Pular para o conteúdo principal

De verdade!

Voltar a escrever no blog é um exercício fantástico de reflexão sobre as expectativas que uma mãe doida carrega. Essa doida sou eu.

Hj mesmo fui ao aniversário de uma amiga pela manhã e como estou super acostumada com a correria mãetorista frenética do dia-a-dia, estava me despedindo das pessoas bem antes (1h) do horário de pegar Jobim (9a) na escola (lembrando que aqui na Suíça, as escolas locais funcionam em dois períodos, manhã e tarde e o almoço é em casa). E é assim mesmo neh, a correria tá no mundo todo, por todos os lados... e a gente que acha que os filhos vão se tornando mais independentes e a vida sossega um pouco... nananinanão. Só piora, pois agora eles fazem seus próprios compromissos e cabe à mãe coordenar as agendas "tudo", que no meu caso são quatro: A minha, de Tom (10a),  Jobim (9a) e da nossa cachorrinha Chloé (2a)🐾. Mas isso não é reclamação não, tá? Tô curtindo muito cada ritmo, cada pedacinho deste enredo de vida que ganhei de presente.

Mas senta aí, pega o chá e devaneia comigo.

Voltar a ler meus textos que foram escritos há quatro anos só me faz pensar na forma como eu pensava nos fatos futuros e como eles realmente são, na realidade atual. Pra se ter uma ideia, parei de escrever para preservar a identidade de cada um, para não expor muito, principalmente a história deles, porém senti muita falta desta troca... a exposição tem seus problemas, mas ajuda muito outras pessoas a se encontrem também, dentro de suas próprias buscas interiores. E eu sempre procuro  ajuda em leituras e trocas de experiências (como agora na Síndrome de Menière), percebi o quanto saber que uma pessoa que não conheço pessoalmente, realmente me ajudou relatando sua experiência com a Menière,  em uma entrevista em uma rádio local... então pensei... "Tá vendo como a exposição pode ajudar?"


Então, sentei com meus parceiros ❤️ de vida: marido e filhos e perguntei a opinião de cada um sobre voltar a contar nossas histórias reais e ajudar outras pessoas...

E a resposta não poderia ser melhor: Sim, claro!!  Tom (10a) que já teve uma orientação sobre o uso da Internet na escola, apenas me lembrou sobre não colocar muitas fotos, endereço, cidade, etc e tals. Demais, né?

Mas voltando ao tema central do meu devaneio hoje... "bora" prosear:

Quando se é médico, o olhar sobre a saúde é mais apurado, o mesmo acontece com o engenheiro civil que calcula e prevê que um erro, pode ser fatal. Cada profissão com seu olhar e suas cautelas... no meu caso,  minha profissão de formação e anos na área: Pedagogia e Psicopedagogia.

É claro que existe aquele ditado "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau", e acredito que pecamos muito mesmo neste sentido. Mas me vi muitas vezes antes de ser mãe, orientando pais e alunos em muitas coisas que eu realmente acreditava (e acredito!) serem possíveis e ideais, de acordo com tudo aquilo que havia passado anos estudando e vivenciando no quotidiano escolar onde convivemos com vários tipos de famílias. E quem me conhece e convive comigo sabe, sou super farrista, brincalhona, mas quando o assunto são os filhos, não deixo de me ver como há anos, centrada, procurando seguir as orientações que fazia a outros pais, mantendo o foco, que dentro dos meus devaneios, levo super a sério. Claro que o ideal para cada família é diferente, pois depende de cada dinâmica e histórico familiar de cada um. O que funciona pra mim, é diferente daquilo que funciona pra você, e assim vai, nehh? A gente vai aprendendo a ser mãe, a ser família na garra mesmo, no dia-a-dia, na convivência. Sem regras, apenas adaptações.

E nestes quatro anos de pausa no blog e quase sete anos de maternidade, a gente tem um balanço muito lindo "so far"*. Muitas vezes, eu e o maridon ficamos horas conversando sobre os fatos que ele muitas vezes perde por conta das viagens e do trabalho e nos pegamos emocionados, dentro de uma atmosfera que não conseguimos explicar... vai muito além das coisas que conseguimos explicar. Lindo de verdade ❤️amor piegas, amor clichê,  pois não tem como ser diferente.  É a Vida, é bonita, é bonita e é bonita.  

Por exemplo, o fato de sempre trabalharmos com a sinceridade e a verdade aqui em casa em relação a história deles, sem máscaras, sem histórias proibidas, nos rende muitos contos interessantes, como aquele que contei aqui e muitos outros que ainda contarei. Tom e Jobim falam realmente com muita naturalidade sobre o fato de terem sido adotados, pois pra gente é inconcebível esconder ou ter receio de uma história que é de amor!!

Um dia desses, vivenciamos uma fato no mínimo, inusitado:

Eles estavam no vestiário do futebol ( dá outro post esse tema, viu 😒) e por algum motivo, Tom (10a) disse abertamente que ele e Jobim haviam sido adotados ( tipo na naturalidade mesmo, aquela coisa de tirar a meia fedida, a camisa cheia de suor e ir conversando "cozamigo" no vestiário, sabe?). Daí, o amigo que ficou surpreso com aquela conversa toda, começou a aborda-los constantemente sobre este assunto:

_"Eu estava pensando... aquele dia no vestiário, vocês inventaram aquela história, né?"

No outro dia:

_"Sabe, eu andei pensando... vocês não foram adotados coisa nenhuma. É mentira dos seus pais". 

E em algum outro dia:

_"Sabia que é mentira da sua mãe? Vocês não foram adotados...Ela está mentindo pra vocês". 

Oi??? 😳

Claro, esses bullyings  acontecem somente quando nós, pais, não estamos por perto e euzinha estava "boiando", sem saber de nada, até que Tom e Jobim chegaram uma noite, após o futebol e marcaram uma "DR" (discussão de relação, a gente vê por aqui...). Sentamos e pá!!!

_"Mãe, é verdade que você inventou que a gente foi adotado? ("Tudo" com cara de choro e com fome minha gente)... que dó.

Pausa ...

Fiquei com cara de "UÓ"... juro, sempre pensei que o conflito seria o oposto, o inverso disso. Não acreditei que estava acontecendo aquilo, não estava preparada pra esta pergunta... aliás, nunca pensei que isso seria possível ah ah, sério! Foi inusitado. Conversamos tranqüilamente com os dois, explicamos e re-contamos toda nossa trajetória e claro, tive que ligar para a mãe do coleguinha que, como eu, também não sabia de nada. Ri com ela também, pois realmente achei engraçado ter que explicar pra ela que sim, nossos filhos eram do coração e que era pra ela converser o filho de que nossa verdade, nossa história pode ser diferente da dele e de muitos outros coleguinhas, mas é bem legal também!!

Depois disso, tudo resolvido e sem bullyings (neste sentido),  espero!! 😅

Goleada no coração!! Foi gol de letra, de canetinha... 


Bisous, mãe Pandora que tira da caixa um monte de lembranças pra reviver...



 * Tradução Inglês - Português: So far: até agora



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”.  Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro:    O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “ Quem escolheu este livro filho? ” e ele… “ eu mãe, achei a capa bonitinha” .  O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a le

Série co-autores, conte sua história no blog! Hoje, a conquista do parto natural e quem nos conta é a Karime.

Hoje a série co-autores do Contos , renasce, literalmente.  Além de trazer um lindo relato de parto, dia 20 de janeiro de 2013 , é o dia em que a personagem principal desta história real, a Lara, completa 1 aninho.   P a r a b é n s L a r a !!  Voilà, o conto: Bom dia Mamães! Hoje, dia 20, minha filhota completa 1 ano :) E para comemorar e começar o dia com toda boa energia e em alto astral compartilho com vocês como foi o parto dela... FOI ASSIM:  Pessoas queridas do meu coração, estou aqui, menos de dois anos depois do relato do nascimento do Luca para escrever sobre o parto da Lara! Uma experiência tão marcante e intensa que é preciso respirar fundo várias vezes para tentar traduzir tamanha emoção em palavras... Como sabem, sonhava vivenciar o parto natural e por se tratar de uma tentativa depois de uma recente cesariana tudo já era naturalmente diferente... opiniões daqui, estatísticas dali, pesquisas de lá, ‘achismos’ acolá ... e o meu desejo acima de tudo! Sorte, mu

Aniversário Solidário

"Você é a mudança que deseja ver no mundo"  Mahatma Gandhi  EMPATIA Segundo a definição que encontramos aqui ,   Empatia   significa a   capacidade psicológica  para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em   tentar compreender sentimentos e emoções , procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.  A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo - amor e interesse pelo próximo - e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais. Assim surgiu a ideia de este ano, pela segunda vez nestes meus ... vinte e poucos quarenta e dois  anos, reunir várias amigas (mais de quarenta) que também moram aqui na Suíça para uma confraternização do meu aniversário (3 /3 anota ai), no Dia Internacional da Mulhe