domingo, 2 de setembro de 2012

Desacelerando...

Se você tira um dia pra arrumar seu guarda-roupa, ou mesmo o de seus filhos, qual é a primeira coisa que você faz?
Bom, aqui funciona assim: Eu retiro tudo primeiro, coloco em cima da cama, dou uma boa faxina em tudo e depois do caos estabelecido, volto tudo, aos poucos, para seu devido lugar. O incrível é que o guarda roupa, apesar de ser o mesmo e ter as coisas organizadas no mesmo lugar, muitas são retiradas pra doação por não servirem mais e claro, damos espaço às novas, que foram adquiridas. O mesmo guarda-roupa, mas diferente.
Mas questão a ser confabulada aqui neste texto, não é sobre organização apesardeamarestetema, na verdade, vamos falar do caos estabelecido em cima da cama, antes da re-organização.
Assim, vejo a VIDA em alguns momentos, nos dando a oportunidade para uma pausa, uma "faxina interior", ou simplesmente, um novo olhar para as coisas ao seu redor. 
***
Voilà,
Maio/2012
Um stress começa a acontecer no apartamento onde moramos por conta de uma grande infiltração em 50% da área total. Além do entra e sai de pedreiros em casa por conta da reforma, uma forte alergia atacou a mim e Gabriel durante este tempo, o que gerou um stress maior ainda e eu simplesmente fiquei surda do ouvido esquerdo.

Final de Junho/2012
Alguns dias antes de embarcarmos para o Brasil, ainda surda e com um zumbido forte no ouvido esquerdo, acordei, troquei de roupa normalmente e fui até a cozinha do então apartamento provisório onde estávamos para preparar o café da manhã e o lanche das crianças. Foi quando percebi que a cozinha estava digamos, meio torta. Não, a cozinha não estava torta, era o chão talvez... não, não era o chão...talvez tudo estivesse derretendo, como nas pinturas surrealistas... ou talvez fosse só um sonho.
Eu comecei a me segurar nas paredes. As pernas não me obedeciam mais e eu não era capaz de andar em linha reta. Desmaiei.

***
Meu marido fala um inglês como poucos, mas ainda não teve tempo de ter aulas de francês por aqui, já que o trabalho é todo em inglês. Quando me viu naquele estado totalmente inesperado, ligou para o hospital. Do outro lado da linha, ninguém falava inglês... Quem entra em ação? Meu super filho "Tom". Aos seis anos, assumiu o telefone do pai e pediu, em francês, uma ambulância ou um médico para a mãe, que a esta altura dos acontecimentos, já havia acordado do desmaio, mas não parava de vomitar um segundo sequer. CUIDADO! GESTANTES E PESSOAS SENSÍVEIS DEVEM EVITAR A LEITURA DO TRECHO A SEGUIR: Pensem, eu havia acabado de acordar. Não tinha nadinha de nada para vomitar, mas o corpo mandava pra fora tudo aquilo que eu havia engolido "goela abaixo" durante o ano todo (Aqui o ano letivo começa em agosto)... O suco biliar produzido no fígado jorrava e eu já achava que estava vivendo um filme de terror ou exorcismo. O pior: Meus filhos, assistindo ao vivo a sessão extra.
Uma hora, sem exageros, foi o tempo em que eu coloquei literalmente, toda a amargura amarela pra fora. Só parei após o médico chegar e injetar sei lá o que na veia, que me fez dormir por três horas seguidas. Eita sossega leoa bom!!!!Dormi como uma "anja".
E foi aí que começou minha pausa.

***
Após o ocorrido, o ouvido ainda continuava surdo e eu, não conseguia fazer nada devido às tonturas. Não conseguia sequer, colocar as roupas no varal de chão. Não cozinhava, não dirigia, não andava normalmente... Dá pra imaginar a vida de uma mãe assim? Pra se ter uma ideia, meu olho parecia girar quando eu olhava pra tela da televisão ou para o computador. Livro então, era tortura ver todas as letrinhas dançando na página.
Era a vida, me dando a oportunidade de apenas PENSAR.
***
Então, após uma semana re-aprendendo a desacelerar e ainda surda, tive um insight e marquei uma sessão de acupuntura. Era uma sexta-feira, às 18h15.
Fiz a sessão e nada. Saí do stúdio como havia entrado... Mas felizmente, uma hora depois, um barulhinho suave, mas parecendo de uma tampa a vácuo me chama a atenção e eu, começo a ouvir novamente.
Incrível, mas apenas damos valor nas nossas funções básicas, quando as perdemos de alguma forma.
Pensar
Ouvir
Contemplar
E perceber.
Percebi que eu tenho um limite claro. Não faz muito tempo que eu estava me recuperando de uma grande cirurgia... Daí veio a ideia da música no post anterior a este, uma oportunidade pra desacelerar, pra entender que "parir" dois filhos já falantes e pensantes muda totalmente sua vida e que apesar de toda a alegria, do amor que temos e da família que construímos, existe também a exaustão, já que além do fato em si, agregam-se a este questões como mudança de país, aquisição de nova língua, adaptação a uma nova cultura, enfim... não estamos falando apenas de adoção, certo? 

Que fique claro minha gente: Meu stress vêm de um TODO, de muitas novas informações em um período curto de tempo e esta carga não pode ser destinada apenas aos meus filhos. Criança dá trabalho. Oba!!! E foi tendo esta certeza que decidimos ser pais, nada além do previsível!!

Portanto, desacelerar não foi uma escolha consciente a princípio. Ela foi imposta e de uma forma nada agradável.
Me fez olhar pra mim mesma com mais RESPEITO, eu diria.
E percebi principalmente que acima de querer cuidar e fazer 100% para marido e filhos, a Juliana aqui precisa se cuidar primeiro. Fiz falta gente...

Na semana em que estive completamente OFF, o "caos em cima da cama" foi estabelecido em casa. Dá pra imaginar, né?
A vida bagunçou e eu não podia fazer nada a respeito, ou seja, eu apenas assistia o quanto o nosso papel dentro de uma família é importante e desta forma, o que adianta ver a orquestra linda e bem aprumada, se o maestro está capengando no palco? Maestro sim, quem duvida?

Coube a mim e ainda venho fazendo, arrumar e colocar cada coisa em seu lugar, literalmente. O maridão fez 100%, ajudou muito, mas pagou um preço por isso. Trabalho acumulado e caos do lado de lá. E dias antes de irmos ao Brasil, eu ainda inchada pela medicação (Cortisona), convidada pela querida Priscilla, gravei uma participação no Tricô do Mamatraca, falando justamente da segurança que batalhamos pra transmitir aos nossos filhos todos os dias. E é por isso, que a palavra da vez é: DESACELERAR...


Antes

Depois
E foi tão bom escrever... me re-organiza, me inspira, me renova...

Bisous, Pandora Adormecida -Parte II

17 comentários:

  1. Ju fico feliz em lhe ver de volta, mais feliz ainda em saber que estao todos bem, isso eh o mais importante!
    O estresse infelizmente faz parte da vida moderna, e faz tao mal quanto excesso de sal, açucar e gordura hahah, é preciso encontrar o equilibrio, mas parece que a gente (mae) so aprende com o susto mesmo hahaha.
    Devagar com o andor que o santo eh de barro, minha querida.

    Beijao e tudo de bom pra vcs, aparece la no clubinho do MI fofocar conosco, botar pra for a faz bem :)

    ResponderExcluir
  2. Ju, que bom que voce esta melhor! Mas q susto!!! Eu acho q nos mulheres temos tendencia a achar q aguentamos tudo, que temos a obrigacao de aguentar, e ir somando, e ir acumulando, e a não pedir arrgo porque seria sinal de fraqueza, e vamos lá q temos isso, isso e isso pra fazer, e deixamos os sentimentos de lado e seguimos em frente..

    mas não dá... chega uma hora q o "sistema" pede descanso, entramos em pane!

    Fique bem!!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Fiquei lendo o texto e pensando: ela deve ter gravado o vídeo antes disso tudo acontecer. E... não!
    Mais uma vez preciso te agraceder pela sua (como sempre) incrível colaboração no Mamatraca, e te desejar um retorno suave para a blogosfera.
    Beijos
    Pri

    ResponderExcluir
  4. Ju, as provações são grandes quando nos decidimos à viver nos caminhos do Senhor,mas vem Dele a fortaleza para vencermos as tribulações.Busquemos a santidade.pois ela nos dá a verdadeira liberdade e felicidade que tanto procuramos.
    A vida eh mesmo uma caixinha de surpresas...nao sabemos como sera o dia de amanha!
    Pega leve,literalmente! Se cuida,Bjos.
    Daniela Søvik.

    ResponderExcluir
  5. Que bom que você voltou Ju. Tava com saudades dos posts...
    Em Out 2008 também tive um "sossega leoa" e o engraçado que foi assim mesmo que eu o nomeei. Caí na porta de casa, um tombo bem besta e fraturei o coccix (nem sabia como se escrevia esta palavra antes do tombo). E o resultado disso foi: dores intensas, 3 meses literalmente de cama (não conseguia sentar, muito menos andar) e muuuiiito tempo pra pensar na vida. Mas acredito que o saldo foi mais positivo do que negativo, mudei muita coisa em minha vida. Costumo dizer que a vida antes do tombo era uma e depois do tombo é outra. Foi um marco. Essas coisas acontecem para nós enxergarmos que alguma coisa precisa mudar... Melhoras e bem vinda de volta!!! Beijão. Gisele

    ResponderExcluir
  6. Muitas vezes temos que ser paradas ao invés de desacelerarmos né? Que bom que agora está tudo entrando no eixos.

    Beijão

    ResponderExcluir
  7. Caramba Ju... não fazia conta desse estresse em você, sempre tão animada, alegre... Fiquei assustada com as consequências. Que bom que está melhor e encontrando o equilíbrio. Beijo

    ResponderExcluir
  8. Nossa Ju, que susto menina!! Imagino so como foi viver essa situação... Tu em pausa, os meninos e o maridão assumindo tudo (porque né, maridos devem assumir o risco de uma coisas dessas acontecer e o leme do barco sobrar pra eles!).... Espero que tudo esteja sendo resignificado e reorganizado na vida familiar na medida em que tu precisas porque nos também temos nossos limites, alias, nossos corpos sobretudo! melhoras querida!!! bjus!

    ResponderExcluir
  9. Ai D.Pandora adormecida, que susto!! Mas como é bom se re-organizar não é? Dia desses levei um "chacoalhão" do marido, dizendo para eu relaxar... Tô tentando, mas confesso que não está sendo fácil!! Bjos :*

    ResponderExcluir
  10. Puxa quanta coisa viu!!!! Estava com saudades de vcs e do seu cantinho vinha aqui e o via tão solitário.....Espero que melhore logo logo!!!!! Bjksssss

    ResponderExcluir
  11. Opa!
    Feliz com a tua volta.
    Realmente, por mais que a gente ache que consegue racionalmente lidar com todas as transformações da vida, tem sempre um ladinho que vai capengar... e normalmente é a saúde que pega!

    Depois que me mudei de São Paulo pra Floripa, comentei com o Marido que "nossa, como eu tinha passado bem por tanta transformação" e ele respondeu: "a é, e as aftas?".
    É isso né, nosso corpo nos mostrando que precisamos dar um pouco de atenção a ele.

    Que pena que você teve que perceber da pior forma, mas que bom que percebeu logo, e já está tratando de reverter a situação.

    Bem-vinda de volta, estava com saudades...

    Bjos

    ResponderExcluir
  12. Fico muito feliz que você tenha voltado a postar e, principalmente, que esteja bem de saúde! Eu sempre leio seu blog "na surdina", me emociono constantemente contigo e com teus meninos, apesar de pouco (ou nada, não tenho certeza) comentar. Mas preciso te contar algo que me aconteceu ontem... Fui à livraria Leitura de um shopping aqui de BH procurar um livro para dar de presente a uma sobrinha emprestada, que é adotiva. Ela foi adotada há um mês e meio (as mães dela lêem seu blog :) e eu queria um livro que tivesse a ver com esse universo. Estava procurando o O Livro da Família, do Todd Parr, conhece? Pois bem, uma vendedora veio me ajudar e vimos que não tinha o livro na loja, mas ela perguntou que tipo de livro eu queria e eu contei a história... e ela me revelou que também é adotiva e foi me ajudar a encontrar livros sobre o tema, pra uma criança de dois anos. Minha surpresa foi chegar no pc dela e ver que ela estava acessando o seu blog, um post em que vc dá dica de um livro sobre adoção! Fiquei pensando "nossa, ela também lê a mãe Pandora, que máximo!" hahahaha!

    Se você tinha alguma dúvida que esse espaço é de utilidade pública DE VERDADE, não tenha mais. :) Fico pensando se a moça lê o seu blog porque é mãe, porque é filha adotiva, porque gosta de livros infantis, porque gosta da sua escrita, ou tudo isso ao mesmo tempo...

    Beijos, Ju! E sigo torcendo e rezando por sua saúde.

    ResponderExcluir
  13. Ju, que bom que você voltou! Estava preocupada e com saudade dos seus posts!
    Realmente temos que nos cuidar sempre, por mais difícil que seja, precisamos do nosso tempo e da nossa saúde. Cuide muito bem de você para poder cuidar muito bem do marido e dos filhos.
    Vocês estão de férias no Brasil? Foi bom vir para relaxar um pouco, não é?!
    Beijos
    Chrys

    ResponderExcluir
  14. Como sempre, uma delícia ler seu blog amiga. Bj, Frô.

    ResponderExcluir
  15. Oi Ju,
    Apesar de ter aompanhado um pouco de todo esse stress, acredito que recebemos essas "prendas" na vida para que possamos refletir e tomar decisoes como a que vc acaba de tomar...desacelerar. Nada nessa vida compensa se estamos destruindo nosso corpo e nossa alma.
    Que a vida por aqui nos prega algumas pecas, nos coloca em situacoes delicadas, com certeza..... mas tbm tenho a certeza que se estamos aqui, eh porque Ele acredita que possamos realizar essa missao com dignidade, tranquilidade e sabedoria. Isso mesmo, sabedoria. Para mim essa eh a palavra que define a nossa responsabilidade como individuos. Somos consequencia daquilo que decidimos,quq escolhemos e do que fazemos. E para isso, devemos ser sabios em tentar fazer nem sempre o mais correto, mas aquilo que acreditamos ser o melhor naquele momento.... Continue assim minha amiga... respeitando seus limites... e qdo precisar grite!!! Estarei sempre aqui por perto para qquer necessidade!!! Para qquer papo furado.. e umas boas risadas!!!Beijos e relax.... Gabi

    ResponderExcluir
  16. Oi Juliana,

    senti a tua falta!
    posso imaginar o stress todo rolando...
    Eu, como vc, mora na Suiça e estou gravida e tenho uma criança bem pequena. Meus pais vieram me ajudar, agora antes do parto, e vejo que tinha ambiçoes de abraçar o mundo sozinha, carregar tudo nas minhas costas... Esta sendo otimo deixar-me ser cuidada... Desejo que vc tenha, também, esta possibilidade...

    estou na torcida por vc!

    abraços e beijos

    ResponderExcluir
  17. Juliana quanto tempo não venho aqui... Que bom que está melhor, que desacelerou.... Isso faz bem, renova... É necessário... :)

    Beijos
    Carol

    ResponderExcluir

Seja bem-vindo(a)! Sente aqui na varanda que eu vou passar o café!