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Histórias ao Contrário

Olá!!
Hoje é um dia de grande felicidade!!!


O Post Histórias ao Contrário está no Portal:





Quando eu descobri que tinha uma doença que pode causar infertilidade chamada Endometriose, pouco se sabia a respeito, e os artigos sobre ela cresciam nos compêndios de medicina. Isto foi há treze anos, e ainda era difícil encontrar informação a respeito, mesmo na Internet.

E na época, ela me pegou de jeito e de surpresa. Quando a descobri, fui submetida a uma cirurgia às pressas e boa parte dos dois ovários foi retirada.

Ainda no hospital, ao voltar da anestesia, escutei o médico dizendo aos meus pais, que eu deveria ser mãe o quanto antes possível, pois, devido ao alto grau de Endometriose descoberto, isto poderia atrapalhar meu planos maternos futuros.

Aos vinte e quatro anos, sofri feito uma condenada. Mas, depois da queda, levantei, olhei pra frente e pensei: " O mundo é grande." E eu sempre me teletransportava para outros lugares lindos, num súbito enlouquecido de fugir dos meus problemas. E assim, entre altos e baixos, fui lidando com a Endometriose e com todas as incoveniencias que ela apresenta. Fui me preparando, me convencendo, amadurecendo.

Então, três anos depois, conheci meu marido e "cachorro mordido por cobra morre de medo de linguiça ", tarimbada fui logo dizendo:

- É o seguinte, venho com defeito de fábrica.

Ele, por sua vez, me disse em sábias palavras:

- Eu não estou com você pela condição de você poder ou não ser mãe. Eu estou com você, por você!

Isso me deu muita força e sei que infelizmente nem toda mulher ou homens que sofrem de infertilidade possuem o mesmo apoio do parceiro. Este apoio foi e é fundamental no relacionamento conjugal. No meu caso, foram muitos anos me sentindo culpada por não poder "dar" filhos ao meu marido. Eu sei que pode parecer piegas, mas quem vive isto, sabe o que estou falando. Eu tinha um sentimento de impotência muito grande.

Mas eu tentei. Fiz vários tratamentos e consegui ficar grávida por duas vezes, mas, infelizmente eu só conseguia chegar até umas onze semanas, nas duas, como eu explico aqui.

Os dois abortos também não foram fáceis. Por incrível que pareça os dois foram retidos e eu tive que fazer três curetagens, pois a primeira, não foi bem sucedida. Barra gente!! Foi muita barra. Não bastava lidar apenas com a infertilidade, mas também lidar com toda a avalanche que veio com ela. E na sala de espera da clínica de fertilização em São Paulo, eu escutava muitas histórias, muitas delas que me faziam admirar demais aquelas mães guerreiras que ali estavam em busca da maternidade.

≈≈≈

Então, nos mudamos para Oslo, na Noruega.

Lá , parecia que uma epidemia estava no ar: Muitas crianças pelas ruas, carrinhos vinham aos montes e quase nos atropelavam. Eu babava, literalmente. No ranking mundial, a Noruega é um dos melhores países pra se ter um filho. Aquelas crianças lindas e aquelas mães… Na época, eu morava em frente ao Vigeland Park, e lá, as mães se encontravam para atividades físicas com os carrinhos e os bebês. Era um sonho hilário, lindo… E eu? Continuava babando…

E nas idas e vindas ao ginecologista lá na terra dos Vikings, um médico do hospital público viu meu histórico, meu desejo enlouquecido em ser mãe e abraçou minha causa. Eu digo isto, pois somos um casal de brasileiros e eu tinha com o país apenas o vínculo empregaticio e mesmo assim, me tratavam como se o controle de natalidade fosse independente da minha origem.. Lindo, não?

E foi assim que fui encaminhada ao setor de Fertilização do Rikshospitalet, o Hospital Universitário de Oslo. Recebi todo o tratamento, gratuito, ou melhor, o imposto que nos descontavam, era perfeitamente revertido à população.

E eu sou pisciana, minha gente. Meu otimismo chega a ser romântico, então, aquela pra mim era uma história que daria certo, eu teria filhos na terra encantada e faria exercícios com minhas amigas loiras, "norugas" do parque… Eu acreditava muito nisso!!

É, mas todas as tentativas não deram certo. Eu nem cheguei a ficar grávida…

≈≈≈

Mas, tudo na vida tem uma razão.

Hoje, posso dizer com toda a certeza, o motivo pelos quais todas as tentativas não deram certo. Hoje, eu tenho uma história a qual me orgulho em contar, me sinto feliz, completa…
Hoje, sou mãe adotiva, mãe do coração, chame como quiser, mas sou MÃE acima de tudo.

No começo, no Cadastro Nacional de Adoção, no Brasil, fizemos a opção por um bebê de até dois anos, no máximo, não importando o sexo.

Mas, a vida também nos surpreende com coisas muito boas.

Fomos tocados por uma históra, maior que a nossa.

Dois irmãos biológicos, completamente diferentes (um lourinho e um moreninho, como eu e meu marido) estavam prestes a serem separados pelas necessidades da vida. Haviam dois casais, que pleiteavam a Guarda Provisória apenas do menor.

E foi assim que recebi o exame "POSITIVO". Me senti mãe destes meninos desde a primeira vez em que meu coração sentiu uma fisgada muito doida mesmo ao saber desta história. Me senti leoa, queria protegê-los, perdi noites de sono pensando naquele que ficaria no abrigo, enfrentando novamente a dor da rejeição. Eu já me sentia responsável por eles, sem ao menos, conhecê-los. Eles no Brasil e nós, na terra gelada, unidos por sentimentos mútuos.

E totalmente envolvidos, decidimos lutar para que irmãos tão unidos, ficassem juntos. Também foi assim que mudamos todos os nossos planos.

Mudamos, viramos nossas vidas (minha e do maridão) de cabeça pra baixo. Viramos pai e mãe de dois garotinhos de uma hora pra outra, um com quatro anos e outro com quase três. Se foi difícil?? Muito. Mas toda mudança, todo início é difícil, pra qualquer um.

E além de toda a alegria que eles nos trazem, temos também a certeza absoluta de que fizemos a coisa mais certa de nossas vidas: escrevemos uma história diferente.

Comentários

  1. Gente, esse MMqD é uma bela vitrine de blogs bons! Comecei por lá, cheguei aqui e já li quase tudo hoje (nada como um namorado viajando!).
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Conheci seu blog pelo Minha Mãe que Disse e adorei, já li inteirinho e estou seguindo!!
    Parabéns pelas lindas histórias e continue escrevendo, sempre vou passar aqui para ler as novidades. Vou deixar o link do seu blog no meu, ok? Bjos, Patricia.

    ResponderExcluir
  3. Menina, o MMqD é expert em encontrar mães e blogs incríveis! E olha que pelo que vi, não fui a única a ler quase todas as postagens de uma vez só!
    Me emocionei em muitas delas!
    Tô seguindo vcs e vou aparecer sempre por aqui viu!

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Vou devorar seu blog, aguarde..rs.
    Obrigada pelo comentário no meu, viu? Ja virei seguidora daqui, linkei e to de olho.
    Beijaooooo

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  5. Lindo post no MMqD. Cheguei aqui primeiro, fui pra lá e estou voltando pra conhecer melhor tudo aqui!!! A vida nos surpreende... sempre nos traz um presente ainda melhor do que esperamos. Bjãooo grandeeee

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