sábado, 31 de março de 2012

Notícias bombásticas!!! Nosso filho está lendo!!!

Sabe aquela fase linda que de repente as crianças despertam o interesse pela leitura? Ahhhhh, eu como professora sempre babei nos alunos, mas agora como mãe....ahhhh, gente mais linda, nunca pensei que seria um prazer "felomenal"!!!

Mas tenho que dizer, o mérito é todo dele e da escola. A mãe aqui, nos bastidores, só incentivou, mas deixei por conta deles. Assim o fiz, primeiro por ser uma alfabetização em francês e pelo Método Fônico, o que dificulta ainda mais as minhas intervenções e segundo, pra não criar nenhuma pressão e respeitar o ritmo dele...

Tudo aconteceu por causa da então, apaixonante amiguinha Sianna. Ela, já com seis anos e meio, já faz suas tentativas de leitura e Gabriel um dia, chegou em casa encantado com tamanha sabedoria da amiga:

_Mamãe, hoje a Sianna leu, sabia? Ela leu muito bem e a professora falou "Bravo" pra ela. Eu quero muito aprender a ler, você me ajuda? Disse Tom, meu lindo.

_Filho, que legal!! Você também vai ler como ela, é só esperar um pouquinho e prestar bastante atenção na professora. Ela é quem vai te ensinar a ler em francês, mas a mamãe pode ajudar em casa, o que acha? Disse eu, a mamãe babona.

Continuei contando histórias em casa (eles amam!!!), mas comecei também a introduzir atividades e jogos de associação, letras, e muitos, muitos papeis e lápis em um acesso fácil, para que eles possam expressar suas ideias através dos desenhos. Fora que aqui em casa a gente curte muito um livro e eles têm este exemplo diariamente.

Ah!! Comecei a colocar na mesa do café da manhã, as embalagens daquilo que geralmente comemos e bebemos. Tudo o que dá acesso a leitura, nesta fase, é importante estar ao alcance da criança. E imagina qual o lugar da casa onde temos muito rótulo? Aqui, além da cozinha, é o banheiro. Tom está parecendo um farejador de letras, ele as busca o tempo todo e foi assim que descobri que ele estava realmente lendo... no rótulo do soro fisiológico.

Ele, escovando os dentes, avista o rótulo escrito: "SOLUÇÃO FISIOLOGICA", escrito em português, pois este veio do Brasil. De repente ele começa assim:

_ S sssss O ooooo SO, L lllll U uuuu SOLU (o Lu com som quase  lhu, devido ao francês) e hammm, este aqui eu não consigo... (ele não conseguiu ler o Ção).

Ahhhh e de repente ele começou a ler todas as sílabas simples, fazendo biquinho e tudo mais!!!

E eu, o pai, o irmão e toda a torcida do Flamengo amamos muito esta conquista do nosso guerreiro , que com cinco anos e dez meses começou a ler, na Suíça e em francês.

Guarde esta data filhão: Março de 2012, você descobriu o mundo encantado da leitura, do saber!!!
Parabéns, por mais esta conquista que nos enche de orgulho!!! Bravo!!!!

Bisous, da Pandora que já sabe ler as palavras e agora, aprende a ler o livro da Maternidade, que é o Best Seller mais encantador de todos os tempos!!!


Sobre a expectativa e a ansiedade da espera por um ou mais filhos adotivos.

Cláudia e o marido em Genebra, na Suíça. 
"Bom dia Ju! 
Desculpe tomar a liberdade de te escrever, mas é que não consegui comentar no seu blog,
Primeiro queria dizer que ADOREI seu blog, uma delicia de ler, segundo que vc é muito especial.
Agora, estou te escrevendo para pedir uma ajudinha, menina, decidimos adotar 2 crianças, de 0 a 3 anos, e estou com um frio na barriga, será que é normal?
É muita responsabilidade, tenho 8 anos de casada, só nós 2 em casa, e quando vier meus filhos, como será? Meio louco isso, quero tanto, mas dá um medo.
Conta um pouquinho de vcs, relata sua experiência, ajudaria muito. por favor??????
Estive na Suiça em 2005, fui em Genebra...

Estou te mandando uma foto.Muito Lindo!
Aguardo contato...Bjs."                     *(Divulgação de e-mail e imagem autorizados)
Quando eu li o e-mail da Cláudia, voltei no tempo... também pensei: "Nossa, que legal!! Eu me sentia EXATAMENTE como ela". E na minha opinião, este tipo de preocupação é muito saudável, pois mostra o quanto ela e o marido estão fazendo a escolha com maturidade e cuidado.

Então, como sabemos que como eu e a Cláudia, existem muiiiiiiitas famílias com as mesmas dúvidas e preocupações, propus a ela para responder by Post e ela topou.

Voilà,

Como eu já disse por aqui (tá em algum lugar dentro desta "caixa"...), nosso perfil no cadastro nacional de adoção era de apenas uma criança de até dois anos. Então, quando surgiu a oportunidade de serem duas crianças e já maiores, a notícia nos assustou e muitos ao nosso redor nos taxaram por loucos. Muita gente se mostrou preocupada e não tiramos a razão de quem o fez. Sabe Cláudia, como você e seu marido, nós também tínhamos uma vida a dois, tranquila e minha mãe inclusive chegou a me alertar quanto a isso, me perguntando se tínhamos realmente certeza da decisão que estávamos tomando. Mas, você sabe, existem coisas que realmente fogem um pouco daquilo que a razão determina como correto.

Além de ser uma decisão que deve ser tomada com muita maturidade, eu e meu marido tínhamos em mente fatores muito importantes, que nos ajudaram a continuar firmes na caminhada antes e após a adoção.

Foram estes:

  1. Uma vez que esta ou estas crianças estiverem conosco, será um caminho sem volta. A palavra desistência ou devolução saíram completamente de nosso vocabulário. 
  2. Ser pai e mãe não é brincar de casinha, portanto, assumiremos cada tarefa, cada alegria e desafio, com maturidade. Filhos biológicos ou não, ninguém é perfeito. 
  3. TUDO leva um tempo para adaptação e segundo uma pesquisa divulgada na Revista Época,  o tempo de adaptação de uma adoção, são de 18 meses...
  4. Procuraremos nunca ter sentimentos altruístas com nossos filhos (acho que esta é a mais difícil e a mais importante). Ok, tiveram uma história difícil, mas limites e educação são necessários na vida deles e será nosso papel coloca-los. 
Então veio a adoção!! Só Deus sabe como foi minha viagem da Noruega até o Brasil, que alegria, que vitória, quanta emoção!! Eu não conseguia dormir... Estávamos prestes a nos enveredar exatamente no caminho e nos fatores citados cima, mas com a diferença de que tudo era muito novo, diferente e apesar de termos escolhido e nos preparado para isto, só o tempo encaixaria cada coisa em seu lugar. 

Dito e feito!!

A primeira noite juntos foi um caos, rsrsrs. Hoje eu conto rindo, mas no momento eu tremia tanto que chegava a ser cômico. Como eu teria que passar todo o período de adaptação e visitas da assistente social no Brasil, montamos um quarto para eles na casa dos meus pais e deixei tudo lindo e decorado. Quando eles chegaram, também estavam com medo e descontaram toda a ansiedade que sentiam na gente, nos pais... cada brinquedinho e ursinho foi jogado na nossa direção...e quem disse que seria fácil? 

Um "mix" de muitos sentimentos surgiram. E como já eram maiores (Tom estava com 4 anos e um mês e Jobim com dois anos e nove meses), além de afeto, cuidado e carinho, também precisávamos educa-los, colocar os limites necessários e isto ficou claro já no primeiro dia juntos. 

No início, época de tanta turbulência, começamos e perceber o quanto a decisão de adotar dois irmãos, tinha sido mais que acertada. Foi um apoio e tanto para nós, pais. Eles se ajudaram muito, faziam companhia um ao outro nas brincadeiras. Pulavam de alegria juntos, quando ganhavam um brinquedo novo. Uma delícia!!

E já deve ter dado pra perceber que eu procuro ser sincera, né? Eu jamais poderia responder um pedido de ajuda como este da Cláudia (se é que posso ajudar, hã?), fantasiando ou compartilhando meias verdades. Por isso, Cláudia querida, no começo além de toda a alegria, foi um período cheio de pequenos e grandes desafios, mas me pergunta se eu faria tudo novamente? a resposta é: 

Com certeza!!!! Viveria tudo novamente por estes pequenos (GRANDES) guerreiros. Sou completamente apaixonada pelos meus filhos e a alegria de acordar com os dois, de vê-los crescer e conquistar tantas coisas, roubou a cena do turbulento início. 

Portanto, eu diria pra você e seu marido, que leiam bastante sobre desenvolvimento infantil, preparem-se para este novo e maravilhoso desafio que está por vir e saibam que só o tempo dará a certeza de que fizeram a escolha certa. Tenham paciência, converse muito com alguém de sua confiança, coloque os "fantasmas" pra fora. Ser sincera consigo mesma e com os outros pode ajudar muito e isto não desmerece ninguém. Obrigada por ter enviado sua pergunta e buscar ajuda. Não temos a intensão de sermos exemplos para ninguém, mas acreditamos muito na partilha, na troca de experiências e na união das pessoas por um bem comum. 

Um beijo enorme e espero ter podido ajuda-la!! Bonne chance!!!

Bisous fraternos da Ju, da Pandora que estará aqui, torcendo muito por vocês...











quarta-feira, 28 de março de 2012

Quero ver alguém "brincar de mim"...

Meu Deus!!

Quarta-feira mega animada, e muita, muita conversa boa e aprendizado também.
Sabe, ando meio nostálgica... as pernas e os braços de "Tom e Jobim" não param de crescer e cada dia que passa me percebo assim, querendo curtir cada dia ao máximo, pois se tem uma certeza nesta vida, gente amada, é que os filhos crescem e como crescem.

E hoje fomos a um aniversário de um amiguinho super querido dos meninos, em um espaço cheio de brinquedos enormes, super gostoso, mas... sem monitoria. Isso, monitoria aqui na Europa ainda é algo raro e ainda não conseguimos ter aquelas mega festas como vemos no Brasil, cheio de gente pra ajudar. Mas, os brasileiros capricham e fazem o máximo para manter a tradição e vou te falar, viu?! Conseguem!!

E lá fomos nós! A festa foi maravilhosa e no mesmo espaço onde fizemos a comemoração dos cinco anos de Tom o ano passado, mas com o detalhe de que naquela época, tivemos que estar ao lado deles o tempo todo, devido a falta dos monitores, mas hoje, fiquei sem um braço (sei que vocês me entendem...), afinal, eles já se viram super bem, correm, sobem em todos os obstáculos imagináveis...A molecada se esbaldou!! E lá, tinha um brinquedo super fofo, inflável, que imitava um curral de uma fazenda. E no curral havia uma vaca (inflável, of course) e onde estava Jobim?? Heim, heim?? Claro, brincando que era um bezerro e nem preciso dizer o que ele estava fazendo, né? Óh céus!!

Pois então, eu adoro poder encontrar as amigas que também são mamães há pouco e sempre que nos encontramos, tentamos trocar algumas figurinhas sobre tudo. Eu digo "tentamos", pois dá pra imaginar a cena de várias mulheres juntas, morando em outro país, com filhos pequenos correndo pra lá e pra cá.... segue o diálogo:

_Oi amiga, tudo bem?
_Oi, nossa, desculpa ter te ligado aquela noite... nem percebi que já eram 23h39...
_Ah, tudo bem! Mas o que....
_Só um minuto... (criança sai correndo pela festa).
***
meia hora depois você tenta retomar a conversa.
***
Mas é interrompida mais uma vez, então, bora cuidar da criançada gente, depois a gente conversa mais.
***
A vida é assim, né?

E vamos combinar? Tem coisa mais deliciosa que correr atrás de um filho? Tem suor mais salgado e cheiroso minha gente?

Então, lá no meio da festa, uma amiga me diz:
_Nossa Ju, li seu texto sobre o quebra-cabeça amiga. Pisaram no seu calcanhar, eu senti... Alguém te magoou, né?
E eu respondi:
_Pois é... algumas pessoas insistem em palpitar sobre coisas e assuntos que muitas vezes são alheios às experiências delas e isso me deixa um pouco inconformada, fiquei um pouco triste sim, por ter que escutar algumas bobagens sem fundamentos ( leia-se: ainda existe preconceito sobre adoção). E digo mais, queria ver estas pessoas que dizem tais bobagens, poder fazer o que eu faço...
Então, ela, sabiamente disse:
_É...quero ver alguém conseguir brincar de ser eu...quero ver alguém querer brincar "de mim"...

Quem "guenta"?

Bisous, Pandora mega feliz, mega cansada e brincando de ser ela mesma...



segunda-feira, 26 de março de 2012

Carta a uma amiga tentante...

Amiga tentante,

Eu poderia dizer que entendo muito cada sentimento que passa agora no seu coração, mas eu não posso. Eu posso apenas compartilhar aqueles sentimentos que me pertenceram ou pertencem, mas jamais saberei o quão grande é seu desejo, sua ansiedade, seu sonho. Sabe, as pessoas tendem a nos dizer o que elas acham que é certo, ou aquilo que elas julgam ser o melhor pra gente, mas fique tranquila. Cada um sabe "a dor e a delícia de ser o que é" e buscar a tal felicidade pode implicar em várias tentativas frustradas ou não, mas nunca se esqueça que o importante mesmo, é a busca, a tentativa, e isso, minha cara, por mais que doa, te tornará mais madura, mais mulher, mais linda. Ser feliz faz parte do processo,  mesmo que para isso, possa ter umas pedrinhas no caminho.

O caminho é conhecido por muitas e os passos são como um protocolo universal:


  1. Você começa a querer ter filhos. Seu relógio biológico, ou sua vontade começam deliberadamente a "gritar", seus olhos começam a enxergar somente barrigas e crianças...
  2. A decisão é, muitas vezes, tomada em conjunto. Você  e seu parceiro partem para a suspenção dos anticoncepcionais que foram até então utilizados e você, começa a sonhar. 
  3. Check up no doctor, vitaminas e ácido fólico agora fazem parte da dieta.
  4. E as revistas de bebês, decoração para o quarto, roupinhas?... hummm, tudo o que lembra MATERNIDADE começa a fazer parte do seu universo. 
  5. Ah, somos da geração da informação. Livros, blogues, links, TUDO, sim, você passa a ler TUDO sobre o tema. 
  6. Escolhe uns poucos dez nomes, faz mapa astral, vê o melhor mês para a chegada do bebê... ahhh, é tudo uma delícia.
  7. ...
Até que um dia, você começa a sentir cheiros estranhos, gostos estranhos e seu humor...hummmm, tá de lascar, ou você briga ou chora por quase nada. Sim, o resultado deu positivo! Você está prestes a adentrar em um mundo completamente novo. Deixará de ser filha, para ser mãe e todo seu foco e sua ideia de mundo, será repensada. Parabéns!!

***

Ok! Mas existem muitas outras histórias que seguem o mesmo protocolo universal, mas que por algum motivo, tomaram um curso diferente. 

***

Você, tentante que passou pela maioria dos passos acima, sonhou incansavelmente, acreditou até o fim que o barrigão cresceria (e de gêmeos!!)... Seja bem vinda, este é meu clube. 

Eu, como tentante, fui assim... "A otimista do folhetim"! Após um "cheiro" do maridão eu já acordava com desejos e enjôos no dia seguinte... ehhhh, sério!! Meus devaneios são estilo"Glória Peres", faço novelas a respeito de vários assuntos internos, devaneio mesmo...

Pode uma coisa destas gente? 
E Segredinho inconfessável: Eu nunca comprei nenhuma roupinha de bebê, mas comprei várias roupas para gestantes. Acho lindo ver uma grávida com estilo!! Eu tinha de tudo, até meias Kendall... afffff!!!

E assim eu fui ficando toda trabalhada no otimismo. Tentei ficar grávida à moda antiga, também tentei três Fertilizações in Vitro e três inseminações artificiais, enfim, tentei! Fiz minha parte!

Fui tentante por alguns bons anos da minha vida, até que chegou o momento de sacudir a bandeira branca. Eu me rendo!!

Eu sempre soube que minha vontade em ser mãe ia além de querer um filho, eu queria viver a maternidade em toda a sua plenitude, sabe aquela coisa? Eu queria ter a barriga acariciada pelo maridão, queria sentir o bebê chutar, ter dores na coluna, fazer xixi toda hora, poder conversar sobre partos... Amamentar, ter meu marido filmando o parto (bom, ele desmaiaria, melhor tirar esta parte). Enfim, eu também sonhei com tudo isto. 

Mas minha realidade, meu samba, tem outro enredo. Hoje, me sinto bem resolvida em relação a isto, mas,  isto já doeu muito. Um dia, lá no passado, eu tive que elaborar todas as tentativas frustradas com forças que muitas vezes não estavam em mim. Busquei ajuda, fiz terapia. 

A aceitação de que você ou seu parceiro ou até mesmo os dois juntos, não podem ter filhos biológicos deve sim passar por todas as fases de negação, elaboração e luto, até que vocês juntos, possam realmente entender qual é a realidade de vocês. A partir disto, vale a pena buscar um caminho alternativo para a realização do sonho da paternidade conjunta, que é algo sério, pra toda vida. 

No nosso caso, como eu já tinha um histórico de Endometriose, já sabia que seria difícil engravidar, mas não que seria impossível. Aliás, nunca associei exatamente uma coisa a outra. A impossibilidade, o impossível, são palavras pouco usadas no meu dicionário e acredito até, que se eu continuasse tentando, eu seria mãe biológica, mas, após muitas tentativas e algumas frustrações, eu e o marido optamos por viver nosso casamento, sem "neuras", numa "nice"...

Desta forma, desisti do barrigão, parei de ser "Glória Peres", de ter enjôos e desejos de comer jaca no pé. Doei as roupas, os livros e os cds lindos para embalar bebês à pessoas que realmente estavam vivendo aquela realidade. Me desapeguei! 

Mas... não desisti da maternidade, hã, hã, hã. Aliás, a tenho vivido intensamente!! 

Troquei anos de fraldas e mamadeiras, por bolas e bicicletas. Meus filhos quando "nasceram" em minha vida já vieram cabeludos e com piolhos, sim, muitos!!! E pra tudo isso minha gente, dá-se um jeito. Isso não é nada. Contar isto não me faz ter vergonha, pelo contrário, me faz ter orgulho, não dos piolhos, mas da história que estamos construindo juntos e da mulher/mãe que tenho procurado ser para meus filhos. 

E eu, amo ver uma mulher grávida!! Acho lindo, uma dádiva!! Se um dia me entristeceu não ter tido a oportunidade de viver este milagre da vida, agora, me sinto tão completa com a maternidade de meus filhos "Tom e Jobim" que tudo isto virou um post história pra contar.

Portanto minha amiga tentante, acredite. Seus sentimentos são nobres, nunca desista, seja lá o que te espera, acontecerá! E se precisar de uma lunática, conte comigo, conte com meus contos, com meu apoio. Consigo ser séria quando necessário.  

Beijo grande, da Juliana que se denomina Pandora, que tem uma caixa e que dentro dela tem muita ESPERANÇA.



Bisous

quarta-feira, 21 de março de 2012

INCLUSÃO, UM PRIVILÉGIO EM CONVIVER COM AS DIFERENÇAS - 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down

Síndrome de Down é uma ocorrência genética natural, que no Brasil acontece em 1 a cada 700 nascimentos e está presente em todas as raças. Por motivos ainda desconhecidos, durante a gravidez as células do embrião são formadas com 47 cromossomos no lugar dos 46 cromossomos.
O material genético em excesso (localizado no par 21) altera o desenvolvimento cognitivo e físico dessas crianças, jovens e adultos com Síndrome de Down.
Comemorar esta data tem como objetivo chamar atenção da sociedade para celebrar a vida das pessoas com Síndrome de Down e enfatizar a importância da Inclusão na Sociedade, conscientizar para uma mudança de atitude, defendendo os direitos humanos, valorizando a diversidade e promovendo a dignidade.
Ter uma filha(o) com síndrome de Down, nos dá a oportunidade de melhor nos conhecermos e de amar loucamente alguém diferente e especial.   

Por: Celso Augusto


E este fofo aqui na foto, é o Miguel, filho de minha amiga Karine, que veio aqui hoje 
deixar este espaço bem alegre e lindo, como ele é!! 


Miguel

Miguel
Quando você nasceu, sentimentos como ansiedade, incertezas e inseguranças povoaram nossas mentes.
Mas isso tudo foi logo substituído por um único sentimento: o nosso imenso amor incondicional por você!
E as lágrimas de tristeza , que um dia derramamos, são hoje lágrimas de alegria !
A alegria por ver como você é um vencedor ao superar todos os obstáculos e por nos surpreender a cada conquista!
A alegria por saber que, apesar das dificuldades, você é capaz de grandes vitórias, mesmo que demore um pouquinho mais, mas você é guerreiro e sempre chegara lá!
Alegria por ver o quanto tenho aprendido com você a ser um ser humano melhor!
Alegria por saber que DEUS me deu o privilégio de ser sua mãe!
Agradeço a DEUS todos os dias por você fazer parte das nossas vidas!
Te Amamos de maisss!!!!
                                                                   karine ivo ribeiro leite (karyleite@hotmail.com)




                                           21 de Março 
          Dia Internacional da Síndrome de Down!!!





terça-feira, 20 de março de 2012

Série co-autores, conte sua história no blog! Hoje o tema é aborto e foi escrito pela De.

A palavra Aborto já soa estranho né? Fazer um aborto, é uma discussão interminável, mas sofrer um aborto, com certeza, é a pior delas.

Como já descrevi em outros textos, eu fiquei grávida duas vezes. As duas foram conseguidas através da Fertilização in Vitro, mas, os abortos aconteceram após algumas semanas, e infelizmente, os dois da mesma forma, o chamado aborto retido. E digo, só quem vive um aborto, sabe o quanto é complicado dar nome aos sentimentos e quem vai falar sobre isto hoje, é a De., do blog Bem que se Quis.


Ameaça de aborto, abortamento, aborto incompleto, aborto.
De uma hora pra outra, essas palavras feias passaram a povoar os meus dias, e pior, minhas noites.Até hoje, um mês depois de tudo começou - e ainda se disfarçava de ameaça - acho difícil pronunciar, e estranho escrever: ABORTO. (não é desconfortável?)
Deve ser por isso que quase ninguém fale sobre o assunto. Talvez por tristeza, ou por vergonha de se mostrar incapaz de levar uma gravidez adiante, ou para não chamar para si o sentimento de pena alheio. 
Quando o aborto finalmente se concretizou, na forma de um número que em vez de subir, desceu, eu me vi tendo que consolar mãe, irmãs, amigas e sogra, em vez de eu mesma ter sido consolada por elas.
Elas. Minha mãe, antes dos 27 anos, já tinha 3 filhos. Quando foi fazer exames para uma laqueadura, se descobriu grávida novamente, e desta vez de gêmeas! Uma das minhas irmãs engravidou duas vezes sem querer, sendo que a primeira foi aos 16 anos, e a segunda, logo depois de ser demitida. Outra irmã teve duas gravidezes de sucesso em pouquíssimos meses de tentativas. Família de parideiras, todos insistem em dizer.
Sempre pensei que comigo não seria diferente. Que teria a maior facilidade do mundo para engravidar. E de todos os medos que eu tinha, o aborto nem passava nos piores dos meus devaneios. A velha história de que comigo não vai acontecer.
Felizmente, se é que se pode dizer assim, comecei a ter um sangramento exatamente no dia em que saiu o resultado positivo do exame. Fui mãe e comecei a deixar de ser no mesmo dia. Graças ao único laboratório da face da terra que libera o resultado só depois de 5 dias, eu não cheguei a absorver 100% da maternidade. Mas isso não quer dizer que tenha sido mais fácil pra mim. Foi tão difícil quanto.
Pensar que esse grande sonho finalmente havia sido conquistado, e de repente ele se esvaia, gota a gota. Me achar ridícula por ter comprado aquele parzinho de sapatos no dia em que fiz o teste de farmácia. "Tolinha, estás pensando que é fácil assim?", um anjo safado, um chato de um querubim devia estar rindo da minha cara lá do alto. O que mais doía era achar que eu não merecia. Pensar que eu havia feito tudo o que estava ao meu alcance, repouso, remédio, exames, cuidado, e não estava adiantando. Pensar que eu não tenho o mesmo direito de todas essas mulheres (cada dia mais!) que circulam por essas ruas esfregando suas barrigas e bebês saudáveis na minha cara.
"A Natureza é sábia". Foram as palavras que mais ouvi em todo esse processo. Acho que não há nada diferente a se falar a uma mulher que aborta. E não posso discordar. Inclusive, acho que foi essa mesma Natureza (há quem chame de Deus, de Acaso, de Universo, eu chamo de Natureza) que fez com que o laboratório segurasse o resultado do exame para o dia em que ele passaria a não ter mais validade. A Natureza poupou-me de me iludir com algo que não ia adiante. Agradeço a ela.
Ameaça de aborto, abortamento, aborto incompleto, aborto. Jamais deixarão de ser palavras feias.
Mas, como a própria Ju me disse, falar sobre o assunto, ou melhor, escrever, ajuda suavizar a dor que causam. 
Fale! Escreva! Tuas palavras, além de te ajudar a passar por tudo isso, podem amenizar o sofrimento de outras mulheres.
Imagem da Web
Obrigada pela participação De.!!  Vou correr e deixar meu comentário...

Se você tem uma história real, como esta da De., da Lêda, da Lavínia, da Fê Lopes e quer colocar pra fora, desabafar, compartilhar, envie um e-mail para o blog, 

contosdeumamaepandora@yahoo.com

segunda-feira, 19 de março de 2012

Um quebra-cabeça de mim mesma...


Não, não é a toa que no título do blog tem o nome "Pandora". Ele foi propositalmente criado, para ilustrar a figura de uma mulher/mãe que tira de sua caixa, todos os sentimentos possíveis e imagináveis e claro, nem sempre tudo são flores e um mundo cor de rosa. Às vezes nem tem cor...

E antes de sermos mães, somos mulheres. Somos pessoas que se constroem o tempo todo.

Que coisa, né?  Chega a ser engraçado pensar que sempre estamos em um processo interno de mudança, de crescimento interno. Parece estranho pensar assim, mas a Juliana que iniciou este blog há oito meses atrás, não é a mesma que o escreve agora. Mudei, engordei, emagreci, operei, ri, chorei, falo mais francês que antes, mais bobeiras também. Antes, jamais me imaginaria gravando um vídeo para a blogosfera e eu o fiz. E o início do blog, então? Nossa, quando o iniciei, o fiz timidamente, com medo de tudo e de todos. Ainda tenho um medinho, claro, mas aprendi a confiar e principalmente a valorizar cada pessoa que está ali, ao lado, no cantinho dos seguidores. Pessoas que me visitam e curtem o que eu escrevo e as vezes, nem curtem tanto, mas que reservam um tempinho de sua rotina pra me ler, pra escrever sobre algo... E os comentários? Um dia li em algum lugar que "um post sem comentários era como se uma pessoa falasse sozinha"... e é verdade né? Adoro receber opiniões, trocar ideias.

E pensar que antes disso tudo acontecer, eu nunca havia seguido um blog e agora leio vários... enfim, não dá pra negar que a vida da gente anda e a gente acompanha, mudando de opinião e quebrando paradigmas.

Também jamais imaginei que com a ajuda do blog, pudesse beneficiar positivamente outras histórias e me emociono muito ao perceber que pelo menos um pouquinho de minha parte eu tenho feito. Isso é bommm... Mas há quem o diga que é muita exposição. E é! FATO. Mas escrever um blog ou ler um blog é como estar em uma roda de conversa, onde você ouve lê, coloca sua opinião, dá um incentivo, um alô, um abraço, faz um convite para uma visita, enfim, é uma troca. Eu exponho sim,  o que está dentro de mim, o que me pertence e que de alguma forma, pertence ao outro que me lê. Meu blog é assim... eu escrevo sobre tudo: Maternidade, culinária, experiências, sentimentos, adoção. Tem de tudo, pra rir e pra chorar!!

Sabe, hoje eu estou com SAUDADE...


Desde que casei e sai de Minas, há oito anos, morei em muitos lugares diferentes, cada um com uma peculiaridade. Em Rio Claro, interior de São Paulo, em Blumenau, Santa Catarina, em Oslo, na Noruega e agora, na Suíça. Sem contar que minha infância foi em Mococa, SP. Bom, dá pra imaginar quantas coisas vividas, quanto aprendizado e quantas coisas sinto falta... Voilà, saudade

  • Dos amigos que passaram por minha vida e deixaram um pouquinho deles, em mim. 
  • Dos lugares lindos por onde andei...
  • Os sabores que experimentei... 
  • Das esquisitices que estranhei...
  • Das pessoas que queria ligar agora e dizer: "vem aqui em casa, eu faço um "bolin" com café e um pão de queijo pra gente papear...
E eu sinto muita falta da família... dos irmãos... dos sobrinhos... Sinto falta de quando a família era "normal", unida. Quando o que importava era apenas estarmos todos juntos.

E tudo muda, o "meu quebra-cabeça" também tomou formas mais complexas. 

Agora, pra me jogar você precisa me entender, respeitar meu ritmo, meu enredo. E ah, ter paciência, pois talvez você não encontre algumas peças... elas podem estar perdidas por aí, até mesmo empoeiradas embaixo de algum móvel pesado demais para removê-lo. Outras, pode ser que nem façam sentido, não combinem com a figura como um todo. Me perdoe, meu jogo é assim mesmo. 

Talvez você não me decifre em uma tentativa de me construir. Pode ser que leve um tempo e talvez, você goste ou não goste da figura final. Se gostar, ótimo!! Mas se não gostar, não desanime, ou meu jogo, ou você, não estavam em um bom dia. E acredite, eu também tenho dificuldade em montar meu próprio quebra-cabeça... 

SAUDADE...

Bisous, "Pandora Super Ego" susurrando no ouvido: "E quem foi que disse que seria fácil?"...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Série co-autores, conte sua história no blog!! Muita Emoção e Aprendizagem na história de hoje...

Eu havia acabado de colocar os meninos para dormir. 
Fui até a cozinha e o computador "pidoncho" me chamava para a caixa de e-mails. 
Entre uma tarefa e outra, claro, você senta, levanta, arruma uma coisa e outra, volta e de repente, eu estava ali, paradinha... Meu marido perguntou:

_Ju? Tá tudo bem? 

_ Sim... Respondi com as lágrimas começando então a rolar...

_Ju? Aconteceu alguma coisa? Insistiu o maridão.

E então eu respondi:


_Aconteceu sim... Eu recebi uma história linda!!


Na Série Co-autores de hoje... Fê Lopes


Olá Juliana!

Você não me conhece, mas acabei de descobrir seu blog pelo Minha Mãe Que Disse. Enviei um email para as meninas perguntando se haviam textos sobre adoção e daí li o seu, e cheguei no seu blog!! =)

Que encontro feliz, foi o que eu pensei agora!!

Não, eu não sou mãe ainda! Na verdade descobri o MMqD porque sou fotografa e fotografo crianças e famílias, daí sempre pesquiso coisas relacionadas com o meu trabalho.

Mas não foi por isso que eu pedi indicação de textos de adoção para as meninas do MMqD, NE?! É que eu sou filha adotiva. E isso é ao mesmo tempo uma novidade enorme, e só uma confirmação do que eu sempre achei. 

Eu soube tem 1 mês! E imagina, eu tenho 29 anos! Só soube porque fiz muita pressão pra saber, e mesmo assim, o único modo que meus pais conseguiram me contar foi escrevendo a minha história.

Apesar de hj ser fotografa, sou formada em psicologia e atuei 7 anos na área. Acho que isso que me ajudou a entender que há 30 anos o conhecimento que a gente tem hoje sobre desenvolvimento infantil, psicologia, adoção, era muito diferente. A ideia de que é importante contar para a criança é algo muito recente. Eu li a historia da Renata lá no MMqD - que é adotada - e pensei que ela é um caso raro. Conheço algumas pessoas da minha idade que tem histórias de conhecidos bem semelhante a minha. Gente que não sabe, e que talvez nunca saberá...

Eu sempre desconfiei. Não porque meus pais me tratassem diferente, nada disso. Pelo contrario, fui mto amada, mimada...mas porque eu não conseguia encontrar alguém com quem eu me parecesse fisicamente. Sou morena, tenho cabelos cacheados e meus pais são bem claros, e de cabelos lisos. Pra completar a desconfiança, quando eu tinha 09 anos meus pais conseguiram engravidar naturalmente, e minha irmã é muito parecida com a minha mãe. 

Realmente a diferença física dentro do contexto de não saber a verdade foi uma barra. Porque eu ficava pensando, "poxa, eu devo ser louca de achar que eu não sou filha dos meus pais. Que coisa mais horrível pensar isso da minha mãe! Ela vai ficar arrasada se souber q eu imagino que ela não seja a minha mãe."

E eu tenho certeza que ter me tornado fotógrafa tem tudo a ver com essa questão com o visual... mesmo que saber da adoção seja bem posterior a minha profissionalização na fotografia. Pq tudo começou comigo perseguindo anos uma foto da minha mãe grávida! Passei anos olhando cada detalhe no espelho procurando por alguma semelhança, qualquer que fosse. Acho até que ser fotografa foi um jeito bacana de sublimar essa minha questão com o visual! 

Mtos anos de analise, e eu fui construindo a ideia que a historia era minha, que eu não era maluca, rs... e que pra mim era importante que eu soubesse seja lá o que fosse pra saber. Mas e a coragem pra fazer a pergunta? Quando a gente é criança é tão mais fácil. Perguntar sobre isso é muito difícil, e penso que é muito acolhedor que a conversa parta dos adultos, dos pais, nessa hora. Como perguntar é difícil até hoje, consegui escrever sobre isso pros meus e dai eles me responderam! 

Mas isso demorou.  Sondei muito o assunto a vida toda, perguntando porque eu não tinha mamado no peito, porque minha mãe parecia tão magrinha nas fotos logo que eu nasci, porquês e porquês... mas ir direto ao ponto e perguntar, olha só, eu sou adotada? Isso demorou. Quando enfim eu cheguei no meu limite e consegui escrever sobre isso pros meus pais, meu pai contou uma historia que me parece ser comum pra época - até me pareceu a da Renata*! Quando as adoções eram feitas meio que no quintal de casa! rs...
  
Eu não culpo meus pais por não terem me contado, sabe?! Não me rebelei, não teve nada a ver com isso. Ainda estou elaborando, lógico. E espero que um dia a gente consiga conversar sobre isso com naturalidade. No momento eu sei que ainda não dá nem pra mim, sentar ali e conversar, porque não sei nem o que conversar!! 

Sinto não ter podido, como seus filhos podem, "brincar/elaborar" a própria historia quando eu era criança. Mas acho que pros meus pais, além de terem as dificuldades deles com o assunto, deve ser mto difícil pensar que um dia alguém não me quis, e o quanto essa informação poderia me fazer sofrer. Bom, é triste mesmo vc pensar nisso, não dá pra negar. Mesmo sendo formada em psicologia, tendo experiência com crianças de abrigo, quando acontece na sua pele não existe explicação que dê conta de justificar e trocar o ela não quis, por ela não pôde. É clichê, mas acho que é isso, ninguém que não passou por isso vai conseguir alcançar a dimensão dessa tristeza, que nada tem a ver com o feliz acolhimento e encontro com famílias bacanas e que nos querem e nos tratam com muito amor. O abandono é uma marca que vc carrega, como tantas outras legais ou tristes que vc tem e que fazem você ser você. Pode ser mais pesada pra uns, menos pra outras. Quando eu digo que é uma tristeza não é no sentido de ser deprimente, melancólico, é de ser triste mesmo. A tristeza num estado mais bruto, eu acho.

Mas é como o vendedor de livros disse pra vc, é a historia da gente, ne? Pertence a gente então. E faz parte da gente poder cuidar dela, dar um destino a ela dentro da gente. E isso que eu tenho tentado fazer, com calma, cuidando dela com carinho aqui dentro.

Se eu vou procurar minha família biológica? Não sei ainda. Por hora eu fico pensando se eu quero conhecer alguém que não quis me conhecer. (ok, que não pôde, rs...). Isso é o que tenho pensando hoje. Mas também não estou com pressa. Como eu disse, estou cuidando dos desdobramentos disso dentro de mim devagarinho, que é muita coisa pra uma pessoa só dar conta de uma vez, ne!?

Depois que te escrevi, conversei com a minha avó sobre o assunto. Ela me contou mais umas coisinhas, e me disse que todos da família vieram me conhecer assim que eu cheguei! Que foi a maior festa! Fiquei muito feliz em saber disso.


Bom, já falei demais!!!!

Fiquei bem feliz de achar seu blog, vou acompanhar com certeza!!!! Achei admirável a maneira como vc trata do assunto no blog e com seus filhos! =)

Beijos
Fê Lopes 

E eu Fê, posso dizer que foi realmente um encontro mais que feliz. Obrigada por dividir sua história de vida e suas descobertas comigo e com os leitores do Contos de uma Mãe Pandora.

                                           OBRIGADA!!


A Fê Lopes faz um trabalho lindo, personalizado e intenso em suas fotografias. Para conhecer mais um pouquinho, você pode acessar a fan page dela lá no Facebook.

Vamos lá dar uma olhadinha e virar fã?  http://www.facebook.com/FeLopesAtelie 

* A Renata mencionada no texto da Fê Lopes é uma super querida do mon coeur e é também a autora do blog Vieste.

Bisous, Juliana

segunda-feira, 12 de março de 2012

Adoção de irmãos

Semana passada foi a semana dos irmãos no Mamatraca e eu fiquei pensando muito no assunto. Como eu vejo esta questão sob uma perspectiva um pouco diferente, quero dividir com vocês a experiência em adotar dois irmãos de uma só vez. Quer saber como foi esta escolha? Foi uma escolha?

Então senta que lá vem conto...

Era mais um dia de trabalho na escola em Oslo, na Noruega. De repente olhei meu celular e era um número do Brasil e qual foi minha surpresa ao retornar a ligação?

Era um Oficial de Justiça, que havia ligado para nos informar que estávamos de volta no Cadastro Nacional de Adoção, o qual havíamos sido retirados pelo período de um ano por morarmos fora do território nacional.

Foi uma festa!! Era como se tivesse pego o resultado POSITIVO de um teste de gravidez! As pessoas no meu trabalho me olhavam e chegaram a pensar que eu estava pulando por ter conseguido "meu (minha) filho (a), rsrs. Na verdade era um caminho para.

Então, liguei para a família, dei a notícia e apesar de sabermos o quanto a fila demora e o quanto os pais que pretendem a adoção precisam ter paciência, minha alegria era por ter de volta a esperança de um dia ser mãe. Me lembro da cena... da roupa que estava vestindo, tudinho.

***

E sabe aquela história, "Por trás de um grande homem, há uma grande mulher"? Pois bem, no meu caso eu poderia dizer "Por trás de uma irmã mais nova, há sempre uma irmã leoa". Minha irmã, começou incansavelmente uma "busca" por meus futuros filhos.

Enquanto eu morava na Noruega, ela visitou abrigos diversos no Brasil, percorreu por vários deles e em várias cidades e sempre me ligava para contar cada passo, cada frustração e cada esperança.

Um dia, eu já em casa após o trabalho, tive uma sensação estranha, uma espécie de euforia que ardia o peito e eu não sabia o que estava acontecendo. Liguei preocupada para o marido e ele estava bem, fiz um lanche e resolvi ligar para o Brasil, para saber se tudo corria bem com a família já que meu coração estava inquieto.

Liguei para a casa de minha mãe e ninguém atendeu.

Liguei para a casa de minha tia e nada...

E foi então que resolvi ligar no celular de minha irmã e quem foi que atendeu? Minha tia, que a acompanhava por mais uma destas buscas e Páh!! Descobri o motivo de tamanha euforia em meu peito: Minha irmã e minha tia, após uma viagem a outra cidade, voltavam de carro e por este motivo a transmissão do celular caia a todo momento. Eu só conseguia ouvir assim:


_Oi Ju##### ...nte achou... ### Você tá....ndo? ## Ju... Seus Iho.....##.... Minha tia tentava dizer.

Bom, eu que já estava inquieta fiquei desesperada. No final só entendi que era para eu entrar no Skype mais tarde.

***

Incansáveis horas se passaram...

Minha ansiedade era grande, mas eu não entendia o motivo, mas sentia...

***

Mais tarde, quando o Skype tocou, eu vi minha tia e minha irmã, quase tendo um "treco"na tela. Elas estavam eufóricas, alegres e me contavam com grande alegria que haviam encontrado nossos filhos.


PAUSA PARA UMA BREVE EXPLICAÇÃO:


"A palavra filhos para uma mulher considerada infértil e/ou com dificuldades para engravidar, é bálsamo para os ouvidos. Agora imagine esta mesma mulher vendo nos olhos da irmã e da tia que seu sonho poderia se concretizar e agora tente tirar esta esperança do coração desta mulher..."

Era bom demais!!!  Mas havia um detalhe que eu ainda não havia entendido e quando fui perguntar, o maridão abre a porta da casa e houve tudo perplexo.

_Mas Isabela (nome lindo da minha irmã), você falou dois? Como assim? São dois???? Perguntei.

Meu marido logo solta um NÃO bem entonado.


_Dois não Ju!! Não. Disse ele.


Ok, eu entendi. Minha primeira reação também foi de estranhamento, afinal, preenchemos a ficha no cadastro juntos e esta não era uma opção que havíamos pensado. Como a maioria dos casais inscritos, pretendíamos adotar uma criança de até dois anos de idade.

Mas quem disse que a gente vira mãe no padrão? Meu desejo em ser mãe transpôs estes detalhes.  Apesar de estranhar o fato de serem crianças que já falavam, o fato de serem dois, eles eram irmãos biológicos. A história havia me tocado profundamente e eu já não podia mais virar a página e seguir adiante. Sem saber, a busca de minha irmã terminava ali...

E como já foi relatado aqui no blog toda nossa saga até chegar a eles, optamos sim, pelos irmãos, o que confesso que tornou a adaptação bem mais fácil. Explico mais em outros textos do blog...

Um apoiou o outro desde o início. Mesmo inseguros com a nova vida que iniciamos juntos há quase dois anos, foi uma união de sentimentos, onde contávamos uns com os outros mutualmente e até o momento em que eles nos adotaram como pais, um pôde contar com a presença do outro.

Sem dúvida, a opção pelos irmãos foi a mais certa com certeza para a vida deles e por outro lado, para a nossa também.

E ah!! Obrigada pela força na questão escolar!! Já tenho boas novas, aguardem um pouquinho que venho contar tudinho, ok?

Bisous, Mãe Pandora que tira da Caixa mais um conto dos Irmãos Grimm, ooops, digo dos irmãos "Tom e Jobim", ehehe.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Rapidinhas-bilinguismo

Eu, Tom e Jobim tomando café da manhã hoje... Maridão, está esta semana a trabalho fora daqui. É por isso que ela chora gente... repara não.

Enquanto comíamos, Tom e eu engatamos no papo:

_Mamãe (quem conhece Tom sabe a forma como ele fala mamãe, ele enche a boca, sabe?), eu estou falando tanto francês que vou esquecer o português, não é mesmo? Disse ele.

_Ah, filho, mas o português é a nossa língua e é importante que a gente fale em casa pra não esquecer. Já pensou quando formos para o Brasil? Como você vai falar com seus primos, seus avós, seus tios... 

_É, eu não posso esquecer, pois eles não falam francês, né, mamãe? 

_É sim, meu filho. E você não precisa falar uma e esquecer a outra, você vai falar duas línguas!! 

_É!!! E você e o papai falam inglês também, né? 

_Isso, e a gente não precisou apagar o português, então, agora que estamos aprendendo o francês, são três línguas!!

NIQUI EU OLHO... 

 Jobim, está com a mão dentro da boca, puxando a língua pra fora e com carinha de ingógnita e vesgo olhando a própria língua, diz:

_Mas eu não tenho três línguas, eu tenho uma só.

Ahhh, como não amar umas "codhiquitas" destas gente?

quinta-feira, 8 de março de 2012

Teste da violência obstétrica-Dia Internacional da Mulher- Blogagem Coletiva

O Dia Internacional da Mulher não deve ser apenas associado a flores e corações. Claro que merecemos um agrado e gentileza das pessoas, mas somos guerreiras, tivemos e temos que batalhar muito por nosso espaço, por condições igualitárias de trabalho e salário e conseguimos conciliar TUDO juntoaomesmotempo o que não é tarefa para qualquer um.

Hoje, na Blogagem Coletiva do Dia Internacional da Mulher, tem mais uma destas batalhas... A iniciativa partiu de alguns blogs (citados no banner abaixo) e o resultado pode ser de extrema relevância para uma melhoria neste aspecto. Você, mulher, mãe, que puder ajudar na pesquisa, participe do teste.


Para fazer o teste, clique aqui. Conto com sua participação!!

Tem que ser muito "macho" pra ser mulher hoje em dia...

Hoje é Dia da Mulher e dia da faxina aqui em casa. Levantei, coloquei aquela indumentária básica, amarrei os cabelos, coloquei o casacão por cima da roupa e a bota de chuva para levar o meninos na escola.

Pensei. Será Pa Pum, tipo bate e volta, pois lembra da minha rotina aqui na Suíça? Uma loucura, então, tenho que correr com tudo sempre e me planejar direitinho pra tudo sair dentro dos conformes...

Chuva. Ok, pegamos o guarda chuva e lembramos da porta da escola.

Caos. Sim, como no Brasil, aqui também tem trânsito e caos quando chove.

Chego láaaa na escola no topo da montanha encantada, uma cena de filme dos anos 30 e de repente, eu viro "a bola da vez".

ESTRELANDO: NO BOLA DA VEZ, JULIANA, A CHORONA.

Então, eis que não existindo uma vaguinha se quer para eu parar o carro (eu, que sempre sou a "caxias" que procura fazer tudo milimetricamente correto e vejo as outras mães aprontando mil e uma bagunça na porta da escola) vou e paro na linha onde você pode somente deixar os filhos e seguir com o carro.

Bom, eu e mais dez pais paramos, pois a linha é enorme, mas eu era a primeira da fila.

O policial, que esqueceu de levar a gentileza no bolso, disse que eu teria que retirar imediatamente meu carro daquele local. Eu, olhei ao redor e disse, mas então o senhor poderia me dizer onde eu posso parar meu carro?

E ele respondeu: (em francês, lembra?)
_Madame, isso é um problema seu e não meu. Da próxima vez, deixe o carro em casa, mas aqui, você não pode parar.

Neste interim nós três estávamos encharcados, eu preocupada com a gripe, dei um beijo em Tom que já consegue ir sozinho para a escola (do lado), coloquei Jobim de volta no carro, e fui dar a volta no quarteirão, pra ver se uma alma caridosa retirava sua linda "voiture" pra eu entrar com a minha.

Voltei. Nada...

Parei o carro ao lado do gentil policial e mais uma vez perguntei (mas desta vez com os olhos esbugalhados pela choradinha que dei dentro do carro enquanto dava a volta no quarteirão).

_O senhor poderia me dar uma solução? Onde eu posso parar meu carro agora?

Gente, que raiva. Ele deu de ombros e disse a pior palavra que se pode escutar em francês:

-Desolé...

Quem concorda levanta a mão!! Desolé significa "sinto muito" , mas é irritante escutar isto minha gente, tô braba...

Arghhhhhh!! Mas deixe-me explicar. Este desabafo é só pra explicar que quando fico braba, eu choro, sim, copiosamente. E foi isto o que fiz. Após a grosseria do policial, em um dia de chuva, com roupa de faxina e tempo livre nenhum, eu sentei na "voiture"(carro) e choooooooreeeeeeeeeeeiiiiiiiii,

E viva o Dia Internacional da Mulher!!! Valeu policial!! Foi uma ótima maneira de receber flores neste dia..

Fui.... fazer a faxina.

Bisous, Pandora desolada

quarta-feira, 7 de março de 2012

Série co-autores, conte sua história no blog!! E hoje a história é da...

Esta semana, na Série co-autores, tem um texto genial que a Lavínia escreveu no blog dela e gentilmente me enviou quando eu fiz a chamada dos co-autores. E olha, com um texto tão bem escrito e profundo como este, posso dizer que me senti honrada em compartilha-lo aqui, na minha "caixa de pandora".

E a Lavínia não tem só o nome bonito não, ehehe, o blog dela é fofo só de olhar e ela é mineirinha uai, assim como eu...

Leia a analogia feita por ela,  que além de um olhar profissional, foi muito além de apenas assistir um filme infantil com os filhos. Vale a pena a leitura e a reflexão!
Juliana...

Meu nome é Lavínia e conheci seu blog através de um comentário seu no MMqD!!! Adorei... Sou psicóloga (desertora) parei de trabalhar quando meu filho mais velho nasceu em julho de 2008!!!
Envio pra vc em texto que escrevi em novembro: O Ganso é show de Bola... Veja o que vc acha!!! Beijão e "apertões" no Lucas e no Gabriel!!!!






"Ao contrário do que dei a entender este não é um post futebolístico.  Não foi proposital, eu juro. Há meses eu esperava sair em dvd o filme Kung Fu Panda 2. Assisti no cinema com o Murilo e adorei.

Eu, cinéfila, ou ex-cinéfila, perdi a paciência com outro tipo de filme que não seja animação.  Ficar duas horas sentada, prestando atenção em uma única coisa, me exaspera, sinto uma vontade louca de sair correndo feito Forrest Gump.

A gente desacostuma de ver cenas em sequência durante 5 minutos.
Filmes infantis são deliciosos, a gente escuta o mesmo diálogo 80 vezes e sempre descobre uma expressão nova, porque o tempo todo precisa levantar e ir pegar mais pipoca, trocar a fralda do caçula, limpar o nariz do mais velho, apartar algumas brigas, ir procurar o Mcqueen molhado, buscar suco de uva, atender ao telefone, trocar a capa da almofada que ficou roxa com o suco que caiu, procurar de novo o Mcqueen molhado, dissuadir os meninos da ideia de chupar pirulito, não conseguindo é necessário convencer os molequinhos melados a entrarem no banho, explicando pela milésima vez que o dvd e a televisão não podem entrar junto, travar uma batalha para tirar os Cielos da banheira (eles acreditam que podem nadar crawl nela), e voltar a tempo de ver o Sullivan descobrindo que a risada da Bu é extremamente poderosa. Assistir filme é uma aventura agitadíssima.

Mas o Kung Fu Panda 2 eu consegui ver com calma. Desde o primeiro filme, senti uma simpatia imensa pelo pai do Po, o Ganso. Sua simplicidade, sua ideia de rebeldia e audácia almejando trocar a fabricação de macarrão por tofu e o carinho com que cuidava do filho eram tocantes.

Ainda no primeiro filme, Po, um urso panda, escolhido para ser o grande guerreiro, sabe que tem algo para ser dito e espera que o pai lhe revele um grande segredo. O segredo óbvio era indizível. O Ganso não notava mais a diferença colossal que havia entre eles.

O segundo filme se desenrola sobre a questão aflitiva de muitos: De onde eu vim? Po ainda notava as diferenças gritantes com o pai e precisava buscar “a sua paz interior”. O indizível para o pai era inquietação para o filho.

Desde pequena me incomodava a fala de uma moça que trabalhava para minha avó. Ela afirmava, categórica, que mãe de verdade era quem sentia a dor do parto. Lembro-me de ter ouvido isso pela primeira vez com uns oito anos e discordei inteiramente. Discordava e achava muito, muito feio ela dizer aquilo.

Feio e reducionista, mas essa palavra eu não conhecia àquela altura. Eu já conseguia formular a teoria de que "mãe é quem cria", já sabia que a maternidade não podia ser reduzida a um único evento, por mais traumático que ele fosse.

Na faculdade optei por um núcleo de estágio em Adoção. Fazia um link com psicologia jurídica e uma das minhas paixões sempre foi o mundo advocatício. Os termos, as pompas, a toga eram fascinantes para mim. Descobri juízes e promotores incríveis mas constatei, dolorosamente, que a justiça falha,  principalmente com quem mais precisa. No entanto deparei-me com histórias de maternidade/filiação emocionantes.

Em um determinado atendimento, um filho me contou da estranheza com que ouvia algumas pessoas dizendo que sua mãe não era mãe de verdade porque não lhe dera a luz. Quando ele me disse: “como dizer que ela não me deu a luz se me sinto iluminado por ela ter entrado na minha vida?...” meus olhos marejaram e fiquei com vergonha de me emocionar na frente de um dos meus primeiros pacientes. Achei que era falta de experiência e que depois de alguns anos conseguiria ouvir qualquer coisa sem transparecer consternação. Dez anos e quinhentos pacientes mais tarde a sensação ainda é a mesma: maravilhamento. Não é maravilhoso sentir luz incidindo sobre a gente, principalmente quando essa luz vem dos olhos de quem nos ama?

Gerar, parir, amamentar não faz de ninguém mais mãe. É lindo o slogan da Johnson & Johnson: quando nasce um bebê nasce também uma mãe. Lindo, mas não é bem assim. E o que acontece com mães que decidem doar seus filhos, são pessoas sem coração? E as mulheres que, por um incontrolável tsumani de hormônios, desenvolvem depressão pós-parto? Falharam em não ter, simplesmente, um aplicativo baixado? O fato é que ser mãe é divino, transcendental e difícil pra burro. Umas mulheres optam por não criar os filhos que geraram. Outras mulheres superlativizam os medos, angústias e inseguranças, que qualquer pessoa de juízo tem, quando se vêem segurando pela primeira vez um serzinho nos braços. Cada mulher desenvolve sua maternidade à sua própria maneira, copiando a mãe, tentando não repetir os absurdos da mãe, ou da sogra, lendo livros, revistas, assistindo Discovery Home & Healty, contratando uma super nanny... Cada mulher terá a sua maneira especial, por vezes genial, outras vezes equivocada de se colocar no mundo como mãe. Isso também é aprendido. Não é meramente biológico, não acontece imediatamente ao parto.

Lembro-me de uma cena de “Friends”, famosíssimo sitcom americano, na qual Chandler e Mônica decidem adotar uma criança e por um erro da agência suas fichas são trocadas e a mãe que estava disposta a entregar o filho a um médico e a uma reverenda, descobre que eles, além de não serem o que ela esperava, mentiram. A moça desiste de escolhê-los e Chandler tenta convencê-la dizendo que eles queriam muito um bebê e que ele saberia ser um bom pai quando chegasse a hora, mas que ela, a Mônica, já era mãe, uma ótima mãe, porém, sem um filho. Uma gestação a termo leva 40 semanas, há mães esperando seus filhos há anos. Não tem como dizer que essas mulheres não serão mães de verdade.

Nem sempre a relação entre mãe e filho é mágica, instantânea. Nem sempre é amorosa. No caso do Po, sua mãe biológica o amava muito e o deixou para salvar-lhe a vida. O Ganso aprendeu a amá-lo na medida em que o criava. E é assim mesmo. Quando a gente acha que já ama demais descobre que sempre pode amar mais um pouquinho. Parece impossível (porque já é desmedido), mas amor de mãe cresce... a cada cuidado, a cada afago, a cada carinho.
Foi assim com o Ganso e o Po. Trocando afeto puderam se reconhecer pelo que eram...

Um ganso e um urso panda.  Pai e filho.

Eu acho isso Super Show de Bola..." Lavínia Costa Monteiro
Obrigada Lavínia, por ter colaborado com a "Série co-autores" com tanto carinho e propriedade! Valeu!!

Bisous, Pandora que compartilha