Pular para o conteúdo principal

Adoção de irmãos

Semana passada foi a semana dos irmãos no Mamatraca e eu fiquei pensando muito no assunto. Como eu vejo esta questão sob uma perspectiva um pouco diferente, quero dividir com vocês a experiência em adotar dois irmãos de uma só vez. Quer saber como foi esta escolha? Foi uma escolha?

Então senta que lá vem conto...

Era mais um dia de trabalho na escola em Oslo, na Noruega. De repente olhei meu celular e era um número do Brasil e qual foi minha surpresa ao retornar a ligação?

Era um Oficial de Justiça, que havia ligado para nos informar que estávamos de volta no Cadastro Nacional de Adoção, o qual havíamos sido retirados pelo período de um ano por morarmos fora do território nacional.

Foi uma festa!! Era como se tivesse pego o resultado POSITIVO de um teste de gravidez! As pessoas no meu trabalho me olhavam e chegaram a pensar que eu estava pulando por ter conseguido "meu (minha) filho (a), rsrs. Na verdade era um caminho para.

Então, liguei para a família, dei a notícia e apesar de sabermos o quanto a fila demora e o quanto os pais que pretendem a adoção precisam ter paciência, minha alegria era por ter de volta a esperança de um dia ser mãe. Me lembro da cena... da roupa que estava vestindo, tudinho.

***

E sabe aquela história, "Por trás de um grande homem, há uma grande mulher"? Pois bem, no meu caso eu poderia dizer "Por trás de uma irmã mais nova, há sempre uma irmã leoa". Minha irmã, começou incansavelmente uma "busca" por meus futuros filhos.

Enquanto eu morava na Noruega, ela visitou abrigos diversos no Brasil, percorreu por vários deles e em várias cidades e sempre me ligava para contar cada passo, cada frustração e cada esperança.

Um dia, eu já em casa após o trabalho, tive uma sensação estranha, uma espécie de euforia que ardia o peito e eu não sabia o que estava acontecendo. Liguei preocupada para o marido e ele estava bem, fiz um lanche e resolvi ligar para o Brasil, para saber se tudo corria bem com a família já que meu coração estava inquieto.

Liguei para a casa de minha mãe e ninguém atendeu.

Liguei para a casa de minha tia e nada...

E foi então que resolvi ligar no celular de minha irmã e quem foi que atendeu? Minha tia, que a acompanhava por mais uma destas buscas e Páh!! Descobri o motivo de tamanha euforia em meu peito: Minha irmã e minha tia, após uma viagem a outra cidade, voltavam de carro e por este motivo a transmissão do celular caia a todo momento. Eu só conseguia ouvir assim:


_Oi Ju##### ...nte achou... ### Você tá....ndo? ## Ju... Seus Iho.....##.... Minha tia tentava dizer.

Bom, eu que já estava inquieta fiquei desesperada. No final só entendi que era para eu entrar no Skype mais tarde.

***

Incansáveis horas se passaram...

Minha ansiedade era grande, mas eu não entendia o motivo, mas sentia...

***

Mais tarde, quando o Skype tocou, eu vi minha tia e minha irmã, quase tendo um "treco"na tela. Elas estavam eufóricas, alegres e me contavam com grande alegria que haviam encontrado nossos filhos.


PAUSA PARA UMA BREVE EXPLICAÇÃO:


"A palavra filhos para uma mulher considerada infértil e/ou com dificuldades para engravidar, é bálsamo para os ouvidos. Agora imagine esta mesma mulher vendo nos olhos da irmã e da tia que seu sonho poderia se concretizar e agora tente tirar esta esperança do coração desta mulher..."

Era bom demais!!!  Mas havia um detalhe que eu ainda não havia entendido e quando fui perguntar, o maridão abre a porta da casa e houve tudo perplexo.

_Mas Isabela (nome lindo da minha irmã), você falou dois? Como assim? São dois???? Perguntei.

Meu marido logo solta um NÃO bem entonado.


_Dois não Ju!! Não. Disse ele.


Ok, eu entendi. Minha primeira reação também foi de estranhamento, afinal, preenchemos a ficha no cadastro juntos e esta não era uma opção que havíamos pensado. Como a maioria dos casais inscritos, pretendíamos adotar uma criança de até dois anos de idade.

Mas quem disse que a gente vira mãe no padrão? Meu desejo em ser mãe transpôs estes detalhes.  Apesar de estranhar o fato de serem crianças que já falavam, o fato de serem dois, eles eram irmãos biológicos. A história havia me tocado profundamente e eu já não podia mais virar a página e seguir adiante. Sem saber, a busca de minha irmã terminava ali...

E como já foi relatado aqui no blog toda nossa saga até chegar a eles, optamos sim, pelos irmãos, o que confesso que tornou a adaptação bem mais fácil. Explico mais em outros textos do blog...

Um apoiou o outro desde o início. Mesmo inseguros com a nova vida que iniciamos juntos há quase dois anos, foi uma união de sentimentos, onde contávamos uns com os outros mutualmente e até o momento em que eles nos adotaram como pais, um pôde contar com a presença do outro.

Sem dúvida, a opção pelos irmãos foi a mais certa com certeza para a vida deles e por outro lado, para a nossa também.

E ah!! Obrigada pela força na questão escolar!! Já tenho boas novas, aguardem um pouquinho que venho contar tudinho, ok?

Bisous, Mãe Pandora que tira da Caixa mais um conto dos Irmãos Grimm, ooops, digo dos irmãos "Tom e Jobim", ehehe.

Comentários

  1. Nossa... que lindo! Primeira vez que visito o seu blog e me deparo com um post emocionante desses...
    Parabéns pela iniciativa... Parabéns pela coragem!

    Vou dar mais umas espiadinhas por aqui! =]

    Fiz um blog a pouquissimo tempo...

    minhamaternidade.blogspot.com

    Bjos

    ResponderExcluir
  2. Ju, me lembro exatamente dessa sua emocao!
    Que bom que td deu certo, ops...estah dando certo! La vem aquela frase cliche: Vc mereccem! Mais o pior q eh verdade!!! Hehe. BJos.
    Daniela Søvik

    ResponderExcluir
  3. Dani , querida Dani, vocês participaram comigo de cada detalhe, cada angústia e depois, da nossa alegria!!
    Te agradeço por toda a ajuda e apoio nesta etapa!
    Beijo grande, Ju

    ResponderExcluir
  4. Sempre me arrepio ao ler os contos da adoção dos meninos!

    Acabo de passar por um aborto, e como muitas mulheres tenho medo de nunca conseguir ter filhos.

    Meu marido me consolou dizendo que se não der tudo bem, adotamos.

    Imediatamente lembrei do teu case de sucesso!

    ResponderExcluir
  5. Que felicidade!!!! Que história especial, parabéns!!!
    Muitos beijos

    ResponderExcluir
  6. Que história linda! Fiquei emocionada e acho que fez o melhor. Também sou super a favor... Minha cunhada adotou três crianças e é uma mãe realizada e muito, mas muito feliz.
    Amei saber um pouquinho mais da sua vida, dos seus filhos. Que bacana!
    Um grande beijo.

    ResponderExcluir
  7. Toda vez que venho aqui vc me faz chorar!!
    Ainda bem que tudo deu certo, que irmã maravilhosa heim!!! Estava escrito que o Lucas e o Gabriel seriam seus filhos, parece que nasceram destinados a vcs!! Beijos nessa família linda!

    ResponderExcluir
  8. Quando é pra é pra ser e não tem jeito, eu tenho 3 filhos, que eu gerei, mais confesso que tenho muita vontade de adotar e assim , irmãos, pois acredito que seja mais dificil para eles serem adotados, e acho que seria maldade separar, linda a sua história, que Deus continue abençoando a sua familia.
    Bjks

    ResponderExcluir
  9. LINDOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!

    EmocioneiSI!

    Cada foto que vejo deles me arrepia de um tanto.... adoro!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  10. Ai D. Pandora que me faz chorar, mto linda sua história... Bjos a vcs todos :*

    Patricia http://filhodamaeedopaitbm.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  11. Ai D. Pandora que me faz chorar, mto linda sua história... Bjos a vcs todos :*

    Patricia http://filhodamaeedopaitbm.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  12. Como gosto de passar por aqui e saber um pouco mais dessa sua história de vida...linda e emocionante!

    Bj

    ResponderExcluir
  13. Como gosto de passar por aqui e saber um pouco mais dessa sua história de vida...linda e emocionante!

    Bj

    ResponderExcluir
  14. Ju,
    Linda sua história!!!
    Parabéns e que Deus os abençoe sempre!!
    Mas... fiquei com uma dúvida: é possível sair pelos abrigos à procura de crianças??

    É que estou querendo adotar uma criança de uns 4 aninhos...

    Abraços,

    Iliana

    ResponderExcluir
  15. Oi Iliana, obrigada pela visita aqui no blog!
    No meu caso foi, pois estávamos inscritos há anos no Cadastro Nacional de Adoção e fizemos todos os trâmites legais, inclusive fizemos cursos em grupos de apoio à adoção.
    Meu conselho é, se você tem interesse, a primeira coisa é fazer a inscrição no Cadastro Nacional e participar de fóruns e cursos sobre o tema. Isto ajuda muito a entender o processo e te prepara para receber um filho oriundo de uma adoção tardia em casa.
    Espero ter ajudado, ;-)
    Boa sorte!! Um beijo grande, Ju

    ResponderExcluir
  16. Adoro as suas histórias... Adoro... Vi vc no vídeo do MMqD... Curti deveras!!!
    Beijos...

    ResponderExcluir
  17. Oi Ju, tenho lido bastante seu blog.Estou me preparando para uma adoção tardia.Lendo este post, me abri para possibilidade de adotar irmão.Beijos e obrigada.

    ResponderExcluir
  18. Oi Re, que bom!! Pense sim, com carinho! Sou suspeita, mas tudo o que escrevi é muito sincero. Boa sorte!! Beijão, Ju

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Seja bem-vindo(a)! Sente aqui na varanda que eu vou passar o café!

Postagens mais visitadas deste blog

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”.  Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro:    O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “ Quem escolheu este livro filho? ” e ele… “ eu mãe, achei a capa bonitinha” .  O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a le

Lágrimas em letras

Filho do irmão da minha mãe com a irmã do meu pai. Como? Isso mesmo, éramos primo/irmãos. As mesmas avós e avôs, os mesmos tios, as mesmas histórias. Você?  Lindo. Lindo mesmo!!! Wow!! Sempre foi uma criança linda, um menino com um narizinho arrebitado e perfeito que sempre tirava sarro de um teatrinho de Natal que euzinha preparei e claro, te levei junto. Você ria e me lembrava destes micos que pagamos em nossas infâncias. Brincávamos no terreiro de café da casa do "vô"Júlio, tomávamos guaraná Cibel na casa da "vó" Nadéia e quando nos tornamos adolescentes, continuamos juntos. Tantas baladas! Você sempre alegre, carinhoso, arrasava corações e meus ex-namorados sempre sentiam ciúmes do meu primo. E como a gente dançava? Noooooossssaaa, como a gente dançava. Na festa do meu casamento, (que aliás, você deu a maior força para o maridão que está aqui), todos se lembram de como você me tirou pra dançar, mas como não podia roubar a cena do noivo, pegou minha mã

Minha relação com a amamentação.

Este post contém fragmentos de uma história que custei a colocar pra fora... Imagem da web Eu queria ter escrito este texto ainda adolescente, pois desde aquela época o tema amamentação surgiu na primeira terapia que procurei sozinha, na tentativa de tentar entender o incomodo que insistia em aparecer e eu não sabia de onde. Na época, me indicaram um então conceituado profissional e foi então que comecei a fazer parte de um grupo selecto de pessoas que leram o prospecto de um dos livros escritos por ele, antes de ser publicado: "Terapia pela roupa" , do psicólogo Mamede Alcântara. Meu nome está lá, nos agradecimentos :-), é só conferir. Durante um momento da terapia, surgiu no inconsciente um sentimento estranho. Eu sentia uma fome e uma dor muito grande, como uma agonia mesmo. Chorei, tive cólicas, me contorci. Neste momento, ele me pediu para chegar em casa e conversar com minha mãe e saber um pouco mais sobre meu nascimento, meu parto, enfim, meu passado. Minha