terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sobre os micos de quem mora fora...


Kristiansand, Norway

Setembro de 2010. O marido parte para mais uma daquelas viagens a trabalho e eu fico com as crianças literalmente "ilhada", em Kristiansand, sul da Noruega. Naquela época morávamos em uma ilha perto da cidade e o acesso até ela era feito por um túnel enorme de 2.3 Km sob o mar que descia, descia, descia e depois subia, subia, subia. A ilha era linda, apesar do vento infernal, mas confesso que um pouco isolada demais. O mais legal com certeza é poder dizer: "Eu morei em uma ilha, rs".

A mudança de Oslo pra lá foi sofrida. Oslo é cosmopolita, internacional e consequentemente melhor preparada para receber imigrantes e Kristiansand, apesar de toda a beleza e charme, guardava um velado "receio" com recém chegados moradores.

Então, como o maridão passaria o fim de semana fora, decidi pegar a estrada e encontrar velhos e queridos amigos em Oslo, mas, aquilo que parecia fácil e tranquilo, na Noruega... foi diferente.

Por quê?

  1. O limite de velocidade nas rodovias de lá são baixos, o máximo que encontramos por lá foi 110 km/h., mas a maioria dos trechos na época estavam entre 60 a 80 Km/h, devido a obras. Então, uma viagem relativamente curta que duraria duas horas, foi feita em cinco. Uiiii!!
  2. Como eu estava dentro do território norueguês, não me   preocupei em   levar   os V Á R I O S documentos e papeladas que uma guarda provisória requer. Levei apenas os nossos documentos comuns.
  3. Toda mudança gera estranhamento, que gera ansiedade, que gera uma necessidade incrível e descontrolada em cantar as músicas do Pe. Marcelo Rossi em alto e bom som, dentro do carro. Sim, eu sei...
  4. Para uma viagem de cinco horas dentro de um carro com duas crianças, os lanchinhos eram mais que necessários e claro, como todo bom hábito norueguês adquirido, bananas estão sempre no cardápio e são tudo de bom que eu sei.
Fomos!!! Eu, Tom e Jobim e Pe. Marcelo Rossi, cantando muiiiiito.

Bom, como minhas loucuras e gafes já não são mais segredo pra ninguém, eu posso dizer que enquanto as crianças dormiam no banco de trás do carro, eu cantava emocionadamente e era tão emocionadamente que as lágrimas rolavam. Dá pra entender, né? Era o início da adoção, sem família por perto, marido viajando e mudança de cidade em um país lindo, mas muito diferente da nossa cultura.
Fala que entende vai...

Eu me sentia mergulhada no caos! E naquele dia benhê, peguei o CD e conversei com o Pe. Marcelo Rossi na rodovia norueguesa, dirigindo e cantando principalmente com as mãos.

E foi durante estas cinco horas de viagem, que resolvi fazer a paradinha do lanchinho e do xixi.

Parei o carro em um posto e logo ao lado parou um carro preto, com vidros escuros e quando menos percebi, havia um homem ao lado de minha porta, pedindo para que eu abrisse o vidro.

Brasileira, quase morri de susto. Olhei e disse em inglês: "Desculpa, mas eu não falo norueguês." O vidro continuou fechado.  Então, o homem, em inglês, fala: "Mas isto você reconhece?" E me mostra o distintivo...

Cara (como diz meu dentista), gelei. Eu pensei em mil coisas ao mesmo tempo,
T O D A S negativas. Eu pensava nos documentos que havia deixado em casa, pensava no marido que estava dentro de um avião naquele exato momento, pensava em sequestro relâmpago... Enfim, abri o vidro e a conversa delouco foi mais ou menos assim:

_Sua carteira por favor?
_Aqui está senhor.
_Você é brasileira, mas possui a carteira de habilitação norueguesa. Correto?
_Sim senhor, correto.
_Então isso significa que você esqueceu as leis de trânsito na Noruega?
_Não senhor. (Na verdade... Sim senhor!)
_Então, eu gostaria que me acompanhasse até meu veículo, para que assista um vídeo seu que fizemos enquanto dirigíamos no carro da frente.
_Heim? Vocês me filmaram no carro da frente?
_Sim senhora, durante trinta minutos. A câmera fica escondida e filma motoristas nas rodovias e estamos lhe filmando há trinta minutos. Você poderia nos acompanhar para assistir o vídeo?

Oi??
Eu só conseguia lembrar da cena eufórica de meu ser cantando e chorando com uma das mãos sempre pra cima... What a shame!

_Senhora? A senhora me acompanha até o carro?
_Mas eu sou realmente obrigada a fazer isto? (Gente, jamais entraria em um carro qualquer, mesmo vendo um distintivo. No momento, eu não tinha como saber se aquilo era ou não um golpe e não poderia arriscar a vida dos meus filhos em tal abordagem, certo?). Continuando...
_Não senhora. Seu receio é deixar seus filhos no seu carro? Eles podem lhe acompanhar para assistir.
_Não senhor. Mesmo levando meus filhos comigo, me nego a entrar no seu carro. Se eu puder fazer esta escolha, me sinto mais tranquila.
_Tudo bem, neste caso, preciso que escute algumas palavras e que me forneça seu endereço para o encaminhamento da multa.


TINHA A TAL DA MULTA... E QUAL SERIA O MOTIVO DA DOLOROSA MESMO?

Bom, eu havia sido multada por estar muito próxima ao carro da frente, pois lá, os carros, por lei, devem guardar uma distância bem maior que costumamos, por lei, fazer nas terras brasileiras.

_Ok!

Permanecemos os três, dentro do meu carro, durante mais trinta minutos, escutando uma aula sobre as leis de trânsito na Noruega, e mesmo assim, deixei o local com a sensação de que aquilo não era real, que poderia ser uma pegadinha ou uma tentativa frustrada de um golpe.

Na verdade não foi nada daquilo.

Após dois meses, recebi a "dolorosa" em casa. Um total de quase mil e quinhentos reais em multa, fazendo a conversão de Koroas para Reais. Nem compaixão, nem meu Mega Mico Vídeo que com certeza deve ter promovido muita risada aos policiais, não foi capaz de me livrar do dever e da dor de pagar toda aquela quantia por uma eufórica conversa comigo mesma em plena rodovia norueguesa.

Ah! Se descemos pra lanchar e fazer xixi? Acreditem... Não. Fiquei com tanto medo que resolvi tocar viagem, com as "bexigas cheias", mas certa de que estava protegendo com unhas e dentes os meus filhos.

E este foi o conto de hoje, gente...

Aproveito pra desejar a todos um abençoado Natal em família e que 2012 nos faça mais fortes e mais capazes, que seja repleto de boas novas e que o amor prevaleça sempre em nossos corações. Obrigada por todo carinho em 2011!!

Bisous!! Juliana

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

À Reciprocidade

Na última quarta-feira, dia 07 de dezembro, acordei na mesma rotina de sempre. (lembrando que estamos na Suíça "francesa"...)
06h30 - Acordo e ainda na cama, checo os e-mails, levanto, faço a toilette, coloco a mesa do café da manhã, preparo o lanchinho da escola.
07h30 - Acordo as crianças... Acordo as crianças mais uma vez... Toilette das crianças, trocam de roupa...
08h18 - Toilette de mamãe e filhos novamente...
08h26 - Allez a l'école!!!! Vestimos os casacos, as toucas, luvas, botas, mochilas... Chave do carro. Alguém viu a chave do carro?
OBS. importante!! Enquanto acontece tudo isso, papai já acordou bem cedinho pra pegar o trem para o trabalho.
08h35 - Eles entram na escola. Sim, os horários na Suíça nunca são redondinhos. Existem escolas que começam às 08h28, pois o trem estaciona ao lado às 08h26. Estritamente na risca! Suíço, né?
Então, mamãe pensa: "Hummm, o que farei agora? Assim, tão solta?!"...
Lista de afazeres com e sem prazeres do dia:
- Lavar a roupa de cama do Jobim, pois o xixi escapou naquela noite. Eita xixi fujão ultimamente... Mas eu fui uma daquelas crianças que fizeram xixi na cama por um longo periodo. Até hoje o barulho do plástico embaixo do lençol ressoa na minha cabeça. Minha mãe diz que foi até os seis anos, opa!!!
- Catar TODAS as coisas que marido e filhos espalharam pelo chão da casa no dia anterior. Crianças lá vai, mas o marido consegue deixar dois pares de chinelos espalhados, sendo que tem apenas dois pés. Como consegue??!?
- Checar Facebook (eheheh) Na verdade, o computador fica abertão na sala, com cara de pidoncho, daí eu dou atenção, né?
- E então, eis que eu esperava que o texto "Histórias ao contrário" fosse publicado no MMqD somente na próxima semana ( caracteristica fortíssima da minha pessoa, sou DESATENTA assumida) e então, eu estava lá... Zen... Pensando nas malas pra viagem ao Brasil, dançando... E levo o maior susto ao ver nas minhas atualizações que ele ( o texto ) já estava lá, publicadíssimo no Portal. Naquela dia, além do aspirador, o Wii também estava ligado e eu estava lá, dançando e faxinando querendo muito queimar todas as calorias dos chocolates e queijos suíços consumidos nos últimos meses. E no flerte com o computador eu fico literalmente "bege", coloco a mão na boca e ... Mando um SMS pro marido: "Mor, o texto já foi!!!!" . Bom, ele no trabalho, nem deu bola pra mensagem e eu fiquei lá, "catatônica" com a quantidade de acessos que o blog teve. Vamos dizer... Foi muita emoção e digo o porque:
A Adoção antigamente era um assunto tratado a parte, paralelo à Maternidade em si. Muitas famílias optavam pela omissão da verdadeira história, o que de uma certa forma reforçava o preconceito, a discriminação. Hoje, as coisas estão mudando e entrar no nicho da Maternidade como uma Mãe, sem rótulos, foi e é um grande avanço pra mim.
Outra coisa que fiquei extremamente feliz, foi conseguir mais pessoas que agora se tornaram membros do blog, me apoiando e ajudando outras famílias que sofrem muitas vezes silenciosamente com o fato de não poderem gerar filhos biológicos e que precisam de informações ou de um incentivo, uma luz que seja.
Por isso, quero muito agradecer todas as mamães e papais que me visitaram, que ajudaram a divulgar em redes sociais (foram vários links compartilhados no facebook) e eu já recebi o retorno de muita gente que foi motivada e inspirada pelo post. Existem muitas pessoas que ainda possuem ideias equivocadas sobre adoção e como eu visto a camisa, por amor a causa e aos meus filhos, me sinto na obrigação de mostrar o que é verdadeiro, o que é real.
Obrigada pessoal!! Sinto uma alegria enorme em compartilhar as histórias destes guerreiros mirins, meus co-autores. Eita amor, viu?
Valeu gente!!!
Mas, voltando à rotina daquele dia:
- Pré-parei o almoço. Isso mesmo, pois a aula dos meninos acaba (pasmem) às 11h10, ou seja, tudo o que começo, fica pela metade, inclusive o almoço. Desliguei as panelas, olhei para o computador, me "armei" (casaco, bota, luva...) e lá fui eu!!!
- Cheguei na Garderie, que fica ao lado da escola, dei um agarrão e um beijaço em Jobim, que claro, mais que lindamente olhou pra mim e veio correndo. Treinei o meu francês com os coleguinhas deles,  o orientei a se vestir sozinho, pois aqui criança é mais que independente, corri pra escola de Tom, treinei mais francês e permaneci por lá, no pátio ds escola por mais uns 15 a 20 minutos para que pudessem brincar de pega-pega.
Voltei pra casa e a minha sorte foi que às quartas-feiras eles não tem aula a tarde e pude ficar lá, literalmente na frente do computador, pela primeira vez, um tempão sentada, apreciando os números crescerem e poder também visitar outros blogs que me escreveram ou que deixaram comentários pra lá de carinhosos.
Neste dia, a casa permaneceu uma bagunça, rs. Mas ainda deu tempo de brincar de esconde-esconde com eles e rir muito, principalmente quando fingi que eu era um abajour... Eles amaram!!!
Merci Beaucoup mes chers amis,

PS: desculpem se a formatação ficou ruim, escrevi este devaneio texto, de dentro do avião, e publiquei durante a conexão. Bisous

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Histórias ao Contrário

Olá!!
Hoje é um dia de grande felicidade!!!


O Post Histórias ao Contrário está no Portal:





Quando eu descobri que tinha uma doença que pode causar infertilidade chamada Endometriose, pouco se sabia a respeito, e os artigos sobre ela cresciam nos compêndios de medicina. Isto foi há treze anos, e ainda era difícil encontrar informação a respeito, mesmo na Internet.

E na época, ela me pegou de jeito e de surpresa. Quando a descobri, fui submetida a uma cirurgia às pressas e boa parte dos dois ovários foi retirada.

Ainda no hospital, ao voltar da anestesia, escutei o médico dizendo aos meus pais, que eu deveria ser mãe o quanto antes possível, pois, devido ao alto grau de Endometriose descoberto, isto poderia atrapalhar meu planos maternos futuros.

Aos vinte e quatro anos, sofri feito uma condenada. Mas, depois da queda, levantei, olhei pra frente e pensei: " O mundo é grande." E eu sempre me teletransportava para outros lugares lindos, num súbito enlouquecido de fugir dos meus problemas. E assim, entre altos e baixos, fui lidando com a Endometriose e com todas as incoveniencias que ela apresenta. Fui me preparando, me convencendo, amadurecendo.

Então, três anos depois, conheci meu marido e "cachorro mordido por cobra morre de medo de linguiça ", tarimbada fui logo dizendo:

- É o seguinte, venho com defeito de fábrica.

Ele, por sua vez, me disse em sábias palavras:

- Eu não estou com você pela condição de você poder ou não ser mãe. Eu estou com você, por você!

Isso me deu muita força e sei que infelizmente nem toda mulher ou homens que sofrem de infertilidade possuem o mesmo apoio do parceiro. Este apoio foi e é fundamental no relacionamento conjugal. No meu caso, foram muitos anos me sentindo culpada por não poder "dar" filhos ao meu marido. Eu sei que pode parecer piegas, mas quem vive isto, sabe o que estou falando. Eu tinha um sentimento de impotência muito grande.

Mas eu tentei. Fiz vários tratamentos e consegui ficar grávida por duas vezes, mas, infelizmente eu só conseguia chegar até umas onze semanas, nas duas, como eu explico aqui.

Os dois abortos também não foram fáceis. Por incrível que pareça os dois foram retidos e eu tive que fazer três curetagens, pois a primeira, não foi bem sucedida. Barra gente!! Foi muita barra. Não bastava lidar apenas com a infertilidade, mas também lidar com toda a avalanche que veio com ela. E na sala de espera da clínica de fertilização em São Paulo, eu escutava muitas histórias, muitas delas que me faziam admirar demais aquelas mães guerreiras que ali estavam em busca da maternidade.

≈≈≈

Então, nos mudamos para Oslo, na Noruega.

Lá , parecia que uma epidemia estava no ar: Muitas crianças pelas ruas, carrinhos vinham aos montes e quase nos atropelavam. Eu babava, literalmente. No ranking mundial, a Noruega é um dos melhores países pra se ter um filho. Aquelas crianças lindas e aquelas mães… Na época, eu morava em frente ao Vigeland Park, e lá, as mães se encontravam para atividades físicas com os carrinhos e os bebês. Era um sonho hilário, lindo… E eu? Continuava babando…

E nas idas e vindas ao ginecologista lá na terra dos Vikings, um médico do hospital público viu meu histórico, meu desejo enlouquecido em ser mãe e abraçou minha causa. Eu digo isto, pois somos um casal de brasileiros e eu tinha com o país apenas o vínculo empregaticio e mesmo assim, me tratavam como se o controle de natalidade fosse independente da minha origem.. Lindo, não?

E foi assim que fui encaminhada ao setor de Fertilização do Rikshospitalet, o Hospital Universitário de Oslo. Recebi todo o tratamento, gratuito, ou melhor, o imposto que nos descontavam, era perfeitamente revertido à população.

E eu sou pisciana, minha gente. Meu otimismo chega a ser romântico, então, aquela pra mim era uma história que daria certo, eu teria filhos na terra encantada e faria exercícios com minhas amigas loiras, "norugas" do parque… Eu acreditava muito nisso!!

É, mas todas as tentativas não deram certo. Eu nem cheguei a ficar grávida…

≈≈≈

Mas, tudo na vida tem uma razão.

Hoje, posso dizer com toda a certeza, o motivo pelos quais todas as tentativas não deram certo. Hoje, eu tenho uma história a qual me orgulho em contar, me sinto feliz, completa…
Hoje, sou mãe adotiva, mãe do coração, chame como quiser, mas sou MÃE acima de tudo.

No começo, no Cadastro Nacional de Adoção, no Brasil, fizemos a opção por um bebê de até dois anos, no máximo, não importando o sexo.

Mas, a vida também nos surpreende com coisas muito boas.

Fomos tocados por uma históra, maior que a nossa.

Dois irmãos biológicos, completamente diferentes (um lourinho e um moreninho, como eu e meu marido) estavam prestes a serem separados pelas necessidades da vida. Haviam dois casais, que pleiteavam a Guarda Provisória apenas do menor.

E foi assim que recebi o exame "POSITIVO". Me senti mãe destes meninos desde a primeira vez em que meu coração sentiu uma fisgada muito doida mesmo ao saber desta história. Me senti leoa, queria protegê-los, perdi noites de sono pensando naquele que ficaria no abrigo, enfrentando novamente a dor da rejeição. Eu já me sentia responsável por eles, sem ao menos, conhecê-los. Eles no Brasil e nós, na terra gelada, unidos por sentimentos mútuos.

E totalmente envolvidos, decidimos lutar para que irmãos tão unidos, ficassem juntos. Também foi assim que mudamos todos os nossos planos.

Mudamos, viramos nossas vidas (minha e do maridão) de cabeça pra baixo. Viramos pai e mãe de dois garotinhos de uma hora pra outra, um com quatro anos e outro com quase três. Se foi difícil?? Muito. Mas toda mudança, todo início é difícil, pra qualquer um.

E além de toda a alegria que eles nos trazem, temos também a certeza absoluta de que fizemos a coisa mais certa de nossas vidas: escrevemos uma história diferente.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O quarto como a mamãe adora!!

Uma das melhores coisas que aprendemos quando moramos na Noruega, foi que a nossa casa é o melhor lugar pra se estar. Como lá a maior parte do ano faz frio e a luz do sol não é algo comum, a casa passa a ser um templo de bem estar.

Na capital da Terra dos Vikings, Oslo, moramos em um apartamento já mobiliado (o que é bem comum por lá) e então, não precisamos levar nada, apenas roupas e objetos pessoais. Isso foi bom no início, mas aos poucos fui percebendo que na verdade nossa casa tem que ter nossa identidade, nossa cara... Isso faz muita diferença, principalmente em países onde você passa grande parte do tempo hibernando dentro dela.

≈≈≈

Ultimamente, tenho me deliciado com as dicas e fotos que vejo nos blogs amigos e que me deixam cada vez mais motivadas a pensar em cada detalhe, cada cantinho do lar doce lar... Acho lindo chegar em uma casa e ver que as coisas possuem a alma do dono, uma harmonia, mesmo que nem tudo esteja como foto de revista, tudo certinho, o que aliás nem é bom, mas que ao chegar, você se sinta aconchegado.

E eu há pouco tempo, descobri a blogosfera e nela tem muita coisa legal.  Então, uma amiga me indicou um blog, o qual eu me identifico muito, chamado Cantando de Gallo, e quem o escreve é a Rê Gallo. Eu não a conheço pessoalmente, mas lá você encontra receitas deliciosas e além disso, ela mostra com muito carinho o cantinho dela, o da filha e dá umas dicas bem legais. Eu recomendo!!

Então, como prometi a ela, fiz este post com algumas fotos de como otimizamos alguns espaços do nosso petit apartamento aqui na Suíça.


O Quarto dos meus filhos

Como o apartamento é pequeno, tivemos que pensar em cada detalhe. À princípio escolhemos o quarto das fotos abaixo, como o nosso, mas com o passar do tempo percebemos que eles pediam mais e mais espaço, então, após alguns meses trocamos de quarto com eles, o que foi ótimo!!

Outro exemplo é o pula-pula que aparece no jardim da foto abaixo. Ele pertence aos nossos filhos, mas o colocamos na área comum dos apartamentos, o que dá a oportunidade para que outras crianças do prédio usufruam também. 

Um detalhe que consideramos o "Curinga" foi ter uma estante dividindo e organizando o ambiente do quarto. De um lado, os brinquedos e do outro, as camas. 


A estante dividindo os ambientes no quarto.


Como estamos no inverno, precisamos abrir mais espaço entre os móveis da sala e da cozinha, onde circulam mais pessoas. E o triciclo que no verão é usado no parque, agora rola solto dentro do apartamento nesta época. É um zigue-zague com direito a buzina e tudo mais. A única regra é não machucar as pernas e nem as paredes, eheheh. E o vizinho de baixo é um anjo!! Certeza!!

Então, para abrir espaço, a mesa que antes estava na sala foi pra cozinha e que estava na cozinha foi para o quarto deles. Digamos, se transformou em uma escrivaninha disfarçada. (Veja na foto abaixo).
A mesa que virou escrivaninha.

Mais algumas fotos do quarto que mamãe adora!!



Mamãe pedagoga na área tem brinquedos divididos por categorias.

Livros com acesso fácil para o manuseio das crianças.

Agora, vamos à realidade! E realidade que é boa, tem bagunça, tem liberdade... Claro que as regras precisam ser cumpridas e aqui na Suíça então, uiiii, dá até medo. Quebre as regras pra ver o que acontece...


O Antes e o Depois,  vulgo,




A Vida Como Ela É...


Antes
Depois de "los niños".

Esta cena teve prazo de validade, venceu no primeiro dia.

Decoração by filhos
Agora é assim... e não ficou muito mais bonito?


Bisous, Mãe Pandora competindo com os filhos pra ver quem entende mais de decoração. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cada uma...

Nunca pensei em escrever sobre este tema, mas acabei de chegar de uma consulta e ... tenho sim que escrever... meu marido vai me matar quando ler isto, rs.

Até hoje, eu conheci três tipos de ginecologista por este mundão afora:


  • O(A) ginecologista brasileiro(a): O cuidado em pessoa! Tudo é milimetricamente pensado, desde o layout do consultório até o chinelinho e o avental (com a abertura virada pra frente?). Eles usam luvas e sempre tem uma assistente que os acompanha. Tudo cheio de mimo para pacientes que, como eu, adoram ser bem tratadas. Ah! E água, café e chá se preferir, podem ser encontrados facilmente nas salas de espera. Um luxo!!
  • O(A) ginecologista norueguês(a): Para este, a gentileza passou longe, heim? Nada de avental e chinelinho... o quê? Vai dar uma de mulherzinha agora? Na Noruega não, violão!! Aliás, vilolão mesmo, heim? Bora esquiar menina!! As curvas estão demasiadas grandes para o esteriótipo da Terra Gelada, digo, Encantada. Ultrassom transvaginal?? É, se bem "inserido" também pode verificar se a garganta vai bem. Oi?!!?
  • E enfim, o(a) ginecologista suíço(a): 
_"Oi, tá com dor onde?" Pergunta o(a) doutor(a).
_"Ah, então..." Tento responder quando sou interrompida.
_"Então, vamos fazer uma série de exames." Diz o(a) médico(a).
_"Mas doutor(a), eu apenas disse..." Eu, tentando sair do monólogo e passar para um diálogo.
_"Veja bem, você está na Suíça agora. Se no Brasil eles medicam, aqui nós prevenimos." Responde.
_"Agora, pode tirar a roupa e sentar". E eu obedeço.
_"Mas, e o avental?"Ainda com esperanças...
_"Avental?!" 


≈≈≈


É, hoje foi um daqueles dias em que voltei com as bochechas cor de rosa pra casa. Imagine a situação da amiga aqui, segue meu raciocínio:

Lá estava euzinha na sala de espera.

Entro na sala e a assistente pede pra eu tirar somente a parte de baixo. Penso logo existo: "Melhor!! Está um frio danado aqui."

Logo depois da sala de consulta, havia uma pequena salinha, pra me trocar tirar a roupa de baixo. Claro,  como sempre, me deu uma vontade enorme em fazer xixi . Mas, pas de toilettes na salinha, havia um apenas perto da sala de espera. Eu teria que segurar.

Sem avental, apenas com as blusas, entreabri a porta e espiei. Uffa!!! O ginecologista ainda não estava na sala. Olhei para a salinha e lá haviam umas folhas descartáveis enormes. Peguei uma, coloquei na frente e corri para a tal cadeira ginecológica. Sentei e esperei.

Enquanto esperava, não sabia se ficava na posição mega confortável que a cadeira ginecológica proporciona ou se colocava o papel entre as pernas fechadas (como mamãe bem me ensinou).

De qualquer forma, fiz a consulta, não havia outro jeito e pensei:
_"Ai Brasil, como és belo!!"
. . .


P.S. Este conto é todo verídico, mas também repleto de piadinhas sobre um tema muito importante, só pra descontrair um pouco. 
O fato é que tanto na Noruega, quanto aqui, na Suíça, fiquei muito satisfeita com todas as consultas, apesar do bumbum ficar de fora...

E você, amiga leitora? Já viveu uma situação como esta?

Queria muito saber como são as consultas ginecológicas em outros países? Ou até mesmo nestes mesmos lugares, mas que foram feitas de forma diferente...

Conte aqui sua história!

Bisous, Pandora very, very shy

domingo, 4 de dezembro de 2011

Conto real de Natal

Um dia chuvoso no inverno suíço...
Ao acordar hoje, fiz meu café e enquanto todos dormiam (yes, I'm an early bird), sentei olhando o horizonte e elaborei em meus devaneios pensamentos de domingo:

_"O que eu gostaria de ganhar do Papai Noel?"


Na verdade, se eu pudesse escolher um presente, desejaria não ter escutado o que escutei ontem. Ou melhor dizendo, desejaria ter escutado uma história diferente.

E as histórias nem sempre são bonitas...

Quem dera se todas pudessem ao menos ter um final feliz?

Mas que final?

Estamos falando de um início. O início da vida de alguns...

≈≈≈

Neste Natal, uma amiga decidiu presentear uma instituição e me escreveu pedindo para que verificasse a quantidade de crianças do abrigo, onde meus filhos viveram por um tempo. Fiquei muito feliz com a iniciativa, principalmente por conhecer esta realidade de perto e saber que realmente necessitam de toda forma de ajuda. E ontem, pelo telefone, recebi de lá, cada detalhe... os nomes, as idades, a quantidade de crianças.

Peguei minha agenda, a caneta, e durante as anotações comecei a sentir uma espécie de dor misturada com indignação, difícil até em descrever... faltam-me palavras para tantos sentimentos. Foi cruel escrever esta lista, pois os nomes e rostinhos são conhecidos por nós e perceber que permaneceram por lá... Foi cruel relembrar as frases que ouvíamos quando chegávamos pra visitá-los, há dois anos:


_"Tia, me leva daqui tia, por favor."


_"Tia, você vai me levar pra ficar na sua casa?"


_"Tia, me adota".


Mesmo sabendo de toda a burocracia, de tudo o que envolve a adoção de crianças, principalmente crianças acima de quatro anos e que possuem irmãos, mesmo sabendo de tudo isso, eu realmente não esperava ouvir os mesmos nomes. Eles são os mesmos, mas agora, mais velhos.

Há dois anos, no Natal de 2009, antes de conseguirmos a Guarda Provisória de nossos filhos, estávamos neste mesmo abrigo. Dentre os presentes que havíamos levado, estava o da Stephanie, uma garotinha linda que mora lá com mais dois irmãos. O presente era um conjunto de maquiagem da Hello Kitty. Ela amou o estojinho!!! Gostou tanto que levou pra escola pra mostrar às amigas. E, claro, todas quiseram experimentar, principalmente o gloss.

Stephanie, então, ao voltar da escola, no outro dia nos encontrou e foi logo dizendo:


_"Tia, minhas amigas queriam muito usar e eu deixei. Mas deixei só um pouquinho, se não gasta, né?"



Já pararam pra pensar na quantidade de brinquedos que nossos filhos possuem?


E eu escrevo este post muito emocionada.

Como na história contada por Tom, para estas crianças, o portão continuou abrindo apenas de um lado.

≈≈≈

Portanto, Papai Noel, do fundo do meu coração, 


Desejo que crianças como estas, que vivem em abrigos, fadadas a esperar para que o portão abra para o outro lado, que aprendem a dividir o mesmo quarto com muitas outras, que carecem de afeto familiar, que se ajudam mutuamente... que elas possam sim, de alguma forma escrever uma história diferente. 


Desejo que possam continuar tendo esperanças, mas sem esperar por muito tempo. 


Desejo que pais, como nós, consigam adotar seus filhos e que possam sentir a mesma felicidade que vivemos hoje. 


Que o mundo seja mais justo e que eu nunca esqueça de ensinar aos meus filhos o verdadeiro valor da vida, em respeitar as necessidades do próximo e que isto, se eu conseguir plantar no coraçãozinho de cada um, será o presente mais lindo que um dia eu poderia almejar. 

Sim eu choro ao escrever estas palavras e fico muito tocada em relembrar esta fase, quando íamos visitar nossos filhos e tínhamos que os deixar e fechar o tal portão, ao sair.

≈≈≈

E nós? Fechamos o portão pra muitas coisas e sem querer, muitas vezes fazemos isso na educação e nos exemplos que damos aos nossos filhos.

Este foi meu Conto de Natal, meu desabafo e meu pedido para o Papai Noel,

Namastê, Mãe Pandora