quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O trajeto de cada um

Anteontem li um texto da Patrícia Boudakian que me fez pensar muito. Logo depois, li o desabafo da Claudia Martins e fui então, tomada por um sentimento contraditório e ao mesmo tempo semelhante entre os dois. Para me organizar internamente, decidi escrever, tentando assim, acomodar todas as informações.

E para que eu me organize, preciso me envolver com os sentimentos relatados nos textos e ao mesmo tempo,  participar deste triálogo. ou penso eu poder ter esta ousadia.

Começaria pelo desabafo da Cláudia, onde ela, em suas palavras, me faz lembrar muito de um momento em minha vida que fora realmente, como ela o coloca, muito sofrido. Ser mãe, para nós mulheres que por algum motivo não podemos gerar naturalmente e/ou artificialmente, vai muito além da retórica. Dói, de verdade.

Patrícia, nos trouxe uma história de um amigo, que sofrera um acidente e está em coma em um leito de hospital. E ela, como água em brasa, fez um apelo para que deixemos tantas diferenças entre discussões que ora surgem aqui, ora acolá, e que nos apoiemos naquilo que realmente importa nas relações parentais, maternais ou chame como quiser: O AMOR.
***

Daí você me pergunta, qual a relação entre os dois textos?

Talvez nenhuma, mas os vejo como dois textos que conversam entre si, que fazem muito sentido dentro do contexto da minha história.

Vejam bem:
Uma mulher que não consegue gerar filhos biológicos, aprende com a circunstância a lidar internamente com o luto da impotência. Ora, por mais que ter filhos seja uma escolha pessoal e futura, nós, ex-meninas, crescemos com a clara certeza de que mulheres engravidam e se não o desejam, existem métodos anticoncepcionais, certo? Homens idem e seguem o mesmo raciocínio anterior.

Então, eis que em um dado momento, somos pegos por surpresas jamais imaginadas e é aí, que começamos a (re)aprender a vida, tal qual ela realmente é.

No texto, Patrícia pensa na mãe daquele que se encontra em coma e em seus sentimentos que no momento, não devem ser os mais fáceis e Cláudia, se sente triste em pensar que poderá passar mais um Natal a espera de um(a) filho(a) que custa a chegar. A co-relação entre os textos na minha opinião, é clara.

Como estarão estas famílias no próximo Natal? Uma a espera que o filho volte e outra a espera que o(a) filho(a) chegue.
No fim, estamos todos a procura de um só caminho, mas cada qual com seu trajeto e sem julgamentos.

Eu, mãe, mãezona mesmo, daquelas que se lambuzam com o mel que lhe fora dado a comer, torço muito para que ambas as personagens reais destas histórias, passem o melhor Natal de suas vidas e que enquanto esperam, possam seguir em frente com a certeza de que o melhor acontecerá.

A resposta vem...
Muito amor a todos!!

Foto retirada da web
Bisous,

9 comentários:

  1. Ju, que texto lindo! Realmente temos que agradecer e considerar muito o caminho do outro, respeitar e darmos todo o carinho que merecem. Temos que acolher, considerar nossa vida, nossas conquistas, desafios e agradecermos... Agradecermos!
    Beijo grande.

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  2. All we need is love! :)
    Em qualquer formato, em qualquer momento, com ou sem vínculos e sem preconceito algum!!

    O amor traduz-se na sua melhor forma em um "bom dia", "obrigado", "por favor", e, acima de tudo, no RESPEITO!

    Que esse espírito de Natal de que se aproxima renove as esperanças e abra novas portas para a Cláudia
    e traga a saúde que o amigo da Patrícia precisa agora!

    Beijos Ju!

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  3. Ju que bela reflexão. Essa espera é muito dolorida. Digo pois já passei..
    Espero com você que tudo dê certo!!!

    Bjossssss
    Carol

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  4. Ju, linda reflexão.

    Hoje tem post no mmqd sobre isso de ser mãe, escrito pela nívea, do mil dicas de mãe. excelente texto tbm.

    à propósito, o amigo da Pati (Boudakian) faleceu... e, certamente, sua mãe não terá um Natal agradável, infelizmente. Oremos para que a Cláudia consiga engravidar e uma das personagens dessa história termine feliz.

    Beijos grandes!!

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  5. Dani Rabelo, obrigada pela informação.
    O texto da Patrícia me tocou profundamente e o meu estava pronto desde ontem, mas hoje, resolvi publica-lo.
    Meus profundos e sinceros sentimentos para esta família, à Patrícia, e todos aqueles que conviviam e partilharam de momentos tão únicos com este jovem.
    Fiquem em paz!
    Sinceramente, Juliana

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  6. Oi, Jú, tudo bem? Querida, muito obrigada por tamanha sensibilidade. Por se envolver e se permitir pensar e questionar as muitas questões da vida.

    Eu entendo perfeitamente os dois pontos de vista e acredito que a resolução acontecerá. Doa a quem doer, infelizmente a vida é assim.

    Meu amigo faleceu na madrugada da segunda feira. Foi (e está sendo) muito difícil mesmo.

    Espero que a Claudia realize seu desejo e consiga logo ter um bebê em seu aconchego.

    Quando peço para as discussões cessarem e todo o resto, digo também por mim, tão cabeça dura quando o assunto é parto ou amamentação. Sempre brigando pelas causas, expondo minha opinião... mas acontece que num momento tão sofrido como o que vive e pude estar ao lado dessa mãe, me restou uma mágoa enorme por muitas vezes julgar e tal quando na verdade o amor de mãe é enorme, independente de parto, peito, escola... e isso me serviu de aprendizado. Sigo militando mas sem tantos dedos na cara como vejo diversas blogueiras fazerem diariamente.
    Grande beijo!

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  7. Querida Patrícia, como já te escrevi, meus sinceros sentimentos pela perda de seu amigo. Fiquei muito triste com a notícia.
    Entendo perfeitamente quando você ou outra militante sobre parto e amamentação "brigam" e/ou lutam por um assunto que é de extrema importância e que na verdade, vocês são responsáveis muitas vezes por trazer o conhecimento a muitas mães que talvez ignorem tantos aspectos que de alguma forma, não são claros a maioria da população brasileira.
    Fique bem minha querida, um abraço bem apertado, Juliana

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  8. Ju... adorei seu post, sua correlação teve tudo haver... amei mesmo!!!!
    beijosssss

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  9. Juuuu, adorei o texto, muito lindo e triste... Massss, na boa, ta? Quando li o titulo, pensei que voce ia escrever alguma coisa sobre o trajeto que voce faz pra ir e voltar da escola, de imediato fiz esta associaçao, rs. Bj.

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