quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A construção do vínculo na relação afetiva.

Nem sempre o óbvio, é óbvio.
Nem sempre o que eu vejo é claro para o outro.
Nem sempre sou racional.

Hoje, a caminho de uma conversa com a psicóloga de "Tom", eu e o marido conversamos sobre um assunto que, creio eu, foi mais válido que a própria conversa que a que tivemos com a profissional.

Contemplamos a respeito deste garoto que tem um coração enorme. Ele é a gentileza em pessoa!
Tête-à-tête, ele é uma criança apaixonante, e não é papo de mãe não, heim? Ele conversa, ouve e inspira a contação de muitas estórias pelos adultos. Um fofo! A questão é no grupo.

Não sabemos ao certo se esta dificuldade provém de sua experiência no abrigo com outras crianças, pois algumas vezes presenciamos umas brigas entre ele e outra criança que também morava lá, ou de qualquer associação que por ventura ele possa vir a fazer em um ambiente com mais estímulos. O fato é que ele, dentro do grupo, extrapola. Ele assume uma tonicidade corporal visível e a agitação predomina, o tornando o dono do barulho, dos grunhidos, correrias e afins. O que não é errado, mas um pouco exagerado e desta forma, o leva a necessitar de um trabalho terapêutico, como tem feito.

Seria, esta dificuldade, uma forma de chamar atenção dos outros? Ou, conforme diz o ditado popular, "o buraco é mais embaixo"?

Na minha opinião, a segunda opção.

Pelo histórico que temos de sua experiência de vida dele até os quatro anos, destes quatro, dois em um abrigo, penso que para ele, amar pode estar relacionado à dor. Imagine uma criança que não teve os cuidados necessários enquanto bebê, que teve desta forma, que aprender a se defender de um sentimento que é nato, em nós seres humanos, pois gostamos sim de sermos cuidados, de nos sentirmos amados.

Pense que, quando este cuidado falta por algum motivo, temos que aprender a lidar com as ferramentas internas que dispomos, e a maior delas, é a defesa, certo?

Defesa do quê? De quem?

Do vínculo. Do amor. 

Estar tranquilo é deixar que o outro se aproxime, e de uma certa forma, que se aproprie de nós.

É se deixar ler, é conhecer o outro da forma mais íntima e tornar-se vulnerável. É deixar-se amar e amar junto (sem medo), nem que seja em uma brincadeira de pega-pega, ou na construção de uma torre de plástico juntos. A relação é de cuidado, de amor e da construção de vínculos afetivos. Uma relação inter-pessoal plena, sem limitadores.

Quem se defende da aproximação por medo da entrega, repele. Repele o outro (ou os outros) das mais diversas formas. No tapa (o que não é o caso), no grito, na agitação, na hostilidade, no excesso... ou simplesmente, na não disposição ao vínculo. Afastar-se é a melhor saída. Só que não.

É assim que leio meu pequeno-grande menino. É a forma como sinto o que as palavras não dizem, ainda. Uma criança de 6 1/2 anos que demonstra uma dificuldade enorme e compreensível ao estabelecer vínculos duradouros, pois fazê-lo, seria arriscado demais. Amar de novo? Me entregar como o fiz tão pequeno e correr o risco de perder, ter que me desapropriar de algo tão bom?

Temos, eu, meu marido, nossa família, escola, profissionais que o acompanham (psicóloga e logopedista*) tentado re-estabelecer a ideia de um vínculo de amor que durará pra sempre, independente de qualquer coisa, de mudança, distâncias e afins. O importante é a certeza de que estamos juntos.


* Definição de Logopedia / Logopedista, aqui. 


Bisous, Pandora que filosofa







quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Minha relação com a amamentação.

Este post contém fragmentos de uma história que custei a colocar pra fora...
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Eu queria ter escrito este texto ainda adolescente, pois desde aquela época o tema amamentação surgiu na primeira terapia que procurei sozinha, na tentativa de tentar entender o incomodo que insistia em aparecer e eu não sabia de onde.

Na época, me indicaram um então conceituado profissional e foi então que comecei a fazer parte de um grupo selecto de pessoas que leram o prospecto de um dos livros escritos por ele, antes de ser publicado: "Terapia pela roupa", do psicólogo Mamede Alcântara. Meu nome está lá, nos agradecimentos :-), é só conferir.

Durante um momento da terapia, surgiu no inconsciente um sentimento estranho. Eu sentia uma fome e uma dor muito grande, como uma agonia mesmo. Chorei, tive cólicas, me contorci. Neste momento, ele me pediu para chegar em casa e conversar com minha mãe e saber um pouco mais sobre meu nascimento, meu parto, enfim, meu passado.

Minha mãe (mãe de três), uma pessoa muito sábia, que sempre conversou muito conosco, não se intimidou. Ao questiona-la, ela me falou aquilo que eu já sabia, mas com mais detalhes. A conversa, foi mais ou menos assim:

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"Quando eu fiquei sabendo que estava grávida de você, levei um susto muito grande. Eu já tinha dois filhos, morava longe da família e a diferença entre você e seus irmãos é pequena (uma escadinha de dois em dois anos). Então, descobri que sua irmã estava com rubéola,  e comecei a me sentir mal, a ter tonturas e enjôos. Foi neste período que fiquei sabendo que estava grávida novamente. Imagine uma época onde não existia ultra-som e a informação que tínhamos era de que se o feto fosse contaminado poderia nascer com muitos problemas. Então, apesar de lhe querer, sua gestação passou por períodos tensos. E você nasceu, linda e perfeita! Foi um alivio saber que você estava bem, mas a consequência disto foi que meu leite "secou". Te amamentei poucas vezes e você começou a ter muitos problemas. Naquela época o leite de vaca já não era recomendado e então, começamos a procurar amas de leite pra você (o que era permitido). As amas de leite eram pessoas que tinham tido filhos na mesma época e estavam amamentando. Eu chegava com você nos braços e pedia para deixar você mamar também. Muitas, seguravam você e o filho ao mesmo tempo, um em cada peito. O que era lindo, ao mesmo tempo não era muito bem vindo. Algumas estavam cansadas e apesar de nunca negarem o peito a você, a mamãe sentia que estavam exaustas. Ao todo foram cinco amas de leite, muita gente ajudando. Seu avô paterno, nos levava para todos os lados em sua Brasília, ele foi um verdadeiro anjo. Mas você começou a apresentar sintomas alérgicos, não aceitava leite de nenhuma mama mais e tivemos que interna-la. Você chorava muito, muito mesmo. Acredito que era a dor da fome que sentia."
Bom, fiquei um bom tempo internada, desacreditada e um dia, minha mãe ajoelhou-se no hospital e prometeu que se eu me recuperasse ela costuraria pijamas de flanela para todas as crianças carentes que estavam na enfermaria. Fé e amor se uniram e eu me recuperei.

Ok. Não sei porque, mas escrever e falar sobre isto quase trinta e oito anos depois, faz-se necessário por algum motivo. De alguma forma alivia. 

Quanto às minhas amas de leite, conheci todas, como também conheci meus irmãos de leite. Mamamos juntos e eles (as) dividiram comigo uma dádiva, amor em líquido. Sou grata a todas as amas, algumas, já no andar de cima. Meu eterno agradecimento!

Mas a história da amamentação e esta relação na minha vida, não acaba por aqui. Ela volta, trazida pelo elo empático que me une aos meus filhos.

Meus filhos nasceram dos mesmos pais. Eles são irmãos biológicos, diferentes, mas que segundo o relato que temos nos autos do processo, nasceram de uma família monogâmica. Os pais biológicos, acusados por negligência, não ofereciam os cuidados necessários à sobrevivência dos mesmos, o que levou o Estado  a retirar a guarda dos mesmos. A mãe biológica, os amamentou até aproximadamente um ano, mas nenhum outro alimento fez parte da dieta, mesmo após os seis meses, momento em que são introduzidos novos alimentos. A partir dali, quando a criança tem fome e necessita de alimentos sólidos,  de exercitar o movimento da mastigação, nada os era oferecido. O papel, a função, era amamentar, nada mais (nada mesmo).

Então, eu tenho um paradoxo muito grande. Um agradecimento enorme a esta pessoa que trouxe ao mundo meus filhos e principalmente por ter-lhes apresentado o primeiro vínculo de amor, que é o peito, o leite materno, o contato pele-a pele e o cheiro. Mas ao mesmo tempo, me dói a ideia de que meus filhos tiveram também, uma ideia de amor associado a dor, pois apesar de querer não pensar, me vem a "sutil" ideia de que eles tiveram muita fome, principalmente após os seis meses de vida.

É muita "neura"? Pode falar gente.

E quais foram as consequências desta relação?

Eu ainda não consigo dimensionar.  Mas bem no início da adoção, meus filhos pediram para mamar no meu peito várias vezes.  Acredito que se eles fossem bebês de até dois anos eu até tentaria, pois muitas mães adotivas conseguem fazer isto com os filhos, mas no meu caso eles eram maiores.

Durante estes dois anos e oito meses juntos, ainda vejo fragmentos deste período. O caçula, por exemplo, não pode ver uma mãe amamentando um mesmo um animal amamentando sua cria que fica hipnotizado, literalmente. A última vez foi na "Casa do Papai Noel", onde havia um gatinho de pelúcia amamentando vários filhotes. Ele parou, ficou um tempo contemplando a cena e ainda pediu para o irmão ficar em silêncio, pois ele queria apenas olhar. Perdi a conta de quantas vezes eles me perguntaram se eu os amamentei.

Corta o coração? Corta.

Eu engulo seco, pois por muito menos, sinto até hoje a falta que a amamentação fez em minha vida como mulher e também, em minha vida como Mãe.

E acreditem.  É muito difícil me expor assim e expor uma parte da história dos meus filhos, crianças que tanto admiro. Mas este blog, "Contos de uma Mãe Pandora" não tem este nome à toa, não. Nós, mães, mulheres, retiramos de dentro de nossa "caixa" interna, sentimentos de diversas natureza e algumas vezes, a dor, é um deles.

Amamentação é dádiva. Queria eu ter tido esta oportunidade de criar este vínculo com meus filhos, mas a vida me trouxe um novo caminho e é nele que me encontro e me acho.



E lá vou eu, seguindo em frente!
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Bisous, Pandora bem resolvida


domingo, 20 de janeiro de 2013

Série co-autores, conte sua história no blog! Hoje, a conquista do parto natural e quem nos conta é a Karime.

Hoje a série co-autores do Contos, renasce, literalmente. 

Além de trazer um lindo relato de parto, dia 20 de janeiro de 2013, é o dia em que a personagem principal desta história real, a Lara, completa 1 aninho. 


Parabéns Lara!! 

Voilà, o conto:



Bom dia Mamães! Hoje, dia 20, minha filhota completa 1 ano :) E para comemorar e começar o dia com toda boa energia e em alto astral compartilho com vocês como foi o parto dela... FOI ASSIM: 

Pessoas queridas do meu coração, estou aqui, menos de dois anos depois do relato do nascimento do Luca para escrever sobre o parto da Lara! Uma experiência tão marcante e intensa que é preciso respirar fundo várias vezes para tentar traduzir tamanha emoção em palavras...


Como sabem, sonhava vivenciar o parto natural e por se tratar de uma tentativa depois de uma recente cesariana tudo já era naturalmente diferente... opiniões daqui, estatísticas dali, pesquisas de lá, ‘achismos’ acolá ... e o meu desejo acima de tudo! Sorte, muita sorte estar em um país (Canadá) que o normal é o parto normal! Ou seja, o sistema estava (e esteve!) a meu favor.


Mas ainda durante a gestação, lá pela trigésima semana, verificamos em uma ecografia que nossa menina não estava sentada (como o irmão) e nem encaixada! Estava transversa, ou seja, deitadinha, na única posição que impossibilita qualquer tentativa na hora H de ter um parto normal. Foi aquele suspense, e agora?! Bom, agora vou tentar de tudo para ajudar ela virar, falei para o Gu (marido) que me apoiou prontamente em todas as estratégias: acupuntura, sessões de quiropraxia, homeopatia...E? Virou! Foi aquela festa! Comemoramos muito mesmo, inclusive a mandala que pintei na barriga foi para celebrar. Agora minhas chances de ter um parto normal estavam bem mais próximas.


Era só esperar o grande dia...


A data prevista para o parto era 15 de janeiro, quando completei 40 semanas, mas como o Luca nasceu de 37 quase 38 ficou aquela expectativa... mas a Lara soube esperar! Esperou o Luca ficar bom de uma infecção no ouvido que fez com que ele tomasse o primeiro antibiótico da vida e que me fez ‘esquecer de parir’ pois tinha que cuidar do meu filho! Soube esperar a família se recuperar de um resfriado coletivo que quase me derrubou e realmente no estado em que fiquei não teria condições... soube esperar a vovó chegar do Brasil e foi perfeito! Ela me ouviu direitinho. Falava com ela na barriga: espera a mamãe ficar boa... e ainda: eu quero que você nasça durante a semana e durante o dia! (pois assim o Luca estaria na escolinha e minha mãe e o Gustavo poderiam estar comigo...)


E foi assim!


A meia-noite do dia 19 para o dia 20 começaram as contrações! De dez em dez minutos. Perto das duas da manhã liguei para a Doula que se chama Isabelle e que já estava contratada para me acompanhar durante todo o trabalho de parto. Ela me disse para telefonar novamente quando estivesse de 5 em 5 minutos, liguei novamente antes das seis da manhã e ela veio aqui pra casa, nisso eu já estava usando a bola de pilates para aliviar a dor, minha mãe já estava massageando a região lombar em cada contração, fazendo tudo que sabia e podia. As sete da manhã o Gustavo saiu para levar o Luca na escolinha (ele nunca tinha ido tão cedo! Praticamente abriu a escola..) quando o Gu voltou pra casa eu disse que queria ir para o hospital, estava com medo de andar de carro e não ter posição para ficar durante as contrações, parecia que estava prevendo... aqui começa ‘cena de filme’ o Gu depois me contou que quando ainda estávamos na esquina de casa eu já perguntei se estávamos chegando ao hospital...tinha entrado para a ‘partolândia’, perdido a noção...Gustavo dirigindo, minha mãe na frente com ele e eu a doula no banco de trás que era para ela ter como ao menos tentar massagear a lombar...vixi! Cada contração eu gritava e o Gu ali dirigindo, resumindo: o trajeto que demora normalmente 15 minutos levou 50! Gu teve que desviar o caminho, pegou um pedacinho de rua na contramão, entrou em uma ruela com muita neve, o carro chacoalhava e eu berrava!


Chegamos ao hospital. Ufa! Logo na entrada, na recepção uma contração, me apoio no balcão e me inclino pra frente, nessa hora já não via nada e nem ninguém a minha volta, alguém oferece uma cadeira de rodas mas eu não podia nem pensar em sentar... ando até o elevador, e ali o que? Mais uma contração! Me abaixo e sinto que as pessoas que estavam ali meio que congelam e ‘pararam de respirar’... um silêncio absoluto... sim! eu estou parindo (pensei)...


Enfim, entro na sala de parto, nove e pouco da manhã, o médico verifica e eu estou com 7cm de dilatação, escolho tomar um banho de banheira, foi uma horinha no paraíso! Na água as contrações são mais suaves e a hidromassagem me fez relaxar e tomar fôlego. Ao sair as contrações já estavam super hiper próximas, logo cheguei a 8,5 de dilatação e aí..... gritava, berrava, gemia, urrava...foi o momento onde senti realmente as dores do parto! Por segundos tive medo de não conseguir. Pedi socorro para o Gustavo, perguntava pra ele em alto e bom tom: mas o que que é isso??? E ele me olhava com aquela expressão de: não sei e nem nunca vou saber! E segurava minha mão. A Doula me dava água fresca para bebericar, colocava toalhas úmidas na minha testa para me refrescar e minha mãe rezava (isso ela me contou depois, não estava ajoelhada ali no meio da sala não...)! Apesar de parecer uma eternidade não deve ter durado mais do que 20 minutos...logo, logo e 10cm! Agora sim chegou o grande momento.


Eu deitada na cama e duas enfermeiras do meu lado direito, duas médicas na minha frente e o Gu, a Doula e minha mãe (filmando tudo) do meu lado esquerdo.


Pedi para ser a primeira a tocar na minha filha e quando ela já estava bem encaixadinha, ‘coroando’ a médica falou que eu poderia sentir a cabeça dela ali, foi um momento muito emocionante, ao encosta-la, ainda totalmente dentro de mim, os batimentos cardíacos dela aumentaram (ela estava sendo monitorada, por ser um parto normal depois de uma cesárea alguns cuidados são necessários) e a médica me disse: o coração acelerou, ela sabe que é a mamãe! Aquilo me deu um desejo tão intenso de segurá-la em meus braços que me concentrei ao máximo para que ela nascesse! O parto natural é com certeza um movimento em sincronia, nós duas ali no mesmo ritmo, mãe e filha, com a mesma intenção: a vida, o nascimento, o ar!


As 12h00 em ponto, do dia 20.01.2012 a Lara respirou! Eu senti o ‘circulo de fogo’ a médica auxiliou a saída da cabecinha e me falou: venha ‘buscá-la’! Choro de lembrar. Nunca vou esquecer, registrei em cada célula do meu corpo essa passagem... Eu estava realizando um dos maiores sonhos da minha vida! Segurei embaixo dos braços da minha filha e a tirei de dentro de mim. Meu Deus! Que emoção! Que sentimento indescritível, que sensação maravilhosa, vale e valeu tudo...


Minha filha, minha filhinha, eu consegui!!! Bem-vinda Lara!


Nasceu linda, doce, serena e consciente.


Com 3.455 kg e 50.5 cm. Sem medicamentos, sem anestesia, sem interferência. Parto natural! Viva!


Gustavo cortou o cordão umbilical e depois nós dois fizemos o pele a pele com ela, primeiro ela ficou deitada no meu peito e depois foi a vez do papai ficar enrolado com a filha em toalhas quentes, a vida nos nossos braços. Que benção.


O apoio que recebi do Gustavo, da minha mãe, da doula e de toda a equipe do hospital foi fundamental. Uma atmosfera de respeito absoluto. Estive segura, amparada e totalmente consciente de tudo, senti as contrações, controlei as respirações e fiquei no comando total do meu corpo, realmente conduzindo, como eu queria, o nascimento da minha filha.



Amo essa foto! Quando o Luca conheceu a Lara. O olhar dele diz tudo...

No fim do dia o Gu trouxe o Luca para conhecer a irmã, foi paixão a primeira vista! Desde então é muito carinhoso com ela, sempre me pede para segurá-la, da beijinhos e mais beijinhos de esquimó e mesmo ainda aprendendo a falar faz uma voz diferente para brincar com ela. Olhar os dois assim é um presente.


Quando Lara completou um mês já mamava super bem e dessa vez o aleitamento foi desde o início um sucesso, Graças a Deus.


Minha mãe ficou conosco durante um tempo e foi maravilhoso! Me ajudou muitíssimo.


A vida segue com a nova rotina de cuidar de dois nenéns...dois tamanhos de fralda diferentes, quando percebemos estamos cada um em um canto trocando a fralda de um deles ao mesmo tempo...continuamos fazendo tudo da forma que acreditamos ser a melhor para nossa família. A cama é compartilhada, só com a Lara! Luca desde que eu cheguei do hospital com ela passou a dormir em um futon no quarto dele (os dois berços da casa continuam sendo usado pelos bichinhos de pelúcia). Luca parou de mamar durante minha gravidez – meu leite secou, agora amamento a Lara também em livre demanda e nem lembro que existem mamadeiras e chupetas... O banho é no chuveiro e logo no balde, carrego no sling...preferimos assim. Acredito cada vez mais que não existe o certo ou o errado, nem a fórmula perfeita e muito menos a mágica... o que existe realmente é o amor incondicional dos pais, por aqui seguimos unidos e em paz, escutando o coração e a intuição.


Beijo nossos pra vocês!



A diferença entre eles é de 1 ano e 8 meses, na foto o Luca está dormindo e a Lara mamando...
Karime, Lara aos 6 meses, Luca e Gustavo

É uma honra ter co-autores como a Karime no blog. 
Obrigada Karime, por transbordar emoção, força de vontade e amor em suas palavras. 
Um beijo grande em toda família ou melhor, 
Bisous, principalmente para a Lara, pelo seu primeiro ano de vida!!

Valeuuuuu!!!
Pandora, que crê na vida e em pessoas que acreditam nela. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mudança gera mudança...



A placa de aluga-se acabou de ser colocada no apartamento. Mas o texto não é apenas sobre mudanças físicas e de espaço, afinal, toda mudança, gera mudança. 
Confesso que foi uma mistura de sentimentos. Por um lado fico feliz em mudar, pois o lado prático da vida está difícil, afinal, o espaço foi ficando pequeno a medida em que as crianças foram crescendo. Mas por outro lado, este lugar, foi mais que um simples apartamento alugado na Suíça, ele foi o início de uma estabilização familiar, ou a tentativa "de".

Explico:
Para quem acompanha o blog, sabe que tivemos, no início da adoção, uma adaptação com as crianças no Brasil e outra na Noruega. Ambas em um período total de sete meses, então, apesar de todo nosso esforço em estreitar vínculos com nossos filhos (na época "Tom" tinha quatro anos e "Jobim", dois anos e meio), tínhamos a preocupação em apresentar-lhes um lugar pra “chamar de nosso”.

_”Esta é a NOSSA casa, este é o quarto de vocês…”

Então, assim que nos mudamos para a Suíça, a pressa determinou o destino. 
Vimos alguns apartamentos antes deste que dentre tantas opções, ora era pequeno, ora era muito caro, ora era afastado de tudo e ao chegar neste aqui, sentimos que era o suficiente para começar uma história.
Nos mudamos, colocamos uma plaquinha decorativa com o nome deles na porta do quarto e conseguimos muitas proezas nos últimos dois anos. Foram muitas visitas que ficaram apertadinhas, muita farra com amiguinhos que vieram almoçar  e brincar conosco após a escola e "Tom" teve seu aniversário de seis anos  feito aqui, foi só arrastar móveis e criar um layout possível para tamanha felicidade. 

E os vizinhos?

Aqui na Suíça, conhecemos muitas histórias de vizinhos que chamam a polícia por tudo (inclusive por barulho de aspirador de pó aos domingos e descargas após às 22h) e nós, durante dois anos, morando no primeiro andar (não é térrreo), nunca tivemos nenhuma reclamação. Nadinha mesmo.

Usamos o espaço comum do prédio com nosso pula-pula, montamos uma trave para jogar futebol, fizemos boneco de neve… foram tempos muito bons e dividindo espaços com suíços. Tivemos sim, um acidente de percurso (pago por nosso seguro), uma vez que o caçula jogou uma pedrinha em um foço, ela quicou e caiu em cima do capô do Porsche do vizinho… $$$$$$ mas, C’est la vie!

Mas chega um momento em que temos que tomar uma decisão e muitas vezes, esta exige o desapego, o despreendimento de algo que é bom ou muito bom. A mudança vai além do aspecto físico, ela gera outras mudanças internas. 

Onde moramos atualmente, a vista é linda, um presente aos olhos, mas é privada de transporte público de fácil acesso, a escola é longe e não consigo ir caminhando com as crianças, pois são 25 minutos de caminhada para perninhas tão pequenas e diga-se de passagem que os horários aqui são diferentes do resto do mundo, só pra lembrar:

Das 8h35 às 11h10;
Os filhos almoçam em casa;
Retornam às 14h15 até 15h45.

Conversa ao pé do ouvido: Na minha opinião, isto é muito bom para as crianças, sem dúvida. Tirando o fato de que o horário de almoço é demasiadamente longo, temos a oportunidade de ver e curtir de perto a infância. Mas a minha crítica é quanto à organização dos horários escolares, que nada mais é que o fruto de uma mentalidade ainda machista, de um país que deu o direito ao voto para as mulheres apenas em 1957.  O horário engessa e dificulta a tentativa de inserção das mulheres/mães no mercado trabalho, mesmo em porcentagens de carga horária menores, o que é um absurdo. 

Mas, voltando ao tópico "mudança", pedimos à comuna local que nossos filhos permaneçam na mesma escola onde estão matriculados até o fim do ano letivo (junho/2013), o que gera mais uma vez, outros desafios, principalmente para a mãe (moi!!). Estaremos mais longe desta escola, porém, por seis meses apenas. Apesar dos pensamentos feministas que insistem em me questionar o tempo todo, sou Mãe, com M maiúsculo. Minha prioridade agora, são meus filhos  e não quero dar margem ao mi mi mi, pois esta, definitivamente, não sou eu. 

Já estou me programando para os próximos seis meses de modo que tudo caminhe dentro daquilo que considero bom pra todos, inclusive pra mim.  “Óhia”!!

O plano, para este período, é o seguinte:

  1. 1.    A limpeza da casa ou a "casa perfeita" (vulgo, casa de revista), vai ficar pra história. Roupa limpa, comida BIO e BOA, felicidade geral da nação e uma mãe sem neurose e linda. Estas sim,  são as prioridades!!
  2. 2.     Para não ficar no vai e volta interminável:  casa/escola, escola/casa, casa/escola, escola/casa (8 ways), me munirei de muita roupa anti-chuva, anti-neve, anti-preguiça e tentarei caminhar e correr pelo menos dois dias da semana, no período da manhã, lá pelos arredores da escola mesmo. Assim, não preciso ficar no bate-volta. O serviço de casa que espere!!
  3. 3.     Eu mesma faço minhas unhas (MUACK!! beijo no ombro, eu me amo!!) e continuarei sempre assim, até encontrar uma manicure que cobre muito menos que R$110,00 e nem tira a cutícula. Alguém??
  4. 4.     Derrota passa longe daqui gente. Odeio verdadeiramente este sentimento. Repudio. Posso estar triste, morrendo de saudade da família, frustrada, cansada… mas tô de batom. E sabe quando isso começou a ganhar força??? Com os filhos meninOs. Se eles me vêem sem batom, sem esmalte (COLORIDO) nas unhas, vão logo me cobrando. Filhos gostam de ver pais felizes gente, já perceberam?
  5. 5.      O valor da mudança na Suíça é caro, como tudo por aqui. Em uma curta distância, eles nos pediram a equivalência de R$ 3.400,00, mais as taxas. É o preço e todos sabem que a Suíça é um dos países mais caros da Europa. Então, para não ficar muito mais caro que isso, me responsabilizei em embalar as miudezas. E como juntamos bugigangas, socorro!! Uma boa hora para a faxina interna também. Jogar fora tudo aquilo que não nos faz bem, sentimentos penosos que nada acrescentam e mágoas que nos adoecem. Tudo vai para o lixo. Oremos!! 
  6. 6.     “All we need is less”, este é meu lema para 2013.  Estou doando, vendendo e simplesmente me desapegando de muitas coisas. Menos é Mais!!! 

Enfim, mudanças não acontecem apenas fora da gente.

Se permitimos que nosso olhar vá mais longe, acabamos por aprender muito com os outros. Aprendemos até o que não fazer, não é mesmo?

Penso que re-significar algo que vivemos também é muito válido para a ocasião. Seguir adiante na certeza de que felicidade não se tem o tempo todo e ela não vem amanhã, se Deus quiser. Felicidade se constrói com as pequenas atitudes que tomamos no dia-a-dia. E eu tento, nossa, se eu tento. 

Por exemplo, não sou ativista, mas neste blog luto sim para ser respeitada e ter o respeito que meus filhos merecem, pois ainda existe muito preconceito sobre adoção. Se eu me deixasse abater pelas besteiras que leio, que escuto... Se soubessem o quanto me revolta ler uma notícia com títulos iniciados desta forma: “Filho adotivo pega o carro dos pais…” Dias atrás, uma pessoa que não sabia que eu era mãe adotiva, disse:

_..."Ah, sim. Eu conheço uma pessoa que... mas seu filho é adotivo (bem pejorativo), então, já sabe, né?... 

E como este, existem tantos outros comentários cruéis, que só sabe, quem vive. 

MAS!!!!! Veja bem, comentários como estes, que me revoltam, não me desqualificam, não me derrubam. Pelo contrário, são um grande alfinete que me cutuca a continuar. Firme e Forte, pra Frente.


Mas eu sei. Assim como a história do mundo muda constantemente e exigem que mudemos também, as mudanças vão aos poucos acontecendo dentro da gente. Mudar gera desconforto, mas é necessário. Não é fácil enxergamos a realidade e a vida longe de nosso umbigo e daquilo que julgamos entender.

E a gente tenta, né? Que assim seja.

"Bora", trabalhar gente. Tem um monte de caixa me olhando aqui com cara de "E aí? Vai demorar com o devaneio?" 

Bisous, fui!!


sábado, 12 de janeiro de 2013

Quando os dentes caem...

Embalando tudinho, tudinho. 


No meio às caixas (estamos nos mudando de apartamento), tirei um tempinho para registrar este momento tão especial.  

Hoje...


Hoje estou plena. 

Hoje, acordamos assim:

_"Mamãe, mamãe, meu dente está mole!!"


Eu e o maridão tropeçamos em tudo. Cobertores, almofadas, enfim, em tudo o que havia e pensamos: 

"É... Nosso filho está crescendo". 

"Tom"está  prestes a perder o primeiro dente e a sensação que esta notícia nos dá, vai muito além do ato. 

Foram algumas fases que eles viveram e nós não vimos, principalmente de "Tom", quando nos tornamos pais deste garoto tão vivido. Dizer que perdemos, me soa triste, estranho. Prefiro dizer que assim como encontramos nossos companheiros (maridos e esposas) que viveram tantas histórias antes de nosso encontro, assim é a vida de pais adotivos. Nos encontramos e respeitamos as vivências passadas. Sem mais. 

E troca dos dentes? 

Na minha opinião, marca uma fase, uma passagem, que eu me orgulho muito em estar presente. 

"Que bom filho, viver esta emoção com você!!".

Ver a felicidade deste menino ao nos contar, o abraço orgulhoso que nos deu... não existem palavras para descrever a emoção que estou sentindo neste momento. "Genten", eu nunca vi meus filhos dando os primeiros passos, dá pra perdoar esta emoção desenfreada? 

Felicidade demais!! Obrigada VIDA, por esta oportunidade em viver isto com pessoas tão especiais!! 

E assim que o dente cair, eu posto a foto do banguela... Prometo!!

Bisous, 
Pandora que derrete...


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Glamour de uma quase "nerd" no salão!!

Albert Einstein sempre me encantou. Já visitei diversas vezes a casa onde viveu (hoje, um museu em Bern, Suíça), já li sua biografia e recentemente li "Como vejo o mundo", uma obra que aborda questões humanas, como o sentido da vida, a liberdade, a moral, a religião. É um livro pequeno (200 páginas) que li enquanto fazia luzes no cabelo.

Aliás, difícil me encontrar aqui neste quesito viu, "gentem". Dois anos se passaram e continuo tentando encontrar aquele(a) que retomará as rédeas de minha "lourisse" aqui por estas terras.

No salão, sentei, descrevi como queria meu cabelo, peguei o livro que citei acima e esqueci da vida. Como estava em um período difícil com a perda de meu primo/irmão, mergulhei realmente na leitura e só acordei, quando ela me pediu para levantar e ir até o lavatório.

Enxagua daqui, enxagua dali, ela me perguntou se queria creme ($) e eu respondi que sim.
Escuta bem o barulhinho da Caixa Registradora Plim! $, escutou? Então segue a equação:
Shampoo? Sim $
Creme? Sim $
Massagem no couro cabeludo? Ohhh, sim!! Eu mereço!! $$$
Vai cortar? Sim $
Escovar? Não, obrigada!!!

Ok, eu merecia aquele glamour no salão. Queria ter feito as mãos, os pés, a sobrancelha, depilação... mas, por aqui e no meu bolso, ou uma coisa, ou outra, né,"cumade".

Ah, só pra constar, o preço da manicure aqui são R$110,00. Tá bom pra você colega? Vai encarar?

Mas, para fechar o assunto "gramour no salão", estava eu terminando meu livro após três horas sentada e sofrendo (afinal, alguém estava puxando vagarosamente meu cabelo), ela tirou a toalha.

Pânico!! 

Busquei rapidamente uma resposta lá dentro do ser e ... lá estava ela:

:-/
Meu cabelo molhado lembrava o couro de uma girafa. Tipo assim: amarelo, laranja, amarelo, laranja, amarelo, laranja...

Imaginei logo a cena da mulher que sai na capa do jornal por atacar a cabeleireira a livradas, mas me mantive serena. Afinal, brigar em francês não é chique não. O pior foi o cabelo seco.

Sem exageros, ficou mais ou menos assim:

Oi?! Vou querer louro gema, tá? Capricha!! Gema caipira!!

E a expressão de "Tom" (6a) ao me ver:
_"Mamãe, adorei seu cabelo amarelo!"

Buáaaaaa!!!!!

Mas, no fim, foi bom! 

Precisava tirar meu foco da tristeza e sacudir a poeira. O problema do cabelo já foi resolvido e agora, após a tinta que eu mesma apliquei em casa, ele ficou melhor, menos cor de gema, mais cor de "burro quando foge". 
E pra provar que loiras também pensam, parto para o segundo livro do ano!! O Ponto de Mutação, de Fritjof Capra. Começarei hoje.

Quem leu? Opiniões? Sugestões??


E a vida continua... ainda bem!!

Bisous,

Pandora que tem a alma que ainda chora, mas que prefere o bom humor, a alegria.

Cante comigo!!"Tristeza, por favor vá embora! Minha alma que chora..."

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Lágrimas em letras

Filho do irmão da minha mãe com a irmã do meu pai. Como? Isso mesmo, éramos primo/irmãos. As mesmas avós e avôs, os mesmos tios, as mesmas histórias.
Você?  Lindo.

Lindo mesmo!!! Wow!! Sempre foi uma criança linda, um menino com um narizinho arrebitado e perfeito que sempre tirava sarro de um teatrinho de Natal que euzinha preparei e claro, te levei junto.

Você ria e me lembrava destes micos que pagamos em nossas infâncias.

Brincávamos no terreiro de café da casa do "vô"Júlio, tomávamos guaraná Cibel na casa da "vó" Nadéia e quando nos tornamos adolescentes, continuamos juntos.

Tantas baladas! Você sempre alegre, carinhoso, arrasava corações e meus ex-namorados sempre sentiam ciúmes do meu primo.

E como a gente dançava? Noooooossssaaa, como a gente dançava. Na festa do meu casamento, (que aliás, você deu a maior força para o maridão que está aqui), todos se lembram de como você me tirou pra dançar, mas como não podia roubar a cena do noivo, pegou minha mãe e a rodopiou pelo salão, preocupando todos os convidados. Que delícia!! No filme, você se destaca, como sempre. Roubou a cena.

Mas a vida nos separou fisicamente.

Primeiro, você se mudou pra Brasília e eu, pra Rio Claro. Um pouco mais tarde, mudei de país, mas você veio comigo, em forma de retrato. Nunca te tirei do mural. Há quatro anos te vejo sempre, com aquele sorrisão lindo e consigo até ouvir sua voz, sua risada.

Você conheceu meus filhos, os tratou com o carinho de sempre. Ligava quase todos os dias para minha mãe, o que me deixava informada, já que rede social e e-mail não eram seus fortes.

Você era o homem da palavra falada, não da palavra escrita.

***
Ontem, dia 02 de janeiro de 2013, você nos deixou.

Deixou no meu rosto lágrimas intermináveis, saudosas que ao olhar seu telefone escrito em um pedaço de papel, não tem mais como te ligar, ouvir sua voz...

Vá com Deus meu amor. Brilhe sua luz onde quer que esteja e que ela esteja linda, como você.
Aqui, ficamos com uma lembrança ainda que dolorida, mas alegre do seu sorriso.

Obrigada por fazer parte da minha história e por ter sido este primo maravilhoso que foi.
Te amo André. Vá em paz!
Com carinho, sua prima.
P.S. Que hoje não é Pandora, hoje só faz chorar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O melhor ano!!


Eu começo o ano cheia de bons pensamentos, mas com os dois pés no chão, sem dúvida. Respeito toda forma de crença, pois acredito que a humanidade precisa delas, mas confesso que já passei a fase de vestir calcinha amarela na virada e de pular sete ondinhas. Pra mim, o que determina a fase, são nossas escolhas diárias. Se algo não vai bem, não coloco a culpa na má sorte e nem em ninguém. Amadureci muito nestes quasetrintaeoito últimos anos. Se algo não vai bem, desculpa, mas o nome disso não é "zica", nem ano e nem fase, é VIDA meu (minha) caro(a).

E pensando nela, na vida, também fiz um balanço do meu ano. O ano de  2012 foi um grande passo na história que tenho construído com minha família. Postei pouco, pensei muito. Passamos momentos muito bons, outros que foram um tanto difíceis, mas que me trouxeram alguns aprendizados e eu acredito que estamos neste mundo pra fazer algo, "né não"?

E cheguei a algumas conclusões.

Educar os filhos não é "bolinho não". 

Lendo os blogs amigos, li muito sobre amamentação, partos e mesmo não tendo nunca vivido (em partes) sobre estes assuntos, me interesso muito e me coloco firme em minha opinião e quero ainda ter a petulância de me desbravar e escrever com propriedade sobre algo que nunca vivi, mas que não me deixa na posição de apenas observadora. Um dia escrevo... um dia, prometo.

Mas hoje, quero "devanear" sobre esta fase da maternidade que tanto me tomou surpresa, apesar de ter a devida clareza daquilo que nos esperava optando por uma adoção tardia. "Tom"tinha 4 anos completos e "Jobim", quase 3 anos. Eu virei mãe, "déjà" educando minha gente.

Educar os filhos não é fácil -parte 2

Eu conversei com algumas amigas e chegamos a conclusão de que temos que ser muito claras em nossas palavras quando falamos de maternidade, pois existem diferenças enormes entre educar no Brasil e fora dele, dependendo do país onde vivemos. Nossas vidas fora do Brasil são realmente muito diferentes da realidade da maioria das mães brasileiras, tirando claro, exceções de ambos os lados, pois existem por aqui famílias expatriadas que conseguem manter o mesmo estilo de vida em terras estrangeiras. Em muitos países europeus, nós mães, dispomos grande parte de nosso tempo à família, apesar de toda nossa formação e investimento em nossas próprias carreiras, como é o meu caso. Por exemplo, aqui na Suíça, o sistema privilegia o trabalho de apenas um entre o casal e se ambos decidem trabalhar, os dois salários são considerado como um e isto leva o imposto a aumentar consideravelmente, ou seja, não vale a pena.

E porquê, estou tocando neste assunto?
Pois optamos juntos que seria melhor eu parar de trabalhar por um tempo (sinto a maior falta), e também, pensando no quanto nossos filhos foram privados de atenção e de amor durante o tempo em que viveram em um abrigo, nem que eu pudesse e o sistema permitisse, os deixaria nas mãos de outras pessoas. O salário diminui, o dinheiro também, mas, cabe a nós a educação integral de nossos filhos, sem interferência de terceiros, babás, diaristas, secretárias do lar, empregadas, etc e tal. E isso, apesar de ser muito bom em termos ideais, fadiga um tanto no final do dia, pois falar não pode ser um ato de amor, educar também, mas, sem dúvida, cansa. No final do dia temos o que? Uma mãe zumbi, querendo sombra e água fresca e uma boa massagem nos pés.

Mas apesar de toda a fadiga, o assunto geral agora são eles. Como é bom ser mãe, né? A gente cansa, enlouquece, perde o sono, mas é uma alegria sentir o quanto a presença deles nos torna ativistas em vários setores, no quanto percebemos que precisam de nossas orientações e de nossa proteção 24hs por dia. Ser mãe me tornou mais forte.

E o balanço geral está assim:

"Tom", agora com seis anos e meio, está um gato. Lindo mesmo. Tem mudado um tanto em busca de sua autonomia e às vezes nos tira do sério com suas peraltices. É Moleque com M maiúsculo. Corre e pula o tempo todo, mas tem uma gentileza nata e é muito querido pelas pessoas de todas as idades. O olhar dele é único e quem o conhece saca isto logo.  Mas é MEU FILHO heim, gente?? Rãmmmm, pense em uma mãe leoa... ele, digamos, exige mais nossa atenção e das professoras também. É visceral, intenso, gritante. Até o abraço dele é forte e lá vou eu orienta-lo a abraçar com carinho, com amor, pois com ele é assim, a gente o orienta o tempo todo e talvez, isto seja um dos pontos a que tenho a melhorar neste ano. As máximas "Let it go", Let it be" nunca foram tão verdadeiras no meu caso. Preciso permitir mais, deixar a "coisa" tomar rumo para que ele então, possa ser autônomo o suficiente para fazer as próprias escolhas. Esta é uma das minhas metas diárias para 2013. Eu vou conseguir, eu vou conseguir, repita comigo: Eu vou conseguir!!

"Jobim", está numa "vibe" muito boa. Apesar de serem irmãos biológicos e com pouco tempo de diferença de idade, eles são completamente diferentes. Ele é mais centrado, menos intenso, porém, com uma personalidade mais forte. O que mais me encanta é sua forma de ver a vida e de senti-la. É tão gostoso ver como ele explica a natureza, como interpreta as situações diárias nos brindando com conclusões tão puras, tão fofas sobre tudo. Ontem mesmo, enquanto eu secava seu corpinho após o banho, ele sai com uma dessa:

_ Mamãe, sabia que eu não te esqueço? Eu não te esqueço nem no meu sonho".

Papai, que estava presente disse brincando:

_Assim você quebra as pernas da sua mãe".

E ele responde indignado:

_Não papai, eu não quero quebrar as pernas dela. Eu amo a mamãe". 

Bom, nem precisa dizer como eu fico, né? É muito amor. Muito, muito amor!

Então, deixo aqui a mesma mensagem para os leitores do blog:


E esta família que se constrói, deseja aos amigos e a toda nossa família que está longe, muita atitude, muito amor, garra e esperança para o ano que se inicia.
 

FELIZ 2013 e que nós sejamos melhores, só assim o ano acompanhará nossas escolhas. 

E desejo a mim e às famílias que por aqui passam, que tenhamos muito discernimento na educação de nossos filhos em 2013 e que não prevaleça a competição pelo "TER", que não nos sucumbamos à mídia, ao senso comum e aos modismos.

Desejo que em 2013 sejamos mais críticos com aquilo que nossos filhos assistem na TV, que estejamos mais presentes, mais participantes e que consigamos viver  e respeitar a infância dos pequenos, pois nós tivemos a nossa e somos tão saudosos desta época, não é mesmo?

Menos é mais gente.  As crianças precisam de espaço para criar!! Menos brinquedos prontos, mais sucatas, menos eletrônicos, mais interação com os outros. Pensem nisto!


FELIZ 2013 à todos!!

Bisous,
Pandora que acredita que é possível.