quarta-feira, 27 de junho de 2012

BC - Mães Internacionais- Parabéns a você!! Comemoração de aniversário na Suíça



Todos os aniversários dos meu filhos até o momento em que viviam no abrigo, foram comemorados no Brasil, mas não temos nenhum registro sobre isto, e ao meu ver, eles também não. Então, um mês antes de estarmos juntos, "Tom" comemorou seu 4º aniversário na casa dos meus pais , pois haviam ido até minha cidade natal para exames médicos, etc.

A mamãe aqui (Eu!!) ficou mais que feliz, mesmo participando via Skype, vendo cada detalhe do bolo maravilhoso de chocolate que a então, futura vovó preparou pra ele com tanto carinho. Claro que ganhei um pedaço de bolo virtual que "Jobim", tão fofo gente, foi até a tela do computador me entregar... snifff, a gente se derrete...

Mas, felizmente logo depois, trocamos de lado e agora quem ganha os pedaços de bolo virtuais são os vovôs, tios, primos, amigos lá do Brasil...

Enfim, há dois anos, comemoramos os aniversários de nossos filhos do outro lado do oceano e aprendemos muito com tudo isso.

Primeiro, foi o aniversário do parque, quando "Jobim" completou 4 anos. Foi uma delícia!!!
Inesquecível mesmo!! Todos os detalhes do aniversário do Pirata aqui na Suíça, estão aqui, corre lá pra ver que legal!!

Caça ao tesouro!!! O momento mais esperado da festa.

Cadê o tesouro? Corram!! Alguém achou uma pista!!!

Petiscos e lanchinhos simples, mas ao gosto de todos!!

O melhor, sem pagar aluguel de salão e sem sujeira pesada no final...

Alguns meses depois, foi a vez do "Tom", mas agora, fazendo 6 anos!!
A princípio ele quis um aniversário de Cavaleiros, tema bem querido pela molecada aqui na Europa, afinal, estamos inseridos em um contexto histórico repleto de castelos e contos de lutas e batalhas. Foi então que descobri que as crianças podem comemorar o aniversário na maioria dos castelos públicos da região, mas... apenas à partir dos 7 anos. ok! A gente espera...

Mudamos os planos e decidimos fazer um aniversário típico daqui mesmo e suíço que se preza não faz graça não. Tudo simples, gostoso e em casa. Infelizmente ou felizmente, o número de crianças convidadas é menor, ou seja, no máximo dez, o que pra gente foi ideal, sendo que a festa foi em nosso petit apartamento.

E as comidas, bebidas??? Maiores detalhes da festa inteira estão aqui. Vale a pena fazer uma visita!! E de quebra, uma mostra da nossa farrinha em casa:

Primeira etapa: Comemorar o aniversário no dia real e na escola com os amigos. Mamãe fez cupcakes para a criançada e aqui está a foto deles antes... o depois, a mamãe comeu bola esqueceu de registrar.



 Segunda etapa: Os convidados poderiam abusar da criatividade e virem fantasiados para a festa. E teve de tudo, Princesas, Piratas, Cachorro, e "Tom" de super herói. Criamos atividades diversas "inside" e "outside", pois a previsão do tempo era de chuva. Então, enquanto chuva vinha devagar, aproveitamos cada minuto do lado de fora:


As princesas no jardim...

Santo brinquedo coletivo!!! Adoooro!! 


Bricolagem com as crianças. Cada convidado customizou um porta-retrato...

personalizado.

Cada um pode levar o seu pra casa, com uma foto da turma no dia da festinha....



Já viram uma festinha com tanta concentração? Isso é Suíça minha gente!!

Terceira etapa:
Músicas, brincadeiras, dança e uma tradição por aqui, abrir os presentes na presença dos convidados!! Ah!! Houveram mais algumas coisinhas que vale a pena rever no post original "O aniversário suíço do meu filho brasileiro", vai lá!!!

Agora, teve um ponto fortíssimo neste aniversário:

O BOLO



Quer saber como fiz esta maravilha?? Vá até o mapa da mina logo abaixo...
Tira a mão daí menino!!! rsrs


 Todos os detalhes (recheio, ingredientes e passo-a-passo) estão aqui, mas a super ideia não saiu desta cabecinha não... lá no post tem o mapa da mina, ehehe. Tudo devidamente inspirado e copiado de ... tchan, tchan, tchan, tchan!!! Ela, que faz quitutes maravilhosos, hummmm, tá curioso(a)? Corre lá e descubra o segredo da boleira, digo, blogueira.

Espero que se deliciem com estas festinhas... daqui dois meses teremos mais uma comemoração!! "Jobim" completará 5 aninhos!!! 

Aceito dicas, pitacos, ideias, sobras de decoração...  Porque reciclar, faz bem!!! Não é?

Ideias? Compartilhe seu link ou sua ideia aqui nos comentários, adorarei visitá-los também!! 






sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Melô do Mimimi



... e ela que estava toda contente e trabalhada na Pollyanna (clique para ler a saga), virou a casaca e se transformou: em "uma mulher a beira de um ataque de nervos!!!!"




Pollyanna foi nocauteada e deu lugar a uma fera, ou melhor, a uma fúria esta semana e o melhor da história foi perceber que isso é bom, é necessário. 

Rodar a baiana foi bom!! Gostei, de verdade. 

E o que me deixou enlouquecida foi a conclusão da CPI da Parede Mofada. A culpa não é nossa, Ok. Mas teremos que sair do nosso cantinho, para a reforma, o que levará cinco semanas aproximadamente. E qual é o problema? O problema minha amiga é que com tantos percalços decidimos cancelar o contrato de aluguel que acabará em março/2013. 

Pensamos que com a nossa rotina, precisamos de mais espaço para as crianças e também queremos nos mudar para outro cantosem mofo.  Mas... a imobiliária não arreda o pé, aqui na Suíça é praticamente impossível quebrar um contrato imobiliário e então, a solução que nos deram foi a de que teremos que nos acomodar em um apartamento mobiliado sei lá onde até que a confusão se supere. 

Ah! Isso implica em deixar nossas coisas no nosso apartamento, enquanto outras pessoas entram e saem... Pollyanna? Já "Elvis" meu amor!!

Então "gentes", adorei descer no playground brincar um pouco de boazinha, mas agora estou fantasiada de bruxa má, ok? 

Portanto, corram quando me encontarem, ok? Corram muito, pra me dar aqueeeele abraço!!! 

Tranquilo? 

Pode ser?

Bisous, Pandora Perigosa 












sábado, 16 de junho de 2012

O Jogo do Contente ou liberte a Pollyanna que há dentro de você...

Tantas coisas pra compartilhar...

Nossa, a vida passa e a correria toma um tempo danado e o babado aqui tá forte. As últimas semanas nãotemsóconcursoebriganalamacomasconcorrentesnão, fizemos muitas coisas, mas a reforma da casa tem me tirado o gostinho e o tempo para escrever em paz e com calma. Reforma... C'est la m...!!

Por falar nisso, achei um site com um nome pra lá de sugestivo "Vie de Merde", onde você desabafa sobre algo ruim que aconteceu com você em um determinado momento do dia. Interessante, não? Estou quase escrevendo uns perrengues por lá, afinal, em outra língua é bem mais fácil, né?

Quer ver só?

"Jobim" nosso filho mais novo, brincando na área comum do prédio, atira uma pedrinha em um fosso. A pedrinha teve a façanha de quicar no tal fosso e plaft!! Bater com tudo no capô do Porsche do vizinho.

Lei de Murphy!

O vizinho estava dentro do carro quando viu em câmera lenta a pedrinha que vinha sorrateiramente cair e lascar sua linda pintura marrom cintilante do seu Porsche Mega Star.

Além disso, somos os primeiros moradores de um apartamento fofo e NOVO porémpequenomascomumavistadeslumbrante, que pasmem!!!...na construção, esqueceram de rosquear uma conexão embaixo da banheira e voilà, toda a água de nossos banhos di-á-rios (sim porque somos brasileiros e limpinhos) iam para o sub-solo, ou vulgarmente conhecido também como o lugar onde ficam os aquecedores da casa. Bom, como não tínhamos conhecimento do que estava acontecendo, a água foi se acumulando, até chegar em um ponto, onde as paredes, começaram a sugar aquilo que era excesso.

Conclusão: de uma hora pra outra o caos foi estabelecido e tudo começou a mofar...

E aqui é Suíça minha gente e foi então instaurada a "CPI da parede mofada".

De quem é a culpa?

Recebi inúmeras visitas, cada hora era alguém pra quebrar algo, medir não sei o que e tirar o sossego desta pisciana queadoracasaorganizadaecheirosa. Ah!! A culpa segundo um dos integrantes da "CPI" foi de um aprendiz, ou seja, alguém que mal sabia rosquear um cano e o deixou A_BER_TO.

Agora é assim, móveis fora do lugar, muitas máquinas retirando a aguaceira do subsolo e muitos ventiladores mega potentes tentando secar todo o mofo que se formou. Caos!! E ainda tive que ouvir em francês, pra passar o dia fora com os filhos enquanto o caos se estabelecia dentro da minha própria casa. Ei, Oi??? Como é que é? Aqui chove "fiu", e tá pensando que é fácil ser mãe, motorista, linda e cheirosa?

Mas, se a vida dá limões, fazemos limonada certo? Então, numa destas, chegou a hora de brincar de :

O jogo do contente?? Liberte a Pollyanna que existe em você... 

Com muita chuva aqui perto dos Alpes e sem casa de avó pra ir (Buáaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!), o negócio foi usar os único lugares da casa sem mofo, sem caos e sem bagunça: A Cozinha e a Sala. 

Começamos pela dica mais que legal da Mari Hart aqui, além da proposta inicial que era exercitar a coordenação motora, foi ótimo também para promover a concentração e uns minutinhos Zen que a mamãe aqui adora. Obrigada Mari!!! Sua dica foi genial!!!



Repare bem nos dizeres da camiseta: It wasn't me!!! 

E vocês se lembram que eu sou chegada em mandalas, certo? E não é que eu encontrei um bloquinho só pra mim, gente? Ahhh, amei, né?

Chuva?? Hora da bricolage e mamãe participa também!! 

E chuva lembra bolinho de chuva, que lembra bolo, café, forno, cheirinho bom....

Bora cozinhar com a criançada?

Bolo de Cenoura de liquidificador _ By Lucas (O tremendão)





E para finalizar, um prato meio estranho... Feito por "Tom"
Vi isto em algum lugar na Net e resolvi testar o tal do macarrão na salsicha, parecendo um Polvo (Mari, este post é todo seu amiga!!!)

Pontos legais: Ele adorou o preparo e se envolveu na brincadeira. Também ficou surpreso com a transformação do macarrão que era duro e ficou mole.

Pontos negativos: Após cozido e uma vez no prato, ele perdeu o formato logo e olha que eu só faço macarrão integral. Mesmo assim, acho que tem que cozinhar pouco, pra não desmanchar.


Esta brincadeira de ser  Pollyanna e jogar o "Jogo do Contente" até que foi boa... tentar ver o lado bom nas coisas ruins pode ajudar muito em dias de caos... e de chuva também.

Bisous, Pandora Pollyanna

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Enfim, a decisão sobre a escola.


Eu não combino com generalizações, então, falar de escola suíça não é dizer  que elas são todas iguais. Aqui, falo sobre meu mundinho encantado  nossa experiência, onde a escola é pequena, local, quase no topo de uma montanha e é a escola onde meu filho "Tom" estuda e que "Jobim" estudará a partir de agosto.

E esta saga ainda não é algo tranquilo pra mim, por isso, demorei tanto tempo a voltar a escrever sobre este assunto. Tudo isso é porque trabalhei desde os dezesseis anos de idade na área da Educação e só parei, para poder me dedicar à maternidade (há dois anos). Então, dá pra imaginar toda a minha preocupação, né?

Se você caiu de paraquedas por aqui (Seja bem vindo(a)!!!) e quiser se inteirar do assunto, o começo de tudo, está aqui e/ou aqui.

Alors voilà,
A diferença entre o sistema de ensino público suíço é extremamente diferente do sistema de ensino brasileiro e também de uma escola internacional, como trabalhei em Oslo, na OIS (Oslo International School). Então, muito desta minha ladainha acontece, pois, ora me sinto feliz por ter a oportunidade de ver meus filhos desfrutando de tamanha polidez e responsabilidade de uma escola suíça (mundialmente conhecida pela educação e bons hábitos),  ora eu me preocupo com o modelo que me remete à um ensino que conheci apenas na teoria, aquele extremamente tradicional.

E eu sou daquelas pessoas que acredita que a vida ensina o tempo todo. Não acredito em modelos prontos, sou contra todo e qualquer tipo de ensino conteudista e levanto a bandeira de que muitas coisas  são aprendidas através de nossas vivências, nas relações interpessoais e no nosso dia-a-dia.
Mas existe um fator que me preocupa: O processo de maturidade emocional. Sabe, aquele que é construído desde a primeira infância e ao longo de toda a vida? Esse sim, na minha opinião, deve ter uma atenção especial. Em uma analogia bem simplista, é como construir uma parede, um muro. Se começarmos com algumas rachaduras, talvez, mais lá na frente, o muro não se sustente. Por isso, tanta preocupação em fazer o melhor para meus filhos (como a maioria das mães), para promover uma boa base nesta construção da personalidade e da maturidade emocional, claro que, tudo isto, de acordo com nossa possibilidade. Sem neuras... ou quase sem. 
Partindo daí, eu faço um esboço de quem é o "Tom":

Com a palavra, a mãe: (pessoa suspeitíssima para falar do filho)

"Tom" é um menino muito especial. Semana passada, ao deixá-lo na escola, me permiti ficar ali, camuflada em meio a outras crianças e fiquei observando a interação dele com os outros. Neste ínterim, uma menina caiu e machucou o joelho e ele que corria pelo pátio veio e olhou atentamente para a menina. Ele não disse nada com palavras, mas vi em seus olhos o que toda mãe gosta de ver: Ele é bom, tem um coração enorme dentro daquele peito e a mãe baba.
"Tom" é muito alegre, eufórico, barulhento, bem-humorado, ativo, vivo. Algumas vezes é chato, é preguiçoso. Fala mais que o homem da cobra, é político, todo prosa e uma ótima companhia. Em casa é calmo, na escola é o oposto. Lá, desiste fácil das atividades e quer brincar o tempo todo, então, não termina a maioria das atividades. É extremamente inteligente e esperto e adora uma zona de conforto e ser bem tratado. É do signo de Touro, né? Atencioso, sensível, carinhoso... e parece que tem mel. As meninas o bajulam o tempo todo.
Mas... ele também é daqueles que prefere boiar a nadar. "Nadar cansa mamãe", "Escrever cansa", "Estudar cansa"...
"Brincar não cansa!!!", correr muito menos. E corre, viu?

Na aula de música, se destaca. Virou o xodó da professora e quer tocar piano como a vovó e o tio. Já faz planos, disse que vai tocar quando tiver oito anos.
Então, depois de ter uma atenção mais que especial de uma equipe de professores e profissionais inteiramente prontos a nos ajudar, (professores e psicólogos), e após muitas reuniões, tomamos uma  decisão unânime.

"Tom" ficará mais um ano do Segundo Infantil, que seria o Pré no Brasil. E pourquoi?
Pois acreditamos que ele ainda não está totalmente preparado para o perrengue desafio de uma Primeira Série suíça. E chegamos a esta decisão por vários motivos e o principal deles é, por optarmos para que ele tenha um período maior de acomodação de todas as novas informações que ele teve e têm desde que somos uma família, ou seja, apenas dois anos.

Pra entender melhor, dou alguns exemplos:
Aos quatro anos, quando conhecemos, ele não sabia o nome das cores. Tudo era "Veide". Além disso, o vocabulário era restrito e ele mal formava uma frase completa oralmente. Sem falar na dificuldade da fala que apresenta ainda nos dias de hoje. C'est pas grave... estamos batalhando para melhorar e isto é um exercício diário.

Então, desde nosso encontro, ele além de todo nosso esforço em promover muita coisa que não foi estimulada, ele já morou na Noruega (mas não teve contato direto com o idioma) e agora, na Suíça, fala quase fluentemente um francês sem vícios e com sotaque puro, limpo. Seu repertório verbal foi multiplicado e agora ele sabe as cores em duas línguas diferentes... Lê palavras simples, que é a coisa mais linda do mundo e é super capaz!! Mas, percebemos que nem por isso está preparado para seguir adiante, pois, apesar do cognitivo estar em pleno desenvolvimento, o aspecto emocional, ainda  requer cuidados.
E digo: Me senti muito mais leve quando assinei a requisição para permitir que ele refaça o "Segundo Infantil". Eu, mãe estilo "dura na queda", senti que estava dando a oportunidade de deixar com que meu filho curta mais um pouco desta infância gostosa que ele conhece há tão pouco tempo. Que pode brincar em casa, que tem horário livre e sem muitas cobranças...

E o estamos preparando pra isto. Toda equipe, professores, a psicóloga e nós, estamos conversando e tentando mostrar as vantagens de poder auxiliar outros colegas e se sentir importante dentro desta abordagem. Mas não é fácil pra ele, sabemos disso. Acreditamos que talvez no início ele possa sentir mais, ou seja, será mais difícil ver a turminha em outra classe, mas ao mesmo tempo, ele continuará com alguns colegas. Um dia, talvez ele entenda que nossa decisão foi a melhor que poderíamos tomar diante da situação e neste momento. Se acertaremos? Talvez um dia a gente saiba...

E pra terminar este Post, pra eu me sentir mais leve (afinal, hoje é SEXTA!), um trecho de uma música que ele adora e que segundo ele, se canta assim:

"Ensaboa do lado (mulata), ensaboa...ensaboa, tô ensaboando"... (risos), na voz de Marisa Monte.

Certeza que já grudou na cabeça e você vai ficar cantando o dia todo, né não?

Um super agradecimento a todos os comentários nos dois posts anteriores, que me ajudaram muito a discernir o que era real do fantasioso, do que era importante ao que era banal. Valeu meninas!! Vocês sabem o quanto tenho carinho por cada colaboração e pitaco de vocês!!

Bisous mes amis! da Pandora que tá aliviada, mas sem deixar de estar preocupada. E mãe tem sossego?


terça-feira, 5 de junho de 2012

Estamos no jornal Brand News!



Fonte:  Jornal Brand-News, maio/2012


It wasn't me!!!

E foi aberta a temporada de:

  • Comer devagar quase parando e fazer carinha de "ué" quando está comendo...
  • Exigir sempre mais...#insatisfaçãoabsolutadapessoinha
  • Ser contra tudo e todos...
  • Irritar o irmão...
  • Aprontar na escola...
E a mãe? 
Ah! Tá procurando onde foi parar a tal da paciência...

Terrible fours???
Alguma dica??


Bisous, Pandora Perdida

sábado, 2 de junho de 2012

A exposição e a intolerância nas relações.

A exposição não é algo fácil para muitas pessoas e eu, por incrível que pareça, sou uma delas. Mas daí você pode ler os textos que escrevo e assistir aos vídeos em que participo e pensar "Que nada", mas é difícil sim, quer ver?

Vem comigo no desenrolar do devaneio...

***
Me "expor" ou melhor, expor minha história, meus sentimentos mais íntimos e muitas coisas sobre nossa vida foi como aquela pessoa que para perder o medo de altura teve que enfrentar uma viagem de balão ou aquela que por medo de insetos, teve que colocar as mãos dentro de uma caixa vedada cheia de surpresinhas indesejadas....

E eu explico o motivo de tanta neurose preocupação:

A adoção ainda é um tema polêmico. Se você ler os comentários que muitas pessoas deixam abaixo de cada artigo ou cada matéria sobre adoção em sites de grande repercussão, nossa, você verá o quanto ainda existe de preconceito. Uma grande maioria é ignorante, não lê e não conhece sobre o assunto e uma boa parte é incrivelmente induzida a tirar conclusões erradas, como muitos jornalistas despreparados o fazem, destacando a adoção em manchetes como: "Filho adotivo discute com os pais e bate o carro" ou "Filho adotivo é autor de uma chacina..." Enfim, as pessoas passam a acreditar que filhos adotivos são problemáticos e por aí vai.

Também lá no passado, quando fiz a primeira cirurgia de Endometriose, escutei tantas bobagens a respeito do tema que foi então que percebi que muitas pessoas carecem de informações e de bom senso. Falaram de tudo, que eu tinha câncer, que eu havia retirado o útero, que eu não tinha mais ovários... enfim, as pessoas se acham no direito de falar o que querem e o que não querem sobre a vida alheia.

Depois de muitos anos, quando fiz os primeiros tratamentos para engravidar, eu tinha cá comigo que aquilo era algo bem fácil, eu engravidaria de trigêmeos e seríamos felizes para sempre. Mas vieram os abortos e com eles as curetagens e eu fui apresentada ao mundo adulto ("Oi?!").  E a dificuldade maior foi principalmente em ter que lidar com o sentimento de impotência que nasceu em mim, um sentimento de incapacidade, principalmente quando me deparei com o fato de ter feito os tratamentos, de ter engravidado duas vezes e não ser capaz de levar isto adiante... Ahhh, aí o bicho
pegou...

Então, "cadê" que eu falava isto com as pessoas... não, não. Eu me fechava em uma concha e confesso que tive vergonha de mim mesma. Ah, achava que a grama do vizinho era bem mais verde que a minha.

Captou como acabamos engolidos pela massa?

Mas na verdade, fugir do problema a ter que encará-lo de frente é apenas adiar algo que um dia retornará, é um ciclo. E assumir aquilo que é real, sua verdadeira história pode até ser difícil, mas nada como viver sem omissões. A gente se sente bem mais leve...

***

Daí que a vida correu... eu corri também, mas atrás do meu desejo em ser mãe e foi assim que eu apareci, de repente, com dois filhos a tira colo e claro, as perguntas mais que compreensíveis surgiam:

_ São seus sobrinhos Ju?
_Quem são estes meninos? Nossa, eu nem te vi grávida...

Normal né, gente? 

Eu também faria e faço o mesmo!! Estas são as famosas gafes saudáveis, tranquilas  e eu levo numa boa. Na verdade, até faço piada com isso. 

Agora, vamos combinar que também ouvi muita bobagem, que nem vale a pena registrar. Mas, registro ou não, estas bobagens foram o pontapé para minha exposição. Não dá pra sair brigando com tudo e todos, não dá. Mas escrever foi uma alforria, ôooo delícia!! Não que eu tivesse reservas ou fosse uma pessoa tímida antes de ser mãe, pelo contrário, sempre fui muito espontânea e extrovertida, já falei em congressos e palestras, mas nada se compara a isto. Palestrar sobre um tema acadêmico é uma coisa, e falar sobre seus próprios fantasmas, seus medos, SEUS ERROS e compartilha-los publicamente é algo bem diferente.

Quem tem coragem? Fazer isto é ter uma predisposição a críticas e opiniões provenientes das mais diversas crenças (sem dar aqui o sentido religioso).
Um dia, uma pessoa com a melhor das intenções (munida de suas próprias crenças), me deu este conselho:
"Você não precisa falar pra ninguém que eles são adotivos, isto pode afastar algumas pessoas de vocês"....

Quando eu ouvi este conselho, fiquei indignada, juro. Foi como acender uma faísca perto de um combustível e logo pensei: E porquê não? 

Negar uma realidade para agradar a quem? Falar a verdade desmereceria meus filhos? 

Eu concordo plenamente que omitir este fato com uma criança que foi acolhida ou adotada com apenas dias ou meses é uma coisa, mas em uma adoção tardia? Não faz sentido algum, pelo menos não pra mim.

Já o blog, esta vida virtual e paralela me ajudou sim e muito, em vários sentidos. Como eu disse acima, foi como ter medo de altura e "dar uma volta de balão", mas confesso que muitas vezes pensei e penso em parar. E quando faço isto, recebo um e-mail ou um comentário de alguém que me diz ter começado a enxergar a adoção de uma forma mais natural, menos pesada e pejorativa e então, volto a ter coragem. O blog me ajuda a encarar os fatos de uma forma, digamos, menos melindrosa e pretendo, claro, mostrar que a maternidade é a mesma para todos e que filhos adotivos e biológicos nos trazem orgulhos e problemas sim, ou não?

Eu não sou menos mãe por nunca ter engravidado, parido ou amamentado um filho e eles, em contrapartida, não são menos filhos, menos netos, menos sobrinhos... eles vieram de uma forma diferente, C'est ça! Nada além disso. Claro que algumas intercorrências e abordagens têm que ter uma tratativa diferente, mas nada que nos coloque em um nicho particular e isolado.

E ah!! Volto a dizer: Não fiz caridade, não sou santa e nem perfeita e como eu, meus filhos também erram!!  Digamos assim, que estamos todos em fase de aprendizagem.  E por falar nisso,  "bora" aprender mais um pouco?

 Que tal começarmos sobre:  Como tolerar as diferenças? 



Bisous, Pandora Sincera