quinta-feira, 23 de março de 2017

Artes: Aprendendo com Tom

Tom é meu filho mais velho, ele vai fazer onze anos em maio deste ano. Desde que nos conhecemos (quando ele tinha quatro anos) a gente percebe que ele ama desenhar e o faz muito bem, e não é papo de mãe coruja não heim?

E eu, mãe papelaria, adoro estas coisas e incentivo todo o tipo de arte em casa, principalmente se fizermos juntos. Um bom exemplo são as adoráveis canetas para vidros. A gente aproveita a arquitetura daqui com janelas e portas de vidros grandes para que eles possam explorar o desenho sem medo e o melhor, depois é só passar um pano umedecido com limpa vidros. Legal, né?

Outra atividade que fazemos juntos é a pintura coletiva, com direito a biquinho minha gente, tamanha é a concentração. O melhor destas atividades é que enquanto a gente pinta, o diálogo flui e a gente pode conversar de assuntos diversos, inclusive aqueles que ficam embaixo do tapete e surgem do nada a cada pincelada.
Pintura coletiva em um painel gigante. 


O interesse de Tom pelas Artes foi aprimorado na escola pública aqui na Suíça e de lá pra cá a gente tem aprendido muito com ele. E o danadinho guarda tudo, datas, acontecimentos, uma enciclopédia este garoto. Na escola onde eles estudam a gente percebe que o estudo da História das Artes e os artistas são bem valorizados pelos professores e a motivação deles é nítida quando os convidamos para uma exposição,  por exemplo.

Em fevereiro de 2015, quando fomos para Nova Yorque, infelizmente chegamos uma semana após o fim 😔de uma grande exposição do Henri Matisse no MOMA. Mas o interessante foi que estávamos em uma estação de trem de lá e duas senhoras americanas sentadas ao nosso lado começaram a conversar conosco graças às crianças. E elas além de nos alertar sobre o fim da exposição, também nos sugeriram ir a uma livraria no Rockefeller Center, a Posman Books, para adquirirmos este livros elaborados especialmente para o público infantil:




Conseguimos ver de pertinho esta obra de Monet, em Martigny. 

Reprodução feita por Jobim, aos 7 anos, com canetas feltro. 


Reprodução feita por Tom, aos 8 anos. Ele recortou e montou , como Matisse. 

Os livros possuem uma linguagem bem lúdica e acessível aos pequenos leitores e como vcs podem ver, Tom (10a) e Jobim (9a),  já fizeram re-leituras de algumas obras.

Vale a pena!!

E há uns vinte dias, estivemos na exposição Hodler, Monet, Munch na Fondation  Pierre Gianadda, em Martigny, aqui na Suíça. Foi nossa segunda visita nesta fundação, que também possui um museu de carros antigos. Lá as crianças recebem uma espécie de Quiz sobre a exposição atual, a fim de que possam realizar a visita de uma maneira lúdica:

Acharam uma muretinha para responderem ao quiz. 





Tom e Jobim com o roteiro para crianças. 



 É isso aí, Suíça oferece muito mais que escândalos envolvendo dinheiro público do Brasil  fondues e chocolates. Aqui tem muita coisa interessante para se explorar e curtir com as crianças e os adultos.

Bisous, da Mãe

sexta-feira, 10 de março de 2017

Aniversário Solidário

"Você é a mudança que deseja ver no mundo" Mahatma Gandhi 

EMPATIA

Segundo a definição que encontramos aqui,
 
Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo - amor e interesse pelo próximo - e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais.

Assim surgiu a ideia de este ano, pela segunda vez nestes meus ... vinte e poucos quarenta e dois anos, reunir várias amigas (mais de quarenta) que também moram aqui na Suíça para uma confraternização do meu aniversário (3 /3 anota ai), no Dia Internacional da Mulher. A ideia era celebrar o aniversário, porém, sem presentes comerciais. O objetivo era doar talentos, serviços, valores ($) a quem precisa. 


Tudo começou assim:  

Todos os anos é mesma ladainha, digo que não vou fazer nada no aniversário e Pá!! Mudo de ideia rapidinho e começo a programar cada detalhe para celebrar a vida.  

*** Pausa

Bom... pensando que ao ouvirmos as notícias sobre a economia do nosso país, ficamos muito tristes em ver nos noticiários, que o Brasil está vivendo segunda pior recessão de sua história. Claro que euzinha não consigo mudar nada, mas posso fazer uma pequena parte.

*** Fim da Pausa 

Foi pensando nisso e em como poder ajudar de alguma forma, resolvi pedir às amigas a gentileza de trocar a tradição dos presentes, por uma doação em dinheiro para uma instituição de caridade e sem fins lucrativos no Brasil; 

Eu, marido, Tom (10a) e Jobim(9a) optamos por repassarmos as futuras doações para um abrigo, onde atendem crianças em situação de abandono ou vítimas de maus tratos e para evitarmos constrangimentos  com os valores doados, preparamos esta caixa para que as doações fossem anônimas.


E como forma de agradecimento às doações, pensei em sortear alguns brindes, mas precisaria correr atrás dos mesmos. Foi necessário então, encontrar outras pessoas com a mesma "vibe", as mesmas ideias altruístas para de alguma forma doarem seus talentos, uma parte de suas formações profissionais, seus produtos e claro, as encontrei!! Desta forma, poderíamos retribuir as doações e ao mesmo tempo, promover os serviços e produtos durante a festa;


Mas também encontrei quem não topou. Faz parte, o importante foi ver o resultado desta celebração que acreditem, foi pra lá de especial. O número de pessoas que querem ajudar foi e sempre será muito maior que aquelas que não se envolvem.


Conseguimos angariar ótimos brindes para os sorteios durante a festa:
  • 1 mês de aula de Zumba gratuitas com a animadíssima professora Renata Hernandes. A aula dela parece uma festa! Ela colaborou doando as aulas para três convidadas;  
  • 1 entrada para o workshop Manual de Sobrevivência Criação de uma Expatriada* com a coach Geisa Mourão que acontecerá em breve aqui no cantão de Vaud, na Suíça. Aliás, vale a pena conhecer o trabalho dela, que vem com um grande projeto para mulheres em Vaud!Em breve teremos mais detalhes, aguardem! Aproveite para dar uma passadinha lá no site dela clicando aqui;  

A querida Rosângela recebendo o voucher para o  worshop com a coach Geisa Mourão. 
  • Duas caixas dos saborosos e saudáveis Smart Cakes  que chegaram há pouco tempo na Suíça e já caíram no gosto dos suíços. E esta empreitada veio de onde?? Onde?? Do BRASIL!! Sim, passou pela aprovação de todos aqui em casa e são feitos somente com ingredientes saudáveis e nutritivos. Dê uma espiadinha aqui e veja se não vai te dar água na boca! 
  • Duas massagens (facial e corporal) com a fisioterapeuta Luciane Cerri. Eu quero!! Eu necessito!! Se por acaso quiser o contato, escreva nos comentários; 

  • Dois artesanatos lindos feitos especialmente pela artista plástica Isabel Arruda. A Isabel tem um canal  no You Tube com quase 20.000 seguidores!! Olhem o capricho que ela coloca em cada detalhe, clicando aqui. A Isabel também eternizou a imagem do meu filho em biscuit no aniversário de 10 anos dele o ano passado. Ficou demais!! Em breve falaremos mais sobre esta festa;

  • Um Naked Cake brigadeiro com Cenoura para a celebração da Páscoa, deliciosamente oferecido pela boleira de primeira Priscilla Tedeschi e sua linda Bollerie -Joie en Morceaux. Você também pode conhecer o trabalho dela pelo Instagran, clicando aqui

  • Dois kits de viagens para facilitar a vida das mamães, delicadamente preparados com muito carinho pela Fernanda, a mamãe da Giovanna, que também moram na Suíça, mas estão de mudança em breve. A Fê escreve no "Viagens de Mãe" e lá vocês encontrarão muitas dicas legais para quem viaja com os filhos 😉. 

  • Uma entrada para o workshop sobre Estilo Pessoal* com a consultora em moda Ludmila Oliveira; Chique né? 

  • Uma entrada para o workshop de culinária com o tema Massa Caseira*  com Letícia Campos e Adriana Medeiros. A Adriana faz queijo catupiry caseiro para vendas, caso queira o contato, escreva nos comentários; 

  • Uma sessão de fotos, com a fotografa Liliane Valadares. Nós fizemos um ensaio com ela e recomendamos muito! Quem quiser o contato dela, por favor, escreva nos comentários. 

  • Um Acessório de Decoração da Suki Home, para dar um toque elegante na mesa da ganhadora 😉
E muitos outros brindes que algumas amigas fizeram questão de levar para colaborar. 

E foi assim mesmo, no carão que muito me é típico, fui buscando outras pessoas altruístas e acreditem, elas estão por toda parte. O importante é saber que o NÃO, nós já tínhamos e o que importa é a quantidade de SIMs que foram chegando.

Conseguimos arrecadar bem mais do que eu esperava quando tive a ideia inicial e mesmo àquelas pessoas que não puderam ir ("cadiquê "a maioria tem filho e a gente sabe que maternidade também significa imprevistos ) quiseram fazer sua parte. 

E dá pra não acreditar em um bem maior pessoas? O ambiente na festa foi tomado por uma energia boa, de sentimentos do bem, por uma alegria que se sentia de longe. Sem romantismos, pura realidade, assim recebi nos retornos das amigas que lá estiveram e que a maioria ali, são a nossa família na Suíça há seis anos.  

E este "post " foi para dizer o quanto sou boazinha e samaritana #sqn

Não.

Acho que na vida o que se leva é uma mistura de ética, valores e empatia, assim, "tudojuntoemisturado". 

Percebo que ao longo da estrada tropeçamos em alguns pedregulhos, porém, só tropeçamos pois nossos olhos estão ocupados demais buscando as flores.  E tenho dito!

À todas as minhas amigas que estiveram presentes e as que não puderam, às que estavam longe, às nossas famílias no Brasil e todos aqueles que fizeram falta neste dia... 


MUITO OBRIGADA!!  

* Todas as palestras e workshops acima fazem parte de um projeto para brasileiras que moram na Suíça e foi idealizado pela fisioterapeuta Luciane Cerri.

P.S. Hoje na minha varanda, enquanto a gente conversa, tem som. Estou escrevendo este post ao som de Kaiser Chiefs, amo!! Aperte aqui pra ouvir: Coming Home 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Menie... o que?

O nome é Menière, ou Síndrome de Ménière.

Deste que recebi este diagnóstico a vida não é mais a mesma e a falta de informações e/ou trocas de experiências sobre o assunto em sites em português, ainda é algo a ser explorado. Então, vou por aqui fazendo a minha parte, neh?

Semana passada ao contar pra uma amiga sobre todas as mudanças que tive que fazer a partir de então, vi que ela ficou assustada. Também estou (confesso) mas nada de alardes, a vida é assim, a gente se assusta no início das mudanças, mas logo depois nosso chip interno  (aquele que acredita em dias melhores, que toca em frente) se encarrega de reprograma-la, para seguimos em frente. Tudo no  tempo certo, onde o "jogo do contente" é necessário, a fé e o otimismo também.

Mas... realmente me pegou de supetão e o que mais me assustou no início foram as crises.



Foram muitos episódios, mas alguns me marcaram muito e estes também assustaram muito as crianças. Um foi em casa e as crianças estavam com alguns amiguinhos e assim que servi o almoço, eu senti que as tonturas começaram, ou seja, aquelas horas em que a última coisa que você quer é estar sozinha vomitando com a casa cheia de crianças, né? O outro foi em um restaurante, a gente tinha acabado de chegar quando percebi que a crise ia começar. Mo meu caso foi assim mesmo, muito rápido, inesperado. Saí cambaleando, o marido me segurando e o restaurante todo me olhando como se eu tivesse tomado todas antes fosse benhê...E não acaba aqui não. Havíamos estacionado o carro em uma rua paralela ao restaurante e eu não conseguia andar até lá, então, tonta, sentei na sarjeta. Os meus pensamentos naquele momento eram de querer enfiar a cabeça embaixo da terra e chorar   com muita vergonha. E o pior das crises foram as náuseas e vômitos que vinham em seguida. Mas o terceiro episódio (dentre muitos outros) foi terrível. Estávamos de carro com as crianças voltando da Legolândia, na Alemanha quando percebi que algo estava errado. Foi uma das mais fortes que tive, a ponto de ter que ficar internada em um hospital por lá mesmo durante seis horas.

A partir de então, decidi que eu precisava me inteirar com urgência sobre o que estava acontecendo. O sistema de saúde aqui na Suíça é diferente, não temos acesso a muitos medicamentos e me faltou  uma orientação precisa sobre o que estava acontecendo comigo. Comecei a ler artigos confiáveis na Internet e quando fomos para passar o Natal e Ano Novo no Brasil, aproveitei para tirar uma segunda opinião.

Tanto lá no Brasil, quanto aqui, uma dieta foi prescrita para amenizar os sintomas:

  • Ingerir menos sal;
  • Tomar muita água;
  • Evitar alimentos congelados e enlatados;
  • Menos açúcar e chocolate;
  • Praticar atividade física diariamente;
  • Evitar álcool e cafeína. 
E eu fico como 😶? Vou comer vento? Não, já sei!!! Vou virar musa fitness 💪🏻 !!! eh eh eh. Brincadeiras a parte, vou começar a postar também alguns pratos que jamais pensei em fazer, e estou amando me enveredar deste mundo "gourmet saudável". Por exemplo, hoje no almoço comemos quinoa, salmão, lentilha e espinafre e no jantar foi frango ao molho de limão, vagens e virado de lentilhas (com farinha de milho do Brasil).  E as crianças estão "de boa" nestas novas experiências gastronômicas por aqui.

Ah! Também mudamos a dosagem do medicamento, o que melhorou muito minha qualidade de vida. A parte boa  foi que com a dieta acima, eliminei quatro quilos sem passar fome, apenas comendo melhor, fazendo boas escolhas, mais saudáveis ... e principalmente evitando os exageros. O medo de ter a crise já nos disciplina. Aquela tacinha de vinho todas as noites pra aquecer as noites frias dos alpes suíços deu lugar a uma xícara de chá bem quentinha e o corpo agradece. 

A única coisa que não mudou ou até piorou nestes dois meses (desde o fim de ano) sem crises 🙏foi o zumbido no ouvido... este continua firme e forte. Mas já procurei um novo especialista por aqui para tentar diminuir se possível e também controlar a perda auditiva que é no momento, o menor dos meus problemas, acreditem. Passar pelos momentos incontroláveis de crises o tempo todo me tiraram por um período curto de tempo, um dos maiores prazeres que muitas vezes reclamamos, o de fazer TUDOEMAISUMPOUCO no dia-a-dia de uma mãe. Ser a "mãetorista", a cozinheira, a auxiliar nos deveres de casa alheios, a mãe chata da rua, a controladora de eletrônicos, a massagista de pezinhos chulezentos, a enfermeira de todos os tipos de males universais... enfim, curtir cada etapa da vida nesta correria que é vida de mãe, pode cansar, pode nos estressar, mas é dádiva.

Durante as crises, muitas vezes eu permaneci deitada no quarto, sem poder me mexer, sem conseguir nem mesmo responder uma mensagem no celular. Para uma pessoa ativa, isso é uma tortura e como não temos família por perto, os desafios são bem maiores com filhos pequenos e daí vira uma bola de neve... o estresse aumenta, as crianças ( esses seres extraterrestres que possuem antenas e percebem todos os sentimentos a sua volta) regridem... enfim, um caos. 

Mas não tô sozinha nesse carrossel sem freios não, tá?

Nas pesquisas neste mundo "internético" onde a maioria das pessoas são lindas, perfeitas e sem problemas descobri também depoimentos hilários e motivadores de pessoas que também tem a mesma síndrome e nem por isso se entregaram à doença.




O cantor Ryan Adams até tentou continuar os shows quando descobriu a doença, mas pelo fato do zumbido no ouvido atrapalhar as passagens de sons durante os mesmos, ele decidiu interromper a carreira. Porém, voltou a lançar um álbum para a alegria dos fãs.

As atrizes Kristin Chenoweth   e Katie Leclerc lidam super bem com a doença, e suas entrevistas foram as que mais me ajudaram a acreditar em dias melhores!! E é atrás destes exemplos que eu vou!! #inspiração













Dentre muitos anônimos e anônimas como eu, descobri uma figura nobre que supostamente também percorreu este caminho, o que explicaria talvez seu desequilíbrio mental no fim da vida:
Vincent Van Gogh 

Eu já admirava a obra, agora a compreendo rs  😜