sábado, 31 de março de 2012

Sobre a expectativa e a ansiedade da espera por um ou mais filhos adotivos.

Cláudia e o marido em Genebra, na Suíça. 
"Bom dia Ju! 
Desculpe tomar a liberdade de te escrever, mas é que não consegui comentar no seu blog,
Primeiro queria dizer que ADOREI seu blog, uma delicia de ler, segundo que vc é muito especial.
Agora, estou te escrevendo para pedir uma ajudinha, menina, decidimos adotar 2 crianças, de 0 a 3 anos, e estou com um frio na barriga, será que é normal?
É muita responsabilidade, tenho 8 anos de casada, só nós 2 em casa, e quando vier meus filhos, como será? Meio louco isso, quero tanto, mas dá um medo.
Conta um pouquinho de vcs, relata sua experiência, ajudaria muito. por favor??????
Estive na Suiça em 2005, fui em Genebra...

Estou te mandando uma foto.Muito Lindo!
Aguardo contato...Bjs."                     *(Divulgação de e-mail e imagem autorizados)
Quando eu li o e-mail da Cláudia, voltei no tempo... também pensei: "Nossa, que legal!! Eu me sentia EXATAMENTE como ela". E na minha opinião, este tipo de preocupação é muito saudável, pois mostra o quanto ela e o marido estão fazendo a escolha com maturidade e cuidado.

Então, como sabemos que como eu e a Cláudia, existem muiiiiiiitas famílias com as mesmas dúvidas e preocupações, propus a ela para responder by Post e ela topou.

Voilà,

Como eu já disse por aqui (tá em algum lugar dentro desta "caixa"...), nosso perfil no cadastro nacional de adoção era de apenas uma criança de até dois anos. Então, quando surgiu a oportunidade de serem duas crianças e já maiores, a notícia nos assustou e muitos ao nosso redor nos taxaram por loucos. Muita gente se mostrou preocupada e não tiramos a razão de quem o fez. Sabe Cláudia, como você e seu marido, nós também tínhamos uma vida a dois, tranquila e minha mãe inclusive chegou a me alertar quanto a isso, me perguntando se tínhamos realmente certeza da decisão que estávamos tomando. Mas, você sabe, existem coisas que realmente fogem um pouco daquilo que a razão determina como correto.

Além de ser uma decisão que deve ser tomada com muita maturidade, eu e meu marido tínhamos em mente fatores muito importantes, que nos ajudaram a continuar firmes na caminhada antes e após a adoção.

Foram estes:

  1. Uma vez que esta ou estas crianças estiverem conosco, será um caminho sem volta. A palavra desistência ou devolução saíram completamente de nosso vocabulário. 
  2. Ser pai e mãe não é brincar de casinha, portanto, assumiremos cada tarefa, cada alegria e desafio, com maturidade. Filhos biológicos ou não, ninguém é perfeito. 
  3. TUDO leva um tempo para adaptação e segundo uma pesquisa divulgada na Revista Época,  o tempo de adaptação de uma adoção, são de 18 meses...
  4. Procuraremos nunca ter sentimentos altruístas com nossos filhos (acho que esta é a mais difícil e a mais importante). Ok, tiveram uma história difícil, mas limites e educação são necessários na vida deles e será nosso papel coloca-los. 
Então veio a adoção!! Só Deus sabe como foi minha viagem da Noruega até o Brasil, que alegria, que vitória, quanta emoção!! Eu não conseguia dormir... Estávamos prestes a nos enveredar exatamente no caminho e nos fatores citados cima, mas com a diferença de que tudo era muito novo, diferente e apesar de termos escolhido e nos preparado para isto, só o tempo encaixaria cada coisa em seu lugar. 

Dito e feito!!

A primeira noite juntos foi um caos, rsrsrs. Hoje eu conto rindo, mas no momento eu tremia tanto que chegava a ser cômico. Como eu teria que passar todo o período de adaptação e visitas da assistente social no Brasil, montamos um quarto para eles na casa dos meus pais e deixei tudo lindo e decorado. Quando eles chegaram, também estavam com medo e descontaram toda a ansiedade que sentiam na gente, nos pais... cada brinquedinho e ursinho foi jogado na nossa direção...e quem disse que seria fácil? 

Um "mix" de muitos sentimentos surgiram. E como já eram maiores (Tom estava com 4 anos e um mês e Jobim com dois anos e nove meses), além de afeto, cuidado e carinho, também precisávamos educa-los, colocar os limites necessários e isto ficou claro já no primeiro dia juntos. 

No início, época de tanta turbulência, começamos e perceber o quanto a decisão de adotar dois irmãos, tinha sido mais que acertada. Foi um apoio e tanto para nós, pais. Eles se ajudaram muito, faziam companhia um ao outro nas brincadeiras. Pulavam de alegria juntos, quando ganhavam um brinquedo novo. Uma delícia!!

E já deve ter dado pra perceber que eu procuro ser sincera, né? Eu jamais poderia responder um pedido de ajuda como este da Cláudia (se é que posso ajudar, hã?), fantasiando ou compartilhando meias verdades. Por isso, Cláudia querida, no começo além de toda a alegria, foi um período cheio de pequenos e grandes desafios, mas me pergunta se eu faria tudo novamente? a resposta é: 

Com certeza!!!! Viveria tudo novamente por estes pequenos (GRANDES) guerreiros. Sou completamente apaixonada pelos meus filhos e a alegria de acordar com os dois, de vê-los crescer e conquistar tantas coisas, roubou a cena do turbulento início. 

Portanto, eu diria pra você e seu marido, que leiam bastante sobre desenvolvimento infantil, preparem-se para este novo e maravilhoso desafio que está por vir e saibam que só o tempo dará a certeza de que fizeram a escolha certa. Tenham paciência, converse muito com alguém de sua confiança, coloque os "fantasmas" pra fora. Ser sincera consigo mesma e com os outros pode ajudar muito e isto não desmerece ninguém. Obrigada por ter enviado sua pergunta e buscar ajuda. Não temos a intensão de sermos exemplos para ninguém, mas acreditamos muito na partilha, na troca de experiências e na união das pessoas por um bem comum. 

Um beijo enorme e espero ter podido ajuda-la!! Bonne chance!!!

Bisous fraternos da Ju, da Pandora que estará aqui, torcendo muito por vocês...











8 comentários:

  1. A historia da sua familia eh linda Ju! Nunca deixe de compartilhar a sua jornada com os meninos, quando eles crescerem eles terao um orgulho enorme da mae deles. Um super beijo. Giovana

    ResponderExcluir
  2. Oi Jú, obrigada pelo post.
    Seu relato é bem o que eu imagino, e acredito que só passando para ter a verdadeira noção.
    Fico feliz quando falo com pessoas que já adotaram, pois vejo que todas estão muito felizes e isso me deixa muito bem.
    Pode acreditar que essa partilha está sendo muito importante.
    Obrigada, muito obrigada e quando bater alguma dúvida, preocupação ou vontade de um bom papo, vou te procurar.rsrsrs
    Bjs.

    ResponderExcluir
  3. Oi Jú,

    Que engraçado pensar que daqui a um mês o Vini e a Bianca terão a mesma idade do Gabriel e do Lucas quando "nasceram do seu coração". Imagino que não deva ter sido nada fácil no começo, pois vejo pelos os meus filhos que já com tanta pouca idade eles já são cheios de vontades e personalidade. E tudo isso ainda somado a uma história de até então sem a sua presença... Parabéns sempre pra você, que consegue educá-los tão bem, com amor de sobra e disciplina na dose certa!

    Beijos, Gabi

    ResponderExcluir
  4. Ju e Claudia

    Ser mae é uma aventura diaria e muito dificil mesmo, mas a alegria de cada conquista, de cada sorriso, de cada acontecimento na vida dos filhos é indescritivelmente maior! Facil é seguir receita de bolo, e mesmo assim as vezes a gente erra, rs! Acredito mesmo que qdo nos maes saimos do modo "superpoderes" e encaramos a vida real as coisas ficam um pouco mais faceis de serem gerenciadas, nao que eu tenha desistido de tentar estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas tem dias que encarar essa dificuldade (nao quero dizer impossibilidade, ja que ainda sonho com ela) ajuda!

    Claudia, espero que vc seja uma mae tao otima qto a Ju! Boa sorte nessa nova etapa da sua vida! Bjs

    Anne

    ResponderExcluir
  5. Nossa que post mais lindo e sincero. A vida não é um conto de fadas mesmo, mas nem por isso ela perde a graça e o brilho!!!
    Parabéns Jú, e boa sorte Claudia.
    Bjs.

    ResponderExcluir
  6. Seu blog é utilidade pública! Já indiquei a algumas pessoas interessadas em adoção. Parabéns!

    ResponderExcluir
  7. Obrigada meninas,
    como eu disse, não tenho intenção nenhuma em dar exemplos ou ser um deles, mas é importante trocar ideias e poder colocar as coisas como elas realmente são, sem véus. Obrigada a cada uma de vocês pelos comentários, beijos, Ju

    ResponderExcluir
  8. Oi Juliana,
    Acabei de ver tua descriçao no grupo do face, "maes internacionais" e corri pra te conhecer melhor. Nao sabia nada de voce e chegar aqui e me deparar com tua història me emocionou demais. Enquanto estou escrevendo estou com lagrimas nos olhos e uma vontade de me soltar, chorar mesmo, mas nao de tristeza; mas de um sentimento que nao consigo nem te descrever, talvez de gratidao por existirem pessoas como voce. Deus dà asas para quem sabe voar,jà diziam. Mas eu acredito mesmo que todos podem criar as pròprias asas e aprenderem a decolar, como vc fez e tem feito todos os dias da tua vida. Queria finalizar com um "Parabéns por.." mas sao tantos "por..." que nem saberia por onde iniciar! Espero que tua història seja exemplo para novas familias, para casais que lutam tanto por um filho biològico mas nao imaginam que o amor paterno e materno nasce do momento que voce decide amar incondicionalmente e, isso, està muito além de sangue! Ah, somos quase "vizinhas", moro na Italia! Bjs! E se me permitir, continuarei vindo te visitar para conhecer mais um pouco de vc! Daphne

    ResponderExcluir

Seja bem-vindo(a)! Sente aqui na varanda que eu vou passar o café!