quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A guarda definitiva e a troca dos nomes

A história dos nomes de nossos filhos é longa, mas vou tentar resumir, pois vale a pena.

Tudo começou assim:

Há mais ou menos três anos, tive uma espécie de feeling e falei para o maridão que se nosso primeiro filho fosse menino, eu gostaria que ele se chamasse "Tom" (na verdade este é um apelido fictício para o blog, respeitando a privacidade dos mesmos) . Meu marido topou, eheh.

E naquela época, a gente nem sabia que a nossa história estava entreleçada a outras histórias, ou seja, que nossos dois filhos já haviam nascido, que cresciam e que se desenvolviam em algum outro lugar.

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Durante este período em que ainda não conhecíamos afelicidadequeéserpaiemãe , muitas coisas aconteciam "do lado de lá", e um fato interessante aconteceu no dia em que foram fazer a Certidão de Nascimento de Tom. Foi mais ou menos assim... Quando os pais biológicos foram registrá-lo no cartório, queriam colocar um nome um pouco estranho no garoto. Mas o nome em questão já existia, pois eles tiveram um outro filho, mais velho que Tom e que fora registrado por este mesmo nome anteriormente. Como esta criança também foi encaminhada para a adoção, na cabeça dos pais biológicos esta era uma possibilidade, enfim...


Um dos funcionários do cartório explicou que aquilo não seria possível, pois colocar o mesmo nome em crianças nascidas de uma mesma família não é permitido por lei. Mas,  não ouve um entendimento da parte solicitante. Eles queriam, porque queriam aquele mesmo nome estranho.


Sem argumentos saída, o funcionário decidiu dar ele mesmo o nome à criança.  Escolheu o nome e o registrou assim, como Tom ( nome o qual eu já havia prometido para meu primeiro filho)

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Jobim, o mais novo, já não teve a mesma sorte. Foi registrado por um outro nome estranho. Mas, felizmente ele mal conheceu este nome, pois recebeu das cuidadoras do abrigo, um carinhosos apelido. O que foi ótimo!


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Mas a mudança de nomes deve seguir os trâmites legais. Primeiro você pede uma autorização para o juiz responsável pelo seu Processo. Somente após esta etapa é que você consegue fazer a troca, que deve respeitar o sentimento e o vínculo que a criança tem com o nome. No nosso caso foi fácil, mas se Jobim já tivesse algum vínculo com o nome, a intenção que tínhamos no começo era a de permanecer o antigo e acrescentar um novo, como um nome composto.

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E foi assim que começamos o processo de mudança do nome, ou melhor, de um apelido, para simplesmente "Jobim". Tom foi quem estranhou quando começamos a chamar Jobim pelo novo nome, mas um belo dia, quando meu avô perguntou se o nome dele era o apelido, Tom foi logo respondendo:

_Não vovô Júlio, o nome dele é "Jobim", tá? Isso... é Jobim. 

A partir deste dia, nunca mais falou nada. Procuramos durante alguns meses manter o apelido, para que muitas mudanças juntas não prejudicassem sua auto-estima e segurança, mas aos poucos o apelido naturalmente foi sumindo. Hoje ele é o Jobim.


E tchan, tchan, tchan, tchan
Neste fim de ano no Brasil, pegamos o documento mais lindo que já vi:

A nova certidão de nascimento dos nossos filhos, com NOSSO sobrenome, NOSSA FILIAÇAO. 

Arrepiei, chorei... parece bobagem, mas foi a bobagem mais emocionante da minha vida.

Bisous, Pandora revirando a caixa...
sábado, 21 de janeiro de 2012

Sobre fases e cabelos...

No próximo mês, em fevereiro, completamos um ano na Suíça. Tento aos poucos entender, digerir e suportar, no sentido de suporte mesmo, o turbilhão de sentimentos que surgem ao viver em um país lindo, cheio de belezas naturais fenomenais, onde sinto viver dentro de uma folhinha de calendário, mas com os desafios de me inserir em uma cultura extremamente rígida, pouco flexível e reservada.


O ano de 2011 foi maravilhoso, intenso, mas mudaria algumas partes. O fato é que como bem disse uma amiga, quando passamos por algum momento difícil na vida, colocamos toda nossa energia na sanação do problema, o que é ótimo. Mas a questão é que quando tudo passa (ainda bem) e as coisas voltam a calmaria, você começa a realmente olhar com mais clareza tudo o que aconteceu... É assim como me sinto agora, com a cabeça repleta de ótimas intenções e a maior delas, a que está no topo da lista é a de nunca perder minha essência, o que inclui amadurecer, sem jamais perder minha alegria, minha bobice, minhas crenças...


E para entender melhor, vamos ao conto, que aconteceu há vinte e um anos...


Brasil, Verão de 1991. 


Alguém se lembra deste corte de cabelo da Lídia Brondi? Pois é, ele se tornou inesquecível em minha vida...


Aos dezesseis anos, acordei láaaaaa em Minas Gerais (sentiu o cheirinho do pão de queijo, né?) e tive uma vontade enorme em cortar as madeixas que estavam quase na cintura, por um estilo bem diferente: o estilo Lídia Brondi.


A atriz Lídia Brondi


O corte era estranho como se uma franja circundasse toda a cabeça. Na época foi super legal, mas também possuía um estilo meio  índia arrependida  esquisito. Mas eu cortei mesmo assim.


Aquilo pra mim, era mais que um simples corte de cabelos, era uma pequena mostra da pessoa a qual internamente eu construia pouco a pouco... Uma pessoa capaz de se permitir experimentar o novo, o diferente. Era um divisor de águas, o momento da transição de menina para menina-moça, assumindo os próprios atos, se aceitando acima de tudo. 


Mas, como tudo o que é diferente, para muitos ao meu redor isso foi um choque. Primeiro, pois este corte foi sim copiado por muitas mulheres, mas não por muitas adolescentes como eu... Sem falar que sou de lá, da terra boa, do interior, onde não haviam muitas novidades. Naquela época, eu trabalhava desde os  catorze anos, pagava minha própria escola e ajudava em casa. Sem dúvida nenhuma, eu me sentia "grande", quase uma mulher. Mas estava longe disso... Eu era apenas uma garota tentando transgredir o que era comum e/ou adequado para uma garota de dezesseis anos.


Então, um belo dia, ao chegar na escola onde eu trabalhava como assistente de professora, ouvi uma aluna da escola comentar com outra amiguinha:


_"Olha, o cabelo da tia Ju é igual a um disco voador". Risadas em coro





O quê? Eu me sentindo no auge de uma precoce emancipação, escuto que talvez tenha colocado uma "cuia" para dar forma de disco voador ao corte do meu cabelo? Não, não, não. Parei com a brincadeira.  O que era encantador passou a ser um drama, vai cabelo, cresce...

Comecei mais que depressa a deixar o cabelo crescer novamente.


Nesta fase, ele (o cabelo) passou por vários estilos:

  • Fase "não sei se vou ou se fico", um horror;
  • Fase Chanel, mais "clássica", um luxo;
  • Fase do repicado, tipo assim, sou "descolada";
  • Fase do "topete Beverly Hills". Até spray pra segurar o topete era necessário, rsrsrs. Sem comentários...




 Enfim, eu era uma mutante se reinventando a todo momento. 

E assim me vejo até hoje. Busco incessantemente forças e sabedorias que as vezes não estão na vitrine da alma, mas que existem dentro da gente. Aquelas que já vivemos, que foram construídas ao longo da vida e que ficaram empoeiradas, mas que não estão perdidas...


E lá vou eu, revirar minha "Caixa de Pandora", em busca das várias "Julianas" , a Juliana "topetuda" pra enfrentar a professora suíça mais que severa e intolerante do meu filho mais velho; a Juliana "clássica" para tratar com gentileza todas as pessoas que passam por minha vida; a Juliana "descolada" pra enfrentar  as mudanças de temperatura, a saudade da família, sem perder o bom humor; e também, me permitir ser a Juliana "não sei se vou ou se fico", a humana, que chora, que sente... e pra terminar o conto, uma frase do amigo Che, para se entender, como quiser:


"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás." Che Guevara
Bisous, Pandora peruqueira ( aquela, do Disco Voador)