domingo, 27 de maio de 2012

Vamos falar de birras

Dias atrás, passeando com os meninos pela borda do lago, me deparei com uma cena inusitada: um pai vestido em um belo terno e a filha passeando também, como os meus meninos, de patinete. De repente, quando o pai ameaça ir embora, a menina se joga no chão e começa a "tal da birra". O pai, talvez cansado, permaneceu olhando pra ela e tentou repreender aquele comportamento e nada...

De repente, o pai simplesmente deitou no chão ( de TER-NO, Oi Burnout, a gente vê por aqui)) e começou a fazer como a filha, se jogou no chão e "birrou" total. Gente!! Até eu comecei a rir da cena!! A menina olhou para o pai e logo levantou. Envergonhada, ficou olhando para os lados para ver se outras pessoas viam a atitude dele. Ela cruzou os bracinhos e continuou com um beicinho tímido que ainda denotava um resquício da birra... mas parou o escândalo que estava fazendo.

Quando o pai percebeu que ela havia parado, ele simplesmente sentou no chão (de TER-NO) e conversou com ela sobre sua atitude e logo após a conversa, ele se levantou e os dois foram embora sem mais problemas. Bem, sem problemas que nada, e o terno? Desfiou foi todo...

E eu sei bem o que significa esta palavra: BIRRA

"Jobim" é leonino, brabo que só ele, mas se você consegue ganhar este coração... pronto: vira logo a barriguinha pra coçar. É manhoso, carinhoso, ai, ai, um amor que só. Mãsssssss, seus momentos de fúria são gloriosos e quando existiam as birras então, uiiii, o bicho pegava. (veja bem... existiam, uffa!!!)

Bem no começo, Jobim tinha um hábito estranho. Com quase três anos, se não gostasse da comida, pimba!! Lá ia um prato para o alto e comida também, claro! Se frustrado, gritava, ou melhor, berrava muito alto, mas muito alto mesmo e seu choro era daqueles fortes, estrondosos.

Eu me lembro de várias birras, tanto em casa, como nas ruas. Elas eram homéricas e causavam em mim uma espécie de sentimento que digamos assim... não eram nada bons de sentir.

Um dia, durante um passeio, ele começou a chorar muito pois ele queria ficar perto de uma área reservada a alguns artistas de rua e nós precisávamos nos retirar. Apesar de explicarmos o motivo, aquilo não era claro pra ele e a birra então, começou.

O primeiro passo foi ignorar. Continuamos andando calmamente (eu, meus pais e "Tom") e ao ver que ele não nos acompanhava, paramos. Ele continuava enlouquecidamente a gritar. Então, passou um senhor, daqueles bem broncos e soltou um: "Xiiiiiiiiiiiiiiiii" bem alto à ele. Nossa, eu não sabia se ria ou se chorava. E nada... Ele não parava com a gritaria.

E assim fomos, durante alguns meses ainda, na tentativa de ignorar e parar com aquele comportamento.
Então, uma pessoa da família, muito querida, pediatra, que estava conosco na Noruega por uns dias, viu algumas dessas cenas e nos deu uma dica preciosa: Assim que a birra começar, sentá-lo em um canto pra acalmar o coração, por apenas três minutos, ou melhor, um minuto por idade e retirar logo que parar, ou seja, mostrar que o esforço dele valerá a pena.

Claro que no início ele levantava, me batia, não queria ficar e berrava ainda mais, e toda vez que o fazia, eu o colocava novamente. Um dia, ao deixá-lo para acalmar o coração, ele chorava de um jeito tão cruel, que eu mesma achei que estavam fazendo algo com ele e esta pessoa me segurou e me acalmou, pois na verdade eu mesma o queria tirar de lá. Eita fase difícil esta, heim?

Voilà,

Assim o fizemos por um bom tempo. E quando ele parava de chorar, nós o retirávamos e dávamos os parabéns pelo feito. Incrível gente, mas funcionou e muito!! Ele era terrível de brabo e quem o conhece hoje jamais imagina uma cena destas e também acontece com que viu o começo e vê agora. Ficam pasmos.

Mas, como a maioria das mães... aqui vai um segredinho inconfessável: (Não conte a ninguém, hã?)

Um dia, na casa de uma amiga, ele deu tabefe no amiguinho e eu, claro, além das desculpas, o coloquei para acalmar o coração lá no quarto onde brincavam mesmo. Mas... conversa vai e conversa vem com outras mamães, a mãe aqui esqueceu de liberá-lo para a farra novamente e... ele ficou uns quinze minutos lá, esperando, acalmando o coração... ôoo dó... mas depois, eu pedi desculpas pra ele pela falha nossa e ficou tudo bem, afinal, mãe também erra, né? 

Ou não???


Vamos acalmar o coração... mamãe? 
Foto retirada da Web 


12 comentários:

  1. Aqui eu faço isso tb ju... E hoje em dia qdo a lena ameaça fazer birra, eu só pergunto " quer ir chorar no seu quarto" ou se estamos na rua em algum canto q vejo na hora... E ela para na hora.... Há vezes em q ela diz q sim e vai pro quarto, grita , chora e depois volta e fala:" já chorei mamãe...." kkk
    Mas no inicio foi difícil tb... Meu coração doía nesses 2 minutos ...
    Bjs!!!!

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  2. Oi Juliana, aqui a fase das birras está a pleno vapor. Vou tentar essa dica.
    Beijos

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  3. Eu chamo de "um momento para pensar" eu fazia isso com as crianças de dois a três anos na creche, um minuto por idade.

    Você coloca no canto sentado e explica que ele está ali para pensar e acalmar o coração, alguém pode entender como castigo, mas não é, a ideia não é castigar é mais parar o caos da birra mesmo, acalmar o coração.

    Funciona muito bem, aos pouco a ficha deles vai caindo esses pequenos são incrivelmente inteligentes!

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  4. Ju,
    menina parece que você fez este post pra mim.... juro!!!
    a Valentina é exatamente assim igualzinho seu filho, alias o "antigo"filho... rsrs
    Eu vi seu post chamei Ivan (meu marido) e ficamos lendo.. bom, vou tentar isso e vou querer acreditar que vai funcionar com a gente. Hoje mesmo saímos com a Valentina, caramba que canseira, o stress é tanto que voltamos cansados... e me diga com quantos anos se passou isso? valentina esta com 3 anos e 9 meses, praticamente 4... eu fico acreditando que com 4 anos ela vai melhorar... doce ilusão não??
    beijosss
    PS.: adorei este post... rsrs, pois vi uma luz no fim do tunel...

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  5. Ana, eu sep bel o que é issu. Um dia, ao sair do parquinho do Ikea, ele fez tanta birra que as pessoas olhavam assustadas, achando que tinha algo a mais...
    Mas passou e acredito que foi com 3,5 anos, mas na verdade o que ajudou foi a dica e levou meses para realmente dar resultado.
    Persista!! Um beijão, Ju

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  6. Ju adorei esse post. É tão bom conhecer a história de outras pessoas, pensar que tudo isso não acontece somente conosco rs
    E essa história do pai deitar de terno... morri de rir e fiquei imaginando a cena. Ele literalmente se colocou como uma criança para mostrar de "igual para igual" a atitude da filha.
    Sabe que essas birras também aconteceram por aqui. Passaram!!!! Pelo menos com o Felipe (mais velho), lógico que acontecerão outras cenas com o Thomas e depois com o Lucas.
    Mas sabe que essa situação de colocar para acalmar o coração, para pensar é uma ótima estratégia. Quando Felipe está num agito só ou quando está brigando, disputando algo com o Thomas, logo separamos eles e pedimos para o Felipe ir para o quarto um pouco. Isso acalma mesmo, passa e ele volta tranqüilo e bem calmo para conversar numa boa, como se nada tivesse acontecido.
    Beijos

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  7. Jú, isso realmente resolve!! Mas como vc disse a mãe e o pai tem que ser persistentes!! Senão a criança logo percebe que esse tempo de acalmar o coração não é sério!!
    Ótimo post...super orientador para todas as mães do mundo!!
    Bjs a vc!!

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  8. Meu filho só tem 18 meses e já faz a maior birra. E, apesar da pouca idade, experimentei o cantinho do pensamento, o qual, ele ignorou num primeiro momento, mas, agora respeita e sabe que fz algo errado. Quando terminam os "infinitos" 60 segundos, eu o abraço, digo que o amo e que espero não vê-lo fazendo o "errado" de novo. Tem funcionado..

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  9. é, Ju, é tão difícil saber o que fazer nessa hora... imagino que seja punk - e olha que a Laura está começando... me dá arrepios na coluna só de imaginar as birras em lugares públicos... mas vamos que vamos, é excelente saber das experiências das mães com filhos mais "velhos" do que a laura, assim, já vamos aprendendo por tabela, né?

    Beijos!

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  10. É mas não é fácil né amiga !!!
    Bj. Frô.

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  11. Háháháháhá, que dozinha do Lucas esquecido... O Brunão está começando a fase das birras e não está fácil, eu também uso a tática de ficar sentado para se acalmar, mas muitas vezes quem aproveita esse tempo para se acalmar sou eu!! Tem que ter muita paciência e amor não é D.Pandora? Como vc diz, vivendo e aprendendo... Bjos :*

    Obs.: obrigada por tirar as letrinhas dos comentários, eu nunca deixei de ler os seus contos mas não conseguia comentar, mas agora estou de volta nos coments!!

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  12. Ju, aqui a gente chama de "Time out" mesmo!!! Sempre fiz (e ainda faco) com Lucas e Julia. Devo ter comecado qdo eles eram bebes, com 1 aninho de idade. E sempre funcionou pra mim. E eh isso mesmo: 1 minuto pra cada idade da crianca. Nunca tive problemas com birra dos meus 2 de se jogarem no chao, se rebaterem ... nada! Sempre fui muito de conversa, conversa, conversa... Ou mehor, paciencia, paciencia , paciencia. Sou contra bater. Aqui em casa nao usamos esse tipo de "disciplina". E, sempre, sempre deu muito certo pra nos!!! Bjo grande e parabens mais uma vez ao delicioso post de se ler!! :)

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