Pular para o conteúdo principal

Das gratas lembranças que temos

Eu sou muito grata à vida por todas as oportunidades que ela me dá. Vivo intensamente cada instante, aproveito cada momento com a crença de que tudo vale a pena. Se não ganhei nada com a experiência, também não perdi e sim, aprendi.

Durante todas as mudanças que tive, desde pequena, fiz muitos amigos que carrego até hoje, aprendi muitas coisas e a maior das minhas experiências foi perceber ainda bem nova, que o Brasil é enorme, cheio de riquezas, costumes diferentes, sotaques e sabores... e foi em uma destas mudanças que fiz com meus pais, que conheci muitas famílias que adotei pra serem minhas, para carregar pra sempre, pra sermos primos(as), tios(as), irmãos(ãs)... e ontem, uma das minhas "tias" que escolhi, deixou esse mundo.

É difícil estar longe nessas horas.

Muitas lembranças da minha infância foram na casa dela.

Quando moramos longe de nossas famílias é bem isso que acontece, escolhemos. Vivi isso na minha infância, onde também morávamos longe da cidade natal e vivo essa experiência até hoje... Das várias etapas da minha vida, muitas foram lá, comendo o delicioso e inesquecível pão que ela fazia, ou suas roscas doces e da sua dispensa lotada que eu me encantava só de olhar. A casa da Beatriz tinha cheiro de coisa boa, amaciante, bolo e brincadeira. As melhores risadas, charadas, "gato-mia"...

A Beatriz era assim. Linda! Incansável, acessível, agregadora, sempre com um belo sorriso e uma risada boa, daquelas que não dá vontade de sair de perto. Na casa dela, fiz os melhores "sleepovers" da vida, onde juntávamos as duas camas das amigas, um cobertor enrolado no meio pra não doer as costas e muita risada... que delicia!

Minha gratidão é enorme por todos estes momentos inesquecíveis Beatriz! Obrigada por todo o seu carinho e amor com essa Juliana aqui que passou por momentos muito alegres com vocês! Na sua casa, com minhas melhores amigas. Lá tive a oportunidade de aprender a acreditar que éramos cantoras, tínhamos uma banda e o mundo perdia nossos talentos. Aprendi a rir de mim mesma quando errava, a fazer piadas, caretas... éramos as o "Trio das Branquelas sardentas". Até nisso eu me identificava com vocês. Você fez muita diferença no meu pequeno mundo Beatriz! 💓 Que o céu te receba em festa! 💖

*

*

*


Eu precisava desabafar... como a gente fica muito só, eu procuro escrever e até comecei escrevendo em um caderno e resolvi passar pra cá. Estou muito sumida desde espaço que eu A.Do.Ro. Falta-me tempo e não vontade.

Eu corri pra escrever pois tenho pensado muito coisaquetodosnosfazemosmasnomeucasoépatologico nessa coisa de lar, de onde vivemos, das frases "Distance has no meaning. The heart always finds its way home" ( Distancia não tem significado. O coração sempre encontra o caminho de casa )... enfim. A gente sempre se questiona onde é realmente o nosso lar, quando estamos longe.

Mudanças sempre fizeram parte de minha vida, desde pequena, acompanhando meu pai que também é engenheiro, há treze anos, acompanho o marido e meus filhos, há sete anos conosco, seguem nos acompanhando e aprendendo também desde cedo a lidar com estes sentimentos. No fim, a gente aprende a lidar com isso (ou quase), mas no meu caso, não chega a ser tão natural como muitos pensam ser. Eu me esforço bastante e procuro aprender sempre.

Hoje, ao pensar na Beatriz, na sua família (minhas amigas, irmãs) e em todas as nostálgicas lembranças que vieram a tona, agradeci pelas mudanças. Não fossem elas, eu não teria tido a oportunidade de encontrar com tanta gente bacana nesse mundo, que construíram a Juliana de hoje e me constroem o tempo todo. Dai me reconforto, converso comigo mesma, elaboro e agradeço.



P.S. Dias após eu escrever este desabafo (obrigada por ler), recebi de minhas amigas um audio de uma gravação (de fita cassete) que fizemos na casa deles quando eu tinha nove anos de idade. O mais incrível do audio, foi relembrar com som aquilo que meu coração ja sentia. A gente brincando, rindo... de repente, o audio grava a Beatriz falando ao fundo, chamando uma das filhas e dizendo: "Vem gravar, vem construir memórias" ...

Precisa dizer algo mais?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filho é filho! Já dizia a sábia raposa...

Não foi à toa que voltei a escrever e antes de voltar no tempo e tentar resgatar as memórias destes quase quatro anos de pausa, vou compartilhando as novidades “fresquinhas”.  Dias atrás, “Tom”, 10a, chegou em casa com um livro da escola. Aliás, coisa que adoro por estas bandas dos alpes gelados é que a leitura diária é levada muito a sério. E eles tem que ler em voz alta para alguém, que neste caso, sou euzinha. Cada um na sua vez, diariamente e eu virei uma “ouvidora” de histórias. Então, “taveu” fazendo catando algum chinelo, lápis, coco da cachorra algo que não me lembro bem agora e lá vem Tom, pra fazer a leitura deste livro:    O livro era daqueles antigões, com a capa dura e um cheirinho peculiar de naftalina (Oi?). Mas era da biblioteca da escola e estava bem conservado e encapadinho. Ainda perguntei a ele: “ Quem escolheu este livro filho? ” e ele… “ eu mãe, achei a capa bonitinha” .  O livro não tinha propriamente uma capa com apelo interessante para a le

Lágrimas em letras

Filho do irmão da minha mãe com a irmã do meu pai. Como? Isso mesmo, éramos primo/irmãos. As mesmas avós e avôs, os mesmos tios, as mesmas histórias. Você?  Lindo. Lindo mesmo!!! Wow!! Sempre foi uma criança linda, um menino com um narizinho arrebitado e perfeito que sempre tirava sarro de um teatrinho de Natal que euzinha preparei e claro, te levei junto. Você ria e me lembrava destes micos que pagamos em nossas infâncias. Brincávamos no terreiro de café da casa do "vô"Júlio, tomávamos guaraná Cibel na casa da "vó" Nadéia e quando nos tornamos adolescentes, continuamos juntos. Tantas baladas! Você sempre alegre, carinhoso, arrasava corações e meus ex-namorados sempre sentiam ciúmes do meu primo. E como a gente dançava? Noooooossssaaa, como a gente dançava. Na festa do meu casamento, (que aliás, você deu a maior força para o maridão que está aqui), todos se lembram de como você me tirou pra dançar, mas como não podia roubar a cena do noivo, pegou minha mã

Minha relação com a amamentação.

Este post contém fragmentos de uma história que custei a colocar pra fora... Imagem da web Eu queria ter escrito este texto ainda adolescente, pois desde aquela época o tema amamentação surgiu na primeira terapia que procurei sozinha, na tentativa de tentar entender o incomodo que insistia em aparecer e eu não sabia de onde. Na época, me indicaram um então conceituado profissional e foi então que comecei a fazer parte de um grupo selecto de pessoas que leram o prospecto de um dos livros escritos por ele, antes de ser publicado: "Terapia pela roupa" , do psicólogo Mamede Alcântara. Meu nome está lá, nos agradecimentos :-), é só conferir. Durante um momento da terapia, surgiu no inconsciente um sentimento estranho. Eu sentia uma fome e uma dor muito grande, como uma agonia mesmo. Chorei, tive cólicas, me contorci. Neste momento, ele me pediu para chegar em casa e conversar com minha mãe e saber um pouco mais sobre meu nascimento, meu parto, enfim, meu passado. Minha