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Sobre fases e cabelos...

No próximo mês, em fevereiro, completamos um ano na Suíça. Tento aos poucos entender, digerir e suportar, no sentido de suporte mesmo, o turbilhão de sentimentos que surgem ao viver em um país lindo, cheio de belezas naturais fenomenais, onde sinto viver dentro de uma folhinha de calendário, mas com os desafios de me inserir em uma cultura extremamente rígida, pouco flexível e reservada.


O ano de 2011 foi maravilhoso, intenso, mas mudaria algumas partes. O fato é que como bem disse uma amiga, quando passamos por algum momento difícil na vida, colocamos toda nossa energia na sanação do problema, o que é ótimo. Mas a questão é que quando tudo passa (ainda bem) e as coisas voltam a calmaria, você começa a realmente olhar com mais clareza tudo o que aconteceu... É assim como me sinto agora, com a cabeça repleta de ótimas intenções e a maior delas, a que está no topo da lista é a de nunca perder minha essência, o que inclui amadurecer, sem jamais perder minha alegria, minha bobice, minhas crenças...


E para entender melhor, vamos ao conto, que aconteceu há vinte e um anos...


Brasil, Verão de 1991. 


Alguém se lembra deste corte de cabelo da Lídia Brondi? Pois é, ele se tornou inesquecível em minha vida...


Aos dezesseis anos, acordei láaaaaa em Minas Gerais (sentiu o cheirinho do pão de queijo, né?) e tive uma vontade enorme em cortar as madeixas que estavam quase na cintura, por um estilo bem diferente: o estilo Lídia Brondi.


A atriz Lídia Brondi


O corte era estranho como se uma franja circundasse toda a cabeça. Na época foi super legal, mas também possuía um estilo meio  índia arrependida  esquisito. Mas eu cortei mesmo assim.


Aquilo pra mim, era mais que um simples corte de cabelos, era uma pequena mostra da pessoa a qual internamente eu construia pouco a pouco... Uma pessoa capaz de se permitir experimentar o novo, o diferente. Era um divisor de águas, o momento da transição de menina para menina-moça, assumindo os próprios atos, se aceitando acima de tudo. 


Mas, como tudo o que é diferente, para muitos ao meu redor isso foi um choque. Primeiro, pois este corte foi sim copiado por muitas mulheres, mas não por muitas adolescentes como eu... Sem falar que sou de lá, da terra boa, do interior, onde não haviam muitas novidades. Naquela época, eu trabalhava desde os  catorze anos, pagava minha própria escola e ajudava em casa. Sem dúvida nenhuma, eu me sentia "grande", quase uma mulher. Mas estava longe disso... Eu era apenas uma garota tentando transgredir o que era comum e/ou adequado para uma garota de dezesseis anos.


Então, um belo dia, ao chegar na escola onde eu trabalhava como assistente de professora, ouvi uma aluna da escola comentar com outra amiguinha:


_"Olha, o cabelo da tia Ju é igual a um disco voador". Risadas em coro





O quê? Eu me sentindo no auge de uma precoce emancipação, escuto que talvez tenha colocado uma "cuia" para dar forma de disco voador ao corte do meu cabelo? Não, não, não. Parei com a brincadeira.  O que era encantador passou a ser um drama, vai cabelo, cresce...

Comecei mais que depressa a deixar o cabelo crescer novamente.


Nesta fase, ele (o cabelo) passou por vários estilos:

  • Fase "não sei se vou ou se fico", um horror;
  • Fase Chanel, mais "clássica", um luxo;
  • Fase do repicado, tipo assim, sou "descolada";
  • Fase do "topete Beverly Hills". Até spray pra segurar o topete era necessário, rsrsrs. Sem comentários...




 Enfim, eu era uma mutante se reinventando a todo momento. 

E assim me vejo até hoje. Busco incessantemente forças e sabedorias que as vezes não estão na vitrine da alma, mas que existem dentro da gente. Aquelas que já vivemos, que foram construídas ao longo da vida e que ficaram empoeiradas, mas que não estão perdidas...


E lá vou eu, revirar minha "Caixa de Pandora", em busca das várias "Julianas" , a Juliana "topetuda" pra enfrentar a professora suíça mais que severa e intolerante do meu filho mais velho; a Juliana "clássica" para tratar com gentileza todas as pessoas que passam por minha vida; a Juliana "descolada" pra enfrentar  as mudanças de temperatura, a saudade da família, sem perder o bom humor; e também, me permitir ser a Juliana "não sei se vou ou se fico", a humana, que chora, que sente... e pra terminar o conto, uma frase do amigo Che, para se entender, como quiser:


"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás." Che Guevara
Bisous, Pandora peruqueira ( aquela, do Disco Voador)










Comentários

  1. Oi, Ju! Como voce escreve bem! Adorei a comparacao das diversas fases do cabelo para as várias "Julianas" que existe dentro de voce! Bjo! Tudo nesta vida passa ne?

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  2. Adorei,Ju,é isso mesmo,e não sei se vc percebeu já,mas qdo a gente muda de fase queremos logo mudar de cabelo,pelo menos comigo é assim...tô pensando em pintar de azul pra ver se meu 2012 fico mais blue....kkkkkkk...bjs!Iara

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  3. Demais! Acompanho aqui de longe e de pertinho. Beijaooo e que venha a calmaria então ;))

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  4. Juuuuuu, durante a leitura do seu conto, eu viajei laaaaa pra terra da garoa (molhou ai?) e me lembrei das minhas fases tambem:
    Eu com 14 anos, na metade dos anos 80, quando a frase mais falada pela minha geracao era: TIRE SUAS MAOS DE MIM, EU NAO PERTENCO A VOCE... Cortei o meu cabelo estilo:::: Chitaozinho e Xororo, ai! Isso mesmo, aquela dupla do fio de cabelo...
    Nao me pergunte o que isso tinha a ver com a geracao Coca-Cola porque eu nao sei, so sei que foi assim... meninos e meninas cortando neste estilo.
    Depois disso veio a fase Chanel (muito chique tambem!) e logo depois veio a fase: O retorno de Jedi (aquele corte que a cabeca fica parecendo o capacete do Jedi.
    Bom, dai veio a permanente (simplesmente ridiculo) e depois dos 20 comecamos a amadurecer (em tempo), ate o ano passado, quando conheci voce minha amiga e cortei daquele jeito (cag...)e vc me olhando com cara de espanto disse: CABELO CRESCE AMIGA! ahahahaahah Agora entendi, Ju.
    Quem nao entendeu foi a cabeleleira portuguesa, pois eu pedi um corte em portugues brasileiro e ela cortou em portugues de portugal, rsrrsrs
    Masssss, como vc disse, o cabelo cresceu e eu ja cortei de novo... e vamo que vamo!
    Bjs.

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  5. Que delícia, acordar e poder chorar de rir com os comentários!! Obrigada meninas, como é bom tudo isso!! Um beijo grande em cada uma, ju

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  6. Ju querida,
    Já passei por 1 adaptação e estou em plena segunda.. Apesar de já fazerem 6 meses, sinto q acabo d chegar... É doido isso né?
    Qto ao cabelo tb tive muitas fase e muitos cabelos, mas o pior comentário q já ouvi foi qdo apos cortar os calos curtos, e já estar na fase de deixar crescer ouvi de um paciente:
    " Sabe Fono, seu cabelo parece o rabo de uma pomba,., horrível"...
    Acredita?!!
    Enfim... Queria compartilhar e dizer q adoro ler seu blog... Bjs e saudades dani

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  7. Ju adorei voltar no tempo com vc ! Bj. Frô

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  8. Jú...obrigada pela força....já estou acompanhando o seu canto e vou mostrar para minha irmã....bjus

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  9. Dani, que coisa heim? Fiquei imaginando o rabo de uma pomba e confesso que não consigo fazer a associação com o cabelo, rsrsrsrs. Enfim... Foi engraçado!!
    Adriana, quero seguir de perto, se puder, claro! E diga a ela que estarei aqui, caso precise trocar figurinhas. Um beijo grande, Ju

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  10. Oi Juliana,
    Eu lembrei do seu post lá no MMqD, que eu chorei dentro do trem e as pessoas me olharam...

    Olha, a Lídia era uma diva hein? Eu lembro que ela era linda na novela Tieta. Que pena que ela parou tão cedo de atuar.

    Parabéns pelo texto.

    beijão

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  11. Oi juliana!! Vi seu blog no minha mãe que disse e estou encantada!! Meu sonho é adotar uma criança, só tenho que tornar esse sonho um sonho do meu marido também. Adorei seu blog!! Vou começar a segui-lo. Visite o meu para conhecer a minha filhotinha!!

    http://maeparatodavida.blogspot.com

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  12. Oi Aline, fiquei muito feliz com o seu comentário!! Obrigada!! Eu tive que fazer o mesmo com meu marido, você chega lá!! Um beijo grande, vou visitar seu canto também.

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  13. Meninaaaaa!!

    TRAUMA! Minha mãe cortou o meu cabelo à revelia igualzinho o da Lidia Brondi!!!!!!!!!!! Eu tinha 10 anos, repare no traumaaaaaaaaa!!!!

    Lembro direitinho, eu queria morrer quando saí do salão com aquele cabelo, fui pra casa escondida atrás da minha mãe para ninguém me ver e chorei horrores.

    Que bom que vc tem uma boa história a respeito!!!

    Beijos,
    Dani

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  14. Dani!!! Que trauma menina!!! Eu imagino como deve ter se sentido tadinha...
    Aos dez anos eu peguei piolho na escola e minha mãe "tosou" minha cabeça... fala sério... será que foi por isso que viramos blogueiras??? rsrsrsrs.
    Beijo grande, Ju

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