quinta-feira, 15 de março de 2012

Série co-autores, conte sua história no blog!! Muita Emoção e Aprendizagem na história de hoje...

Eu havia acabado de colocar os meninos para dormir. 
Fui até a cozinha e o computador "pidoncho" me chamava para a caixa de e-mails. 
Entre uma tarefa e outra, claro, você senta, levanta, arruma uma coisa e outra, volta e de repente, eu estava ali, paradinha... Meu marido perguntou:

_Ju? Tá tudo bem? 

_ Sim... Respondi com as lágrimas começando então a rolar...

_Ju? Aconteceu alguma coisa? Insistiu o maridão.

E então eu respondi:


_Aconteceu sim... Eu recebi uma história linda!!


Na Série Co-autores de hoje... Fê Lopes


Olá Juliana!

Você não me conhece, mas acabei de descobrir seu blog pelo Minha Mãe Que Disse. Enviei um email para as meninas perguntando se haviam textos sobre adoção e daí li o seu, e cheguei no seu blog!! =)

Que encontro feliz, foi o que eu pensei agora!!

Não, eu não sou mãe ainda! Na verdade descobri o MMqD porque sou fotografa e fotografo crianças e famílias, daí sempre pesquiso coisas relacionadas com o meu trabalho.

Mas não foi por isso que eu pedi indicação de textos de adoção para as meninas do MMqD, NE?! É que eu sou filha adotiva. E isso é ao mesmo tempo uma novidade enorme, e só uma confirmação do que eu sempre achei. 

Eu soube tem 1 mês! E imagina, eu tenho 29 anos! Só soube porque fiz muita pressão pra saber, e mesmo assim, o único modo que meus pais conseguiram me contar foi escrevendo a minha história.

Apesar de hj ser fotografa, sou formada em psicologia e atuei 7 anos na área. Acho que isso que me ajudou a entender que há 30 anos o conhecimento que a gente tem hoje sobre desenvolvimento infantil, psicologia, adoção, era muito diferente. A ideia de que é importante contar para a criança é algo muito recente. Eu li a historia da Renata lá no MMqD - que é adotada - e pensei que ela é um caso raro. Conheço algumas pessoas da minha idade que tem histórias de conhecidos bem semelhante a minha. Gente que não sabe, e que talvez nunca saberá...

Eu sempre desconfiei. Não porque meus pais me tratassem diferente, nada disso. Pelo contrario, fui mto amada, mimada...mas porque eu não conseguia encontrar alguém com quem eu me parecesse fisicamente. Sou morena, tenho cabelos cacheados e meus pais são bem claros, e de cabelos lisos. Pra completar a desconfiança, quando eu tinha 09 anos meus pais conseguiram engravidar naturalmente, e minha irmã é muito parecida com a minha mãe. 

Realmente a diferença física dentro do contexto de não saber a verdade foi uma barra. Porque eu ficava pensando, "poxa, eu devo ser louca de achar que eu não sou filha dos meus pais. Que coisa mais horrível pensar isso da minha mãe! Ela vai ficar arrasada se souber q eu imagino que ela não seja a minha mãe."

E eu tenho certeza que ter me tornado fotógrafa tem tudo a ver com essa questão com o visual... mesmo que saber da adoção seja bem posterior a minha profissionalização na fotografia. Pq tudo começou comigo perseguindo anos uma foto da minha mãe grávida! Passei anos olhando cada detalhe no espelho procurando por alguma semelhança, qualquer que fosse. Acho até que ser fotografa foi um jeito bacana de sublimar essa minha questão com o visual! 

Mtos anos de analise, e eu fui construindo a ideia que a historia era minha, que eu não era maluca, rs... e que pra mim era importante que eu soubesse seja lá o que fosse pra saber. Mas e a coragem pra fazer a pergunta? Quando a gente é criança é tão mais fácil. Perguntar sobre isso é muito difícil, e penso que é muito acolhedor que a conversa parta dos adultos, dos pais, nessa hora. Como perguntar é difícil até hoje, consegui escrever sobre isso pros meus e dai eles me responderam! 

Mas isso demorou.  Sondei muito o assunto a vida toda, perguntando porque eu não tinha mamado no peito, porque minha mãe parecia tão magrinha nas fotos logo que eu nasci, porquês e porquês... mas ir direto ao ponto e perguntar, olha só, eu sou adotada? Isso demorou. Quando enfim eu cheguei no meu limite e consegui escrever sobre isso pros meus pais, meu pai contou uma historia que me parece ser comum pra época - até me pareceu a da Renata*! Quando as adoções eram feitas meio que no quintal de casa! rs...
  
Eu não culpo meus pais por não terem me contado, sabe?! Não me rebelei, não teve nada a ver com isso. Ainda estou elaborando, lógico. E espero que um dia a gente consiga conversar sobre isso com naturalidade. No momento eu sei que ainda não dá nem pra mim, sentar ali e conversar, porque não sei nem o que conversar!! 

Sinto não ter podido, como seus filhos podem, "brincar/elaborar" a própria historia quando eu era criança. Mas acho que pros meus pais, além de terem as dificuldades deles com o assunto, deve ser mto difícil pensar que um dia alguém não me quis, e o quanto essa informação poderia me fazer sofrer. Bom, é triste mesmo vc pensar nisso, não dá pra negar. Mesmo sendo formada em psicologia, tendo experiência com crianças de abrigo, quando acontece na sua pele não existe explicação que dê conta de justificar e trocar o ela não quis, por ela não pôde. É clichê, mas acho que é isso, ninguém que não passou por isso vai conseguir alcançar a dimensão dessa tristeza, que nada tem a ver com o feliz acolhimento e encontro com famílias bacanas e que nos querem e nos tratam com muito amor. O abandono é uma marca que vc carrega, como tantas outras legais ou tristes que vc tem e que fazem você ser você. Pode ser mais pesada pra uns, menos pra outras. Quando eu digo que é uma tristeza não é no sentido de ser deprimente, melancólico, é de ser triste mesmo. A tristeza num estado mais bruto, eu acho.

Mas é como o vendedor de livros disse pra vc, é a historia da gente, ne? Pertence a gente então. E faz parte da gente poder cuidar dela, dar um destino a ela dentro da gente. E isso que eu tenho tentado fazer, com calma, cuidando dela com carinho aqui dentro.

Se eu vou procurar minha família biológica? Não sei ainda. Por hora eu fico pensando se eu quero conhecer alguém que não quis me conhecer. (ok, que não pôde, rs...). Isso é o que tenho pensando hoje. Mas também não estou com pressa. Como eu disse, estou cuidando dos desdobramentos disso dentro de mim devagarinho, que é muita coisa pra uma pessoa só dar conta de uma vez, ne!?

Depois que te escrevi, conversei com a minha avó sobre o assunto. Ela me contou mais umas coisinhas, e me disse que todos da família vieram me conhecer assim que eu cheguei! Que foi a maior festa! Fiquei muito feliz em saber disso.


Bom, já falei demais!!!!

Fiquei bem feliz de achar seu blog, vou acompanhar com certeza!!!! Achei admirável a maneira como vc trata do assunto no blog e com seus filhos! =)

Beijos
Fê Lopes 

E eu Fê, posso dizer que foi realmente um encontro mais que feliz. Obrigada por dividir sua história de vida e suas descobertas comigo e com os leitores do Contos de uma Mãe Pandora.

                                           OBRIGADA!!


A Fê Lopes faz um trabalho lindo, personalizado e intenso em suas fotografias. Para conhecer mais um pouquinho, você pode acessar a fan page dela lá no Facebook.

Vamos lá dar uma olhadinha e virar fã?  http://www.facebook.com/FeLopesAtelie 

* A Renata mencionada no texto da Fê Lopes é uma super querida do mon coeur e é também a autora do blog Vieste.

Bisous, Juliana

22 comentários:

  1. Que emocionante........ nossa.....

    lindo, lindo!

    Forte essa menina, viu???? Muito forte!

    Que continue bem, feliz, amada!

    Beijos!

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  2. Jú...emocionante e lindo!

    Tá vendo só amiga...você e seu blog tem histórias lindas de amor e que podem sim mudar esse mudar (ao menos um pouqinho!)

    bjoka

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  3. Adorei Ju, lindas palavras de uma mulher bem decidida e feliz! Achei bem interessante o motivo pela qual escolheu a profissao de ser fotografa. Parabens pelas duas, foi um encontro 10!!

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  4. Ô, meodeos.... Precisava do afago e saber q ele veio daqui.... E enche de alegria!!
    Olha só, estou enrolada nesse momento, heitor doentinho... Humpf, mas estava pensando em fazer um post e pedir colaboracao da senhora minha mae ahahaha que tal? Pode mesmo? Eu te escrevo melhor... Obrigada, viu? Vc que me inspira e ja mora no meu coracao.
    Beijaoooo

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  5. Nossa, emocionante mesmo! E que legal que o seu blog está virando este ponto de encontro e histórias tão bacanas, parabéns Ju!

    Beijo
    Karen
    http://multiplicado-por-dois.blogspot.com/

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  6. Ai D. Pandora, seu blog já é tudo de lindo, com essas co-autoras então não há coração que aguente... Bjos :*

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  7. Oi Ju,
    realmente emocionante o e-mail da Fê! Obrigada por compartilhar com a gente!
    Beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  8. Oi Jú,

    Quanta emoção nesse depoimento. Parabéns pra Fê Lopes pela coragem com que esta vivendo esta descoberta!

    Beijos,
    Gabi Torezan

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  9. Ju estou adorando essa series co-autores, historias lindas e que fazem agente pensar! Pelo que deu pra perceber, você está no caminho certo, teria sido mais fácil pra Fê se ela soubesse desde criança!
    Bjos em vcs duas e nos meninos, esses lindos!

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  10. Oi Ju tudo bem com você?
    Aqui é Letícia filha da Delma, hoje encontramos com a sua mãe e ela disse do seu blog.
    Confesso que fiquei super curiosa chegando em casa foi a primeira coisa que fiz... ja comecei a ler algumas partes e fiquei muito interessada em conhecer mais da sua história, pena que o tempo é curto, queria ler ele inteirinho só hoje..rs
    Te procurei no face mas não achei, o meu é Letícia Araújo. Se tiver me adiciona lá!
    Minha mãe esta mando um beijo.
    Grande beijo
    Letícia

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  11. Poxa, fiquei bem feliz de ver minha história aqui, assim! E ver os comentários de vcs, agradeço muito todos os elogios! =)
    Espero que o meu relato chegue nas pessoas que ainda tem dúvida se devem ou não contar pros filhos sobre a adoção. Espero que ele possa ser aquele empurrãozinho que faltava pra ter coragem e contar!
    Beijo grande!
    Fe Lopes

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  12. Ju,
    Linda história. Realmente emocionante. Cada um com sua história de vida, dando um tanto de lição para o outro, fazendo suscitar mil pensamentos...
    Parabéns para a Fê. Que continue assim... firme e forte!
    Parabéns pelas suas convidadas.
    Beijos

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  13. Minha filha ao ler a história da Fê Lopes, fiquei emocionada e toda arrepiada; adoro acompanhar seu blog, suas escritas e ver você escrever me deixa toda orgulhosa.... beijos... te amamos....sua mãe e seu pai e sua irmã...fique com Deus...

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  14. Ju e Fe Lopes,

    Lendo este texto da Fe (ja ta intima, rsrsrsrs) eu lembrei de uma conversa que tive uma vez com uma amiga...
    Esta amiga é mae de 3 crianças adotadas e falavamos muito no assunto, assim como a Ju, ela tratava de por "tudo" pra fora, com os filhos e com nós, as amigas.
    Então, eu (muito mae coruja) no meio de uma conversa comentei: Não consigo entender e jamais entenderei uma mãe que não quer o seu filho! Não entra na minha cabeça...
    E minha amiga, muito segura, me respondeu:
    Imagina voce, Monica, uma mãe ficar 9 meses com o filho na barriga e assim que tem a chance de conhecer o seu rostinho "não poder". Voce ja imaginou a força e a coragem que essa mulher tem que ter pra doar aquele filho? Entregar o filho assim, desta maneira sem nem poder sentir o seu cheiro, com a fé e a esperança de que ela vai ter uma vida muito melhor do que ao lado dela? Ja pensou nas noites que ela tera pelo resto da vida ao colocar a cabeça no travesseiro???
    Gentem, como diz o Crô da novela: Congela!!! Foi a mesma coisa que me dar um tapa na cara pra ver se eu acordava, juro mesmo... Foi um choque.
    Agradeço imensamente a minha amiga, que com poucas palavras me fez perceber o quanto eu estava sendo mesquinha e egoista e mudei pra sempre os meus pensamentos em relação a todos os tipos de mae do mundo!
    Bjs. pra voces e obrigada por compartilhar historias tão lindas! Monica

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  15. Que bom que o MMqD conseguiu promovetr esse encontro! Lindo texto e uma reflexão importante para pais que adotaram. Parabéns, Fê!
    E Ju, arrasou no vídeo, hein, dona Feiticeira! ;)
    beijos!

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  16. Ju, adorei te conhecer menina, me ensina a ser feiticeira?
    Que linda a históia da Fê, sabe essas coisas tem blog tem umas doideiras, mas coisas boas como essas que fazem a gente sempre querer continuar! gde beijo

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  17. Obrigada meninas!! A Fê é uma fofa, uma flor que desabrochou e ficou mais linda ainda!!
    Beijão, Ju

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  18. Fê,
    Sou mãe de três filhos adotivos e nunca escondi a história deles. Vou contar agora uma situação que vivi um dia com minha filha Julia - a mais velha dos três - então com oito anos. Nesse dia, sem nenhuma razão especial, ela me disse: "Mãe, tem três coisas que eu não gosto na minha vida. Uma, sou a mais nova da minha turma (ela é adiantada um ano na escola). Duas, sou a única que foi adotada. E três, sou a única que usa óculos". Naquele momento, senti, antes de mais nada,uma grande alegria, por ver que ela tratava as três situações de forma igual. Isso me mostrou como ela é bem-resolvida em relação à sua adoção. Mas ela precisava de uma resposta, ou pelo menos um comentário sobre o que tinha me dito. Eu então respondi: "Filha, quando tem alguma coisa na vida que a gente não gosta, mas ao mesmo tempo não pode mudar, o melhor a fazer é ver o lado bom da coisa. Tudo, por pior que seja, tem sempre um lado bom. Por exemplo, você é a mais nova da turma, mas por outro lado vai sair da escola um ano antes do que todo mundo que tem a sua idade. Você é a única adotada, mas pode ter a certeza de que foi muito desejada, amada, esperada, mesmo antes de nascer. Voce teve não uma, mas duas pessoas pensando primeiro em você, na sua felicidade, no seu bem-estar. É muito melhor do que muitas pessoas que são fruto de gravidez indesejada e que passam a vida se sentindo assim. E por último, você tem a sorte de ter pais com dinheiro suficiente para comprar óculos lindos para você, supercharmosos, porque senão você não enxergaria nada direito". Ela pensou no que eu disse por um momento e apenas respondeu: "mãe, você tem toda razão". E a história acabou aí. Acredito que sua sensação de abandono saja muito normal, mas, como você mesma disse, só quem passa por isso pode saber exatamente como é. Mas acho que pode ajudar pensar que a pessoa que a doou em adoção teve que tomar uma decisão muito difícil. Ela com certeza pesou todos os prós e contras para você e decidiu que você seria mais feliz vivendo com pessoas que tivessem a condição de dar tudo o que você precisaria para ser feliz, mesmo que, para isso, tivesse que viver essa sensação de abandono em algum momento. Você me pareceu ser uma pessoa centrada, sensata. Vai encontrar a paz em relação a essa questão, mesmo que demore um pouco. Quando você tiver seus filhos, também verá a sua história de uma outra forma. Boa sorte e tudo de bom para você!
    Um abraço,
    Gigi

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  19. Gigi, que grandeza ter seu comentário tão sensato e maduro aqui no blog. Apareça mais vezes!
    Concordo com sua conduta e aqui em casa procuramos agir da mesma forma.
    Gostaria muito de vê-la aqui novamente.
    Um grande abraço, Juliana

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  20. Juliana,
    Achei seu blog um grande barato. Também trato da questão da adoção com meus filhos com a maior clareza e sinceridade. Acho essa a melhor maneira de fazer com que eles não se sintam diferentes. O fato de ter mais de um filho também ajuda, porque eles puderam vivenciar a alegria que foi a chegada dos outros para nós. Só meu menorzinho não vivenciou isso, mas ainda é muito pequenininho para entender. Agradeço seu convite para que eu participe novamente, mas a verdade é que eu já havia participado antes, só que indiretamente. Eu sou a tal amiga que a Monica menciona na mensagem dela postada ontem(acima), a tal que deu uma opinião que caiu para ela como um tapa na cara, no bom sentido. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho. Um abraço,
    Gigi

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  21. Gente, que coisa boa de se ler! Emocionante ver alguém tão esclarecida e segura assim, mesmo com esse susto da vida!

    Meu irmão mais velho tb foi adotado. Ele soube ainda criança, pela boca da psicologa que fez um preparo antes para isso, mas nunca contaram para mim e minha irmã. Soube pq "ouvi dizer", acabei desconfiando e ele mesmo me contou na adolescência. NUNCA teve uma sequer diferença entre nós, jamais! Até hj!

    Na verdade não sei se há certo ou errado, cada um é cada um não é mesmo!? Não culpados nem inocentes!

    Beijos e clarooo que vou lá visitar a página dela! =)

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