Pular para o conteúdo principal

Tem que ser muito "macho" pra ser mulher hoje em dia...

Hoje é Dia da Mulher e dia da faxina aqui em casa. Levantei, coloquei aquela indumentária básica, amarrei os cabelos, coloquei o casacão por cima da roupa e a bota de chuva para levar o meninos na escola.

Pensei. Será Pa Pum, tipo bate e volta, pois lembra da minha rotina aqui na Suíça? Uma loucura, então, tenho que correr com tudo sempre e me planejar direitinho pra tudo sair dentro dos conformes...

Chuva. Ok, pegamos o guarda chuva e lembramos da porta da escola.

Caos. Sim, como no Brasil, aqui também tem trânsito e caos quando chove.

Chego láaaa na escola no topo da montanha encantada, uma cena de filme dos anos 30 e de repente, eu viro "a bola da vez".

ESTRELANDO: NO BOLA DA VEZ, JULIANA, A CHORONA.

Então, eis que não existindo uma vaguinha se quer para eu parar o carro (eu, que sempre sou a "caxias" que procura fazer tudo milimetricamente correto e vejo as outras mães aprontando mil e uma bagunça na porta da escola) vou e paro na linha onde você pode somente deixar os filhos e seguir com o carro.

Bom, eu e mais dez pais paramos, pois a linha é enorme, mas eu era a primeira da fila.

O policial, que esqueceu de levar a gentileza no bolso, disse que eu teria que retirar imediatamente meu carro daquele local. Eu, olhei ao redor e disse, mas então o senhor poderia me dizer onde eu posso parar meu carro?

E ele respondeu: (em francês, lembra?)
_Madame, isso é um problema seu e não meu. Da próxima vez, deixe o carro em casa, mas aqui, você não pode parar.

Neste interim nós três estávamos encharcados, eu preocupada com a gripe, dei um beijo em Tom que já consegue ir sozinho para a escola (do lado), coloquei Jobim de volta no carro, e fui dar a volta no quarteirão, pra ver se uma alma caridosa retirava sua linda "voiture" pra eu entrar com a minha.

Voltei. Nada...

Parei o carro ao lado do gentil policial e mais uma vez perguntei (mas desta vez com os olhos esbugalhados pela choradinha que dei dentro do carro enquanto dava a volta no quarteirão).

_O senhor poderia me dar uma solução? Onde eu posso parar meu carro agora?

Gente, que raiva. Ele deu de ombros e disse a pior palavra que se pode escutar em francês:

-Desolé...

Quem concorda levanta a mão!! Desolé significa "sinto muito" , mas é irritante escutar isto minha gente, tô braba...

Arghhhhhh!! Mas deixe-me explicar. Este desabafo é só pra explicar que quando fico braba, eu choro, sim, copiosamente. E foi isto o que fiz. Após a grosseria do policial, em um dia de chuva, com roupa de faxina e tempo livre nenhum, eu sentei na "voiture"(carro) e choooooooreeeeeeeeeeeiiiiiiiii,

E viva o Dia Internacional da Mulher!!! Valeu policial!! Foi uma ótima maneira de receber flores neste dia..

Fui.... fazer a faxina.

Bisous, Pandora desolada

Comentários

  1. Jú...miabraça amiga!
    Que ódio desse polícial.

    Mas lembre-se você é muito mais que isso, ele, pobre coitado, deve ter ficado mal humorado por algum motivo e você é mais e muito melhor que ele pelo simples fato de acordar cedo num dia de chuva, cuidar das crianças, se arrumar, levá-los até a escola, encontar um cara chato que nem faz o trabalho dele direito (custa te informar com educação?!), voltar pra fazer faxina, ser esposa, mãe, amiga e mulher e manter o bom humor e chorar amiga, porque isso faz parte e é um direito nosso...agora me diz...nós somos o sexo frágil?!!!

    Bom dia!!!!!!!!

    bj

    ResponderExcluir
  2. arggg que raiva viu!!! Esse policial é muito insensivel mesmo!!! bjksss

    ResponderExcluir
  3. ju, aprendi a duras penas que desolee quer fizer outras coisas tb... alguns palavroes ate...kkk
    mas o basico eh ... o problema eh seu.. vc que se viore eu nao to nem ai...
    e fala serio.. a raiva que da quando se ouve essa palavra eh imeeeennnssa!!!!!
    aff...
    bjs e saudades dANI

    ResponderExcluir
  4. Também choro quando fico nervosa...
    Morro de raiva disso!
    Me sinto impotente!
    Bjos

    ResponderExcluir
  5. Também choro por esse e outros motivos, aliás depois de ser mãe virei uma chorona.
    Beijos Ju

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Seja bem-vindo(a)! Sente aqui na varanda que eu vou passar o café!

Postagens mais visitadas deste blog

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”.  Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro:    O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “ Quem escolheu este livro filho? ” e ele… “ eu mãe, achei a capa bonitinha” .  O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a le

Lágrimas em letras

Filho do irmão da minha mãe com a irmã do meu pai. Como? Isso mesmo, éramos primo/irmãos. As mesmas avós e avôs, os mesmos tios, as mesmas histórias. Você?  Lindo. Lindo mesmo!!! Wow!! Sempre foi uma criança linda, um menino com um narizinho arrebitado e perfeito que sempre tirava sarro de um teatrinho de Natal que euzinha preparei e claro, te levei junto. Você ria e me lembrava destes micos que pagamos em nossas infâncias. Brincávamos no terreiro de café da casa do "vô"Júlio, tomávamos guaraná Cibel na casa da "vó" Nadéia e quando nos tornamos adolescentes, continuamos juntos. Tantas baladas! Você sempre alegre, carinhoso, arrasava corações e meus ex-namorados sempre sentiam ciúmes do meu primo. E como a gente dançava? Noooooossssaaa, como a gente dançava. Na festa do meu casamento, (que aliás, você deu a maior força para o maridão que está aqui), todos se lembram de como você me tirou pra dançar, mas como não podia roubar a cena do noivo, pegou minha mã

Minha relação com a amamentação.

Este post contém fragmentos de uma história que custei a colocar pra fora... Imagem da web Eu queria ter escrito este texto ainda adolescente, pois desde aquela época o tema amamentação surgiu na primeira terapia que procurei sozinha, na tentativa de tentar entender o incomodo que insistia em aparecer e eu não sabia de onde. Na época, me indicaram um então conceituado profissional e foi então que comecei a fazer parte de um grupo selecto de pessoas que leram o prospecto de um dos livros escritos por ele, antes de ser publicado: "Terapia pela roupa" , do psicólogo Mamede Alcântara. Meu nome está lá, nos agradecimentos :-), é só conferir. Durante um momento da terapia, surgiu no inconsciente um sentimento estranho. Eu sentia uma fome e uma dor muito grande, como uma agonia mesmo. Chorei, tive cólicas, me contorci. Neste momento, ele me pediu para chegar em casa e conversar com minha mãe e saber um pouco mais sobre meu nascimento, meu parto, enfim, meu passado. Minha