terça-feira, 6 de março de 2012

Dilema da escola... Au secours!!!

Au secours!!! Help!!! Socorro!!!

Entrei na fila "dazamiga" e agora chegou a minha vez de desabafar sobre escola.

Todo início de ano é esta loucura. Adaptação, mudanças e aqui na Suíça estamos quase no final de mais um ano letivo, pois as aulas terminam em junho e recomeçam no final de agosto e é justamente nesta época que começam também, o dilema de algumas mães e eu, sou uma delas.

Explico:

Jobim (4a) frequenta uma garderie privada (creche), pois fez quatro anos em agosto e por este motivo, não poderia entrar na escola preparatória (jardim de infância), na escola regular. Tom (5a), faz aniversário em maio, portanto não teve a opção da garderie e foi matriculado diretamente na escola regular.

Temos aí prós e contras:

De um lado, Jobim vai para a Garderie e brinca bastante, canta musiquinhas em francês, se familiariza com a língua de uma maneira leve e prazerosa, sem cobranças exacerbadas e tudo flui de uma maneira legal, sem dramas. O único senão de toda esta maravilha encantada, é que ele convive com outras crianças de idades bem variadas (de 2a a 5a)  o que o leva a imitar falas, "birras", comportamentos dos menores...

Do outro lado, está Tom, que chegou na Suíça e "caiu de paraquedas" dentro de uma sala de aula cheia de regras, que falava uma outra língua e que exigia e exige um comportamento pra lá de suíço em uma criança "full of energy".  Complicado?!?

Então...

Algumas semanas atrás, a psicóloga da escola me convocou para uma conversa. E sabe quando você percebe que a pessoa "pisa em ovos" para falar com você? Senti claramente que algo estava por vir, mas eu já estive do outro lado da mesa como profissional durante muitos anos e entendo como as coisas funcionam, portanto, estava tranquila, mas...

Ela me sugeriu que procurássemos algum psicólogo que falasse português para conversar com Tom. Oi?! Sim, teria que falar português por ser nossa língua materna, e tratar da "psiquê" exige além de volcabulários... Oi?!  





 "Como eu faria pra encontrar alguém aqui na Suíça, que além de ser um profissional sério, competente, ético, bom e  que ainda por cima, falasse português..."





Insônia. Dor de cabeça. 

Ah!! Mas daí veio a festa do meu aniversário e foi ótimo para desopilar o fígado!! Ri muito, chacoalhei o esqueleto e esqueci do assunto por algumas horinhas...

***

Mas depois da folga, a vida segue em frente e nada como uma boa rede de contatos e amigos antenados!! Pimba!! Consegui achar a tal!!

Uma amiga conhecia uma psicóloga em Lausanne, com todos os atributos acima. Marquei uma consulta inicial para que eu e o marido fossemos. Tom foi ontem pela primeira vez e a "mãetorista" agora vai pela estrada afora...

Mas não foi só para isto que fui chamada na escola, não. Teve uma outra sugestão.

As professoras se reuniram com a psicóloga (tipo um conselho de classe) e cogitaram a possibilidade de Tom permanecer mais um ano no "segundo infantil", antes de adentrar na primeira série devido à maturidade.

Claro que em primeira instância você estranha a novidade, mas, eu e meu marido concordamos com a escola. Também achamos que será novamente uma grande exigência a ele se for para a primeira série no ritmo que vemos aqui. A diferença entre o ensino Brasil X Suíça e mesmo com a experiência que tive na Noruega, é gritante. Um dia faço um post sobre o tema aqui.

O nosso dilema não é deixá-lo ir ou não, pois temos a opção  a liberdade de decidir. Mas como conhecemos nosso filho e queremos o melhor pra ele, optamos pela decisão em comum com a escola, ou seja, a mais interessante neste momento. O problema, o dilema e o buraco,  é um pouco mais embaixo...

É que desde que chegamos nesta escola percebemos que uma das professoras colocou uma espécie de "rótulo" em Tom. E isso não é exagero, outras mães nos contaram sobre a exposição que fizeram sobre nosso filho em uma reunião de pais que eu não pude ir (havia acabado de fazer a tal cirurgia) e meu marido estava viajando. Quando isto aconteceu, eu estava recém operada (imagine o caco em pessoa) e então meu marido foi conversar com a professora na escola. Foi uma conversa firme, madura e adulta (coisa que meu marido faz muito bem) e ela envergonhada, pediu desculpas por sua falta de ética, ou seja, em poucas palavras ele deixou claro a ela que se quer se queixar de nosso filho, o faça, mas para as pessoas mais interessadas no assunto: nós, os pais. Outras pessoas não precisam saber e nem poderiam ajudar a resolver um problema que não é delas. Tá??

Bom, a partir deste dia notei uma sutil diferença entre relação professor X aluno, e Tom passou a ser mais respeitado.

O que nos tranquiliza, é que temos feito tudo o que está ao nosso alcance, mas estamos com muito medo de errar nesta escolha agora. Tom é um menino de ouro e se tem algo que eu amo nele é a vontade que ele tem em acertar, por isso, tenho medo de errar neste momento da vida dele. Escola não foi feita pra massacrar, mas para ter prazer pelo aprendizado, pelo conhecimento...

As perguntas que não querem calar são: 
  1. Esta escola é adequada para meu filho?
  2. Ok, ele não precisa necessariamente ir para a primeira série, o que seria melhor, continuar no segundo infantil, mas com outra professora ou permanecer com a mesma, pois ela já o conhece e seria um desafio a menos para ele? 
  3. Mudar de escola implica em mudar de casa, pois aqui na Suíça, como no Brasil, você estuda na escola perto de sua residência. Mudar tudo novamente? 
  4. O que faço gente? Me dêem uma luz!!!
Help, au secours, socorro!!! Me ajudem, please!! 

8 comentários:

  1. Ju, o Gbariel sente alguma diferença por parte da professora??

    Ter uma professora chatinha é ruim, mas ao mesmo tempo,a avaliação de vcs tem que ser baseada no desempenho dele: será que ele nao consegue (e nao vai) surpreender vcs se for para a primeira série e super se adaptar??? Considerando ainda que o irmao está nesse ritmo suíço, isso nao o ajudaria a enfrentar a diferença? Crianças se adaptam muito fácil, quem sabe nao é melhor ele ir pra primeira série?

    Mas essa análise é só de vcs, espero que cheguem à melhor resolução para as suas vidas!

    Beijos grandes!

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  2. Dani, pelo que sinto dele eu acho que não. Ele vai super feliz pra escola, o que é muito bom, né?

    É uma decisão muito difícil... Obrigada querida, pela força!! Beijo

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  3. Oi Juliana! Fofo demais seu blog.
    Agora quanto a esse assunto não posso opinar muito pois não tenho experiência =(. Minha Sophia tem apenas 20 meses e tem ido bem por aqui.
    Mudança atrás de mudança não costuma ser muito bom pras crianças disso eu sei. Tenho uma amiga em Portugal que os filhos reclamam muito qdo mudam de escola. Então acho que legal seria conversar mais com a professora, coordenadora, diretora ou quem quer q seja para ajudar o pequeno...
    Bjos e conte com mais uma mãe solidária.

    http://dani13sophia.blogspot.com

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  4. Oi Dani Castro, concordo!
    Eu também acho que mais uma mudança agora seria péssimo pra eles...
    Um beijo grande e obrigada pela solidariedade ;-) , Ju

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  5. Juliana, também não tenho experiência no assunto pois a minha filha só tem 2 aninhos, mas pelo que leio aqui do Gabriel ele gosta bastante da escola, talvez mudá-lo novamente possa dar efeito contrário ao esperado... quanto a "atrasar" um ano, acho importante ouvir a escola. Às vezes 1 ano a mais pode dar a vivência e a maturidade que seu filho precisa pra se adaptar 100% ao ritmo suíço.
    Decisões difíceis mesmo, mas é importante ouvir seus instintos. Super boa sorte!

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  6. Ai D. Pandora Aflita, vejamos se posso ajudar: primeiro acho que você já está super no caminho certo em procurar ajuda especializada - a psicóloga - e segundo acho que você continua no caminho certo ao conversar mto com seu marido e juntos encontrarem uma solução boa para todos. Quando estou em apuros com alguma questão relativa ao Bruno eu sempre penso que cada mãe sabe o que é melhor para o seu filho, posso não acertar sempre mas faço o meu melhor!! Fica tranquila que vai dar tudo (ainda mais) certo :D Bjos :*

    Patricia http://filhodamaeedopaitbm.blogspot.com/

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  7. Oi Juliana! Tô meio atrasada no comentario, mas desde que passei aqui nesse post quis deixar meu recadinho! Sei como é esse negocio da escola ser determinada pelo endereço, aqui é a mesma coisa. A Sofia ta indo pra escola em setembro e vai para a escola mais proxima, ponto final. Qto ao Gabriel, acho que no teu lugar eu deixaria ele nessa série que ele esta. é uma decisão dificil mas acho que é melhor ele vir o que ja viu do que encarar algo novo sendo que a adaptação esta evoluindo ainda. Enfim, é de se arrancar os cabelos mesmo! Qto à professora acho que cabe uma conversa sincera com ela, tipo "meu filho merece recomeçar bem esta etapa"... porque né, realmente a professora tem que resignificar a relação entre eles senão acaba sendo dificil para os dois! Courage Juliana! Bisous!!!

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  8. Ju, eu não tinha visto este post... to na correria mesmo...
    Bom, pela minha experiencia aqui, vou te dar minha opinião, d'accord?
    Voce sabe que a escola suiça é padrão em todos os bairros, então ela "tem" que ser adequada, rs. Ou melhor, nos adequamos a ela.
    Também acho muito boa a ideia de ele continuar no segundo infantil, como ele é de maio, ainda ta bem novinho pra ir pra primeira serie e vc sabe que quanto mais maturidade melhor pra seguir pras series seguintes, pode ter certeza disso.
    Voce já pensou que ele pode ficar com a mesma professora, mas virão novos amiguinhos? Não deixa de ser um desafio...
    E quanto a professora, voce sabe que pode pedir pra trocar, eu trocaria, mas continua sendo um risco, pois se tratando de professora suiça nunca se sabe o que vem pela frente...
    Tivemos péssima experiencia com a professora do Re nos primeiros 6 meses... ja a do Pedro foi um amor, uma verdadeira mãe, mãe suiça, of course, rs.
    Pedimos pra trocar o Re de professora e de predio, ele conheceu uma classe inteira de novos amigos e teve que fazer amizades novamente... mas demos sorte com a professora, ela foi bem melhor que a primeira. Ja as professoras seguintes, foram 3... ça va... não exatamente o que eu esperava, mas aprendemos a lidar, nós amadurecemos e entramos no esquema...
    Aqui em casa segue a regra: fazemos de tudo para que os meninos fiquem bem, mas não admitimos qualquer interferência que não seja profissional na vida deles.
    Qualquer que sejam os comentários vindos da escola ou do futebol, interferem demais na nossa cultura e se não gostamos, ou não concordamos, explicamos pros meninos à nossa maneira em casa e como eles tem que se comportar na escola, ja que não podemos dir contra o sistema todo. Tem dado certo. E agradecemos tambem, todas as coisas boas que a escola e o sistema nos oferece.
    Clareou? Bjs. Monica

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