quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Contar ou não contar a verdade...

Eu tenho TANNNNNTAS figurinhas pra trocar com vocês, que poderia ficar aqui, escrevendo uns dez posts... são fases que mudam, pernas que crescem, autonomias que aos poucos vem sendo conquistadas, e neve... muita neve caindo do céu.

Aqui no Cantão de Vaud, na Suíça, a paisagem está maravilhosa! Eu adoro neve, mas odeio quando escorrego e a parte mais linda é que nossos filhos a conheceram pela primeira vez. Eles amaram! Amaram a neve e escorregar também, claro! Lucas até comeu e adorou. De brinde, ganhou um resfriado, mas afff, que venha o resfriado, o importante foi saber que gosto a neve teria.

Na esquerda, Jobim e na direita, Tom. Na foto, os dois discutiam sobre quem chegaria primeiro no topo da montanha.

Mas, além de dar um Bom Dia!!!! Quero muito dividir com vocês uma entrevista que consegui através de uma amiga, com a psicóloga e psicanalista Maria Salete Abrão, autora do livro: "Construindo o vínculo entre Filhos e Pais Adotivos", que trabalha com o tema há trinta anos.

Que tal um chá comigo. Vamos?

Sentem (sei que isso é impossível), ouçam e degustem estas sábias palavras vindas de quem conhece o assunto. Vale a pena ouvir e refletir. Tenham certeza de que sua óptica poderá ser revista e assim, vocês amigos(as) virtuais, poderão se ajudar (caso esteja neste processo), ajudar outras pessoas que estão e também aquelas que desejam passar por isto.


Entrevista com a Psicóloga e Psicanalista Maria Salete Abrão


Espero que gostem tanto como gostei! E que muitas outras surjam pra gente poder tomar mais um chá, um café...

E pra terminar, claro que tem conto...

Nosso primeiro dia com nossos filhos foi bem diferente daquilo que havíamos imaginado.
Infelizmente, com a notícia de que os irmãos seriam adotados, outras crianças do abrigo tiveram uma espécie de revolta, o que contribuia para atos de segregação e agressividade com eles. Desta forma, algumas cuidadoras do abrigo foram autorizadas a retirá-los para passar o dia com elas e depois, frequentarem a escola na parte da tarde.

Portanto, no primeiro dia, quando chegávamos com nosso carro perto da casa, os avistamos com uniformes, nos esperando com olhares curiosos e receosos. Tom tinha na época, quatro anos e Jobim, quase três.

Almoçamos com eles pela primeira vez e os levamos até a escola. Lá, para a nossa surpresa, eles não nos deixaram sair. Precisávamos ir até o Fórum, mas era impossível. O medo do abandono era grande, coisa que jamais conseguiremos entender... Enquanto Jobim caiu no sono, eu olhei para Tom e disse:

_"Nós precisamos muito ir até um lugar importante e vamos voltar, tenha certeza disso! Eu não minto pra você. Vou deixar minha bolsa com você. Você pode cuidar dela pra mim, até eu voltar?" Falei em tom calmo e firme com ele.

_ "Tá bom". Respondeu, agarrado em minha bolsa.

Nesta cena, estava presente um observador e figura chave para que nos preparássemos para os desafios que estariam por vir. O nome dele eu não sei, mas me lembro bem do que ele disse. Era um vendedor de livros, que estava com um stand de exposição por lá e que percebeu toda nossa movimentação pela escola. Afinal,  TODOS por lá presenciavam um fato importante em nossas vidas.

De repente, este vendedor se aproxima, pede licença para expor sua opinião e diz:

_"Olá, meu nome é... Estou presenciando o que estão fazendo e me sinto muito emocionado por isso. Eu também sou filho adotivo e nunca tinha pensado na adoção por este ângulo, pelo ponto de vista de quem adota. Se me permitem, quero apenas dar um conselho: NUNCA mintam ou escondam a verdade deles. Eu cresci acreditando em uma história que me contaram e um belo dia, descobri que aquilo era uma falsa história. Me senti revoltado demais, principalmente com minha mãe, que era a pessoa pela qual eu tinha a maior admiração. Na época, eu dei muito trabalho a ela. Queria me vingar daquele sentimento horrível. Eu deveria ter sabido a verdade, é a minha história, pertence a mim." 

Nada acontece por acaso, né?

A partir daquele dia, tínhamos a certeza do melhor a ser feito. Tratar com naturalidade o que é real. Respeitar acima de tudo, a história deles, sem fazer disso uma complicação, algo ruim. A adoção é apenas um fato, uma peculiaridade da história de cada um, o que não impede de ser um motivo de orgulho e felicidade também. Aqui, praticamos a verdade e nos orgulhamos muito da história que juntos estamos construindo.

Bisous mes amis, Pandora

15 comentários:

  1. Jú, me fez chorar de novo...
    A cada pedacinho dessa história linda de vocês fico mais sua fã e fico feliz por compartilhar comigo tudo isso. Obrigada.

    A foto dos meninos ficou linda, mas senti frio só de ver...

    um super forte (e quentinho)abraço

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  2. Olá
    Chequei aqui "por acaso" ? Penso que não. O título do post me chamou atenção. Sou terapeuta de família e lido que estes casos. Esta é uma questão que se deve levar em consideração quando se toma a decisão de adotar.
    Parabéns.
    Abços

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  3. Ju, penso assim ohh: Eu gostaria que algum filho mentisse pra mim? NAO.
    Então como posso dar qualquer exemplo se mentir sobre alguma coisa? Nem que seja a mais banal...
    Não e não! A VERDADE SEMPRE!
    Bisus

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  4. Assim que tiver tempo, ouvirei a entrevista! Heitor se arrasta pelo ape e eu doida me arrasto atras ahahaha.
    Veja, eu concordo com o moço e com vc... A verdade sempre, acima de tudo. Minha história teve adoção e teve verdade e esses dois pontos foram fundamentais para me formar emocionalmente e para que eu hoje fosse capaz de amar meu filho, dar amor simplesmente. Me formou como mulher, como mãe. A verdade nunca traz problemas, muito pelo contrário!
    Parabens pela construção de um amor pautado na verdade. sempre. Parabens por amar simplesmente, viu? sem barreiras.
    Beijao!
    e sigo acompanhando de longe ;))

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  5. Jú...que lindo o conto!! Mais uma vez vejo como vc já era mãe desses meninos muito antes de tudo!! Adorei a entrevista com a psicóloga! Beijos a vcs!!

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  6. Toda vez que entro aqui... pode contar que vai rolar uma lagriminha....rs.

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  7. Chorei de novo, essa história é tão linda, e tão verdadeira, e tão emocionante... Obrigada por partilhá-la ;) Bjos a todos :*

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  8. Queridas amigas virtuais, agradeço de coração as palavras de vocês!!
    Beijo em cada uma e obrigada por visitar meu cantinho, Juliana

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  9. Ju, eu e a mama estamos lendo, o coração palpita mais forte, e nos emociona, continue assim sempre inspirada e abençoada por Deus, te amamos, beijos... Isabela e Rosa Maria...

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  10. Sabia que vc era ESSA PESSOA LINDA...NÃO É A TOA QUE EUADORAVA SUA CIA quando eramos crianças...Ju...lindo tudo..sua história, sua experiência, a maneira como vc coloca os fatos...suas atitudes...Parabénsss!!!!!! Minha profunda admiração por vc!!!!!!!
    bj grande

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  11. Emocionamte seu conto, claro que chorei navamente! Ju super mãe, amiga sincera e abençoada.

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  12. Já virei fã nem preciso falar nada!!! Beijos!

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  13. Esse relato do vendedor é o que eu penso mesmo! Tem que ser sempre a verdade!!!! bjksss

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  14. Olá..querida! Agora vou responder por aqui !!

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  15. Oi! Adorei e acho que a sinceridade deve imperar, realmente.

    Só que a história para quem vive é diferente da história de quem ouve, portanto, acho que só vcs podem pensar e ponderar sobre o que deve ser feito.

    Um abraço,
    Dani

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