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Ser MÃE na adolescência. Um relato pra lá de maduro...

Hoje, aqui no CONTOS de MÃE, o relato emocionante da mãe Heloísa, a Helô, que não carrega somente este nome lindo não, ela traz pra gente toda a beleza, a fortaleza, a responsabilidade e a verdadeira essência que a maternidade nos apresenta. Ela foi mãe adolescente e tem muito a compartilhar conosco.  Obrigada por este relato lindo Helô! Fiquei ainda mais sua fã!  



"Olá pessoal, hoje estou aqui, para contar a vocês como foi a experiência de ser mãe na adolescência. A Juliana me conhece desde que eu era criança e fiquei honrada quando recebi o convite para publicar meu relato.


Quando eu tinha 17 anos, descobri que estava grávida. Eu tinha acabado de te terminar o ensino médio e aguardava os resultados dos vestibulares. Eu não era uma garota que curtia a vida adoidado e aprontava todas, muito pelo contrário, tinha namorado e era bem certinha. Por ser a primeira neta, responsável, boa aluna e careta, aparecer grávida em uma família grande e bem tradicional, foi um choque. Foram oito meses difíceis e intensos para todos ao meu redor. 


Meu namorado também tinha dezessete anos e, assim como eu, não estava preparado para encarar uma gestação. Esse fato acarretou problemas para nosso relacionamento e acabamos terminando quando eu estava com três meses, o que dificultou a situação ainda mais. 


Eu tinha sonhos, grandes e pequenos, e vi cada um deles se esvaecendo sob a premissa de ser mãe adolescente e solteira. Desisti de estudar fora do país (o que mais almejava), desconsiderei o resultado das universidades federais/estaduais, parei de sair com minhas amigas, me fechei e grudei na minha mãe. Abri mão de tudo que adolescentes gostam de fazer, menos da música, que me acompanhou e me confortou por todo tempo. 



Aceitar minha imagem foi quase impossível. A barriga redonda, os peitos doloridos, os pés inchados. Não fiz álbum de gestante, como era comum no início dos anos 2000. Na verdade, tenho pouquíssimas fotos dessa fase. Hoje, me arrependo por não ter encarado a gestação de forma diferente, de não ter aproveitado o momento único que vivia. 



Era difícil saber que, enquanto meu corpo se alterava e eu ficava pensando na possibilidade de ter parto normal ou cesárea, meus amigos se preocupavam com a roupa que usariam na próxima balada. Perdi muitos amigos nessa época e depois que meu filho nasceu, por não entenderem minhas prioridades. Por não compreenderem que eu precisava ficar em casa com meu filho em vez de ir para a balada. 
Ficar grávida na adolescência é saber que, primeiro, a pessoa irá te julgar e olhar para a sua barriga, em vez de tentar entender que é algo normal e que faz parte da vida do ser humano. 



Apesar de sofrer e de ter noção da mudança radical que eu vivia, nunca pensei em interromper a gravidez. Aborto, para mim, era inconcebível. Eu nunca tiraria a vida do meu filho. O momento não era o ideal para mim, mas aconteceu, então ergui a cabeça e segui adiante, enfrentando tudo.



Amei meu filho assim que senti seu chute pela primeira vez. Sabia que, apesar de estar abrindo mão da vida que tinha planejado, eu sempre faria o possível para vê-lo feliz.
Ele nasceu com 37 semanas, duas semanas após eu ter completado 18 anos. Foi necessária uma cesárea de urgência, pois estava em sofrimento e com poucos órgãos vitais funcionando. Eu era muito nova e não interpretei os sinais da perda de líquido amniótico. Foi uma correria e os piores momentos da minha vida. 
Era irônico, eu não estava preparada para ser mãe, mas também não estava preparada para perder meu filho. 



Ele nasceu bem e não precisou de incubadora. Eu o peguei no colo e amei segurá-lo. Na rotina do hospital, não me senti mãe. Não me senti mãe quando o vi, nem quando o peguei ou amamentei pela primeira vez. 


Eu me senti mãe quando estava em casa, na primeira noite que passei sozinha com ele. Lembro nos mínimos detalhes como aconteceu:
Minha avó e minha mãe pediram que eu as chamasse caso ele chorasse de madrugada. Até então, eu ajudava a trocar fralda e a cuidar dele, porém não tinha feito nada sozinha. 



Quando ele chorou, me levantei e fui conferir o que precisava. Devia ser fome. Amamentei, ele se acalmou e resolvi trocar a fralda, sem chamar ninguém. Foi exatamente nesse momento que a ficha caiu. Ao vê-lo ali, sem roupa, com as perninhas finas, pezinhos minúsculos, tão pequeno, tão frágil e dependendo só de mim, fui assolada por uma sensação de responsabilidade e desespero. 


Ele era MEU filho. 


MINHA responsabilidade. 


Foi ali que me dei conta da grandiosidade que era ser mãe. 


Posso dizer que, aos 18 anos e mãe solteira de um recém-nascido, passei a ter uma nova visão de mundo. A opinião das pessoas deixou de fazer sentido, nada era maior e mais importante que o bem-estar do meu filho. Eu tentei ser a melhor mãe e a melhor pessoa que podia para aquele ser pequenininho que precisava exclusivamente de mim.


Ser mãe não me impediu de ter e de seguir meus sonhos. Novos sonhos. Estudei psicologia e trabalhei com clínica por cinco anos. Fiz pós-graduação em psicanálise e tradução. Sempre fui apaixonada por livros e hoje dedico minha vida à família e à escrita. Escrevia colunas em blogs e possuo alguns contos de romance e terror publicados. Estou na batalha para publicar meu primeiro livro solo e escrevendo meu segundo romance.


Hoje, o “menininho” tem 14 anos. Acabei me casando com o pai dele alguns anos mais tarde, aquele namoro que não tinha dado certo durante a gravidez, lembra? E temos mais um filho de 4 anos. 



Após todo esse tempo, não digo que ser mãe tão nova foi fácil, mas afirmo que faria tudo de novo, tudo da mesma forma. Porque em nenhum momento eu me arrependo da escolha que fiz."











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