terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ser MÃE na adolescência. Um relato pra lá de maduro...

Hoje, aqui no CONTOS de MÃE, o relato emocionante da mãe Heloísa, a Helô, que não carrega somente este nome lindo não, ela traz pra gente toda a beleza, a fortaleza, a responsabilidade e a verdadeira essência que a maternidade nos apresenta. Ela foi mãe adolescente e tem muito a compartilhar conosco.  Obrigada por este relato lindo Helô! Fiquei ainda mais sua fã!  



"Olá pessoal, hoje estou aqui, para contar a vocês como foi a experiência de ser mãe na adolescência. A Juliana me conhece desde que eu era criança e fiquei honrada quando recebi o convite para publicar meu relato.


Quando eu tinha 17 anos, descobri que estava grávida. Eu tinha acabado de te terminar o ensino médio e aguardava os resultados dos vestibulares. Eu não era uma garota que curtia a vida adoidado e aprontava todas, muito pelo contrário, tinha namorado e era bem certinha. Por ser a primeira neta, responsável, boa aluna e careta, aparecer grávida em uma família grande e bem tradicional, foi um choque. Foram oito meses difíceis e intensos para todos ao meu redor. 


Meu namorado também tinha dezessete anos e, assim como eu, não estava preparado para encarar uma gestação. Esse fato acarretou problemas para nosso relacionamento e acabamos terminando quando eu estava com três meses, o que dificultou a situação ainda mais. 


Eu tinha sonhos, grandes e pequenos, e vi cada um deles se esvaecendo sob a premissa de ser mãe adolescente e solteira. Desisti de estudar fora do país (o que mais almejava), desconsiderei o resultado das universidades federais/estaduais, parei de sair com minhas amigas, me fechei e grudei na minha mãe. Abri mão de tudo que adolescentes gostam de fazer, menos da música, que me acompanhou e me confortou por todo tempo. 



Aceitar minha imagem foi quase impossível. A barriga redonda, os peitos doloridos, os pés inchados. Não fiz álbum de gestante, como era comum no início dos anos 2000. Na verdade, tenho pouquíssimas fotos dessa fase. Hoje, me arrependo por não ter encarado a gestação de forma diferente, de não ter aproveitado o momento único que vivia. 



Era difícil saber que, enquanto meu corpo se alterava e eu ficava pensando na possibilidade de ter parto normal ou cesárea, meus amigos se preocupavam com a roupa que usariam na próxima balada. Perdi muitos amigos nessa época e depois que meu filho nasceu, por não entenderem minhas prioridades. Por não compreenderem que eu precisava ficar em casa com meu filho em vez de ir para a balada. 
Ficar grávida na adolescência é saber que, primeiro, a pessoa irá te julgar e olhar para a sua barriga, em vez de tentar entender que é algo normal e que faz parte da vida do ser humano. 



Apesar de sofrer e de ter noção da mudança radical que eu vivia, nunca pensei em interromper a gravidez. Aborto, para mim, era inconcebível. Eu nunca tiraria a vida do meu filho. O momento não era o ideal para mim, mas aconteceu, então ergui a cabeça e segui adiante, enfrentando tudo.



Amei meu filho assim que senti seu chute pela primeira vez. Sabia que, apesar de estar abrindo mão da vida que tinha planejado, eu sempre faria o possível para vê-lo feliz.
Ele nasceu com 37 semanas, duas semanas após eu ter completado 18 anos. Foi necessária uma cesárea de urgência, pois estava em sofrimento e com poucos órgãos vitais funcionando. Eu era muito nova e não interpretei os sinais da perda de líquido amniótico. Foi uma correria e os piores momentos da minha vida. 
Era irônico, eu não estava preparada para ser mãe, mas também não estava preparada para perder meu filho. 



Ele nasceu bem e não precisou de incubadora. Eu o peguei no colo e amei segurá-lo. Na rotina do hospital, não me senti mãe. Não me senti mãe quando o vi, nem quando o peguei ou amamentei pela primeira vez. 


Eu me senti mãe quando estava em casa, na primeira noite que passei sozinha com ele. Lembro nos mínimos detalhes como aconteceu:
Minha avó e minha mãe pediram que eu as chamasse caso ele chorasse de madrugada. Até então, eu ajudava a trocar fralda e a cuidar dele, porém não tinha feito nada sozinha. 



Quando ele chorou, me levantei e fui conferir o que precisava. Devia ser fome. Amamentei, ele se acalmou e resolvi trocar a fralda, sem chamar ninguém. Foi exatamente nesse momento que a ficha caiu. Ao vê-lo ali, sem roupa, com as perninhas finas, pezinhos minúsculos, tão pequeno, tão frágil e dependendo só de mim, fui assolada por uma sensação de responsabilidade e desespero. 


Ele era MEU filho. 


MINHA responsabilidade. 


Foi ali que me dei conta da grandiosidade que era ser mãe. 


Posso dizer que, aos 18 anos e mãe solteira de um recém-nascido, passei a ter uma nova visão de mundo. A opinião das pessoas deixou de fazer sentido, nada era maior e mais importante que o bem-estar do meu filho. Eu tentei ser a melhor mãe e a melhor pessoa que podia para aquele ser pequenininho que precisava exclusivamente de mim.


Ser mãe não me impediu de ter e de seguir meus sonhos. Novos sonhos. Estudei psicologia e trabalhei com clínica por cinco anos. Fiz pós-graduação em psicanálise e tradução. Sempre fui apaixonada por livros e hoje dedico minha vida à família e à escrita. Escrevia colunas em blogs e possuo alguns contos de romance e terror publicados. Estou na batalha para publicar meu primeiro livro solo e escrevendo meu segundo romance.


Hoje, o “menininho” tem 14 anos. Acabei me casando com o pai dele alguns anos mais tarde, aquele namoro que não tinha dado certo durante a gravidez, lembra? E temos mais um filho de 4 anos. 



Após todo esse tempo, não digo que ser mãe tão nova foi fácil, mas afirmo que faria tudo de novo, tudo da mesma forma. Porque em nenhum momento eu me arrependo da escolha que fiz."











segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Podemos e devemos evitar generalizações

Você tem irmãos? Um ou mais filho(s)?

Se os têm sabe do que estou falando, se não, observe a sua relação com seus irmãos e /ou a relação dos seus tios e compare com seus pais ou mesmo seus amigos que possuem irmãos...enfim...  ninguém é igual a ninguém... 

Com os filhos adotivos não é diferente.

Durante os vinte anos que trabalhei em escolas (😲veja bem... comecei aos dezesseis anos), muito se ouvia sobre as falas generalizadas em relação às crianças adotivas. Muitas destas falas vinham dos próprios pais e/ou professores. As crianças (coleguinhas de classe) dificilmente fazem qualquer tipo de diferença ou pré-julgamento, da parte delas, até hoje só vi curiosidades em relação ao tema.

Na minha graaaande família (aquela de primos de primeiro e segundo graus) temos outros casos de adoção, de uma criança (que hoje já é vovó 😁) outra que adotou três filhos, sendo uma menina e um casal de irmãos gêmeos, sendo que um deles cresceu e também adotou um bebê ) e aqui em casa, dois irmãos. Também tenho dois irmãos biólogicos, nascidos e criados pela mesma família e vários outros exemplos de irmãos por aí afora que sim, são diferentes entre si.

Aqui em casa não é diferente. Tom (11a) e Jobim (10a) são dois irmãos nascidos dos mesmos pais biológicos, nascidos também, juntos, do nosso coração (os dois foram adotados ao mesmo tempo) e são completamente diferentes. Por isso, generalizar uma condição pode levar a uma vertente preconceituosa e nociva nas relações humanas.

Cada pessoa age ou é daquela forma, devido a vários fatores, incluindo os biológicos, mas também devemos levar em consideração aqueles que são vivenciados e construídos ao longo da trajetória de cada um...

Ou seja, nada é estático. A vida é um eterno movimento e somos construídos (evoluimos) através de ciclos muito bem delineados pela própria natureza. Portanto, ao decidirmos adotar, precisamos ter em mente que haverá SIM muito trabalho, mas não somente pelo fato destes filhos serem adotivos, mas pelo fato de que FILHOS dão trabalho. E PONTO. É ou não é? (achei o ponto de interrogação no meu teclado, ehehe) 

Daí vem, claro, a história, as marcas, as cicatrizes emocionais que cada um carrega... isso não tem como negar ou fingir que não existe ou fazer a Poliana  ou então, se jogar na Síndrome "Feicebuquiana" dos últimos anos... Oi? Vida!!! Vida gente!!! Vida REAL.

Por aqui, por exemplo, aprendemos a cada dia, na criação, convivência e educação dos dois. Um desafio saber lidar e agir com gostos e personalidades tão diferentes e isso torna a "Arte" mais interessante... A Arte de saber respeitar cada individualidade, sem apelar para aquela "vibe" de libertinagem, onde eles podem fazer o que bem entendem... não. Eu me refiro a Arte de saber libertar, liberar com responsabilidade e saber que estas atitudes dos pais, são as que mais promovem habilidades importantes aos nossos filhos, para que se sintam mais seguros e mais responsáveis para enfrentarem as dificuldades que surgem o TEMPO TODO no universo infanto-juvenil. Quem já ouviu falar nesta listinha básica a seguir, levante a mão:


  • Insegurança ao ser deixado pelos pais na escola;
  • Medo das provas;
  • Ciúmes entre irmãos e coleguinhas;
  • Mentiras;
  • Bullying;
  • Dificuldades de Aprendizagem;
  • Entre muito outros...

Agora, ser pai e/ou mãe (ou os dois ao memo tempo), requer ou não requer sabedoria? Por isso, aqui a gente pratica o desabafo desenfreado cazamiga ,  a leitura de livros relacionados a estes temas sobre desenvolvimento e o universo dos filhos... e conversamos muito, pais e filhos, sempre em uma constante conversa sobre vários assuntos. Olho no olho mesmo (sem autoritarismo hã, se liga, isto é sério) e seguimos aprendendo o tempo todo com nossos erros e acertos, afinal, nem sempre acertamos.  No caso de filhos adotivos, percorremos o memo trajeto das diferentes fases do desenvolvimento infanto-juvenil, porém soma-se a tudo isso outros fatores que voltarei aqui para me aprofundar em temas mais específicos. Aguardem!!

Voltarei também com um próximo Post, onde vou colocar dicas de livros muito interessantes que valem a pena a leitura e investimento de tempo e dinheiro. Digo tempo, pois sempre ouvi muitas mamães e/ou papais dizerem que não conseguem tempo pra ler... pense, a gente encontra tempo nas salas de espera das atividades extras deles enquanto os esperamos, quando estamos no banheiro 😉,  antes de dormir... enfim, a leitura nos abre um leque de possibilidades, mas a melhor delas é saber que não estamos neste barco sozinhos.

Obrigada par visitar meu cantinho! Na próxima visita, pegue o "cafezin" e sente comigo na minha varanda, porque prosa aqui é o que não falta...


Imagem retirada da Web

 Bisous,


sábado, 2 de setembro de 2017

uma nova etapa do blog acaba de nascer!!



Tantas coisas acontecendo no mundo né... e eu não encontro o ponto de interrogação no meu teclado recém instalado... mas os problemas do mundo estão tão graves que requerem uma discussão mais profunda, muita reflexão e enquanto vamos fazendo nossa parte dentro das nossas casas, com nossos filhos e família, vou continuar teclando aqui meus devaneios até que o tal do ponto de interrogação apareça em alguma tecla perdida por aqui... e outras postagens deste tema possam vir em outro momento.

O fato é que uma amiga me ajudou a mudar a cara do meu blog, dando um ar mais personalizado e isso se deve a algumas mudanças que virão pela frente. Os codinomes de meus filhos nos textos vão permanecer por uma questão de neurose de escolha da mãe. Acredito que já que os contos são escancarados  verdadeiros, um mínimo de preservação, acredito ser necessário. BUT... porém, contudo, os filhos cresceram um "cadinho" e agora, depois de tantos anos preocupada se eles aceitariam ou não a exposição  no blog, eles chegaram um belo dia e me disseram que, PASMEM,  querem ser... Youtubers... Chocada!!! 

Agora é um tal de grava isso e aquilo, fazem vídeos, falam pelos cotovelos entre eles, editam, refazem, acham o máximo e óimmmm, eu acho que levam o móoo jeito. 

Daí então veio a idéia de usarmos esta plataforma (meu bloguinho simprinho), desta vez juntos, para continuarmos compartilhando nossas experiências, da mesma forma que me é peculiar, na prosa com a mãe aqui, no cafezinho com bolo na varanda do desabafo, na pracinha cazamiga, porém agora com o som das crianças (pré adolescentes) ao fundo... legal neh...

Outra novidade, agora, com o aval de Tom (11 anos) e Jobim (10 anos), as imagens e fotografias foram liberadas. E não foi somente este aval que fez a cabeça desta ex-atual-recém chegada blogueira mudar de idéia. Muitos daqueles que me acompanham nestes anos sabem o quanto sempre cuidei da preservação da imagem da nossa família e dos nossos filhos, mas como estamos em constante processo de transformação (ainda bem) eu me aprimorei *beijinho no ombro*, rs nestes últimos tempos...

    

Como eu contei pra vocês aqui , desde fevereiro de 2016 muita coisa mudou na minha visão de mundo. Muitos receios e neuroses minhas em relação à nossa exposição foram debatidas durante este período de pausa do blog, foram muitas sessões e conversas com minha psicóloga e na maioria das vezes, ela me dava razão. A exposição tem suas vertentes e nem sempre é boa. Porém, em muitas outras conversas com ela, com amigos, leitores de vários cantos do mundo e a última sessão que tivemos com um psicólogo suíço aqui, ficou claro pra gente que expor nossa experiência esta longe de ser exibicionismo. Após passar bem perto do Cabo da Boa Esperança  pela dificuldade da Ménière, percebi que a vida é uma dádiva e que o caminho que escolhemos percorrer com nossos filhos foi acertivo, bonito, corajoso, nos completa e nos transforma a cada dia. Segundo a visão do psicólogo suíço, vários fatores estão agregados à nossa história e muitos deles podem SIM inspirar muitas outras famílias que estão na mesma situação que a nossa... Palavras dele:

"Eu tiro o chapéu, pois além do fato da adoção de dois irmãos biológicos, já crescidos (4 e quase 3 anos), somam-se os fatores expatriação, trilinguismo, adaptação a outras culturas, climas, entre outros..." 

Alors... Respira fundo mãe Pandora, mostra o que é teu, que a vida te presenteou e que o universo inteiro conspirou para que este encontro de almas fosse possível!! 


Com vocês, uma nova etapa do blog acaba de nascer!! 






Tom e Jobim, na Alemanha em 2013

Lugar incrível na fronteira entre Suíça e Austria

Eles, na escalada do Matterhorn (rs) Suíça, 2012

Eu e Jobim com quase três aninhos, em Oslo, na Noruega.  Amo esta foto!!

Momentos inesquecíveis no Dyreparken, em Kristiansand, Noruega.   
Nossa família, Jobim banguela, Suíça 2015
Muro de Berlim, 2017