quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Em Londres, no Mother Love Database

Hoje estamos em Londres, no  Mother Love Database, da Carol P.







Vamos lá fazer uma visita?

Bisous, Pandora passeando e olhando a paisagem naquele parque que cheira rosas... como é o nome daquele parque mesmo, gente? Isso, Regent's Park!!! Meu pensamento foi pra lá agorinha mesmo...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Festa da Mamãe

Diz a lenda que meus antepassados quando faziam festa em casa, chegavam a quebrar paredes para o forrozão. Na verdade não sei bem se era um forró como os de hoje, mas certamente o arrasta pé acontecia.

Lenda ou não, apesar de ser super caseira, minha pessoa adora um agito, uma celebração. E assim eu sempre procuro marcar o início e/ou o término de cada ciclo, de cada conquista, com uma espécie de ritual. Ou faço uma festa, ou uma viagem, ou um desenho, enfim, eu marco, somente tatuagem eu ainda não tive coragem de fazer.

*** 

Então pensei, eu tenho que celebrar sim, mais um ano de vida, nesta minha vida maravilhosa, cheia de aprendizagens e presentes surpreendentes dia após dia. Obrigada meu Deus!

Resolvi fazer uma festinha. Como o apartamento é pequeno e quebrar paredes está fora de cogitação, aluguei um salão, oi?!?! Sim, eu fiz isso, mas desta vez, com entrada permitida só para "calcinhas", ou melhor explicando, mulheres, sem maridos e filhos. Será uma festa para mulheres. Conto aqui o motivo:

  • Pois, logo após ganharmos os melhores presentes do mundo (nossos filhos), nunca conseguimos terminar um assunto iniciado, devido às constantes intervenções que temos que fazer o tempo todo, certo? 
  • Pai tem que curtir os filhos também e sentir saudades da mãe... ;-)
  • Precisamos de oportunidades para colocar brincos enormes e saia curta (sem risco algum) de vez em quando, né? Faz bem pra auto-estima dela!!
  • O último motivo é... merecemos muito isso!!

Então, resolvi fazer uma festinha no estilo americano, onde cada um leva um prato de petiscos (finger food) e uma bebida. O salão, a decoração, o bolo e mais bebidas ficaram por minha conta. Ah!O globo gente, sim vai ter um globo de discoteca, que também está sob minha responsabilidade. Brega? Nem pensei nisso. Pensei só na diversão e na oportunidade de reunir amigos e fazer uma bagunça do bem. 

Agora, vou dividir com vocês um pouquinho dos preparativos:
A escolha do papel e o molde para fazer os pássaros. Mas que pássaros, gente??

Os pássaros da decoração...


Recortado um a um.

Primeiro teste... ahhh, gostei.

Fazendo os olhinhos... 

Guardanapo-envelope com detalhe do pássaro.

Outras cores, outros pássaros... ao som de Mika!!

Etiqueta em formato de pássaro com o nome de cada convidada. 


O produto final


As amigas merecem, né? A vida merece!!
Claro que estou longe de ser uma pessoa com dons manuais, então imagine que a foto engana e o verso não está lá grande coisa, mas o que vale é o carinho e a intenção... e a farra, claro!!

Bisous mes amis, aqui vos escreve a Pandora fã numéro 1 do Mika e da farra (do bem)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Torta é a mãe...

Semana passada comprei uma penca de bananas enorme e ninguém quis saber das coitadinhas... ficaram ali, na fruteira, com "cara de pidonchas"e cada dia que passava elas se pareciam ainda mais comigo, bem sardentinhas.

Fiquei com dó, né? Jogá-las no lixo seria desperdício, então, abri minha caixinha de Pandora meu super livro de receitas e Páh!! Fiz uma torta!!

E olha que carinha boa ficou isto, gente:
Torta de bananas da Dona Benta
A receita retirei deste livro:


  • 5 colheres (sopa) de maisena;
  • 5 colheres (sopa) de farinha de trigo;
  • 1/2 xícara (chá) de óleo;
  • 3 ovos inteiros;
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar;
  • 1 xícara (chá) de leite;
  • 1 colher (sobremesa) de canela;
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó;
  • 1 colher (chá) de essência de baunilha;
  • 1 colher (chá) de raspas de casca de limão;
  • 6 bananas-nanicas.
As raspas de limão eu deixei de lado e bati tudo no liquidificador. Super prático!! 

E o cheirinho, hummm,  ficou delicioso...

Ah!! Esta semana estamos em férias escolares por aqui no Cantão de Vaud (Suíça) e as crianças ajudaram nos preparativos. 

Aceitam um pedacinho? 

Bisous, Pandora de Avental

domingo, 26 de fevereiro de 2012

E a primeira co-autora é...

Domingão nos Alpes.

A casa está cheia de amigos queridos, e já estamos nos preparando para um delicioso almoço na região de Gruyères, hummmm. E a gente emagrece assim?...

Mas não é somente a casa que está cheia de amigos, a vida tem me presenteado com amizades virtuais engrandecedoras, daquelas que somam, que deixam a gente pensando, que faz rir, chorar... E hoje eu quero inaugurar a Série co-autores e pra quem não sabe, foi um convite que eu fiz aqui.

A primeira convidada de hoje, é a Lêda, que chegou até o blog por indicação da cabeleireira dela. Bom, quando comecei a ler o e-mail dela foi como se estivéssemos sentadas em um café, batendo um bom papo entre amigas de longa data. Uma história real, a qual a leitura pode beneficiar muita gente:

Juliana, boa tarde  ( aqui no Brasil, são 15:50hs) !! 
Minha cabeleireira me deu seu blog para conversarmos ou melhor trocarmos figurinhas, pois tambem tenho 2 filhos adotados !!!!
Entrei no seu blog e tudo que li parecia que eu estava revivendo a nossa vida com as crianças !! 
Em agosto /2004 ligaram para o meu trabalho dizendo que haviam 2 meninos, irmãozinhos, um com 2 anos e o outro com 4 anos, numa cidade do interior do Paraná onde não estávamos cadastrados. Nós tinhamos feito o cadastro para adoção em Curitiba, 2 anos antes ( alem de termos enviado nossos documentos para outros foruns entre SP/PARANÁ e STA CATARINA) !
Enfim, já estávamos perdendo o ânimo , pois tinhamos feito o cadastro 2 anos antes, passado por avaliação psicologica, assistente social, preenchido uma ficha , só queríamos cça acima de 1 ano, não importava o sexo, mas queriamos 2cças, porque nosso plano era sermos pais de 2 cças !! AH ! um pequeno detalhe : estávamos casados há 17 anos, eu tinha 42 e meu marido 46 anos, quando eles chegaram. Somos médicos, sempre trabalhamos muito, éramos o casal disponível para a familia e para os amigos !! Todos os nossos amigos davam seus filhos para sermos padrinhos de batismo ( temos 6 afilhados), pois sabíamos que não teríamos filhos biológicos desde que nos conhecemos.Problemas na familia ou com os amigos , era sempre resolvido em nossa casa...
No ano que os meninos chegaram , em 2004, meu marido tinha me dito que se até o final daquele ano eles não chegassem, que fossemos ao FORUM retirar o nosso nome do cadastro nacional ! 
Claro que o telefonema em 24/8/2004 me tirou do prumo !! Pedi uns minutos para a Psicologa de Curitiba que me perguntava se iriamos ficar com as cças, porque eramos o proximo casal da fila que aceitava 2 cças e grandinhas !!! Na cidade de origem dos meninos não havia quem quisesse ficar com eles, porque os casais só queriam bebes e apenas 1 cça. Por isso a Comarca  deles havia ligado para Curitiba, e era a nossa vez !!
 Bom, meu marido perdeu o folego, e resolvemos que sim !! Rezei a semana inteira para que se não fosse para dar certo que algo acontecesse no caminho para ser cortado esse processo todo !! 
Como os meninos estavam em Cascavel, os nossos documentos tiveram que ser enviados por SEDEX de Curitiba para lá e a Psicologa e a Assistente Social de Cascavel precisavam de 1 semana para preparar as cças , mostrando nossas fotos e conversando com eles. Ficou marcado para o dia 30/8, uma segunda feira , no FORUM de Cascavel, o nosso encontro com o juiz e os meninos ! 
Aquela semana pareceu longa demais !! Quem disse que conseguíamos nos concentrar em nossos trabalhos... A distancia de SP a Cascavel é de 700Km, então achei melhor irmos de avião ! Porem, por ser proximo a semana da patria, todos os voos que incluiam Cascavel, faziam escala em Foz do Iguaçu e estavam lotados !! Na sexta feira dia 27/8, as 18hs, meu marido estava atendendo o ultimo paciente no consultorio dele e recebeu a ligação de que infelizmente não havia mais passagens aereas. Ele me ligou e disse que iriamos de carro, no sabado de manhã, dia 28/8, que preparasse as malas. 
Entrou um paciente dele na sala e percebeu que meu marido estava falando comigo sobre passagem aerea e perguntou se ele estava precisando de ajuda, pois ele era dono de uma agencia de turismo e poderia conseguir alguma coisa para nos ! DEU TUDO CERTO !!! ALI EU SENTI QUE OS MENINOS ERAM NOSSOS FILHOS ! Embarcamos no domingo, dia 29/8, chegamos em Cascavel as 20hs. Não conseguimos dormir a noite toda !!! 
Eu fiquei pensando se eles não gostassem de nós, como seria ?! E se as cças não formassem vínculo afetivo conosco? A LEGISLAÇÃO PERMITIRIA DEVOLVER, se não houvesse vinculo num prazo de 1 mes  !!!! Como assim , devolver !!!!!!!!! Estamos falando de seres humanos, não de objetos que eu devolvo na loja porque não gostei ou enjoei ou não era bem isso que eu queria !!!!
Passado a madrugada insone, fomos ao FORUM de Cascavel as 9hs da manhã, daquela segunda feira, 30/8. Assim que entramos no Forum , a assistente social veio nos receber e disse que os meninos estavam numa Instituição ali perto e que desde as 8hs da manhã o menino mais velho ja tinha ligado 3 vezes para saber se haviamos chegado !!
Fomos a sala do Juiz, ele leu para nós toda a história biológica, a desagragação familiar, que os meninos estavam no "larzinho" ha 3 meses, que foi dado oportunidade para a mãe biológica visitar as cças, fazer um trabalho com a Psicologa e tentar readaptação com a assistente social, mas a mãe biológica nunca fez nada disso, e ja estava com 19 anos. O pai biológico ( é o mesmo dos 2 meninos) tambem não tinha interesse em ficar com as cças porque era alcoolatra, nem os avós biologicos .  Documentação em ordem, ja tinham assinado a destituição do patrio poder, e os meninos poderiam ir para familia substituta. E éramos nós !!!!!!!
Nesse momento a assistente tinha ido buscar as cças no Larzinho e entrou com eles na sala do juiz !! O Michel , o mais velho, com apenas 4 anos e parecia um mini-homenzinho, entrou na sala , olhando tudo, olhou para nós e disse : " oi mãe, oi pai, é aqui que nós vamos morar ?"
 Eu pensei que ainda estava dormindo, sonhando, porque eu não consegui levantar da poltrona ! Meu marido correu para abraçá-los... O Fernando, de 2 anos , grudou no pescoço do meu marido e não largou mais !! O Fê não falava, estava com o olho arregalado, olhando tudo e seguindo o irmão ! O Michel veio até mim , sentou no meu colo e ali ficou aninhado !! Eles que nos adotaram !!!!!!!!!!!!!!!
A sala do juiz virou uma festa ! Trocamos as roupinhas deles ( era um uniforme do Larzinho) e pusemos roupinhas que tinhamos comprado para eles. Ficaram tão lindos !!!!!!
Fomos de carro ate o Larzinho pegar as carteiras de vacinas das cças, e o Michel quis me mostrar onde eles dormiam! O Fernando grudou no pescoço do meu marido desde a hora do juiz e não soltou +, não quis sair do carro quando paramos em frente ao Larzinho.
Entramos no Larzinho, haviam muitas crianças de diversas idades, olhando para o Michel e ele dizia : " esta é a minha mãe !! Voces vão ganhar uma mãe, tambem ! "  Aí ele me levou aos quartos, mostrou as caminhas e os bercinhos, me apresentou para as funcionarias, dizia que ia morar em São Paulo. Esse lugar era simples, porem bem limpo e com um jeito bem tranquilo, parecia ser um sitio .  A dona do Larzinho veio falar comigo e nos desejou boa sorte e muita felicidade !
Saimos dali, fomos para nosso hotel, pois o nosso voo so sairia no dia seguinte , pela manhã. Fomos fazer uma prece na Igreja da cidade, agradecendo a Deus a oportunidade daquele presente em nossas vidas !!
Hoje, olhando para trás, ainda me emociono quando lembro de cada momento da chegada deles, o carinho da familia e dos amigos, o aconchego, os presentes que receberam,as visitas dos amigos, o almoço surpresa que meus pais fizeram no dia da chegada deles...
Lá se vão 7 anos e 6 meses !! Passou tão rapido !! Hoje o Michel tem 11 anos e 11 meses, e o Fernando 9 anos e 10meses. Eu até esqueço que são adotados !! Parece que sempre existiram em nossas vidas... Quando viajam com a escola para fazerem acampamento ou o chamado Estudo do Meio, a casa fica tão vazia, os quartos arrumados, sobra tempo para mim !! Outro dia perguntei ao meu marido como conseguimos ficar 17 anos de nossas vidas sem eles !! Mas Deus faz tudo certinho e no tempo perfeito !! SENÃO NÃO SERIAM ELES ! Tudo acontece na hora certa, com as pessoas certas para aquela situação !! Essa é a vida !!!
Acho que eles fizeram muito mais bem para nós do que de nós para eles !!
Bom , desculpe me alongar tanto ! Vamos continuar mantendo contato e vou lembrando de varias situações que eu e meu marido tivemos que aprender ou a ter bom senso !!
Um grande abraço em voce e sua linda familia,
Lêda.  
Lêda, obrigada por compartilhar sua história conosco!! Parabéns por esta família linda, por este encontro e por todas as conquistas que ainda estão por vir na vida de vocês. Esteja certa, ganhou uma amiga!

Bisous do lado de cá, da Pandora mineira, que vive na Terra do Queijo e que ama a vida e as histórias que a vida têm...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carnaval na escola suíça

Que a educação suíça é conhecida em todo o mundo e associada, muitas vezes, a um exemplo de conduta e de descrição, isto todos já sabem... E eu me lembro que estudei com uma menina suíça na Inglaterra, e quando tirávamos fotos de nossa turma, ela nunca sorria e ao ser questionada por isso ela respondeu que sorrir em fotos não era "comum" a ela... "Ah, tá, obrigada!! De nada !" 


Claro que tirando a visão generalista (aquela onde todas as pessoas de um mesmo país são obrigatoriamente  todas iguais), o que experimentamos no dia-a-dia aqui nos alpes é basicamente isto mesmo, elas sorriem sim, mas você necessita primeiro conquistar a confiança delas. 


E por falar em visão generalista, brasileiros expatriados sabem muito bem o que é isto. Olha, quero deixar claro que amo meu país, sou bem patriota e bairrista acima de tudo, mas quando me pedem pra sambar... hum! Começo logo o discurso, sabe aquele?... Meu país é enorme, tem praia, montanha, rios...
E agora, o Brasil além de estar em alta, no carnaval escutamos muito sobre nosso país por aqui. Primeiro, devido ao show das escolas de samba do Rio de Janeiro e segundo, que não se escuta outra música que a de Michel Teló "Ai se eu te pego, ...". Oi?!


Mas nada se compara ao desfile na "Sapucaí dos Alpes"! Ontem, a escola do "Tom" que possui duzentas crianças, organizou um desfile pela village com as alegorias, digo, os alunos, todos  fantasiados, uma graça! 


Quer conferir? Então dê uma olhadinha, tchan, tchan, tchan, tchan...


CARNAVAL pour les enfants:

Pois não é que nem no Carnaval tem bagunça?? "Bora" para o desfile...

O clima ajudou e os alunos puderam comemorar o carnaval pelas ruelas em volta da escola.


O bonequinho de neve na mão da criança em destaque,  era uma matraca. Esta parte do barulho foi legal!!! E era o único barulho... 

Sim, o cenário é de verdade!!! Estamos quase acima das nuvens...

É Carnaval!!!!


Olha a escola aeeee gente!!! 


Bom, se "euzinha" pudesse dar meus pitacos, eu acrescentaria alguns materiais reciclados e muitas, muitas doses a mais de animação (é carnaval!!!), mas, mãe acha graça em tudo o que o filho faz, né? 

Então, valeu!!!  Mesmo sem confete e serpentina...



Bisous gelados daqui... Pandora na Sapucaí!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Corrente do Bem...

Uma das coisas mais lindas, além dos meus filhos e não coloco o marido nesta história pra não fazer propaganda, são as descobertas que tenho feito com a maternidade e além disso, com as histórias através do blog.

Meu último Post passou longe de ser um devaneio, o que é raro, hã?! E apesar do blog estar nos cueiros ainda, tem podido auxiliar muito mais pessoas que eu jamais pudesse sonhar. Mas o ápice disto tudo, é que nada acontece isoladamente... Depois do post, recebi muitos e-mails, com desabafos, partilhas e relatos pra lá de emocionantes. Histórias reais contadas por quem vive, quem experimenta diferentes possibilidades...

Mas, a gente não consegue nada disso sozinha e a máxima, "A União faz a Força" é muito verdadeira.

Quero hoje, agradecer muito à querida Pati Bella, que escreveu o texto E se...? no seu blog, onde além de dividir histórias hilárias do Brunão com a gente, ela escreve muito bem. Veja com seus próprios olhos... E através do texto da Pati, recebi muitas visitas. Obrigada!! Obrigada mesmo!!


E aproveitando que estamos aqui, neste papo de amigos (sim, eu tenho leitores homens, ehehe), e de amor ao próximo, quero aproveitar pra mostrar o que vi na mão de um dos meus príncipes esta semana: Sim, uma carta de AMORRRR. Lembra do episódio Uiii, já?, se não, vale a pena dar uma olhadinha...


Dom Juan chega em casa portanto esta carta nas mãos...

Mas o fato ocorrido esta semana foi assim "ó":

Eu, na porta da escola conversando enlouquecidamente com outras mães, enquanto Jobim  literalmente "deitava e rolava" na neve. De repente, o sinal toca, a porta da escola é aberta e Dom Juan, digo, Tom vem em nossa direção:

_Oi filho!!
_Oi mamãe!!


Neste momento avisto em suas mãos algo muito estranho... geralmente meninos não desenham tantos corações... Mãe mais que leoa atenta, pergunta:

_O que é isto meu filho? Foi você quem fez?? Perguntei.
_Não. Eu ganhei da minha amiguinha. Respondeu.
_Ah!! Foi Sianna* quem fez filho?
_Não.
_Ah, então foi a Mia*?
_Não mamãe, este eu ganhei da Ida*. 
_Mas, ela fez isto para todas as crianças da classe? 
_Não, foi só pra mim, mas eu não sei por que...

É, eu sei bem o motivo. Ele ganhou isto no Valentine's Day

Agora me diga:

Eu tenho ou não tenho um Dom Juan em casa?


Só sei que ser mãe de menino não é mole não... risos

Bisous, Pandora "mais que ciumenta" na área.





sábado, 11 de fevereiro de 2012

Extra!! Extra!! PROCURA-SE co-autores!!!


E para entender melhor como funciona esta dinâmica entre pais e filhos adotivos, leia este pequeno trecho do livro "Compreendendo o Filho Adotivo", de Luiz Schettini Filho:

O filho adotado não vem de fora; vem de dentro, do mesmo modo que o filho, biologicamente gerado, vem de dentro e não de fora. Se a adoção se efetiva, em muitos casos, como conseqüência de transtornos biológicos, fisiológicos ou psicológicos, a geração biológica de um filho nem sempre ocorre dentro dos padrões ideais de expectativa. Isso nos leva a pensar que, certamente, não seria estranho, usar a mesma expressão para as duas situações: tanto os que têm filhos biológicos quanto os que os têm por adoção geram, verdadeiramente, seus filhos. A inexistência dos laços genéticos não invalida as relações parentais. 
Procriar é uma condição dada pela natureza; criar é uma responsabilidade no âmbito da ética entre os homens. É nessa relação que identificamos um dos momentos cruciantes da estabilidade humana: o desnível entre criar e procriar. Procriar é um momento; criar é um processo. Procriar é fisiológico; criar é afetivo. A adoção do filho se insere exatamente aí: na atitude e nos atos de criação no sentido físico e afetivo. O filho, que era sonho, e por ser sonho, tinha a condição fundamental de ser realidade, afirma-se como filho, não pelo processo biológico e fisiológico do nascimento, mas pela adoção afetiva dos pais que, incondicionalmente o amam.

Para que o filho veja os pais adotivos como os seus verdadeiros pais, nada mais é preciso do que a convivência que supre, que permite trocas, que proporciona a oportunidade de ouvir e de falar, de tocar e ser tocado, de chorar e ser consolado.

O filho adotivo tem, muitas vezes, dificuldade de aceitar a aceitação. Não é fácil para ele receber seja o que seja, inclusive afeto. Receber é sinônimo de impotência, de falência pessoal. Até que se perceba dando alguma coisa, inclusive afeto, fica difícil para ele ver-se como sujeito. Por um tempo, se questiona; percorre o caminho da dúvida entre ser objeto e ser sujeito.


Pois é, nós e muitos outros pais que optaram pela adoção, observamos muitas vezes que independente do fato de termos nossos filhos de uma forma diferente, possuimos também, como todas as outras famílias, os mesmos desafios da educação, do desenvolvimento saudável, acrescentando então, o fato de que, nós pais, temos que nos preparar com muita responsabilidade e maturidade, para as perguntas, as inseguranças que surgem e que nos ensinam e nos tornam cada vez mais fortes e mais certos de nossa escolha.

Eu, Juliana e meu marido, aprendemos diariamente a lidar com estas situações e diga-se que em toda aprendizagem, há erros, há acertos... Não temos o manual, a receita, mas a construção tem sido de uma forma saudável, creio eu. E você percebe se está no caminho certo através das conquistas que têm alcançado e das evoluções que percebe.

E hoje, eu compartilho com vocês a construção desta relação, sob o olhar de "Tom" (5a9m), onde ele narra através de seu desenho, uma estrutura sequencial de uma história, que segundo ele, é como todas as histórias começam.

Peguei o desenho (que por sinal estava lindo e muito bem detalhado, mãecorujababaotempotodo) e perguntei:

Detalhes: o nome que ele escreve e que mamãe baba... o caminho brilhante até chegarmos em casa... 
_O que você desenhou filho? Perguntei.
_Desenhei uma "carte" (mapa) que mostra a história de como as pessoas encontram com seus filhos. 
Neste momento, fui perguntando sobre cada detalhe e pedi licença para descrever a narrativa, no próprio desenho.
_Ah tá! Mas todas as pessoas tem histórias assim? Perguntei.
_Sim... 
_Mas, vamos pensar juntos. Será que os filhos da sua madrinha também têm esta história? Perguntei.
_Nãaaao, rsrsrs. Eles nasceram da barriga dela. Respondeu.
_Sei... então as pessoas podem ter histórias diferentes? 
_Siiiimm. Respondeuesboçando um sorriso seguro, contente, natural.


***


Hoje, quero fazer um convite. 
Existem milhares de histórias sobre adoção que podem e devem ser compartilhadas, mesmo que anonimamente. E este é meu maior objetivo com o Blog, ser um veículo para trocar ideias, auxiliar, motivar outras famílias para uma Adoção madura e responsável.

Portanto, quero convidar outras mamães a compartilhar seus relatos de adoção aqui, para que este espaço auxilie outras pessoas, outras crianças... então, se você quiser contar sua história aqui no blog, acredite, poderá ajudar muita gente. Ah!! Este convite também está aberto para todos e se tiver um blog, melhor ainda!!


Ficarei muito feliz com sua participação! Conto com você!



Bisous... Pandora "A União faz a Força"!!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Como "gerei" meu Blog? Afinal eu tinha que gerar algo né?


Confesso!!!! 


Até 2009 os únicos blogs que eu acessava eram os de viagens e turismo. Outros blogs simplesmente não existiam no meu universo, até, nos mudamos para a Noruega.


Lá, senti a necessidade em compartilhar com a família e com amigos, todas as descobertas e experiências fantásticas que estávamos vivendo, então, criei o Simply Life, mas nunca tive a coragem de publicá-lo. Sabe, eu me sentia exposta, era muito estranho divulgar algo seu, coisas tão privadas (ai, ai). E assim... o Blog que nunca acordou, continuou dormindo... ronca blog...
***
Daí os cabelos mudaram... a vida mudou...
***
Pouco tempo depois, alguns meses após a adoção de nossos filhos, fomos até uma livraria em busca de livros, revistas, sei lá, alguma informação relevante sobre o tema. Mas tudo estava muito restrito. Eu encontrava o assunto  sempre vinculado a uma religião ou coisa parecida e na verdade eu queria ler sobre vivências, experiências que deram certo e até mesmo sobre erros que poderíamos evitar. Eu queria "trocar figurinhas"... E foi então, que dentro de uma das livrarias no Brasil, uma vendedora me perguntou:


_Você pretende adotar?
_Na verdade eu já o fiz, tenho dois filhos. Mas eu gostaria de ler mais, saber se estamos no caminho certo, trocar experiências, enfim...
Ela me respondeu:
_Então, se você já tem esta vivência, comece por você. Escreva um livro sobre o assunto, isto pode ajudar muitas outras famílias que procuram por este tema, assim como você o faz agora...


Bom, a ideia era boa, mas a coragem, não. Eu saí da livraria com a sensação de que eu não poderia "ensinar" nada a ninguém e que escrever seria uma grande pretensão de minha parte...


E o tempo foi passando. 


Outras pessoas me incentivavam e eu jamais me imaginava nesta função. Então, comecei a perceber que o que era comum pra mim, não era para outros. Em conversas casuais, percebi que respondia muitas perguntas sobre adoção e tudo o que envolve este assunto. Amigos, família, vizinhos, amigos dos amigos... TODOS.  As perguntas eram cada vez mais recorrentes e eu sempre falava sobre a mesma coisa, em todos os lugares e isso me chateava um pouco. Eu não era um Manual, era uma Mãe tentando aprender a ser Mãe. E tenham certeza, também ouvi MUITA besteira, muito preconceito velado... 


Assim começou a gestação do meu Blog!!! 


Na tentativa de registrar em detalhes tudo o que vivemos e poder compartilhar nossas descobertas com os amigos e com a família que moram tão longe da gente. Também foi uma forma incrível de quebrar paradigmas, de vestir a camisa e assumir erros e acertos, sem racionalizar demais.  É um diário incrível... 


Aos poucos, o blog começou a ganhar corpo e eu, fui aprendendo a perder o medo da exposição, fui me livrando de algumas neuroses adquiridas ao longo do caminho. Foi bom!! hummmmmm... 


E eis que ele nasce... 


Posso dizer com toda a certeza que meu blog nasceu realmente no dia em que o texto: Histórias ao Contrário foi publicado no Portal MMqD. À partir daquele dia fiz várias amizades virtuais, conheci outras mamães com as mesmas dúvidas e dilemas que os meus e tive a maior das minhas surpresas: Receber  e-mails de outras mulheres que possuem algum tipo de dificuldade para engravidar ou que pretendem adotar e  que chegaram até o blog pelo Portal e por indicação de profissionais (psicólogos e assistentes sociais)!! Legal, né? Tenha certeza, esta foi a mais agradável, inesperada e a maior surpresa desde o nascimento do Blog.



E agora?? Ah, agora o grande desafio é: 


Ver o desenvolvimento saudável desta criança (o blog) e que este grande arquivo, um dia se torne um grande presente para a história da nossa família. Que nossos filhos tenham orgulho em possuir a história que possuem. 


E como de praxe, 


Bisous, Pandora... "Vestindo a Camisa 2"





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Canções em francês para crianças

Uma das metas para 2012 foi estudar Francês com nossos filhos de uma forma lúdica e leve ao mesmo tempo, então, como em casa privilegiamos nossa língua materna, o Português, criamos o hábito de cantar músicas infantis, tocar violão com o papai e antes de dormir, mamãe conta uma história, tudo em Francês. E os resultados que temos visto ultimamente nos mostra que estamos no caminho certo!

Mas minhas buscas por DVDs e materiais que pudessem nos auxiliar nesta meta estavam, além de caras, um pouco distante daquilo que pretendíamos. E onde mais eu poderia recorrer? Claro, à Internet.

Encontrei garimpei uma série de canções francesas no You Tube, que ajudam bastante, pois além de lúdicas, elas possuem a letra para que os pais possam cantar junto com os filhos. Além disso, enriquece bastante o vocabulário dos pequenos. Eu recomendo!!

 Chansons Françaises

As preferidas deles são:


  • Ah les crocodiles;
  • Pirouette, Cacahuète;
  • Alouette;
  • Au feu les pompiers;
  • Frère Jacques; 
  • e muitas outras. 
Espero que gostem!

Bisous...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Adaptação Escolar na Suíça

Hoje eu quero desabafar escrever um pouco sobre uma forma diferente de Adaptação Escolar: a adaptação bilíngue.

Na Noruega, em Oslo, eu trabalhei em uma escola internacional e durante o tempo em que moramos por lá percebi que poderia ter explorado mais a oportunidade de viver em outro país, vivendo a cultura local em toda sua plenitude. Portanto, ao mudarmos para a Suíça, optamos por mergulhar na cultura mesmo, frequentando os mercadinhos locais, convivendo socialmente com os suíços e também, claro, optamos pela escola pública suíça. Não que o ensino em uma escola internacional privada deixe a desejar, mas apesar de tantos aprendizados multiculturais que adquirimos na comunidade internacional, também não vivenciamos o que gostaríamos sobre a própria cultura norueguesa... o que me deu a sensação de ter vivido em uma espécie de bolha o tempo em que morei por lá...

Aqui, na Suíça, a maior parte dos alunos (cerca de 95%) frequenta uma instituição pública na comunidade onde reside e somente 5% da população paga pelo ensino privado. A escola dos meninos por exemplo, fica  no topo de uma montanha, um lugar bem pitoresco, típico das paisagens daqui.

Mas, tantas coisinhas lindinhas que podem até parecer um Conto de Fadas, trazem muita dor de cabeça e insônia na mãe louca  muitos desafios diários. Se inserir na cultura local pode sim ser uma tarefa para... tchan, tchan, tchan, tcham, o Super Tom, que com apenas quatro anos e oito meses, foi o primeiro a segurar o rojão entrar na escola. Um guerreiro!! Sem brincadeira, "móh" orgulho dele.

A rotina dele é assim:


  1. Ao chegar na escola,  os alunos formam a fila e esperam pela professora do dia. Ele tem duas, uma para Literatura, Alfabetização e Artes e outra para Matemática, Música e Ginástica. Elas ministram as aulas em dias alternados;
  2. Assim que a professora chega, ela os leva para dentro da escola, onde os pais não podem entrar, a não ser que sejam convidados. Há na porta um cartaz pedindo respeito e ajuda na conquista da autonomia pela criança; Tá?
  3. Já na porta da sala, os alunos deixam seus casacos e toda a parafernalha (se inverno, ;-), e só então, um a um, após cumprimentar a professora com aperto de mãos, olhos nos olhos e dizendo "Bonjour" é que então, entram para mais uns picados momentos de aula. Vide aqui a saga de horários da amiga aqui...
  4. Dentro da sala, muito trabalho e diversão também, mas T.U.D.O, mas T.U.D.O mesmo com muitas regras e limites.
Então, há quase um ano, quando Tom adentrou para este mundo "milimetricamente" organizado, é que estamos fazendo a adaptação escolar dele. Isso mesmo, há quase um ano e é mais que compreensível o motivo...


  • No começo a dificuldade foi a aquisição da Língua. Tom já apresentava muitas dificuldades na fala, mesmo na Língua portuguesa. Trocava letras (V pelo F, o R não era pronunciado, CH pelo S...), o vocabulário (em português) era bem restrito (muitas palavras foram sendo substituídas... Perdão pelas palavras a seguir, mas realidade é realidade: a palavra "bosta" foi substituída por cocô, "mijar e cagar" por fazer xixi e fazer cocô, "peidar" por fazer pum)  e a conjugação verbal... bom, até hoje temos que ajudá-lo a construir uma frase corretamente. Mas isto vem acontecendo, aos poucos e cada dia mais e mais. Desta forma, a aquisição de uma nova língua ficou um pouco mais lenta, devido às inúmeras intervenções que ainda fazemos no português, mas o melhor de tudo isto, é o fato de tanto ele como o mais novo aprendem o Francês sem vícios de linguagem e da forma mais adequada possível. Ufffa!!!! 
  • Outro complicador foi a socialização. "Mergulhar na cultura" pode muitas vezes significar dar "aquela barrigada na piscina"... Lembra da dor amigo (a)? Então... no começo, as professoras enviaram uma carta aos outros pais da escola informando que estavam chegando alguns brasileiros na comunidade e que falávamos Português e Inglês. Isto foi muito bom por um lado. Conheci uma grande amiga, a Dominique, uma suíça que incrivelmente é super "open" e me ajuda horrores aqui. Por outro lado, recebi olhares estranhos durante muito tempo... até começar a arranhar meu francês indígena. A partir daí, as coisas melhoraram fortemente;
  • Ele tentou resolver suas dificuldades de uma forma diferente. Como não entendia muito o que estavam falando, queria apenas brincar na sala de aula. Uma das muitas reclamações que tivemos foi a de que ele "mexia" em tudo, abria caixas para ver o que tinha dentro, abria portas... claro, explorar um ambiente desconhecido é a melhor forma de conhecê-lo, não?? Enfim... fizemos muitas mandalas juntos...
Hoje os confetes são para Tom. Ele merece, ele merece!!! Comigo!!! Todo Mundo!!! Ele merece!!

Ele enfrentou discriminação (claro que eu estava lá, nos bastidores, enfrentando um por um), preconceito (brasileiro pode ter uma fama linda e uma nem tão boa assim), e segregação, o que ao meu ver, foi o pior de todos os outros citados acima. 

E vocês sabem, né?  O pai trabalha e o rojão na maioria das vezes (salvo alguns casos), fica na mão de quem??? Quem?? Da mãe...

Eu estava lá!! Fiz e faço o que está ao meu alcance. Virei voluntária da escola, fiquei literalmente (como muito bem disse uma outra mãe blogueira), "atrás da moita da escola", procurei a psicóloga da comunidade, pedi inúmeras reuniões (a última foi ontem e tem outra marcada pra semana que vem), li e leio livros e os blogs "dazamiga", escrevo, tenho dor de cabeça, vontade de sair correndo... enfim, Mulher Maravilha só existe em revista em quadrinhos... fico exausta!! Mas as últimas semanas tem sido um presente atrás do outro. 

Semana passada uma mãe que mal falava "Bonjour", disse que sua filha pisca os olhos apaixonadamente ao falar de Tom. Uma outra colega de classe, fez uma festa de aniversário (que aliás merece um Post) e o convidou. Ao chegar na casa da menina, percebi que entravam muitas meninas vestidas de princesa  e não vi sequer um menino chegar. Assim que fui buscá-lo, perguntei à mãe: 

_Os outros meninos já foram embora? 

_Não, Tom era o único. Mia (nome da aniversariante) fez questão de convidá-lo, ele era o príncipe da festa!

Gentemmmm. E eu escuto isto, tenho que manter a formalidade suíça e sem muita empolgação, responder como uma miss: 

_Que bom, fico muito feliz em ouvir isto. Você é muito gentil!

Minha vontade era abraçar todo mundo e gritar " GOLLLLLLLLLLL" 

*** 

Mas, voltando o assunto. Hã, Hã...

Hoje, pela primeira vez, eu recebi este recadinho cheio de elogio da professora:




Tradução: Gabriel trabalhou muito, muito bem. Melhores saudações...
Esta foi a melhor parte do meu dia!!! E ao sair da escola, um pouco antes de terminar este Post, um outro coleguinha veio convidá-lo para passearmos juntos no próximo domingo. Este mérito é todo dele...

Esse é o Super Tom, este menino ainda vai longe...

E Jobim? Ahhh, ele também enfrenta seus desafios... claro que bem mais fáceis, já que ainda não está matriculado em uma escola regular e sim, em uma Garderie. Mas ambos me enchem de orgulho! Cada um do seu jeito.

Ownnnn, tô tão sensível hoje... Tô precisando de colo...

E Pandora quer saber o que tem aí, dentro da sua caixinha: 

Você também já enfrentou uma situação problemática que parecia interminável, complicada, mas que fora aos poucos, com esforço, se solucionando? Obrigada por compartilhar comigo!


Bisous, Pandora, mãe de dois super-heróis!!!


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Contar ou não contar a verdade...

Eu tenho TANNNNNTAS figurinhas pra trocar com vocês, que poderia ficar aqui, escrevendo uns dez posts... são fases que mudam, pernas que crescem, autonomias que aos poucos vem sendo conquistadas, e neve... muita neve caindo do céu.

Aqui no Cantão de Vaud, na Suíça, a paisagem está maravilhosa! Eu adoro neve, mas odeio quando escorrego e a parte mais linda é que nossos filhos a conheceram pela primeira vez. Eles amaram! Amaram a neve e escorregar também, claro! Lucas até comeu e adorou. De brinde, ganhou um resfriado, mas afff, que venha o resfriado, o importante foi saber que gosto a neve teria.

Na esquerda, Jobim e na direita, Tom. Na foto, os dois discutiam sobre quem chegaria primeiro no topo da montanha.

Mas, além de dar um Bom Dia!!!! Quero muito dividir com vocês uma entrevista que consegui através de uma amiga, com a psicóloga e psicanalista Maria Salete Abrão, autora do livro: "Construindo o vínculo entre Filhos e Pais Adotivos", que trabalha com o tema há trinta anos.

Que tal um chá comigo. Vamos?

Sentem (sei que isso é impossível), ouçam e degustem estas sábias palavras vindas de quem conhece o assunto. Vale a pena ouvir e refletir. Tenham certeza de que sua óptica poderá ser revista e assim, vocês amigos(as) virtuais, poderão se ajudar (caso esteja neste processo), ajudar outras pessoas que estão e também aquelas que desejam passar por isto.


Entrevista com a Psicóloga e Psicanalista Maria Salete Abrão


Espero que gostem tanto como gostei! E que muitas outras surjam pra gente poder tomar mais um chá, um café...

E pra terminar, claro que tem conto...

Nosso primeiro dia com nossos filhos foi bem diferente daquilo que havíamos imaginado.
Infelizmente, com a notícia de que os irmãos seriam adotados, outras crianças do abrigo tiveram uma espécie de revolta, o que contribuia para atos de segregação e agressividade com eles. Desta forma, algumas cuidadoras do abrigo foram autorizadas a retirá-los para passar o dia com elas e depois, frequentarem a escola na parte da tarde.

Portanto, no primeiro dia, quando chegávamos com nosso carro perto da casa, os avistamos com uniformes, nos esperando com olhares curiosos e receosos. Tom tinha na época, quatro anos e Jobim, quase três.

Almoçamos com eles pela primeira vez e os levamos até a escola. Lá, para a nossa surpresa, eles não nos deixaram sair. Precisávamos ir até o Fórum, mas era impossível. O medo do abandono era grande, coisa que jamais conseguiremos entender... Enquanto Jobim caiu no sono, eu olhei para Tom e disse:

_"Nós precisamos muito ir até um lugar importante e vamos voltar, tenha certeza disso! Eu não minto pra você. Vou deixar minha bolsa com você. Você pode cuidar dela pra mim, até eu voltar?" Falei em tom calmo e firme com ele.

_ "Tá bom". Respondeu, agarrado em minha bolsa.

Nesta cena, estava presente um observador e figura chave para que nos preparássemos para os desafios que estariam por vir. O nome dele eu não sei, mas me lembro bem do que ele disse. Era um vendedor de livros, que estava com um stand de exposição por lá e que percebeu toda nossa movimentação pela escola. Afinal,  TODOS por lá presenciavam um fato importante em nossas vidas.

De repente, este vendedor se aproxima, pede licença para expor sua opinião e diz:

_"Olá, meu nome é... Estou presenciando o que estão fazendo e me sinto muito emocionado por isso. Eu também sou filho adotivo e nunca tinha pensado na adoção por este ângulo, pelo ponto de vista de quem adota. Se me permitem, quero apenas dar um conselho: NUNCA mintam ou escondam a verdade deles. Eu cresci acreditando em uma história que me contaram e um belo dia, descobri que aquilo era uma falsa história. Me senti revoltado demais, principalmente com minha mãe, que era a pessoa pela qual eu tinha a maior admiração. Na época, eu dei muito trabalho a ela. Queria me vingar daquele sentimento horrível. Eu deveria ter sabido a verdade, é a minha história, pertence a mim." 

Nada acontece por acaso, né?

A partir daquele dia, tínhamos a certeza do melhor a ser feito. Tratar com naturalidade o que é real. Respeitar acima de tudo, a história deles, sem fazer disso uma complicação, algo ruim. A adoção é apenas um fato, uma peculiaridade da história de cada um, o que não impede de ser um motivo de orgulho e felicidade também. Aqui, praticamos a verdade e nos orgulhamos muito da história que juntos estamos construindo.

Bisous mes amis, Pandora