quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Naturalmente assim...

Primeiro que foi incríveeel!!

Foi incrível reler os textos de anos atrás e perceber que muitos dos meus medos e anseios se foram e marido pula de alegria que parte da doida desapareceu e quantas coisas aconteceram neste período de pausa. 

Pretendo relatar cada uma destas preocupações, pois assim como eu me encontrava, muitas mães estão nesse exato momento. 

Outra coisa é explicar o motivo da pausa. Tive que parar meus devaneios por motivo de força maior (uhuh, sempre quis falar bonito assim), que envolvia acima de tudo a preservação pela identidade e privacidade dos nossos filhos. E quando algo vem a ameaçar tudo aquilo que estamos construindo com muito cuidado e amor, eu particularmente, assumo meu lado leoa e defendo minhas crias com unhas e dentes.

Por isso paramos.

Por isso desta vez resolvemos usar codinomes "Tom e Jobim".

E, foi também por motivo de força maior que voltamos.

Neste período de pausa continuei ativista da minha maior causa. Tratar a adoção com naturalidade e orgulho faz parte do meu dia-a-dia, é ar que respiramos e pude perceber que as crianças percorrem o mesmo caminho e o sentimento que tenho em relação a isto, é de um orgulho danado, que transpassa qualquer "mimimi" dogmático que o tema carrega. Verdade minha gente, a verdade traz segurança e é uma troca justa nas relações inter-pessoais.

Assim, tivemos alguns episódios muito bons neste período de quase quatro anos de hibernação do blog pausa.

Nosso caçulinha, que aqui chamaremos por "Jobim", estava na escola há uns dois anos (na época com sete anos) e de repente o tema era Reprodução Humana. Como um assunto leva a outro, de repente, na rodinha da "suiçada" surgiu o tema, Parto.

A professora começou a explicar como as crianças saem da barriga das mães e não sei o que ela mostrou (mas posso imaginar), os alunos entoaram um "ARGHHHH" de nojinho em coro. Logo depois ela explicou pra garotada: " C'est la vie!" (Eita fase do nojinho esta, heim? Fazem isso para algumas sopas minhas)... mas enfim:

Imagem retirada da web
Então, eis que J. levanta a mão desesperado (tudo isto quem me contou foi a professora) e diz:

_"Eu não nasci assim!! Eu nasci do coração da minha mãe!! 

Bom, claro que depois em casa eu expliquei pra ele que independente de ter tido dois nascimentos (Oi??) , mentira, disse que apesar de ter nascido dos nossos corações, o processo de vir ao mundo é parecido para a maioria das pessoas.

***

Mas após o causo acima, a professora me chamou para uma conversa particular. Aqui, eu relatei que nos mudamos de casa e que com isso eles teriam que mudar de escola, e na época, achei que não havia a necessidade de relatar o fato da adoção no período da matrícula. E para minha surpresa, o que é raro por aqui, a professora se emocionou muito ao conversar conosco. Primeiro pois ela queria saber se J. estava inventando aquela história ou se era realmente verdade, dado ao fato que ele é a minha cara ( ráh!). Entre lágrimas e pedidos de desculpas, ela me dizia o quão surpresa estava com a novidade e me disse que em trinta anos de profissão, era a primeira vez que via uma história de adoção ser tratada naturalmente, sem que isso fosse um problema ou um segredo de família. No fim, eu e a professora choramos juntas, por motivos de contentamentos diferentes e "Jobim", não entendeu nada. Só me abraçou e disse:

_"Vai ficar tudo bem mamãe".

Você tinha razão filho!

Bisous, Pandora "Giga bites", tentando relembrar tu-do e mais um pouco.  


Um comentário:

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