sexta-feira, 8 de junho de 2012

Enfim, a decisão sobre a escola.


Eu não combino com generalizações, então, falar de escola suíça não é dizer  que elas são todas iguais. Aqui, falo sobre meu mundinho encantado  nossa experiência, onde a escola é pequena, local, quase no topo de uma montanha e é a escola onde meu filho "Tom" estuda e que "Jobim" estudará a partir de agosto.

E esta saga ainda não é algo tranquilo pra mim, por isso, demorei tanto tempo a voltar a escrever sobre este assunto. Tudo isso é porque trabalhei desde os dezesseis anos de idade na área da Educação e só parei, para poder me dedicar à maternidade (há dois anos). Então, dá pra imaginar toda a minha preocupação, né?

Se você caiu de paraquedas por aqui (Seja bem vindo(a)!!!) e quiser se inteirar do assunto, o começo de tudo, está aqui e/ou aqui.

Alors voilà,
A diferença entre o sistema de ensino público suíço é extremamente diferente do sistema de ensino brasileiro e também de uma escola internacional, como trabalhei em Oslo, na OIS (Oslo International School). Então, muito desta minha ladainha acontece, pois, ora me sinto feliz por ter a oportunidade de ver meus filhos desfrutando de tamanha polidez e responsabilidade de uma escola suíça (mundialmente conhecida pela educação e bons hábitos),  ora eu me preocupo com o modelo que me remete à um ensino que conheci apenas na teoria, aquele extremamente tradicional.

E eu sou daquelas pessoas que acredita que a vida ensina o tempo todo. Não acredito em modelos prontos, sou contra todo e qualquer tipo de ensino conteudista e levanto a bandeira de que muitas coisas  são aprendidas através de nossas vivências, nas relações interpessoais e no nosso dia-a-dia.
Mas existe um fator que me preocupa: O processo de maturidade emocional. Sabe, aquele que é construído desde a primeira infância e ao longo de toda a vida? Esse sim, na minha opinião, deve ter uma atenção especial. Em uma analogia bem simplista, é como construir uma parede, um muro. Se começarmos com algumas rachaduras, talvez, mais lá na frente, o muro não se sustente. Por isso, tanta preocupação em fazer o melhor para meus filhos (como a maioria das mães), para promover uma boa base nesta construção da personalidade e da maturidade emocional, claro que, tudo isto, de acordo com nossa possibilidade. Sem neuras... ou quase sem. 
Partindo daí, eu faço um esboço de quem é o "Tom":

Com a palavra, a mãe: (pessoa suspeitíssima para falar do filho)

"Tom" é um menino muito especial. Semana passada, ao deixá-lo na escola, me permiti ficar ali, camuflada em meio a outras crianças e fiquei observando a interação dele com os outros. Neste ínterim, uma menina caiu e machucou o joelho e ele que corria pelo pátio veio e olhou atentamente para a menina. Ele não disse nada com palavras, mas vi em seus olhos o que toda mãe gosta de ver: Ele é bom, tem um coração enorme dentro daquele peito e a mãe baba.
"Tom" é muito alegre, eufórico, barulhento, bem-humorado, ativo, vivo. Algumas vezes é chato, é preguiçoso. Fala mais que o homem da cobra, é político, todo prosa e uma ótima companhia. Em casa é calmo, na escola é o oposto. Lá, desiste fácil das atividades e quer brincar o tempo todo, então, não termina a maioria das atividades. É extremamente inteligente e esperto e adora uma zona de conforto e ser bem tratado. É do signo de Touro, né? Atencioso, sensível, carinhoso... e parece que tem mel. As meninas o bajulam o tempo todo.
Mas... ele também é daqueles que prefere boiar a nadar. "Nadar cansa mamãe", "Escrever cansa", "Estudar cansa"...
"Brincar não cansa!!!", correr muito menos. E corre, viu?

Na aula de música, se destaca. Virou o xodó da professora e quer tocar piano como a vovó e o tio. Já faz planos, disse que vai tocar quando tiver oito anos.
Então, depois de ter uma atenção mais que especial de uma equipe de professores e profissionais inteiramente prontos a nos ajudar, (professores e psicólogos), e após muitas reuniões, tomamos uma  decisão unânime.

"Tom" ficará mais um ano do Segundo Infantil, que seria o Pré no Brasil. E pourquoi?
Pois acreditamos que ele ainda não está totalmente preparado para o perrengue desafio de uma Primeira Série suíça. E chegamos a esta decisão por vários motivos e o principal deles é, por optarmos para que ele tenha um período maior de acomodação de todas as novas informações que ele teve e têm desde que somos uma família, ou seja, apenas dois anos.

Pra entender melhor, dou alguns exemplos:
Aos quatro anos, quando conhecemos, ele não sabia o nome das cores. Tudo era "Veide". Além disso, o vocabulário era restrito e ele mal formava uma frase completa oralmente. Sem falar na dificuldade da fala que apresenta ainda nos dias de hoje. C'est pas grave... estamos batalhando para melhorar e isto é um exercício diário.

Então, desde nosso encontro, ele além de todo nosso esforço em promover muita coisa que não foi estimulada, ele já morou na Noruega (mas não teve contato direto com o idioma) e agora, na Suíça, fala quase fluentemente um francês sem vícios e com sotaque puro, limpo. Seu repertório verbal foi multiplicado e agora ele sabe as cores em duas línguas diferentes... Lê palavras simples, que é a coisa mais linda do mundo e é super capaz!! Mas, percebemos que nem por isso está preparado para seguir adiante, pois, apesar do cognitivo estar em pleno desenvolvimento, o aspecto emocional, ainda  requer cuidados.
E digo: Me senti muito mais leve quando assinei a requisição para permitir que ele refaça o "Segundo Infantil". Eu, mãe estilo "dura na queda", senti que estava dando a oportunidade de deixar com que meu filho curta mais um pouco desta infância gostosa que ele conhece há tão pouco tempo. Que pode brincar em casa, que tem horário livre e sem muitas cobranças...

E o estamos preparando pra isto. Toda equipe, professores, a psicóloga e nós, estamos conversando e tentando mostrar as vantagens de poder auxiliar outros colegas e se sentir importante dentro desta abordagem. Mas não é fácil pra ele, sabemos disso. Acreditamos que talvez no início ele possa sentir mais, ou seja, será mais difícil ver a turminha em outra classe, mas ao mesmo tempo, ele continuará com alguns colegas. Um dia, talvez ele entenda que nossa decisão foi a melhor que poderíamos tomar diante da situação e neste momento. Se acertaremos? Talvez um dia a gente saiba...

E pra terminar este Post, pra eu me sentir mais leve (afinal, hoje é SEXTA!), um trecho de uma música que ele adora e que segundo ele, se canta assim:

"Ensaboa do lado (mulata), ensaboa...ensaboa, tô ensaboando"... (risos), na voz de Marisa Monte.

Certeza que já grudou na cabeça e você vai ficar cantando o dia todo, né não?

Um super agradecimento a todos os comentários nos dois posts anteriores, que me ajudaram muito a discernir o que era real do fantasioso, do que era importante ao que era banal. Valeu meninas!! Vocês sabem o quanto tenho carinho por cada colaboração e pitaco de vocês!!

Bisous mes amis! da Pandora que tá aliviada, mas sem deixar de estar preocupada. E mãe tem sossego?


16 comentários:

  1. Que bom Ju, que vocês decidiram pelo melhor para ele. No início pode ser estranho ver a turminha avançando, mas logo logo ele se enturma com os novos amiguinhos e vai ficar tudo bem!

    Isso dito por alguém que, mesmo já sabendo ler e escrever, teve que repetir o pré pois não foi aceita na 1ª série com 6 anos :)

    Beijos!

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  2. Ah, e adivinha a música que tô cantando agora!

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  3. Ju, meu marido tb repetiu o antigo C.A., exatamente pq era mto ativo, só queria brincar, nao tinha maturidade. Ele já sabia o conteúdo proposto, mas ainda nao tava pronto pra mais responsas, sabe? Hj é um cara super focado, passou entre os 10 primeiros no vestibular, é criativo etc etc etc.

    No caso dele (e acho que é mto parecido com o caso do Gabriel), foi muito bom ter tido esse espaço pra amadurecer.

    ;)

    beijao em vcs!

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  4. Parabéns pela decisão tomada! temos a vida inteira para adquirirmos conteúdos, mas um período muito curtinho para sermos crianças...Vc está sendo uma mãe MARAVILHOSA!!!Tenho plena convcção que no futuro o Gabriel vai agradecer por este caminho escolhido! Bjs, Leonora

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  5. lá.
    Seu blog é muito legal, muita coisa interessante.
    Se quiser participar do agregador Teia seria um prazer para nós
    Parabéns.
    Até mais

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  6. JU,Você é sempre muito cuidadosa
    ao tomar decisões sobre as crianças.Tudo vai dar certo.Conversaremos mais em julho.Beijos. Regina Marra.

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  7. Ju, que legal você compartilhar essa saga aqui no blog. Mil coisas devem passar pela cabeça de uma mãe com o seu dilema. Muito sensato de sua parte pensar no futuro de forma tão responsável. Parabéns. Beijos

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  8. Ju, cheguei...rs
    Amiga enquanto lia o seu post logo lembrei de um aluno que tive e acompanhei o início do período escolar no Brasil. Ele era exatamente assim, também chama Gabriel (mera coincidência), adorável, esperto, carinhoso, distraído para muitas atividades que exigiam concentração, super conectado às Artes.
    Ele também precisou de muita ajuda para finalizar o segundo ano (cujo eu era professora). Também avaliamos que era imaturo para uma série de questões e conectado em muitas outras.
    Nesse momento dá sim um receio de afastá-lo do grupo, de pensar que não está fazendo o melhor. Mas a verdade é que é melhor agora do que mais tarde. Além disso, deixa ele amadurecer um tanto, curtir o que mais gosta de fazer no momento. Com o tempo, tudo se encaixará.
    Sabe que esse meu aluno acabou acompanhando o grupo (pois considerávamos que seria melhor, os pais também) e quando estava prestes a ir para o quinto ano (conto para vc, pois sei de toda história pela mãe, super amiga minha) não estava mais dando conta. A solução foi mudá-lo de escola. Foi para uma escola cuja proposta era tradicional e orientava muito mais o caminho a ser seguido. Dá para entender? Ele era uma criança totalmente distraída, que ia além com o pensamento (a escola na verdade favorecia isso), mas ele acabava se perdendo.
    Atualmente está bem, nessa outra escola foi melhor para ele.
    Sabe onde quero chegar com isso? Que você fez bem, já que a proposta da escola na Suíça exige um tanto dele, talvez a mais nesse momento.
    Verá que foi o melhor... Dê tempo ao tempo. Pra que adiantar?!
    Talvez no começo seja mais difícil, mas depois só terão conquistas. Tenho certeza disso.
    Boa sorte para ele e parabéns para você que foi muito correta em avaliar, ver todos os prós e contras para tomar essa decisão. Dá uma pontinha de medo, de inquietação... mas vai passar.
    Um grande beijo.

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  9. Ju, isso ai! Achei a melhor coisa a ser feita! Bjs.

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  10. Parabéns pela decisão D.Pandora!! Eu disse que na hora certa vc saberia o que fazer, as mães sempre sabem... Bjos :*

    "ensaboa do lado, ensaboa..." ADOREI :D

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  11. Parabéns pela decisão D.Pandora!! Eu disse que na hora certa vc saberia o que fazer, as mães sempre sabem... Bjos :*

    "ensaboa do lado, ensaboa..." ADOREI :D

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  12. Ju, concordo demais coma sua decisão. E vou te dizer que respirei aliviada quando eu soube que a ciça iria ingressar no Matrnelle (onde ficam crianças de 2 a 5 anos incompletos) e não no kindergarten (não sei o nome em francês ainda). Porque já basta mudar de país, de língua, se ainda tirassem o direito dela de brincar livremente, de cantar, ia ser demais para ela. Ela fez 5 em fevereiro, menos de um mês após ingressar na escola. É das mais velhas da sala, mas está muito melhgor nesta sala do que na dos grandes!
    Beijos

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  13. Maezona você viu!!!
    também me preocupo o tempo todo com isso...
    acho que temos que relaxar um pouco, pois acabamos passando essa carga pra eles... não?!
    beijoss

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  14. Ah que bom que vc está bem, Ju!
    Só pude ler o teu post hoje, fico feliz que tenha tomado a decisão que te deixe menos preocupada, menos aflita (pq, afinal, mãe tem descanso????).

    Feliz!

    Beijos!

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  15. Ah, que legal. Acho que a decisão é corretíssima e, com todo este aparato profissional, incluindo o seu, o final da história só pode ser feliz. Já é, né? Bjão.

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  16. Juliana, acho que foi a melhor decisão... sou da opinião que não se deve apressar nenhuma fase, nenhuma etapa, pois acabamos pagando o preço mais tarde. Mudar de país, aprender uma nova língua, se adequar a uma nova realidade, tudo isso é muita coisa pra digerir. Nada melhor do que dar o que aparentemente é um passinho pra trás pra poder dar passos mais largos mais pra frente.
    Beijos!
    PS. Votei no seu post!

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