quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

De verdade!

Voltar a escrever no blog é um exercício fantástico de reflexão sobre as expectativas que uma mãe doida carrega. Essa doida sou eu.

Hj mesmo fui ao aniversário de uma amiga pela manhã e como estou super acostumada com a correria mãetorista frenética do dia-a-dia, estava me despedindo das pessoas bem antes (1h) do horário de pegar Jobim (9a) na escola (lembrando que aqui na Suíça, as escolas locais funcionam em dois períodos, manhã e tarde e o almoço é em casa). E é assim mesmo neh, a correria tá no mundo todo, por todos os lados... e a gente que acha que os filhos vão se tornando mais independentes e a vida sossega um pouco... nananinanão. Só piora, pois agora eles fazem seus próprios compromissos e cabe à mãe coordenar as agendas "tudo", que no meu caso são quatro: A minha, de Tom (10a),  Jobim (9a) e da nossa cachorrinha Chloé (2a)🐾. Mas isso não é reclamação não, tá? Tô curtindo muito cada ritmo, cada pedacinho deste enredo de vida que ganhei de presente.

Mas senta aí, pega o chá e devaneia comigo.

Voltar a ler meus textos que foram escritos há quatro anos só me faz pensar na forma como eu pensava nos fatos futuros e como eles realmente são, na realidade atual. Pra se ter uma ideia, parei de escrever para preservar a identidade de cada um, para não expor muito, principalmente a história deles, porém senti muita falta desta troca... a exposição tem seus problemas, mas ajuda muito outras pessoas a se encontrem também, dentro de suas próprias buscas interiores. E eu sempre procuro  ajuda em leituras e trocas de experiências (como agora na Síndrome de Menière), percebi o quanto saber que uma pessoa que não conheço pessoalmente, realmente me ajudou relatando sua experiência com a Menière,  em uma entrevista em uma rádio local... então pensei... "Tá vendo como a exposição pode ajudar?"


Então, sentei com meus parceiros ❤️ de vida: marido e filhos e perguntei a opinião de cada um sobre voltar a contar nossas histórias reais e ajudar outras pessoas...

E a resposta não poderia ser melhor: Sim, claro!!  Tom (10a) que já teve uma orientação sobre o uso da Internet na escola, apenas me lembrou sobre não colocar muitas fotos, endereço, cidade, etc e tals. Demais, né?

Mas voltando ao tema central do meu devaneio hoje... "bora" prosear:

Quando se é médico, o olhar sobre a saúde é mais apurado, o mesmo acontece com o engenheiro civil que calcula e prevê que um erro, pode ser fatal. Cada profissão com seu olhar e suas cautelas... no meu caso,  minha profissão de formação e anos na área: Pedagogia e Psicopedagogia.

É claro que existe aquele ditado "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau", e acredito que pecamos muito mesmo neste sentido. Mas me vi muitas vezes antes de ser mãe, orientando pais e alunos em muitas coisas que eu realmente acreditava (e acredito!) serem possíveis e ideais, de acordo com tudo aquilo que havia passado anos estudando e vivenciando no quotidiano escolar onde convivemos com vários tipos de famílias. E quem me conhece e convive comigo sabe, sou super farrista, brincalhona, mas quando o assunto são os filhos, não deixo de me ver como há anos, centrada, procurando seguir as orientações que fazia a outros pais, mantendo o foco, que dentro dos meus devaneios, levo super a sério. Claro que o ideal para cada família é diferente, pois depende de cada dinâmica e histórico familiar de cada um. O que funciona pra mim, é diferente daquilo que funciona pra você, e assim vai, nehh? A gente vai aprendendo a ser mãe, a ser família na garra mesmo, no dia-a-dia, na convivência. Sem regras, apenas adaptações.

E nestes quatro anos de pausa no blog e quase sete anos de maternidade, a gente tem um balanço muito lindo "so far"*. Muitas vezes, eu e o maridon ficamos horas conversando sobre os fatos que ele muitas vezes perde por conta das viagens e do trabalho e nos pegamos emocionados, dentro de uma atmosfera que não conseguimos explicar... vai muito além das coisas que conseguimos explicar. Lindo de verdade ❤️amor piegas, amor clichê,  pois não tem como ser diferente.  É a Vida, é bonita, é bonita e é bonita.  

Por exemplo, o fato de sempre trabalharmos com a sinceridade e a verdade aqui em casa em relação a história deles, sem máscaras, sem histórias proibidas, nos rende muitos contos interessantes, como aquele que contei aqui e muitos outros que ainda contarei. Tom e Jobim falam realmente com muita naturalidade sobre o fato de terem sido adotados, pois pra gente é inconcebível esconder ou ter receio de uma história que é de amor!!

Um dia desses, vivenciamos uma fato no mínimo, inusitado:

Eles estavam no vestiário do futebol ( dá outro post esse tema, viu 😒) e por algum motivo, Tom (10a) disse abertamente que ele e Jobim haviam sido adotados ( tipo na naturalidade mesmo, aquela coisa de tirar a meia fedida, a camisa cheia de suor e ir conversando "cozamigo" no vestiário, sabe?). Daí, o amigo que ficou surpreso com aquela conversa toda, começou a aborda-los constantemente sobre este assunto:

_"Eu estava pensando... aquele dia no vestiário, vocês inventaram aquela história, né?"

No outro dia:

_"Sabe, eu andei pensando... vocês não foram adotados coisa nenhuma. É mentira dos seus pais". 

E em algum outro dia:

_"Sabia que é mentira da sua mãe? Vocês não foram adotados...Ela está mentindo pra vocês". 

Oi??? 😳

Claro, esses bullyings  acontecem somente quando nós, pais, não estamos por perto e euzinha estava "boiando", sem saber de nada, até que Tom e Jobim chegaram uma noite, após o futebol e marcaram uma "DR" (discussão de relação, a gente vê por aqui...). Sentamos e pá!!!

_"Mãe, é verdade que você inventou que a gente foi adotado? ("Tudo" com cara de choro e com fome minha gente)... que dó.

Pausa ...

Fiquei com cara de "UÓ"... juro, sempre pensei que o conflito seria o oposto, o inverso disso. Não acreditei que estava acontecendo aquilo, não estava preparada pra esta pergunta... aliás, nunca pensei que isso seria possível ah ah, sério! Foi inusitado. Conversamos tranqüilamente com os dois, explicamos e re-contamos toda nossa trajetória e claro, tive que ligar para a mãe do coleguinha que, como eu, também não sabia de nada. Ri com ela também, pois realmente achei engraçado ter que explicar pra ela que sim, nossos filhos eram do coração e que era pra ela converser o filho de que nossa verdade, nossa história pode ser diferente da dele e de muitos outros coleguinhas, mas é bem legal também!!

Depois disso, tudo resolvido e sem bullyings (neste sentido),  espero!! 😅

Goleada no coração!! Foi gol de letra, de canetinha... 


Bisous, mãe Pandora que tira da caixa um monte de lembranças pra reviver...



 * Tradução Inglês - Português: So far: até agora



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Das surpresas que a vida nos traz...

Oi!! Voltei, voltei!!!

Espero eu que desta vez seja pra valer, mas como por aqui não faltam acontecimentos, senta que lá vem história... 

Vou contar em algumas postagens o que aconteceu na minha vida desde o último post, em setembro de 2016. 

Bom...

Tudo começou em fevereiro de 2016, há um ano. Um belo dia acordei com o ouvido entupido. Mas como aqui na Europa as estações do ano são bem marcadas e muitas pessoas sofrem com a quantidade de pólem que circula nos ventos e nas patinhas dos insetos por conta da primavera que vem chegando, eu achei que era uma simples alergia. Mesmo assim, procurei um médico. 

Na consulta, ele fez audiometria (estava tudo normal), fez o exame clínico, a entrevista... e claro, não fechou nenhum diagnóstico precipitado, mas citou algumas possíveis causas, dentre elas, possibilidade de ser algum tipo de vírus ou Maladie de Menière ou Síndrome de Meniėre como é conhecida no Brasil. 

Voltei pra casa ainda com o ouvido tampado e segui vida normal na certeza de que isso passaria. Acreditem, não me atrevi nem a buscar o significado desta doença em site de buscas. Segui a vida que é corrida e fui adiante. 

Em julho, me permiti passar um fim de semana "cazamiga" em Amsterdam (vou postar sobre isto em breve, foi muito bacana) e quando fomos ao Brasil de férias, aproveitei como faço sempre pra ir no dentista e claro, me consultar com um outro otorrinolaringologista. Quem mora pelas bandas de cá sabe o quanto a medicina aqui evita receitar medicamentos fortes, então eu fui ao Brasil crente que faria um tratamento com uma batelada de antibióticos e voltaria novinha em folha "prazeuropa". Ledo engano... 

Fiz os exames e o diagnóstico foi o mesmo... possíveis causas...

Aproveitamos muito as férias em julho no Brasil (apesar de pegar mais frio) e voltamos pra vida normal em agosto, aqui na Europa. Em setembro, ainda com o ouvido entupido, decidi voltar ao meu cantinho preferido: Meu blog, onde eu registro um pouco da nossa história, da minha leitura sobre a vida, sobre o mundo... e em outubro...

Fonte da Imagem: http://audiocontrol.com.br/BlogItem.aspx?id=34&cat=5
Um CAOS!!

De uma hora pra outra minha vida, meu ir e vir, TUDO, mudou. 

Passei a ter tonturas assim que acordava. Com elas, vômitos imediatos, sem aviso prévio. Não conseguia andar em linha reta. Tom e Jobim (codinomes 😉 dos meus filhos de 10a e 9a) ficaram super assustados, inseguros. Foi então que o diagnostico foi fechado: Maladie de Ménière, ou Síndrome de Ménière. A qual eu estou aprendendo a lidar todos os dias a partir de então. 

Vou contar cada passo, cada conquista, cada erro, tim-tim por tim-tim, pois isso me faltou muito no começo. Assim como conversar, ler e assistir outras pessoas com esta doença me ajudou muito a seguir em frente, eu não posso ficar calada se tenho um meio de comunicação de fácil acesso ( o blog) pra poder partilhar e de alguma forma, ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo problema neste momento.

Agora volto com mais um tópico para o Blog. Além de muitos já discutidos aqui como Maternidade, Endometriose, Expatriação, Adoção, agora trago na pauta, uma doença pouco falada, desconhecida, que tem um nome estranho e que assusta muito: a tal da Síndrome de Ménière

Obrigada pela paciência pessoas lindas que vieram aqui e deixaram recadinhos super carinhosos. Estou pensando em voltar a divulgar os posts no Facebook também, mas por lá eu não vou há tempos... e isso também faz parte da aprendizagem deste meu novo ser, lidar com prioridades, uma coisa de cada vez e sempre. 

Até daqui a pouco com mais explicações, desabafos e descobertas sobre a tal...

Bisous, Pandora Resiliente 🙃😃 

P.S. Assim que comecei a procurar sobre a doença nos sites de buscas, eu digitava sempre em português e francês e o que vinham eram enxurradas de más notícias, tipo "amore, a vida acabou"... sério. Então, uma amiga, super leitora do blog, a Giovana, me perguntou se eu tinha digitado em inglês. E dai... a vida voltou a sorrir. A quantidade de pessoas com esta doença nos EUA e no Canadá é tão alta quanto no Brasil e na Europa. O que muda são a quantidade de pessoas que tem a coragem de partilhar suas experiências e ajudar outros a entender o que está acontecendo através de relatos e entrevistas. É fato, aqui na Europa e no Brasil, pouca gente se expõe neste sentido, o que é uma pena. 

Então, aqui vai um vídeo que achei a minha cara, uma explosão de energia, que me ajudou muito na pior fase. Através desta entrevista, percebi o quanto minha alegria é muito maior que as dificuldades e o quanto sou resiliente.  

Me comprometo a colocar legenda futuramente, ok? Me cobrem, mas antes sintam a "vibe" desta atriz que conta que ela e a irmã, sofrem da mesma doença. Vamos com fé minha gente!! Fácil não é, mas tudo se encaixa.