quarta-feira, 7 de março de 2012

Série co-autores, conte sua história no blog!! E hoje a história é da...

Esta semana, na Série co-autores, tem um texto genial que a Lavínia escreveu no blog dela e gentilmente me enviou quando eu fiz a chamada dos co-autores. E olha, com um texto tão bem escrito e profundo como este, posso dizer que me senti honrada em compartilha-lo aqui, na minha "caixa de pandora".

E a Lavínia não tem só o nome bonito não, ehehe, o blog dela é fofo só de olhar e ela é mineirinha uai, assim como eu...

Leia a analogia feita por ela,  que além de um olhar profissional, foi muito além de apenas assistir um filme infantil com os filhos. Vale a pena a leitura e a reflexão!
Juliana...

Meu nome é Lavínia e conheci seu blog através de um comentário seu no MMqD!!! Adorei... Sou psicóloga (desertora) parei de trabalhar quando meu filho mais velho nasceu em julho de 2008!!!
Envio pra vc em texto que escrevi em novembro: O Ganso é show de Bola... Veja o que vc acha!!! Beijão e "apertões" no Lucas e no Gabriel!!!!






"Ao contrário do que dei a entender este não é um post futebolístico.  Não foi proposital, eu juro. Há meses eu esperava sair em dvd o filme Kung Fu Panda 2. Assisti no cinema com o Murilo e adorei.

Eu, cinéfila, ou ex-cinéfila, perdi a paciência com outro tipo de filme que não seja animação.  Ficar duas horas sentada, prestando atenção em uma única coisa, me exaspera, sinto uma vontade louca de sair correndo feito Forrest Gump.

A gente desacostuma de ver cenas em sequência durante 5 minutos.
Filmes infantis são deliciosos, a gente escuta o mesmo diálogo 80 vezes e sempre descobre uma expressão nova, porque o tempo todo precisa levantar e ir pegar mais pipoca, trocar a fralda do caçula, limpar o nariz do mais velho, apartar algumas brigas, ir procurar o Mcqueen molhado, buscar suco de uva, atender ao telefone, trocar a capa da almofada que ficou roxa com o suco que caiu, procurar de novo o Mcqueen molhado, dissuadir os meninos da ideia de chupar pirulito, não conseguindo é necessário convencer os molequinhos melados a entrarem no banho, explicando pela milésima vez que o dvd e a televisão não podem entrar junto, travar uma batalha para tirar os Cielos da banheira (eles acreditam que podem nadar crawl nela), e voltar a tempo de ver o Sullivan descobrindo que a risada da Bu é extremamente poderosa. Assistir filme é uma aventura agitadíssima.

Mas o Kung Fu Panda 2 eu consegui ver com calma. Desde o primeiro filme, senti uma simpatia imensa pelo pai do Po, o Ganso. Sua simplicidade, sua ideia de rebeldia e audácia almejando trocar a fabricação de macarrão por tofu e o carinho com que cuidava do filho eram tocantes.

Ainda no primeiro filme, Po, um urso panda, escolhido para ser o grande guerreiro, sabe que tem algo para ser dito e espera que o pai lhe revele um grande segredo. O segredo óbvio era indizível. O Ganso não notava mais a diferença colossal que havia entre eles.

O segundo filme se desenrola sobre a questão aflitiva de muitos: De onde eu vim? Po ainda notava as diferenças gritantes com o pai e precisava buscar “a sua paz interior”. O indizível para o pai era inquietação para o filho.

Desde pequena me incomodava a fala de uma moça que trabalhava para minha avó. Ela afirmava, categórica, que mãe de verdade era quem sentia a dor do parto. Lembro-me de ter ouvido isso pela primeira vez com uns oito anos e discordei inteiramente. Discordava e achava muito, muito feio ela dizer aquilo.

Feio e reducionista, mas essa palavra eu não conhecia àquela altura. Eu já conseguia formular a teoria de que "mãe é quem cria", já sabia que a maternidade não podia ser reduzida a um único evento, por mais traumático que ele fosse.

Na faculdade optei por um núcleo de estágio em Adoção. Fazia um link com psicologia jurídica e uma das minhas paixões sempre foi o mundo advocatício. Os termos, as pompas, a toga eram fascinantes para mim. Descobri juízes e promotores incríveis mas constatei, dolorosamente, que a justiça falha,  principalmente com quem mais precisa. No entanto deparei-me com histórias de maternidade/filiação emocionantes.

Em um determinado atendimento, um filho me contou da estranheza com que ouvia algumas pessoas dizendo que sua mãe não era mãe de verdade porque não lhe dera a luz. Quando ele me disse: “como dizer que ela não me deu a luz se me sinto iluminado por ela ter entrado na minha vida?...” meus olhos marejaram e fiquei com vergonha de me emocionar na frente de um dos meus primeiros pacientes. Achei que era falta de experiência e que depois de alguns anos conseguiria ouvir qualquer coisa sem transparecer consternação. Dez anos e quinhentos pacientes mais tarde a sensação ainda é a mesma: maravilhamento. Não é maravilhoso sentir luz incidindo sobre a gente, principalmente quando essa luz vem dos olhos de quem nos ama?

Gerar, parir, amamentar não faz de ninguém mais mãe. É lindo o slogan da Johnson & Johnson: quando nasce um bebê nasce também uma mãe. Lindo, mas não é bem assim. E o que acontece com mães que decidem doar seus filhos, são pessoas sem coração? E as mulheres que, por um incontrolável tsumani de hormônios, desenvolvem depressão pós-parto? Falharam em não ter, simplesmente, um aplicativo baixado? O fato é que ser mãe é divino, transcendental e difícil pra burro. Umas mulheres optam por não criar os filhos que geraram. Outras mulheres superlativizam os medos, angústias e inseguranças, que qualquer pessoa de juízo tem, quando se vêem segurando pela primeira vez um serzinho nos braços. Cada mulher desenvolve sua maternidade à sua própria maneira, copiando a mãe, tentando não repetir os absurdos da mãe, ou da sogra, lendo livros, revistas, assistindo Discovery Home & Healty, contratando uma super nanny... Cada mulher terá a sua maneira especial, por vezes genial, outras vezes equivocada de se colocar no mundo como mãe. Isso também é aprendido. Não é meramente biológico, não acontece imediatamente ao parto.

Lembro-me de uma cena de “Friends”, famosíssimo sitcom americano, na qual Chandler e Mônica decidem adotar uma criança e por um erro da agência suas fichas são trocadas e a mãe que estava disposta a entregar o filho a um médico e a uma reverenda, descobre que eles, além de não serem o que ela esperava, mentiram. A moça desiste de escolhê-los e Chandler tenta convencê-la dizendo que eles queriam muito um bebê e que ele saberia ser um bom pai quando chegasse a hora, mas que ela, a Mônica, já era mãe, uma ótima mãe, porém, sem um filho. Uma gestação a termo leva 40 semanas, há mães esperando seus filhos há anos. Não tem como dizer que essas mulheres não serão mães de verdade.

Nem sempre a relação entre mãe e filho é mágica, instantânea. Nem sempre é amorosa. No caso do Po, sua mãe biológica o amava muito e o deixou para salvar-lhe a vida. O Ganso aprendeu a amá-lo na medida em que o criava. E é assim mesmo. Quando a gente acha que já ama demais descobre que sempre pode amar mais um pouquinho. Parece impossível (porque já é desmedido), mas amor de mãe cresce... a cada cuidado, a cada afago, a cada carinho.
Foi assim com o Ganso e o Po. Trocando afeto puderam se reconhecer pelo que eram...

Um ganso e um urso panda.  Pai e filho.

Eu acho isso Super Show de Bola..." Lavínia Costa Monteiro
Obrigada Lavínia, por ter colaborado com a "Série co-autores" com tanto carinho e propriedade! Valeu!!

Bisous, Pandora que compartilha

14 comentários:

  1. Mais uma vez adorei!!
    E que bacana a ideía "dos co-autores"...só podia ser a Jú...

    bjokas

    obs: continudo comentando como anônimo por causa dessas malditas letrinhas de identificação...que tal tirá-las, hein Jú?!!!


    Ana Claudia
    soumãepravaler.blogspot.com

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  2. Ju...gente eu amo muito esse seu blog,como ele me emociona,me comove,e me alegra viu? ele enche meu coração de alegria,transborda..E sabe porque? porque existem pessoas nesse mundo tão iluminadas quanto vc e se permitem serem felizes ...
    Beijo Grandeeeeeeeeee!

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  3. Um outro filme que mostra amor incondicional de mae é Tarzan.
    Um dos fundamentos da estória do Tarzan é: a mulher civiliza o homem, referindo-se ao seu relacionamento com a Jane. Ok. Concordo.
    Mas a Disney deu um "toque" diferente na estória, mostrando a relação entre a mãe gorila com seu filho homem.Bjs.

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  4. Lavinia e Ju, um outro filme que mostra o amor incondicional de mãe por seu filho é Tarzan da Disney.
    Um dos fundamentos da estoria do Tarzan é: A mulher civiliza o homem, referindo-se ao seu relacionamento com a Jane. Ok. Concordo.
    Mas nesta versão Disney, na minha opinião, a relação entre a mãe gorila e o filho homem foi o que mais marcou na estória do Tarzan... Bjs.

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  5. LINDOOOOOOOOOOOO!!!

    Amei!!!!

    Lindo!

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  6. Que coisa mais linda. Fiquei toda arrepiada. Vou agorinha numa locadora pegar esse filme para assistir e tenho certeza que olharei com outros olhos!Parabéns pra você Ju, por nos proprocionar um texto tão lindo e pra autora que merecia escrever um livro
    Beijos
    Ana Paula, meu login não entrou

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  7. Pessoas queridas... Passei para agradecer o carinho, obrigada a todas!!! E Mônica, vc acredita que não assisti Tarzan?? Também nunca vi E.T. e Titanic!!! Sou uma cinéfila meio mequetrefe!!!rs...rs...

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  8. Ju estou adorando essas participações especiais em seu blog, cada historia mais linda que a outra sempre me emociono... Adorei o texto da Lavínia, quero assistir o um e o dois, não sei pq ainda não assisti, assisto todas as animações!
    Bjos pras duas...

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  9. Jú...brigadu por dar um fim nas letrinhas...rsrs...

    fiquei neura tentando comentar aqui vários posts seus, sem sucesso...agora tô de volta...

    adorei o texto...adoro seu blog e adorei a iniciativa do "co-autores"...só podia ser a Jú!

    bjoka

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  10. ju, amei !!!!
    sabe que quando assisti a esses fimes pensei exatamente nessa situacao do pai e filho....
    mas essa reflexao foi demais!!!!! bjs no coracao!

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  11. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Linda reflexão, um belo pensamento. Já virei fã...rs
    Beijos para vocês duas.

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  12. Oi Ju!!
    Que post lindo!
    Ja fui la visitar a Lavinia e adorei tbe!
    Bjks pra vc e pros meninos lindos
    Um otimo final de semana!!

    http://blogdaclauo.blogspot.com/

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  13. Acabei de conhecer o seu blog por acaso, li a tua história , dos teus pimpolhos, e me emocionei..., adorei a reflexão, mae é aquela que da amor, que cria, mesmo pq essa história de dor de parto...a gente nem se lembra da dor do parto, ela fica tão minúscula perto do amor e da emoção que é criar um ser humano, com tudo que comporta, erros e acertos, risos e choros, brigas e etc.. Agora vou te seguir no blog..até mais
    Ah..sou mae do Léo de 3 anos, moramos na Itália..tb temos que conviver com o bilinguismo..

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