terça-feira, 3 de julho de 2012

Educação Financeira, chegou a hora!!


Ter consciência e  responsabilidade sob os próprios atos ao meu ver são os desafios da educação que queremos para nossos filhos. Acredito muito na educação que tive, onde tudo era conquistado com esforço e aos poucos e cada conquista merecia uma comemoração à parte. Ahhh, tempos bons, inesquecíveis e dá um gostinho de saudade...

Mas, percebi que apesar de valorizar cada conquista, faltou-me um aspécto importantíssimo, a tal da Educação Financeira. Se por um lado tenho uma consciência sustentável que se preocupa com a água da torneira aberta enquanto se escova os dentes, em tentar re-aproveitar os alimentos, roupas e etc, eu não sei passar por uma boa promoção sem sair com as mãos cheias de sacolas (quem nunca??) e se vou ao IKEA comprar uma lâmpada, saio de lá com um milhares de utensílios mega inteligentes que não tenho nem onde colocar...

***

Então, um dia, após algumas "deixas" dos meninos, conversei com o maridão e decidimos que seria a hora de começar a introduzir o assunto "Dinheiro e Semanada. Quer saber como tudo começou?

Estávamos em um parquinho um dia e os meninos brincavam em um tanque de areia. "Tom" pegou uma pinha de uma árvore e começamos a brincar de caça ao tesouro, onde ele fazia um buraco enorme, enterrava a pinha e "Jobim" "O Pirata" tinha que tentar encontra-lo. De repente, "Tom" aparece todo orgulhoso com uma moedinha amarela de 5 centavos de francos suíços e diz:

_Olha mamãe, achamos um tesouro de verdade!! 

E foi então que dissemos:

_Que legal filho!! Vamos guardar esta e juntar muitas outras pra fazer um tesouro maior ainda? 

Assim, introduzimos o tópico Educação Financeira com os petits.

À partir daí, tivemos muitas conversas e começamos a dar uma "semanada" simbólica, apenas para construir a ideia de dinheiro e quantidade, então, passaram a ganhar moedas de 1 CHF, 2 CHF e excepcionalmente 5 CHF.

Um dia, enquanto fazia compras de supermercado, "Jobim" viu na gôndola de produtos para o Verão, um barquinho de plástico, simples, que custava 7,90 CHF, o que se convertermos para a moeda brasileira daria aproximadamente o dobro, ou seja, R$16,00. Não é caro, o desfecho seria simples e eu poderia colocar o barquinho no carrinho e comprar. Simples assim.  

Mas, não. Quero mais para meus filhos.

Olhei para aquele barquinho e falei com ele:

_Filho, o barquinho custa 7,90 CHF, vamos ver quantas moedinhas você tem em casa pra saber se você já pode comprar com o seu dinheiro? 

Pausa:
Não foi fácil não. Fiquei pensando no risco de sair do supermercado sem o barco, voltar para comprá-lo e não encontrá-lo mais. Pensei inclusive em  armar algo, como comprar sem que ele percebesse e garantir que ele teria o barquinho depois... Pensei, pensei, pensei... E decidi com o maridão, que deveríamos correr o risco e trabalhar com a frustração, caso fosse necessário. O famoso e cruel "Preparar para a vida".
Fim da Pausa

Chegamos em casa.
Lucas correu para seu cofrinho e contamos juntos suas moedinhas. Ele tinha apenas 4 CHF e fizemos as contas de quanto faltaria para que ele conseguisse chegar ao total.
Após duas semanas, ele finalmente conseguiu e ao perceber isto gritou:

_Vamos lá mamãe, comprar o barquinho com meu dinheiro!!! 

Gelei... 
"Super gêmeos ativar!! Forma de um barquinho de plástico...."

Comecei a devanear  pensar: E se o barquinho não tiver mais lá... E se...  E se... Quem mandou querer ser uma mãe politicamente correta? Quem? Agora aguenta o rojão amiga!!  "Bora" ao supermercado.

Lucas entrou e sem titubear foi direitinho até a gôndola, o que me preocupava ainda mais...  Primeira tentativa e eu cega não enxergava o tal do barquinho e já precipitadamente logo soltei um "tarde demais" arrependido, me auto chicotando nas costas. Maridão, a parte centrada e equilibrada da família (ainda bem que tem!!), olha com calma e... Páh!! Pergunta:

_ É esse?   

Eita que esta pergunta foi mais que gostosa de escutar... Em câmera lenta, corri em direção ao outro lado da gôndola onde ele estava e com os braços e os olhos esbugalhados, e lentamente senti a vitória, como se pegasse um bastão em uma corrida olímpica.

"Jobim", pegou o pacote primeiro e falou:

_É esse!!! Oba!!!Eu vou comprar com o meu dinheiro!!  E deu um beijo no barco. (a parte do beijo doeu minha gente)



Agora, antes que você, leitor(a), também me jogue na fogueira, (eu já o fiz!!!), eu explico:

Eu acredito que inteligência emocional, aquela em saber lidar com frustrações e outros sentimentos conflitivos,  muitas vezes é algo ignorado pelos pais. Nos preocupamos com a saúde física, com a questão acadêmica, se nossos filhos falam e escrevem bem, se fazem contas matemáticas, se são educados, enfim, damos importância aos aspectos básicos de sobrevivência humana. Mas e a saúde emocional? Esta sim, além de todos os quesitos acima, será muito cobrada futuramente. Esteja seu filho na escola, na universidade, seja seu filho patrão ou empregado, para ambos, a pessoa necessita saber lidar com situações adversas que surgem diariamente e que exigem muito além daquilo para o qual nos sentimos preparados.

E eu acredito que isto se constrói passo-a-passo e são nestes momentos de conflito, que temos a oportunidade de promover o amadurecimento de que precisamos, não é mesmo? Há uma ano, eu contava sobre a cereja do bolo, uma outra situação para saber lidar com a frustração... que me rendeu noites de insônia. Vale a pena, confira aqui.

E imaginem vocês, se o barco virou o brinquedo preferido dele?

Pior que não. Da mesma forma como se eu tivesse comprado no supermercado no mesmo dia de seu súbito desejo, o barco foi super querido nos dois primeiros dias, mas agora já está no meio de tantos outros brinquedos, mergulhados em uma caixa. O que ficou disso tudo, foi exatamente aquilo que não se tem, mas se é. É o ser, ao ter.

A imagem de "Jobim" conquistando "com seu próprio suor" um brinquedo foi o ápice da auto-estima dele. Ele amou, dançou o dia todo, cantarolava aos quatro ventos que ele tinha conseguido, enfim, isto, não se apaga da memória. O barco quebra, acaba, mas o sentimento, a sensação de conquista a gente nunca esquece.

Agora, ele está com apenas uma moedinha no cofre e já faz planos futuros... um fofo gente!!!
Do outro lado, está "Tom", com uma quantia de  14 CHF, ohhhhhhh!!! Seus planos são mais ambiciosos. Ele quer comprar um brinquedo super legal que viu na casa de um coleguinha e é beeeeemmmm mais caro que um barquinho de plástico. É claro que neste inteirim, existem os avós, os aniversários, as surpresas... Mas, continuaremos incentivando as conquistas e ao mesmo tempo, procurando dar exemplos saudáveis...

Bisous, Pandora Educadora


9 comentários:

  1. Certíssima Ju! Acho que é desde cedo, pequeno que devemos ensinar isso aos filhos. Por aqui também não rola sair comprando brinquedo. Felipe, por exemplo, já sabe e quando vê algo no mercado, logo diz: "No meu aniversário, de Natal... rs"
    Tem hora que também fico com o coração apertado, mas no futuro teremos um retorno bom se fizermos isso. Senão que valor eles darão para as coisas.... Me fala!
    Além do mais, é assim como relatou... Brincam um pouco e depois descartam. Logo querem outro, outro e mais outro.
    Um grande beijo minha quase vizinha.

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  2. Ju, vocês estão certissimos!! Acho q a geração deles recebe muuuuito mais do q a nossa, eu não me lembro de ganhar tantas coisas sem ser em datas festivas. E hoje em dia, eu me vejo querendo comprar e comprar coisas pro Uri, como se ele fosse ser menos feliz sem elas.. Estou sempre no exercicio de me policiar pra q isso não aconteça (mmo pq o dinheiro acaba), mas é dificil.

    Vou seguir teu exemplo quando ele crescer um pouquinho!

    Beijos!

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  3. Ju, eu acho que vc arrasou, mulher! Vcs estão certíssimos - e nada como um marido calmo e equilibrado para achar o barquinho no meio de tantos tesouros, não???

    Tem que ser assim mesmo! E se o barquinho nã otivesse lá na volta, certamente teria outro brinquedo, outra coisa que ele gostaria de ter da mesma forma.... (e deixaria encostado no fim do dia da mesma maneira).

    O ideal é sabermos poupar quando necessário e gastar quando necessário tbm. Quem não merece um banho de loja? De cabeleireiro? De manicure???? Claro que merecemos, todos nós!!! Sabendo gastar, podemos comprar tudo o que quisermos e pudermos (especialmente).

    Eu não sou fã de shopping, de mercado, de nada que tenha que comprar, não sei pq - acho que é pq não tenho dinheiro para sair gastando e fico tão puta de não ter o necessário para comprar algo que quero e gosto mto, que acabo não vendo nada e não comprando nada. Mas eu poderia comprar outras coisas... é que meu olho é de rYca e PHYna, então, só compro coisas que eu gosto muito e quando gosto muito! Assim, não me arrependo de ter comprado nada inútil...

    Beijos grandes! Adorei a história!

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  4. Muito legal a iniciativa! Como você mesma disse, ele ia largar o brinquedo de qualquer jeito, mas pelo menos esse ele aprendeu a conquistar!

    Quando eu era pequena, sempre sofria pois queria ter brinquedos que não podia. Mas hoje valorizo essa condição da minha família, que me ensinou a dar valor ao que tenho. Pretendo passar isso aos meus filhos também.

    Uma lição e tanto!

    Beijos

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  5. Tem nada que te jogar na fogueira nao, vc ta mais do que certa, alias, vcs, vc e seu marido.

    Eu fui criada assim, meus primos tambem, sempre demos valor ao dinheiro, aos nossos presentes e assim pretendo criar meu filhotinho.

    Nada nessa vida vem de graça e quanto mais cedo aprendemos isso, melhor vivemos. =)

    Beijocas querida.

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  6. Mas estão muito certos!!!! Aqui em casa já é assim com o mais velho (bom, quando ele quebrou o braço eu amoleci, mas ai né?) Ele lembra de tudo o que comprou com o dinheiro dele. Os pais também tem que dar o exemplo, BJS

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  7. Você está correta, é difícil mesmo mas é nossa tarefa educar... e lidar com as conquistas e frustrações são parte da vida também! Beijo

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  8. Querida, certíssimo o que fez. É muito importante ensinar os pequenos a lidar com dinheiro e com frustrações. Em um mundo cada vez mais poluído de ganância e quereres sem propósito, sorte de quem tiver a mínima noção de como a vida realmente é.
    Eu uso a técnica do cofrinho aqui em casa há tempos, e funciona demais. Meu filho, inclusive, colaborou para economizar para uma viagem à Disney! Maravilha né?
    Leia lá: http://maedacabecaaospes.com.br/?p=497
    Se digitar ëconomia"na pesquisa interna, vai achar outros dois textos que acho que pode gostar de ler!
    grande beijo, e boas economias!!
    Beatriz Zogaib
    http://www.maedacabecaaospes.com.br

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  9. oi Ju!
    adorei o post... você me eu ótimas idéias para fazer com a Valentina.
    e esta coberta de razão, se não fizermos isso agora... depois fica dificil...
    achei bacana também os comentários, aprendendo sempre...
    beijinhos

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