmo!! Adotar é gerar de uma outra forma, vamos lá, sejam criativos, quebrem paradigmas e preconceitos, afinal, ninguém veio ao mundo a passeio, né?

Meu desabafo foi feito, meu recado foi dado, agora quero voltar no devaneio que tive no carro...

Levanta a mão quem lembra \ o / :

Bisous, Pandora filosofando no Túnel do Tempo



Amava, mas chorava na música da Corujinha... 

Agora esta é a turminha preferida dos meus filhos.


BAILINHOS...